"Mamã mão!" "Mamã mão!" - pego-lhe na mão, o irmão corre mais à frente. Tenta conduzir-me onde pretende mostrar-me alguma coisa. Dirige-se a um velho tronco de árvore e diz: "mamã buota", entendo o termo "bolota", mas não percebo o contexto. Volta a repetir: "mamã buota", de repente olho e vejo um buraquinho no tronco da árvore, está cheio de bolotas. O irmão chega a correr e trás mais duas bolotas nas mãos, delicadamente coloca-as no buraquinho, batem palmas os dois... Eu também. Têm um armazém de bolotinhas os meus pipizes, no tronco de uma árvore velha...
Já sabem o que são bolotas, pinhas, cogumelos, relva, árvores, pássaros, musgo... Vivem em contacto com a natureza. Sujam as roupas, os sapatos, as mãos e as unhas parecem as das "meninas da Ribeira do Sado" que lavram a terra com as "unhas dos pés".
O que eles querem é andar cá fora a correr, a ver a laranjas verdes nas árvores e os figos nas figueiras. Vão às cabaças do Natal dão-lhes chutos porque pensam que são bolas... Apanham as bolotas do chão e as folhas que o Outono tira das árvores, aos pequenos ramos do chão dizem "Pau!Pau!" e vão apanhá-los. Vão ver o cão à sua "mansão" e chamam "cão Dino" e dizem "au au".
São felizes os meus pips, têm a felicidade que muitas crianças não têm, estão em casa com as avós e têm muito espaço para correrem, muita natureza para conhecerem. Aquilo que outros miúdos conhecem bem, eles não ligam a mínima. Não querem saber do Noddy, do Ruca e companhia, a televisão não lhes diz nada. Querem é ver os peixes, os gatos, as bolotas e outras coisas que tal.
Acho que é isso mesmo que eu pretendo para eles, que cresçam em contacto com a natureza sem ficarem dependentes da televisão, consolas e "game-boys", porque se há coisa que não gosto é de ver miúdos agarrados horas às televisões e outros objectos que tal. Mesmo ao fim de semana, quando não vamos para as avós, tento sempre levá-los a qualquer sítio interessante: Dar uma volta à beira mar, para eles mexerem na areia que adoram; Ir a um parque infantil andar nos escorregas e nos baloiços, qualquer coisa ao ar livre. É raro irmos a centros comerciais com eles, muito raro mesmo.
Beijos a todas
sexta-feira, outubro 17, 2008
quarta-feira, outubro 01, 2008
Esta época do ano é sempre de grande intensidade laboral para mim. Até aqui nada de novo, só que a minha pequena prole a cada dia fica mais exigente, o que tudo junto faz com que ainda acumule mais cansaço.
Sempre me disseram que quando eles começassem a andar é que eu ia ver o que era ter trabalho. Eu sempre disse, que iria preferir essa fase à fase das mamadeiras e dos choros das cólicas. E de facto aprecio muito mais agora do que anteriormente, mas que dá cá uma canseira... Isso dá!
Eles é saltarem para cima das cadeiras, mesas, sofás; Ligam e desligam as luzes, televisões vezes sem conta; tentam agarrar (e na maior parte das vezes conseguem) tudo o que está em cima dos móveis; Atiram comida em todas as direcções e por vezes enfiam os pratos cheios na cabeça como se de chapéus se tratassem; Se apanham papel higiénico é vê-lo espalhado pela casa fora... Enfim...
A minha casa já esqueci. Está sempre completamente caótica: Os brinquedos espalhados por todo o lado, as cadeiras deitadas no chão para eles não subirem para cima delas, os móveis despidos, tudo o que eles não possam mexer colocado em sitios altos estratégicos o que se torna até piada, por exemplo quando vamos à casa de banho e temos de fazer uma ginástica imensa para chegarmos ao papel higiénico.
São imensamente curiosos e principalmente como diz o pai: "São dois!" - Andam sempre atrás um do outro e se falta um o outro pergunta logo: "A mana?" - "O mano?"
A parte boa da questão é que depois das férias já adormecem sózinhos nas suas caminhas. Há horinha deles lá os vou deitar e já ficam quietinhos sózinhos com a luz apagada e adormecem. Por isso amigas que adormecem os bebés ao colo: "Não se preocupem, na hora certa eles vão começar a adormecer sózinhos!"
O L. ainda não dorme a noite toda, ainda acorda muitas vezes ao meio da noite e por vezes fica acordado durante algum tempo. Dou-lhe um leitinho, mas nem isso é suficiente para ele pegar no sono outra vez, muitas vezes fica a dar voltas na cama, tal e qual como nós quando temos insónias. O meu desespero por não poder dormir é muito, mas tenho muita pena dele e lá o vou tentando acalmar para ver se ele pega no sono outra vez. Quando passadas um ou duas horas ele pega no sono, eu já exausta não consigo dormir, depois quando adormeço já está na hora de levantar... Ando exausta, ás vezes acho que se me deixassem dormia uma semana seguida.
Agora também, começo a ter de assumir coisas que até aqui tinha deixado ficar para trás. E vou ter de começar a acompanhar alguns eventos profissionais fora do país. Vou começar já em fins de Outubro. Tenho de me ausentar do país durante 4 dias, nem ando bem... Vai ser a primeira vez que fico longe deles, ando com o coração apertado.
Beijos a todas
Sempre me disseram que quando eles começassem a andar é que eu ia ver o que era ter trabalho. Eu sempre disse, que iria preferir essa fase à fase das mamadeiras e dos choros das cólicas. E de facto aprecio muito mais agora do que anteriormente, mas que dá cá uma canseira... Isso dá!
Eles é saltarem para cima das cadeiras, mesas, sofás; Ligam e desligam as luzes, televisões vezes sem conta; tentam agarrar (e na maior parte das vezes conseguem) tudo o que está em cima dos móveis; Atiram comida em todas as direcções e por vezes enfiam os pratos cheios na cabeça como se de chapéus se tratassem; Se apanham papel higiénico é vê-lo espalhado pela casa fora... Enfim...
A minha casa já esqueci. Está sempre completamente caótica: Os brinquedos espalhados por todo o lado, as cadeiras deitadas no chão para eles não subirem para cima delas, os móveis despidos, tudo o que eles não possam mexer colocado em sitios altos estratégicos o que se torna até piada, por exemplo quando vamos à casa de banho e temos de fazer uma ginástica imensa para chegarmos ao papel higiénico.
São imensamente curiosos e principalmente como diz o pai: "São dois!" - Andam sempre atrás um do outro e se falta um o outro pergunta logo: "A mana?" - "O mano?"
A parte boa da questão é que depois das férias já adormecem sózinhos nas suas caminhas. Há horinha deles lá os vou deitar e já ficam quietinhos sózinhos com a luz apagada e adormecem. Por isso amigas que adormecem os bebés ao colo: "Não se preocupem, na hora certa eles vão começar a adormecer sózinhos!"
O L. ainda não dorme a noite toda, ainda acorda muitas vezes ao meio da noite e por vezes fica acordado durante algum tempo. Dou-lhe um leitinho, mas nem isso é suficiente para ele pegar no sono outra vez, muitas vezes fica a dar voltas na cama, tal e qual como nós quando temos insónias. O meu desespero por não poder dormir é muito, mas tenho muita pena dele e lá o vou tentando acalmar para ver se ele pega no sono outra vez. Quando passadas um ou duas horas ele pega no sono, eu já exausta não consigo dormir, depois quando adormeço já está na hora de levantar... Ando exausta, ás vezes acho que se me deixassem dormia uma semana seguida.
Agora também, começo a ter de assumir coisas que até aqui tinha deixado ficar para trás. E vou ter de começar a acompanhar alguns eventos profissionais fora do país. Vou começar já em fins de Outubro. Tenho de me ausentar do país durante 4 dias, nem ando bem... Vai ser a primeira vez que fico longe deles, ando com o coração apertado.
Beijos a todas
quarta-feira, setembro 17, 2008
A propósito de opções de vida
O meu sonho nunca foi ser mãe. Não era assim um sonho de criança/adolescente, como muita gente tem. Muitas raparigas brincam com as suas bonecas como se fossem as suas mães, e sonham desde cedo com a maternidade. Eu não.
Na altura das bonecas brincava com elas vestindo-as para irem a grandes festas e terem vidas faustosas como as das princesas. Retalhava cortinas velhas e metia-as na máquina de costura da minha mãe, fazia vestidos farfalhudos e tentava fazer grandes penteados às pobres. Lavava as cabeças na banheira e com o secador tentava fazer grandes caracóis. O que acontecia invariavelmente era que queimava o cabelo às ditas e cada vez ia queimando mais a cada insistência. O resultado: Hoje tenho uma parafrenália de bonecas carecas ou com uns fios de cabelo queimado...
Mesmo em casada durante alguns anos pusemos mesmo a hipótese de não termos filhos. Não porque não gostassemos de crianças, mas pela grande responsabilidade de trazer uma criança a um mundo (principalmente país), com tão pouco para oferecer. E nós com uma vida tão sobrecarregada achávamos que realmente também teríamos tão pouco tempo para disponibilizar, que o pouco tempo que tinhamos deveria ser usado em nosso proveito.
Claro que a semente existe dentro de cada uma de nós (só que para algumas demora mais tempo a germinar). A minha semente despontou e foi crescendo. Mas confesso que nunca fui uma mulher cujo objectivo maior seria o de ser mãe.
Queria muito ser mãe sim. Mas esse não foi nunca o meu cavalo de batalha, não era a razão do meu viver. Quando segui para os tratamentos, ia com a firme convicção de tentar 2 ou 3 vezes e não mais.
Fui fazê-lo porque um dia mais tarde ao olhar para trás não queria ter a sensação de que tinha ficado à porta e não tinha tido coragem para bater e entrar... As minhas expectativas eram nulas, e acho que foi por isso que resultou.
Nesta perspectiva, torna-se para mim difícil aconselhar, opinar ou até fazer qualquer tipo de juízo de valor, quando alguém que já tentou algumas vezes quer desistir e não prosseguir com a luta ou quando alguém que já tentou muitas vezes a pretende prosseguir. Confesso que não sei o que dizer porque não fui posta à prova e não sei o que teria feito se não tivesse conseguido à primeira.
Uma coisa é eu dizer que faria isto e aquilo, outra coisa é a realidade dos factos.
Na verdade sou uma pessoa que lida mal com as frustrações, por isso, evito entrar em guerras onde sei que sou eu a parte mais fraca para não ter de lidar com a derrota. É assim em todos os aspectos da minha vida, onde sei que tenho mais chances de perder do que de ganhar, tento... Nunca deixo de tentar. Mas contorno se o resultado não me é favorável. Acho que sou defensora daquela máxima de que "mais vale um cobarde vivo que um herói morto".
No entanto, acho hilariante, que existam sempre pessoas prontas a opinar sobre isto e sobre aquilo, mesmo sem conhecimento de causa. Ainda noutro dia assisti num fórum a uma acesa discussão sobre "dadores de esperma", num fórum mesmo ao lado de um fórum sobre "infertilidade". Verifiquei que as pessoas não fazem idéia nenhuma daquilo que se passa realmente e acham muito simples darem as suas opinões, sem terem em consideração o contexto que poderá estar por detrás de cada escolha (neste caso a doação de gâmetas).
Fez-me lembrar uma celeuma que existiu há uns anos por cá, quando se descobriu um blog de uma "fulana", que tinha um post dedicado aos blogs da infertilidade (pouco simpático evidentemente). As pessoas realmente deviam contextualizar as suas opiniões em vez de alardearem aos sete ventos que quem "faz isto ou aquilo" é um "este" e um "aquele".
Beijos a todas
Na altura das bonecas brincava com elas vestindo-as para irem a grandes festas e terem vidas faustosas como as das princesas. Retalhava cortinas velhas e metia-as na máquina de costura da minha mãe, fazia vestidos farfalhudos e tentava fazer grandes penteados às pobres. Lavava as cabeças na banheira e com o secador tentava fazer grandes caracóis. O que acontecia invariavelmente era que queimava o cabelo às ditas e cada vez ia queimando mais a cada insistência. O resultado: Hoje tenho uma parafrenália de bonecas carecas ou com uns fios de cabelo queimado...
Mesmo em casada durante alguns anos pusemos mesmo a hipótese de não termos filhos. Não porque não gostassemos de crianças, mas pela grande responsabilidade de trazer uma criança a um mundo (principalmente país), com tão pouco para oferecer. E nós com uma vida tão sobrecarregada achávamos que realmente também teríamos tão pouco tempo para disponibilizar, que o pouco tempo que tinhamos deveria ser usado em nosso proveito.
Claro que a semente existe dentro de cada uma de nós (só que para algumas demora mais tempo a germinar). A minha semente despontou e foi crescendo. Mas confesso que nunca fui uma mulher cujo objectivo maior seria o de ser mãe.
Queria muito ser mãe sim. Mas esse não foi nunca o meu cavalo de batalha, não era a razão do meu viver. Quando segui para os tratamentos, ia com a firme convicção de tentar 2 ou 3 vezes e não mais.
Fui fazê-lo porque um dia mais tarde ao olhar para trás não queria ter a sensação de que tinha ficado à porta e não tinha tido coragem para bater e entrar... As minhas expectativas eram nulas, e acho que foi por isso que resultou.
Nesta perspectiva, torna-se para mim difícil aconselhar, opinar ou até fazer qualquer tipo de juízo de valor, quando alguém que já tentou algumas vezes quer desistir e não prosseguir com a luta ou quando alguém que já tentou muitas vezes a pretende prosseguir. Confesso que não sei o que dizer porque não fui posta à prova e não sei o que teria feito se não tivesse conseguido à primeira.
Uma coisa é eu dizer que faria isto e aquilo, outra coisa é a realidade dos factos.
Na verdade sou uma pessoa que lida mal com as frustrações, por isso, evito entrar em guerras onde sei que sou eu a parte mais fraca para não ter de lidar com a derrota. É assim em todos os aspectos da minha vida, onde sei que tenho mais chances de perder do que de ganhar, tento... Nunca deixo de tentar. Mas contorno se o resultado não me é favorável. Acho que sou defensora daquela máxima de que "mais vale um cobarde vivo que um herói morto".
No entanto, acho hilariante, que existam sempre pessoas prontas a opinar sobre isto e sobre aquilo, mesmo sem conhecimento de causa. Ainda noutro dia assisti num fórum a uma acesa discussão sobre "dadores de esperma", num fórum mesmo ao lado de um fórum sobre "infertilidade". Verifiquei que as pessoas não fazem idéia nenhuma daquilo que se passa realmente e acham muito simples darem as suas opinões, sem terem em consideração o contexto que poderá estar por detrás de cada escolha (neste caso a doação de gâmetas).
Fez-me lembrar uma celeuma que existiu há uns anos por cá, quando se descobriu um blog de uma "fulana", que tinha um post dedicado aos blogs da infertilidade (pouco simpático evidentemente). As pessoas realmente deviam contextualizar as suas opiniões em vez de alardearem aos sete ventos que quem "faz isto ou aquilo" é um "este" e um "aquele".
Beijos a todas
terça-feira, setembro 09, 2008
Controvérsias
A primeira semana custou, no fim-de-semana, quase que não conseguia sentar-me na sanita, tais eram as dores nos musculos. Pegar nos miúdos era o supremo sacrificio e quando eles me pisavam os doridos musculos um esgar seguido de um "obrigadinho filho(a), estava mesmo a precisar disso". Ontem já correu melhor, até porque fazer exercício em cima dos musculos doridos, ajuda a passar a dor (so I think), e já estou melhorzita.
Soube-me bem, soltar a adrenalina, trautear umas músicas e suarrrr, suar muito. Bem bom!
No entanto, ainda não consegui cortar o cordão umbilical, fico sempre remorseada a pensar neles, e porque não estou com eles... Eles também ao que consta à hora do almoço ouvem chegar um carro e dizem: "Mamã!", e durante o dia lá vão chamando por mim... Coitadinhos.
Tenho andado a ler um pouco de tudo por este nosso pequeno mundo, quando tenho um bocadito ou quando já estou há algumas horas a trabalhar e preciso descansar um pouco, pairo por aí... Tenho seguido na nossa amiga Susana Pina, os posts sobre os custos dos tratamentos de fertilidade, os tempos de espera, e tenho lido os respectivos comentários (alguns infelizes).
Quase todas nós que por cá andamos há algum tempo sabemos a exorbitância dos preços dos tratamentos, e dos medicamentos. Todas nós sabemos que existe um "grande" negócio por detrás da infelicidade de milhares de casais deseperados.
As consultas e tratamentos nos hospitais públicos teimam em não chegar, até porque na maior parte dos casos não há interesse, porque os médicos que fazem nos públicos fazem na privada, e a "coisa" rende mais no privado, ou porque é impossível fazer um maior número de tratamentos com médicos que trabalham só de manhã e de tarde vão para os privados. Os casais, aqueles que têm algum fundo de maneio, lá vão tentando nesta ou naquela clinica, neste ou naquele médico, e fazem 1, 2, 3, ... 15 tratamentos. Alguns têm a sorte de a natureza estar a seu favor e lá conseguem, outros com casos mais complicados, lá vão andando sem que ninguém se ilumine e diga: "Oh pá estes tipos já fizeram N tratamentos sem resultado, vamos a ver porque não resulta!"
É certo que não podemos "meter" todas entidades intervenientes nestes processos no "mesmo saco", até porque a maioria das pessoas que tenha um pouco de interesse e siga alguns fóruns relativos à infertilidade, cedo se apercebe onde estão as clinicas que apresentam resultados e as que não apresentam... É só procurar!
Eu sempre pensei que o ideal seria fazer um tratamento destes num centro público, porque, ali o interesse é nulo. Ou seja, como não pagamos nada (só os medicamentos), não há o interesse do vil metal, ou seja se resulta resulta, se não resulta paga-se o mesmo. Por isso mesmo é que fiz o meu único tratamento num hospital público.
Reconheço que fui uma privilegiada, não só pelo excelente resultado, como também pelo excelente médico que tive a sorte de encontrar no meu caminho e que deu todos os passos comigo. Não foi homem de "empaliar", sempre pôs o preto no branco e eu comecei por onde muitas terminam os tratamentos. Não andei a fazer exames e mais exames, IUUs, IAs, estimulações e outras coisas que tal. Depois das análises hormonais e espermograma, e uma vez que estavam ambos com valores dentro dos normais, fiz uma laparoscopia de diagnóstico (que o meu rico seguro de saúde pagou) e uma vez que não havia nada de muito grave partimos para a FIV, a qual foi denominada teste de fertilização para vermos se os gâmetas fundiam ou não em laboratório, para vermos se poderia existir ou não algum outro problema subjacente. Felizmente não houve e o resultado todos conhecem.
Se nos abstrairmos do preço violento dos tratamentos no privado, e considerarmos que temos a sorte de ir para um público, não podemos ignorar o preço da medicação. Na altura acho que até escrevi algo sobre isso. E temos de considerar que infelizmente muitos são os casais que nem sequer para a medicação têm dinheiro. Existem casais cujos rendimentos são 2 ordenados mínimos mensais, esses casais não podem sequer comprar a medicação.
Antes das férias surgiu-me uma situação dessas. Numa das empresas onde trabalho, os operários não qualificados não são muito bem pagos, rapazes jovens, cujo rendimento mensal ronda os 700 Euros, a mulher também operária, noutra empresa ganha o ordenado mínimo. São jovens, pagam uma casita, e queriam ter filhos... A História todos sabem... Foram encaminhados para o hospital aqui da zona, que por acaso tem serviço de Medicina de Reprodução, e chegaram a marcar o tratamento, protocolo, etc. Só que ninguém lhes disse quanto custaria a medicação, chegaram à farmácia e voltaram para trás porque não tinham dinheiro, as famílias também com parcos rendimentos não tinham para emprestar. Até que o rapaz veio falar comigo e contar-me a situação, para ver se seria posssível conceder-lhe um empréstimo sobre o salário, para ir descontando por mês... Sem entrar em grandes pormenores, lá lhe fiz ver que este poderia ser o primeiro de muitos tratamentos e o primeiro de muitos dinheiros que eles iam precisar (os pobres julgavam que eram favas contadas... Ninguém lhes disse que as percentagens de sucesso são em muito inferiores aos sucessos), mas emprestei-lhe o dinheiro. Felizmente a sorte esteve do lado deles, vão ter uma menina, o dinheiro ele ainda não sabe mas vou oferecê-lo como presente para aquela menina que vai nascer, nunca tive intenção de lho cobrar, mas também não lhe poderia dar outro se esta tentativa não tivesse dado certo... É a vida...
Beijos a todas
Soube-me bem, soltar a adrenalina, trautear umas músicas e suarrrr, suar muito. Bem bom!
No entanto, ainda não consegui cortar o cordão umbilical, fico sempre remorseada a pensar neles, e porque não estou com eles... Eles também ao que consta à hora do almoço ouvem chegar um carro e dizem: "Mamã!", e durante o dia lá vão chamando por mim... Coitadinhos.
Tenho andado a ler um pouco de tudo por este nosso pequeno mundo, quando tenho um bocadito ou quando já estou há algumas horas a trabalhar e preciso descansar um pouco, pairo por aí... Tenho seguido na nossa amiga Susana Pina, os posts sobre os custos dos tratamentos de fertilidade, os tempos de espera, e tenho lido os respectivos comentários (alguns infelizes).
Quase todas nós que por cá andamos há algum tempo sabemos a exorbitância dos preços dos tratamentos, e dos medicamentos. Todas nós sabemos que existe um "grande" negócio por detrás da infelicidade de milhares de casais deseperados.
As consultas e tratamentos nos hospitais públicos teimam em não chegar, até porque na maior parte dos casos não há interesse, porque os médicos que fazem nos públicos fazem na privada, e a "coisa" rende mais no privado, ou porque é impossível fazer um maior número de tratamentos com médicos que trabalham só de manhã e de tarde vão para os privados. Os casais, aqueles que têm algum fundo de maneio, lá vão tentando nesta ou naquela clinica, neste ou naquele médico, e fazem 1, 2, 3, ... 15 tratamentos. Alguns têm a sorte de a natureza estar a seu favor e lá conseguem, outros com casos mais complicados, lá vão andando sem que ninguém se ilumine e diga: "Oh pá estes tipos já fizeram N tratamentos sem resultado, vamos a ver porque não resulta!"
É certo que não podemos "meter" todas entidades intervenientes nestes processos no "mesmo saco", até porque a maioria das pessoas que tenha um pouco de interesse e siga alguns fóruns relativos à infertilidade, cedo se apercebe onde estão as clinicas que apresentam resultados e as que não apresentam... É só procurar!
Eu sempre pensei que o ideal seria fazer um tratamento destes num centro público, porque, ali o interesse é nulo. Ou seja, como não pagamos nada (só os medicamentos), não há o interesse do vil metal, ou seja se resulta resulta, se não resulta paga-se o mesmo. Por isso mesmo é que fiz o meu único tratamento num hospital público.
Reconheço que fui uma privilegiada, não só pelo excelente resultado, como também pelo excelente médico que tive a sorte de encontrar no meu caminho e que deu todos os passos comigo. Não foi homem de "empaliar", sempre pôs o preto no branco e eu comecei por onde muitas terminam os tratamentos. Não andei a fazer exames e mais exames, IUUs, IAs, estimulações e outras coisas que tal. Depois das análises hormonais e espermograma, e uma vez que estavam ambos com valores dentro dos normais, fiz uma laparoscopia de diagnóstico (que o meu rico seguro de saúde pagou) e uma vez que não havia nada de muito grave partimos para a FIV, a qual foi denominada teste de fertilização para vermos se os gâmetas fundiam ou não em laboratório, para vermos se poderia existir ou não algum outro problema subjacente. Felizmente não houve e o resultado todos conhecem.
Se nos abstrairmos do preço violento dos tratamentos no privado, e considerarmos que temos a sorte de ir para um público, não podemos ignorar o preço da medicação. Na altura acho que até escrevi algo sobre isso. E temos de considerar que infelizmente muitos são os casais que nem sequer para a medicação têm dinheiro. Existem casais cujos rendimentos são 2 ordenados mínimos mensais, esses casais não podem sequer comprar a medicação.
Antes das férias surgiu-me uma situação dessas. Numa das empresas onde trabalho, os operários não qualificados não são muito bem pagos, rapazes jovens, cujo rendimento mensal ronda os 700 Euros, a mulher também operária, noutra empresa ganha o ordenado mínimo. São jovens, pagam uma casita, e queriam ter filhos... A História todos sabem... Foram encaminhados para o hospital aqui da zona, que por acaso tem serviço de Medicina de Reprodução, e chegaram a marcar o tratamento, protocolo, etc. Só que ninguém lhes disse quanto custaria a medicação, chegaram à farmácia e voltaram para trás porque não tinham dinheiro, as famílias também com parcos rendimentos não tinham para emprestar. Até que o rapaz veio falar comigo e contar-me a situação, para ver se seria posssível conceder-lhe um empréstimo sobre o salário, para ir descontando por mês... Sem entrar em grandes pormenores, lá lhe fiz ver que este poderia ser o primeiro de muitos tratamentos e o primeiro de muitos dinheiros que eles iam precisar (os pobres julgavam que eram favas contadas... Ninguém lhes disse que as percentagens de sucesso são em muito inferiores aos sucessos), mas emprestei-lhe o dinheiro. Felizmente a sorte esteve do lado deles, vão ter uma menina, o dinheiro ele ainda não sabe mas vou oferecê-lo como presente para aquela menina que vai nascer, nunca tive intenção de lho cobrar, mas também não lhe poderia dar outro se esta tentativa não tivesse dado certo... É a vida...
Beijos a todas
segunda-feira, setembro 01, 2008
É desta que me candidato a Miss
Depois de quase 2 anos de paragem, é hoje que tiro as teias de aranha às sapatilhas, aos tops e às calças de ginástica. Ok!.. Está bem!!... Eu confesso que até comprei umas sapatilhas e
equipamento todo novo (porque mulher que é mulher tem de comemorar certas datas à maneira...), mas vai ser hoje que tiro as etiquetas...
Sinto a adrenalina, a as saudades que já me picavam há algum tempo, estou cheiinha de vontade de voltar.
Adepta incondicional do exercício físico e da boa forma física, fui fiel praticante de algumas modalidades no ginásio cá da terra, durante longos e bons anos. No tempo das aeróbicas e steps, era o que fazia. Com a introdução das novas modalidades, há alguns anos, era fácil ver-me de luvas pretas na mão e calças de camuflado a praticar Bodycombat, com os pesos às costas no Bodypump, e de calções de ciclista nas aulas de RPM, claro que não faltava a umas aulitas de ginástica localizada, para perder a inexistente (na altura) barriguita.
Durante muito tempo ouvi a piada que não queria ter filhos com medo de me estragarem o corpinho...
Durante muito tempo tive receio que esta minha carga de exercício físico fosse o factor impeditivo para a chegada dos ditos filhos...
Mas isso foi no passado, agora quero o meu corpinho de volta e não quero mais filhinhos. Portanto há que recomeçar!
Durante este primeiro quase ano e meio deles, quis dedicar-me em absoluto, e estar com eles na hora do meu almoço e tudo. Agora, e apesar de eles continuarem com as avós, 2 ou 3 vezes durante a semana, à hora do almoço não estarei com eles (que saudades!!!) e vou cuidar (finalmente) de mim.
Vou aniquilar a barriguita que teima em não desaparecer, e a celulite que teima em alojar-se nas minha pernas, porque apesar de em termos de figura vestir as minhas roupas anteriores à gravidez desde que os meus pips tinham 15 dias, a verdade é que ficaram algumas sequelas, que foram agravando com a falta de exercício, por isso: Bye! Bye!
Claro que vai ser duro, acho que já nem sei colocar os pesos na barra do Bodypump. E vou ter de fazer com o peso mínimo, e mesmo assim, amanhã acho que nem me vou conseguir sentar.... Mas estou cheiinha de vontade de vestir a roupa preta (só tenho equipamentos pretos e brancos) e sentir o suor, e o stress deixarem o meu corpo; Relaxar nem que seja aquela pequena porção de tempo em que ali estou...
Agora é que vou ficar jeitosa!?!...
Beijos a todas
equipamento todo novo (porque mulher que é mulher tem de comemorar certas datas à maneira...), mas vai ser hoje que tiro as etiquetas...
Sinto a adrenalina, a as saudades que já me picavam há algum tempo, estou cheiinha de vontade de voltar.
Adepta incondicional do exercício físico e da boa forma física, fui fiel praticante de algumas modalidades no ginásio cá da terra, durante longos e bons anos. No tempo das aeróbicas e steps, era o que fazia. Com a introdução das novas modalidades, há alguns anos, era fácil ver-me de luvas pretas na mão e calças de camuflado a praticar Bodycombat, com os pesos às costas no Bodypump, e de calções de ciclista nas aulas de RPM, claro que não faltava a umas aulitas de ginástica localizada, para perder a inexistente (na altura) barriguita.
Durante muito tempo ouvi a piada que não queria ter filhos com medo de me estragarem o corpinho...
Durante muito tempo tive receio que esta minha carga de exercício físico fosse o factor impeditivo para a chegada dos ditos filhos...
Mas isso foi no passado, agora quero o meu corpinho de volta e não quero mais filhinhos. Portanto há que recomeçar!
Durante este primeiro quase ano e meio deles, quis dedicar-me em absoluto, e estar com eles na hora do meu almoço e tudo. Agora, e apesar de eles continuarem com as avós, 2 ou 3 vezes durante a semana, à hora do almoço não estarei com eles (que saudades!!!) e vou cuidar (finalmente) de mim.
Vou aniquilar a barriguita que teima em não desaparecer, e a celulite que teima em alojar-se nas minha pernas, porque apesar de em termos de figura vestir as minhas roupas anteriores à gravidez desde que os meus pips tinham 15 dias, a verdade é que ficaram algumas sequelas, que foram agravando com a falta de exercício, por isso: Bye! Bye!
Claro que vai ser duro, acho que já nem sei colocar os pesos na barra do Bodypump. E vou ter de fazer com o peso mínimo, e mesmo assim, amanhã acho que nem me vou conseguir sentar.... Mas estou cheiinha de vontade de vestir a roupa preta (só tenho equipamentos pretos e brancos) e sentir o suor, e o stress deixarem o meu corpo; Relaxar nem que seja aquela pequena porção de tempo em que ali estou...
Agora é que vou ficar jeitosa!?!...
Beijos a todas
terça-feira, agosto 26, 2008
O regresso
Com um tempo ameno, nada digno do mês de Verão por excelência, carregamos o carro (e como ele ia carregado coitado), reunimos a criançada e lá fomos rumo ao nosso destino de sempre: A praia da T.
Não é de agora, este é já um destino eleito por nós há anos, é uma praia extensa, com um enorme areal (já foi maior...) de areia branca, é um sítio ainda pouco frequentado (e ainda bem), um lugar onde podemos respirar um pouco de ar puro e descansar (ufa!).
Ora, este ar puro é muitas vezes "reforçado" com umas nortadas que é um grande senão, senão que aliás todas as praias do litoral norte acabam por sofrer, umas com maior outras com menor intensidade. As nortadas aliadas ao oceano frio, tornam o prato pouco apetecível, sobretudo para quem tem crianças.
Quando eramos só nós, faziamos ali uma semana ou 15 dias e iamos 1 semana ou 10 dias para qualquer destino mais ou menos recôndito. Agora com eles, torna-se um bocado impraticável, estarmos sempre ali, até porque queremos que eles aproveitem em pleno o que de melhor tem o verão.
De baixo de chuva rumamos a terras do sul, com eles tão pequenos recuso-me a metê-los num avião para qualquer destino mais longínquo. Saímos de cá com 18 graus e chegamos lá com 32 (Estamos a falar do mesmo país...).
Logo que chegamos "ala que se faz tarde" e fomos logo para a praia, com aquela temperatura boa ficaram logo descapotáveis e foram "molhar os pés", rapidamente molharam as pernas, o rabos, os braços, enfim, tomaram um banho completo. O primeiro banho deles no oceano!
Adoraram, se bem que sofriam um pouco com a canícula, caíam de sono como as frutas maduras caem das árvores. Eramos para ficar uma semana mas fomos ficando e estivemos lá quase 2 semanas (só vim embora porque tinha de vir trabalhar...).
As férias com eles são cansativas, até porque não facilito em termos de alimentação, e fazer sopas constantemente dá um trabalhão enorme, além de todos os outros cuidados que eles necessitam. Mas, senti que estas férias foram melhores que as anteriores, eles mais participativos, mais calmos, a apreciarem cada momento. Para nós não há um minuto de descanso enquanto eles estão acordados, mas quando fazem as sestinhas podemos relaxar um pouco e eu até consegui ler um livro (Biba!Biba!).
Como tudo que é bom acaba depressa, eis-me aqui, "back to real life", e a contar os dias para as próximas fériazitas.
Beijos a todas
Não é de agora, este é já um destino eleito por nós há anos, é uma praia extensa, com um enorme areal (já foi maior...) de areia branca, é um sítio ainda pouco frequentado (e ainda bem), um lugar onde podemos respirar um pouco de ar puro e descansar (ufa!).
Ora, este ar puro é muitas vezes "reforçado" com umas nortadas que é um grande senão, senão que aliás todas as praias do litoral norte acabam por sofrer, umas com maior outras com menor intensidade. As nortadas aliadas ao oceano frio, tornam o prato pouco apetecível, sobretudo para quem tem crianças.
Quando eramos só nós, faziamos ali uma semana ou 15 dias e iamos 1 semana ou 10 dias para qualquer destino mais ou menos recôndito. Agora com eles, torna-se um bocado impraticável, estarmos sempre ali, até porque queremos que eles aproveitem em pleno o que de melhor tem o verão.
De baixo de chuva rumamos a terras do sul, com eles tão pequenos recuso-me a metê-los num avião para qualquer destino mais longínquo. Saímos de cá com 18 graus e chegamos lá com 32 (Estamos a falar do mesmo país...).
Logo que chegamos "ala que se faz tarde" e fomos logo para a praia, com aquela temperatura boa ficaram logo descapotáveis e foram "molhar os pés", rapidamente molharam as pernas, o rabos, os braços, enfim, tomaram um banho completo. O primeiro banho deles no oceano!
Adoraram, se bem que sofriam um pouco com a canícula, caíam de sono como as frutas maduras caem das árvores. Eramos para ficar uma semana mas fomos ficando e estivemos lá quase 2 semanas (só vim embora porque tinha de vir trabalhar...).
As férias com eles são cansativas, até porque não facilito em termos de alimentação, e fazer sopas constantemente dá um trabalhão enorme, além de todos os outros cuidados que eles necessitam. Mas, senti que estas férias foram melhores que as anteriores, eles mais participativos, mais calmos, a apreciarem cada momento. Para nós não há um minuto de descanso enquanto eles estão acordados, mas quando fazem as sestinhas podemos relaxar um pouco e eu até consegui ler um livro (Biba!Biba!).
Como tudo que é bom acaba depressa, eis-me aqui, "back to real life", e a contar os dias para as próximas fériazitas.
Beijos a todas
sexta-feira, agosto 01, 2008
Encerrado para ferias!!!
Muito breve, brevemente, só para deixa as notícias da consulta dos 16meses (e meio):
L - pesa 12,330 e mede 88 Cm (aumentou 4 cm desde Maio)
M - pesa 11,950 e mede 86 Cm (aumentou 3,5 desde Maio)
Segundo consta estão melhor que bem, o Pediatra não se cansa de os elogiar (baba, imensa baba)...
Amanhã abalamos para 3 semanas de férias, quer dizer... Férias para eles porque para a mamã aqui vai ser um não acabar de tarefas... Depois damos novidades!
Beijos a todas
L - pesa 12,330 e mede 88 Cm (aumentou 4 cm desde Maio)
M - pesa 11,950 e mede 86 Cm (aumentou 3,5 desde Maio)
Segundo consta estão melhor que bem, o Pediatra não se cansa de os elogiar (baba, imensa baba)...
Amanhã abalamos para 3 semanas de férias, quer dizer... Férias para eles porque para a mamã aqui vai ser um não acabar de tarefas... Depois damos novidades!
Beijos a todas
quinta-feira, julho 31, 2008
Só falta um bocadinho assim...
Com as férias à espreita, por cá o tempo vai escasseando, e a cabeça cansada com tanto trabalho a ser feito e a deixar preparado, não anda também muito inspirada para escrever.No entanto, esta é uma altura do ano carregadinha de recordações, das quais é dificil estar abstraída, acho que cada dia tem um significado especial com o culminar no dia 4 de Agosto. Foi há 2 anos e ainda parece que foi ontem... O tempo voa, simplesmente voa.
Os nosso pipizes estão grandes, espertalhaços e traquinas. Amanhã vamos ao Pediatra para fazermos uma revisão antes de irmos de férias, depois se puder faço o relatório. De resto, como algumas de vós poderam ver, estão o máximo (ou não fossem meus filhos claro...).
Beijos a todas
segunda-feira, julho 28, 2008
Ainda a propósito da Quinta da Fonte
E porque o que bem se escreve deve ser divulgado, eis aqui um texto que considero muito interessante e sobretudo muito verdadeiro. Grande Mário Crespo!
Limpeza étnica - Mário Crespo
O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter. 'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias.
Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'.
Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.'
A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala.
Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
Limpeza étnica - Mário Crespo
O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter. 'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias.
Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'.
Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.'
A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala.
Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
quarta-feira, julho 16, 2008
Mais teorias
Antes de iniciar o périplo das teorias, aproveito para informar que os pips fizeram ontem 16 meses.
Estão enormes, o L tem à volta de 87 cm, e a M. 86. Correm tudo, mexem em tudo e principalmente ele, só faz asneirada... Ela já fala imenso e repete tudo o que dizemos, adoro a maneira como diz "tiaaaa", "Vacaa", "Camaa", "meninaa", tudo dito de uma forma muito certinha dando enfâse à última vogal, é linda. Ele mais trapalhão, lá vai dizendo umas palavritas atabalhoadas.
Em termos verbais, ela é mais desenvolvida, em termos motores sempre foi ele o mais desenrascado e continua a ser. Sobe para cima de sofás, cadeiras, camas, a maior parte das vezes acaba estendido no chão a chorar. Pendura-se em tudo e à conta disso já levou com uma mesinha de cabeceira em cima. Não posso perdê-lo de vista um instante, e mesmo assim elas vão acontecendo.
Em termos de sono (aí vêm as teorias), também, são muito diferentes os meus filhos.
Acho muito bonito que mães, amigas minhas e não só, teorizem acerca dos maus hábitos de dormir dos filhos dos outros. Quando me perguntam acerca dos hábitos de sono dos meus filhos eu até prefiro nem falar. Aparece sempre alguém pronto a dar um palpite, e como eu não pedi nenhum prefiro ignorar.
Os meus filhos, sofreram muito com as cólicas. Principalmente a M. passava horas a berrar e a contorcer-se com as ditas. Apesar disso, conseguíamos que tivesse um sono mais ou menos certinho à noite.
Já o L. sempre foi um bebé que apesar de não ter tantas cólicas como a irmã, sempre teve um sono muito instável, acordava e acorda muitas vezes durante a noite, chorava, queria companhia. Claro que numa fase inicial, a pessoa levanta-se 15 vezes durante a noite para ir acalmá-lo na caminha dele, mas depois, já derrotada pelo cansaço, a pessoa começa a trazer o puto para a nossa cama, e ele sossega, e nós sossegamos, e todos ficamos contentes.
Neste cenário, aos 3 meses tínhamos os putos a dormirem no seu quartinho, os dois, só que a verdade é que passávamos a noite em romaria, porque o L. acordava a chorar, a M. também acordava e tinhamos o circo montado várias vezes por noite. A coisa foi-se aguentando até que eu comecei a trabalhar a tempo inteiro outra vez. Depois disso, tomou-se a decisão de separar os gémeos... E os pais... Um fica num quarto com um, o outro com outro... (A mim calhou-me o jovem L. que dorme mal como o caraças...)
A psicologia é muito bonita... Mas é quando não se tem de trabalhar ao outro dia, ou não se tem trabalho de responsabilidade...
Evidentemente esta solução, apesar dos contras que tem, é uma solução boa para todos, porque conseguimos dormir umas horas seguidas, e até já umas (poucas) noites seguidas. É muito bonito ouvir mães cujos filhos dormem toda a noite desde os 2, 3 meses dizerem que se deve fazer assim e assado.
A verdade é que cada criança é um caso, e não devemos generalizar. Lembro-me de uma altura em que andava à procura de textos sobre "cosleeping", e encontrei um texto de um dos gurus da pedopsiquiatria americana, basicamente do que me recordo, e que foi realmente aquilo que achei importante foi o homem dizer que quando tinha tido o primeiro filho tinha seguido todas as teorias à risca, e tinha dado tudo errado. Então quando teve o segundo filho, comprou a cama maior que conseguiu encontrar...
Às mães que têm sorte que os filhos durmam toda a noitinha nas suas caminhas sem um suspiro sequer: Parabéns!
Às outras mães, cujos filhos acordam várias vezes por noite (o meu ainda esta noite acordou às 4 queria festa, dei-lhe leite às 5, e ele ficou acordado até às 6, e eu também), tenham paciência não estão sózinhas...
Beijos a todas
Estão enormes, o L tem à volta de 87 cm, e a M. 86. Correm tudo, mexem em tudo e principalmente ele, só faz asneirada... Ela já fala imenso e repete tudo o que dizemos, adoro a maneira como diz "tiaaaa", "Vacaa", "Camaa", "meninaa", tudo dito de uma forma muito certinha dando enfâse à última vogal, é linda. Ele mais trapalhão, lá vai dizendo umas palavritas atabalhoadas.
Em termos verbais, ela é mais desenvolvida, em termos motores sempre foi ele o mais desenrascado e continua a ser. Sobe para cima de sofás, cadeiras, camas, a maior parte das vezes acaba estendido no chão a chorar. Pendura-se em tudo e à conta disso já levou com uma mesinha de cabeceira em cima. Não posso perdê-lo de vista um instante, e mesmo assim elas vão acontecendo.
Em termos de sono (aí vêm as teorias), também, são muito diferentes os meus filhos.
Acho muito bonito que mães, amigas minhas e não só, teorizem acerca dos maus hábitos de dormir dos filhos dos outros. Quando me perguntam acerca dos hábitos de sono dos meus filhos eu até prefiro nem falar. Aparece sempre alguém pronto a dar um palpite, e como eu não pedi nenhum prefiro ignorar.
Os meus filhos, sofreram muito com as cólicas. Principalmente a M. passava horas a berrar e a contorcer-se com as ditas. Apesar disso, conseguíamos que tivesse um sono mais ou menos certinho à noite.
Já o L. sempre foi um bebé que apesar de não ter tantas cólicas como a irmã, sempre teve um sono muito instável, acordava e acorda muitas vezes durante a noite, chorava, queria companhia. Claro que numa fase inicial, a pessoa levanta-se 15 vezes durante a noite para ir acalmá-lo na caminha dele, mas depois, já derrotada pelo cansaço, a pessoa começa a trazer o puto para a nossa cama, e ele sossega, e nós sossegamos, e todos ficamos contentes.
Neste cenário, aos 3 meses tínhamos os putos a dormirem no seu quartinho, os dois, só que a verdade é que passávamos a noite em romaria, porque o L. acordava a chorar, a M. também acordava e tinhamos o circo montado várias vezes por noite. A coisa foi-se aguentando até que eu comecei a trabalhar a tempo inteiro outra vez. Depois disso, tomou-se a decisão de separar os gémeos... E os pais... Um fica num quarto com um, o outro com outro... (A mim calhou-me o jovem L. que dorme mal como o caraças...)
A psicologia é muito bonita... Mas é quando não se tem de trabalhar ao outro dia, ou não se tem trabalho de responsabilidade...
Evidentemente esta solução, apesar dos contras que tem, é uma solução boa para todos, porque conseguimos dormir umas horas seguidas, e até já umas (poucas) noites seguidas. É muito bonito ouvir mães cujos filhos dormem toda a noite desde os 2, 3 meses dizerem que se deve fazer assim e assado.
A verdade é que cada criança é um caso, e não devemos generalizar. Lembro-me de uma altura em que andava à procura de textos sobre "cosleeping", e encontrei um texto de um dos gurus da pedopsiquiatria americana, basicamente do que me recordo, e que foi realmente aquilo que achei importante foi o homem dizer que quando tinha tido o primeiro filho tinha seguido todas as teorias à risca, e tinha dado tudo errado. Então quando teve o segundo filho, comprou a cama maior que conseguiu encontrar...
Às mães que têm sorte que os filhos durmam toda a noitinha nas suas caminhas sem um suspiro sequer: Parabéns!
Às outras mães, cujos filhos acordam várias vezes por noite (o meu ainda esta noite acordou às 4 queria festa, dei-lhe leite às 5, e ele ficou acordado até às 6, e eu também), tenham paciência não estão sózinhas...
Beijos a todas
segunda-feira, julho 07, 2008
Era uma manhã soalheira de Outubro, daquelas cujo sol baixo ofusca, mas já não aquece muito. A Avenida ia pejada de risos e conversas dos estudantes com capas e livros, que seguiam a caminho da escola.
Era um cenário habitual na década de 80, os autocarros internos e externos deixavam ficar a estudantada que depois se juntavam aos que vinham a pé de casa, e todos juntos enchiam o ar com aquele burburinho prazeiroso que ainda recordo saudosamente. Hoje ao fazer o mesmo percurso, vinda de casa, dentro do carro, verifico que a Avenida está deserta, em proporção aumentou a número de carros que levam os estudantes agora até à porta da escola.
Íamos as três, eu a J. e a G., na bagageira uma qualquer conversa sobre um qualquer rapaz por quem andassemos a suspirar, ou outro qualquer assunto leve que caracterizava a conversa de três adolescentes de 16 anos.
De repente, a travagem brusca, o barulho de metal a chocar, a bater e a deslizar sobre o asfalto. De repente, um corpo a rebolar aos nossos pés. Aqueles segundos que parecem horas e a rapidez dos movimentos que parece em câmara lenta.
- É o irmão do B. - disse eu ao reconhecer o jovem motociclista caído.
Baixei-me para lhe falar, para ver se estava bem... Ele rapidamente se levantava também, e tentava ver se estava tudo inteiro. Ajudei-o a tirar os livros e o capacete, e suspirei de alívio, aparentemente, aquele rapaz tinha tido só um grande susto, e nós também...
Entretanto aparece um outro amigo que se prontifica a levá-lo ao hospital, porque as mãos sangravam e não conseguia mexer uns dedos. Fiquei com o capacete, com os livros, enquanto outro alguém tratou da mota, prometi que num intervalo lhos ia entregar à escola vizinha, quando ele chegasse do hospital.
Seguimos o nosso trajecto um pouco mais silencioso agora. Fomos para a primeira aula a pensar naquele acidente, e no que realmente poderia ter acontecido ali mesmo debaixo dos nossos olhos.
Nos intervalos ia espreitando para a escola vizinha (eram 2 escolas secundárias, uma em frente à outra, ainda são) para ver se via o rapaz, o irmão do B. Ao meio da manhã lá o vislumbrei e fomos lá levar os seus pertences e inquirir acerca do seu estado. Estava bem, com dois dedos partidos, tinha sido só o susto.
Nos dias seguintes, lá ia ele passando pela escola de cima e nós pela escola de baixo para sabermos como estava.
E foi ali, naquela manhã de Outubro, em finais de 1986, que aquele que viria a ser o pai dos meus filhos, 20 anos depois, me caíu aos pés... O destino tem destas coisas.
Beijos a todas
Era um cenário habitual na década de 80, os autocarros internos e externos deixavam ficar a estudantada que depois se juntavam aos que vinham a pé de casa, e todos juntos enchiam o ar com aquele burburinho prazeiroso que ainda recordo saudosamente. Hoje ao fazer o mesmo percurso, vinda de casa, dentro do carro, verifico que a Avenida está deserta, em proporção aumentou a número de carros que levam os estudantes agora até à porta da escola.
Íamos as três, eu a J. e a G., na bagageira uma qualquer conversa sobre um qualquer rapaz por quem andassemos a suspirar, ou outro qualquer assunto leve que caracterizava a conversa de três adolescentes de 16 anos.
De repente, a travagem brusca, o barulho de metal a chocar, a bater e a deslizar sobre o asfalto. De repente, um corpo a rebolar aos nossos pés. Aqueles segundos que parecem horas e a rapidez dos movimentos que parece em câmara lenta.
- É o irmão do B. - disse eu ao reconhecer o jovem motociclista caído.
Baixei-me para lhe falar, para ver se estava bem... Ele rapidamente se levantava também, e tentava ver se estava tudo inteiro. Ajudei-o a tirar os livros e o capacete, e suspirei de alívio, aparentemente, aquele rapaz tinha tido só um grande susto, e nós também...
Entretanto aparece um outro amigo que se prontifica a levá-lo ao hospital, porque as mãos sangravam e não conseguia mexer uns dedos. Fiquei com o capacete, com os livros, enquanto outro alguém tratou da mota, prometi que num intervalo lhos ia entregar à escola vizinha, quando ele chegasse do hospital.
Seguimos o nosso trajecto um pouco mais silencioso agora. Fomos para a primeira aula a pensar naquele acidente, e no que realmente poderia ter acontecido ali mesmo debaixo dos nossos olhos.
Nos intervalos ia espreitando para a escola vizinha (eram 2 escolas secundárias, uma em frente à outra, ainda são) para ver se via o rapaz, o irmão do B. Ao meio da manhã lá o vislumbrei e fomos lá levar os seus pertences e inquirir acerca do seu estado. Estava bem, com dois dedos partidos, tinha sido só o susto.
Nos dias seguintes, lá ia ele passando pela escola de cima e nós pela escola de baixo para sabermos como estava.
E foi ali, naquela manhã de Outubro, em finais de 1986, que aquele que viria a ser o pai dos meus filhos, 20 anos depois, me caíu aos pés... O destino tem destas coisas.
Beijos a todas
sexta-feira, junho 27, 2008
Teorias
Antes de mais, uma correcção ao post anterior (não, não é acerca do nome da Águia), relativamente ao Dr. Vale Azevedo, que eu infamemente disse que estava no Brasil. Não está! Este facto, tem a ver com a razão de ele ter sido o único português preso por corrupção como é fácil de ver. Então o homem vai ali para o lado viver faustosamente e acha que ninguém vai saber??!! Tivesse ele tido umas lições de vigarice com "algumas" mulheres do Norte (ali mais para o lado de Felgueiras), e ficaria a saber, que o destino melhor para tirar umas "férias" da justiça seria mesmo o Brasil, até porque lá é quente e até poderia fazer uns liftings e tal...
Agora vamos ao assunto do dia, este vai ser um post sobre (des)educação, dos bebés, acho que nunca me manifestei acerca deste tema, que por acaso me é muito querido.
Quando estamos para ter um filho, é natural que vamos deitando a mão a tudo o que se escreve sobre o antes, o durante e o depois e que nos vai chegando às mãos. Principalmente quando os bebés nascem, tentamos encontrar em algum lado, a receita milagreira que nos permita educar os nossos filhos sem a menor margem de erro, como se de uma equação matemática se tratasse.
Rapidamente porém nos apercebemos de que a coisa não é bem assim, e que existem uma quantidade de teorias todas elas de diferente cariz o que ainda nos consegue baralhar mais. Uma das mais faladas e talvez a mais controversa é acerca do choro dos bebés.
É verdade, que a maior parte dos bebés chora muito. Choram pelas mais diversas razões: Ou porque têm fome, porque têm calor, porque têm frio, porque têm cólicas, ou porque simplesmente lhes apetece chorar. Ora, como eles não trazem manual de instruções, para nós mães é sempre dificil saber do que se trata, e umas mais do que as outras reagem de maneiras diferentes ao choro dos bebés.
Eu confesso, que à luz de algumas teorias seria totalmente "pichada e coberta de penas", porque nunca fui capaz de deixar os meus filhos chorarem só porque eles estavam comidos, limpinhos e até nem estavam doentes. Eles choravam e eu dava (e dou) colo. Muito colinho, muito miminho, e passava horas com eles ao colo até os braços chegarem a ficar dormentes.
Para mim não faz qualquer sentido deixar um bebé chorar, porque tem de aprender por si a dormir, ou a estar sossegado ou outra qualquer teoria. Os meus filhos em bebés adormeciam ao colo (e são dois) e posso dizer que era dos momentos que mais apreciava, estar ali com eles observar as suas feições, afagá-los nos meus braços e vê-los sucumbir à confiança num colo que é só deles. Ainda hoje quando precisam os adormeço ao colo, e não posso ouvi-los chorar. Se uma criança não encontra eco para o seu choro no colo da mãe onde vai encontrar??
São mimados? Com certeza que sim, o mais possível, se dar amor e carinho significa mimar! Será que vão ficar crianças mais dependentes pelo facto de terem andado sempre ao colo e não os ter deixado chorar para "aprenderem" a adormecer sózinhos? Talvez sim, mas nem pretendo de outra forma! Quero que os meus filhos saibam sempre que têm apoio e alguém que os acarinhe, porque se não fôr em casa vai ser onde?
Acho que nunca se ouviu falar de nenhum adolescente ainda andar ao colo da mãe. Eles têm tempo para crescerem e se tornarem autónomos e mais rápido do que aquilo que queremos.
Enquanto eu puder e eles quiserem, podem vir sempre agarrar-se às minhas pernas e balbuciar "côa" com os bracinhos estendidos que eu vou dar (o problema é quando está um na "côa" e o outro agarrado às pernas com o mesmo intuíto...).
Beijos a todas
Agora vamos ao assunto do dia, este vai ser um post sobre (des)educação, dos bebés, acho que nunca me manifestei acerca deste tema, que por acaso me é muito querido.
Quando estamos para ter um filho, é natural que vamos deitando a mão a tudo o que se escreve sobre o antes, o durante e o depois e que nos vai chegando às mãos. Principalmente quando os bebés nascem, tentamos encontrar em algum lado, a receita milagreira que nos permita educar os nossos filhos sem a menor margem de erro, como se de uma equação matemática se tratasse.
Rapidamente porém nos apercebemos de que a coisa não é bem assim, e que existem uma quantidade de teorias todas elas de diferente cariz o que ainda nos consegue baralhar mais. Uma das mais faladas e talvez a mais controversa é acerca do choro dos bebés.
É verdade, que a maior parte dos bebés chora muito. Choram pelas mais diversas razões: Ou porque têm fome, porque têm calor, porque têm frio, porque têm cólicas, ou porque simplesmente lhes apetece chorar. Ora, como eles não trazem manual de instruções, para nós mães é sempre dificil saber do que se trata, e umas mais do que as outras reagem de maneiras diferentes ao choro dos bebés.
Eu confesso, que à luz de algumas teorias seria totalmente "pichada e coberta de penas", porque nunca fui capaz de deixar os meus filhos chorarem só porque eles estavam comidos, limpinhos e até nem estavam doentes. Eles choravam e eu dava (e dou) colo. Muito colinho, muito miminho, e passava horas com eles ao colo até os braços chegarem a ficar dormentes.
Para mim não faz qualquer sentido deixar um bebé chorar, porque tem de aprender por si a dormir, ou a estar sossegado ou outra qualquer teoria. Os meus filhos em bebés adormeciam ao colo (e são dois) e posso dizer que era dos momentos que mais apreciava, estar ali com eles observar as suas feições, afagá-los nos meus braços e vê-los sucumbir à confiança num colo que é só deles. Ainda hoje quando precisam os adormeço ao colo, e não posso ouvi-los chorar. Se uma criança não encontra eco para o seu choro no colo da mãe onde vai encontrar??
São mimados? Com certeza que sim, o mais possível, se dar amor e carinho significa mimar! Será que vão ficar crianças mais dependentes pelo facto de terem andado sempre ao colo e não os ter deixado chorar para "aprenderem" a adormecer sózinhos? Talvez sim, mas nem pretendo de outra forma! Quero que os meus filhos saibam sempre que têm apoio e alguém que os acarinhe, porque se não fôr em casa vai ser onde?
Acho que nunca se ouviu falar de nenhum adolescente ainda andar ao colo da mãe. Eles têm tempo para crescerem e se tornarem autónomos e mais rápido do que aquilo que queremos.
Enquanto eu puder e eles quiserem, podem vir sempre agarrar-se às minhas pernas e balbuciar "côa" com os bracinhos estendidos que eu vou dar (o problema é quando está um na "côa" e o outro agarrado às pernas com o mesmo intuíto...).
Beijos a todas
sexta-feira, junho 20, 2008
Bring the boys back home (em apoteose se possível)
E pronto, depois de uma vergonhosa derrota contra uma Alemanha eficaz e certeira, lá termina mais uma campanha da "nossa selecção" por terras estrangeiras. Pode ser que agora deixemos de passar pelos carros e janelas adornados de verde/amarelo... Perdão vermelho e verde, e que o pessoal faça mais umas horitas a trabalhar porque já não tem de sair para ir ver os jogos da selecção.
Evidentemente que não é com alegria que vejo os representantes do país virem para casa, mas se pensarmos bem, a coisa não será assim tão má:
Os rapazes poderão ocupar as mansões no Algarve que estão às moscas, ou ocupadas pelos parasitas amigos e familiares;
As festas do algarve terão outro glamour e as revistas cor de rosa poderão vender mais alguns números à custa do CR7 família, amigos e namoradas;
O "Sinhô" Scolari pode ira passar uns tempos à terra antes de ingressar no Chelsea a 1 de Julho, para receber o seu parco vencimento. Aliás se pensarmos bem, a coisa até foi bem feitinha... Treinador de Portugal assina por um clube em pleno Euro 2008, a notícia até aparece assim do nada... O "home" precisa de uns dias de férias, vai ganhar "xptoyz" e está a borrifar-se para a selecção que ainda treina... AHHHHHHHHHHHHH o vil metal! Mas isso agora...
Agora pode a nação enfim descansar, podem os adeptos sossegar seus corações e deixar de dar lucro às cervejeiras (já nem falo das petrolíferas claro), podemos finalmente pensar naquilo que interessa... Quem irá ser o próximo seleccionador??!!!
Ora, eu votaria no Eusébio, mas o homem tem aquele problema da toalha, e está um bocado acabado.
Podíamos escolher o Pinto da Costa, porque apesar de não ser treinador tem jeito para a coisa e até se dá bem com os árbitros;
O Vale de Azevedo também era uma boa opção mas parece que ninguém sabe em que zona do Brasil ele está (Ah ele está no Brasil???);
Resta-nos talvez a águia (oh pá não sei o nome do bicho!!) pelo menos a ração deve ficar mais barata que as iguarias do chefe Hélio!
Ora como isto é um espaço de debate aceitam-se sugestões (que prontamente enviarei ao Sr. Gilberto Madail, claro!), para o próximo treinador da selecção, remuneração + prémios (envie o seu CV, quem sabe não será o próximo(a)).
Beijos a todas
Evidentemente que não é com alegria que vejo os representantes do país virem para casa, mas se pensarmos bem, a coisa não será assim tão má:
Os rapazes poderão ocupar as mansões no Algarve que estão às moscas, ou ocupadas pelos parasitas amigos e familiares;
As festas do algarve terão outro glamour e as revistas cor de rosa poderão vender mais alguns números à custa do CR7 família, amigos e namoradas;
O "Sinhô" Scolari pode ira passar uns tempos à terra antes de ingressar no Chelsea a 1 de Julho, para receber o seu parco vencimento. Aliás se pensarmos bem, a coisa até foi bem feitinha... Treinador de Portugal assina por um clube em pleno Euro 2008, a notícia até aparece assim do nada... O "home" precisa de uns dias de férias, vai ganhar "xptoyz" e está a borrifar-se para a selecção que ainda treina... AHHHHHHHHHHHHH o vil metal! Mas isso agora...
Agora pode a nação enfim descansar, podem os adeptos sossegar seus corações e deixar de dar lucro às cervejeiras (já nem falo das petrolíferas claro), podemos finalmente pensar naquilo que interessa... Quem irá ser o próximo seleccionador??!!!
Ora, eu votaria no Eusébio, mas o homem tem aquele problema da toalha, e está um bocado acabado.
Podíamos escolher o Pinto da Costa, porque apesar de não ser treinador tem jeito para a coisa e até se dá bem com os árbitros;
O Vale de Azevedo também era uma boa opção mas parece que ninguém sabe em que zona do Brasil ele está (Ah ele está no Brasil???);
Resta-nos talvez a águia (oh pá não sei o nome do bicho!!) pelo menos a ração deve ficar mais barata que as iguarias do chefe Hélio!
Ora como isto é um espaço de debate aceitam-se sugestões (que prontamente enviarei ao Sr. Gilberto Madail, claro!), para o próximo treinador da selecção, remuneração + prémios (envie o seu CV, quem sabe não será o próximo(a)).
Beijos a todas
sexta-feira, junho 13, 2008
Pic - Pic
Nestes dias um pouco ausente, devido ao avolumar de trabalho, e aos jogos da selecção claro (??!!). O calor aperta (finalmente), e a preguiça mental toma conta dos nossos pequenos momentos de ócio (muito pequenos actualmente).
Vou seguindo à distância as diversas viagens dos blogues amigos, uma reais, outras metafóricas e vou aguardando e torcendo para saber como correram. Nostálgica tenho saudades de outros aromas, de outras viagens. O tempo corre e com ele mais um aniversário daquela que foi para mim a viagem das viagens.
Em tempo de nostalgia, fomos no feriado fazer um piquenique (??!!). Há tantos anos que não fazia um piquenique!
O grupo era grande, com muitos miúdos à mistura. As mantas, as almofadas, as lancheiras carregadas de iguarias, os pratos e copos de plástico, os brinquedos, as bolas para jogar na relva, tanto sabor nostálgico.
Foi o primeiro dos pipizes. Para eles tudo novidade, não pararam de brincar com os amiguinhos, com os brinquedos dos amiguinhos e de andar de um lado para o outro. Andaram a debicar de prato em prato, e cada dia que passa é mais dificil mantê-los afastados daquelas iguarias que a mãe considera proibidas (ou seja, quase tudo que nós comemos). Adoram comer e pedir comidinha da que estamos a comer, acho que é sobretudo a descoberta dos novos sabores que os fascina.
Vimos os patos e os peixes, corri atrás deles e eles atrás de mim, e tive aqueles momentos de undercoreved relax, em que me deixei estar sentada a conversar numa aprente descontração, embora, sempre com o olho em cima deles, pronta a saltar quando me desapareciam do ângulo de visão. Iam e vinham sempre de braços abertos e sorrisos rasgados para o colo da mãe com abracinhos e as palavras mágicas - "Mãeeee"; "Mãmã".
Ao meio da tarde cansados de pura exaustão, dormiram deitados numa toalha e cobertos com os casacos, comigo sentada ao lado a velar pelo soninho e a olhar enternecida para aquelas carinhas de anjo que são os meus filhos, as minhas jóias mais preciosas.
Fazem as delícias de todos, estão a crescer serenos e meigos. Aqueles que eram uns bebés berrões estão agora mais calmos, interagem com as outras crianças com serenidade. É claro que continuam a existir aquelas sessões de choro sem nexo ao fim da tarde, há dias que estão calmos, outros estão mais chatitos.
Beijos a todas
Vou seguindo à distância as diversas viagens dos blogues amigos, uma reais, outras metafóricas e vou aguardando e torcendo para saber como correram. Nostálgica tenho saudades de outros aromas, de outras viagens. O tempo corre e com ele mais um aniversário daquela que foi para mim a viagem das viagens.
Em tempo de nostalgia, fomos no feriado fazer um piquenique (??!!). Há tantos anos que não fazia um piquenique!
O grupo era grande, com muitos miúdos à mistura. As mantas, as almofadas, as lancheiras carregadas de iguarias, os pratos e copos de plástico, os brinquedos, as bolas para jogar na relva, tanto sabor nostálgico.
Foi o primeiro dos pipizes. Para eles tudo novidade, não pararam de brincar com os amiguinhos, com os brinquedos dos amiguinhos e de andar de um lado para o outro. Andaram a debicar de prato em prato, e cada dia que passa é mais dificil mantê-los afastados daquelas iguarias que a mãe considera proibidas (ou seja, quase tudo que nós comemos). Adoram comer e pedir comidinha da que estamos a comer, acho que é sobretudo a descoberta dos novos sabores que os fascina.
Vimos os patos e os peixes, corri atrás deles e eles atrás de mim, e tive aqueles momentos de undercoreved relax, em que me deixei estar sentada a conversar numa aprente descontração, embora, sempre com o olho em cima deles, pronta a saltar quando me desapareciam do ângulo de visão. Iam e vinham sempre de braços abertos e sorrisos rasgados para o colo da mãe com abracinhos e as palavras mágicas - "Mãeeee"; "Mãmã".
Ao meio da tarde cansados de pura exaustão, dormiram deitados numa toalha e cobertos com os casacos, comigo sentada ao lado a velar pelo soninho e a olhar enternecida para aquelas carinhas de anjo que são os meus filhos, as minhas jóias mais preciosas.
Fazem as delícias de todos, estão a crescer serenos e meigos. Aqueles que eram uns bebés berrões estão agora mais calmos, interagem com as outras crianças com serenidade. É claro que continuam a existir aquelas sessões de choro sem nexo ao fim da tarde, há dias que estão calmos, outros estão mais chatitos.
Beijos a todas
segunda-feira, junho 02, 2008
Não sei se é de mim
Mas, todo este "show off" à volta da selecção portuguesa de futebol com carácter de palhaçada dá-me uma azia daquelas.
Não se compreende, que num país que se afunda a uma velocidade superior à do Titanic, onde nos poucos barcos salva-vidas existentes vão somente aqueles cujas contas chorudas estão bem guardadinhas em off shores, e uma grande parte da população está já perto de atingir um limiar de pobreza condizente com os países de terceiro mundo, que se faça tanta palhaçada e gasto desmedido para umas dezenas de pessoas, cujo único valor é tão só e somente andar a correr atrás de uma bola e dar uns chutos que por vezes são bem sucedidos e a dita até entra na baliza do adversário (isto já para não falar da respectiva comitiva que acompanha os ditos, que até o "chef" é do mais caro que existe).
Não concordo! Quando vejo hospitais e escolas a cairem por falta de manutenção;
Não concordo! Quando as listas de espera para cirurgias e para simples consultas de especialidade é de meses quando não de anos.
Não concordo! Quando tenho de encher o depósito de combustível do meu carro;
Não concordo! Quando pelos meus 2 filhos recebo de abono de família 40 euros;
Não concordo! Quando existem pessoas reformadas a viverem com reformas de 150 euros por mês;
Não concordo! Por tantas e tantas coisas que se as fosse dizer todas ficava aqui a escrever uma semana inteirinha.
No entanto, o povo, adora isto. Acotovelam-se para poderem nem que seja apenas vislumbrar aqueles cujos salários em conjunto deve ser superior ao PIB português. Gastam o pouco que ainda têm para ir ver passar o autocarro pago com o suor de todos nós, onde somente se vislumbram os semblantes de óculos escuros de marca, cujo valor de aquisição daria para manter quase uma família.
E acenam (os que acenam) enfastiados pelo povinho... Que maçada... Vamos lá acenar aos pacóvitos...
E pagamos nós: Os aviões fretados, os hotéis de luxos, a comitiva, os prémios de jogo, e fazem-se filas para os ver... Mas ver o quê pergunto eu? Ver o quê?
A nossa selecção porventura já ganhou alguma coisa digna desse nome? No máximo um segundo lugar no europeu de 2004, e mais o quê? Um 4º lugar no mundial? E são heróis? Heróis de quê? E quem salva vidas todos os dias? E quem descobre medicamentos que podem curar e/ou melhorar a qualidade de vida de doentes com doenças incuráveis... Esses o que são?
Quando estudava, nunca recebi prémios ou gabões por tirar esta ou aquela nota mais alta. O que recebia era um: "Ísso é o que tu fazes, e só fazes isso, por isso não estás a fazer mais do que a tua obrigação!" - e hoje em dia é por esse lema que reitero os meus princípios, o que faço tenho de fazer bem, até porque é para isso que me pagam. E se alguns conseguem fazer e também tenho de conseguir fazer igual ou melhor.
Então porquê receber em apoteose quem nunca sequer foi o melhor?
Não julguem por isto que escrevo que sou contra o futebol, antes pelo contrário, quando posso vejo os jogos e vibro também. O que acho, e isso sim, é que o que se move à volta de pessoas que simplesmente correm atrás de uma bola é muito exagerado.
Isso mesmo se demonstra naquele spot publicitário em que se vê o povinho a empurrar o autocarro pela estrada fora e os tipos lá dentro "numa boa". É de facto demonstrativo, não daquilo que pretende demonstrar, mas da mentalidadezinha que nos move. E porque não puseram os tipos a empurrar também???
Beijos a todas
Não se compreende, que num país que se afunda a uma velocidade superior à do Titanic, onde nos poucos barcos salva-vidas existentes vão somente aqueles cujas contas chorudas estão bem guardadinhas em off shores, e uma grande parte da população está já perto de atingir um limiar de pobreza condizente com os países de terceiro mundo, que se faça tanta palhaçada e gasto desmedido para umas dezenas de pessoas, cujo único valor é tão só e somente andar a correr atrás de uma bola e dar uns chutos que por vezes são bem sucedidos e a dita até entra na baliza do adversário (isto já para não falar da respectiva comitiva que acompanha os ditos, que até o "chef" é do mais caro que existe).
Não concordo! Quando vejo hospitais e escolas a cairem por falta de manutenção;
Não concordo! Quando as listas de espera para cirurgias e para simples consultas de especialidade é de meses quando não de anos.
Não concordo! Quando tenho de encher o depósito de combustível do meu carro;
Não concordo! Quando pelos meus 2 filhos recebo de abono de família 40 euros;
Não concordo! Quando existem pessoas reformadas a viverem com reformas de 150 euros por mês;
Não concordo! Por tantas e tantas coisas que se as fosse dizer todas ficava aqui a escrever uma semana inteirinha.
No entanto, o povo, adora isto. Acotovelam-se para poderem nem que seja apenas vislumbrar aqueles cujos salários em conjunto deve ser superior ao PIB português. Gastam o pouco que ainda têm para ir ver passar o autocarro pago com o suor de todos nós, onde somente se vislumbram os semblantes de óculos escuros de marca, cujo valor de aquisição daria para manter quase uma família.
E acenam (os que acenam) enfastiados pelo povinho... Que maçada... Vamos lá acenar aos pacóvitos...
E pagamos nós: Os aviões fretados, os hotéis de luxos, a comitiva, os prémios de jogo, e fazem-se filas para os ver... Mas ver o quê pergunto eu? Ver o quê?
A nossa selecção porventura já ganhou alguma coisa digna desse nome? No máximo um segundo lugar no europeu de 2004, e mais o quê? Um 4º lugar no mundial? E são heróis? Heróis de quê? E quem salva vidas todos os dias? E quem descobre medicamentos que podem curar e/ou melhorar a qualidade de vida de doentes com doenças incuráveis... Esses o que são?
Quando estudava, nunca recebi prémios ou gabões por tirar esta ou aquela nota mais alta. O que recebia era um: "Ísso é o que tu fazes, e só fazes isso, por isso não estás a fazer mais do que a tua obrigação!" - e hoje em dia é por esse lema que reitero os meus princípios, o que faço tenho de fazer bem, até porque é para isso que me pagam. E se alguns conseguem fazer e também tenho de conseguir fazer igual ou melhor.
Então porquê receber em apoteose quem nunca sequer foi o melhor?
Não julguem por isto que escrevo que sou contra o futebol, antes pelo contrário, quando posso vejo os jogos e vibro também. O que acho, e isso sim, é que o que se move à volta de pessoas que simplesmente correm atrás de uma bola é muito exagerado.
Isso mesmo se demonstra naquele spot publicitário em que se vê o povinho a empurrar o autocarro pela estrada fora e os tipos lá dentro "numa boa". É de facto demonstrativo, não daquilo que pretende demonstrar, mas da mentalidadezinha que nos move. E porque não puseram os tipos a empurrar também???
Beijos a todas
segunda-feira, maio 26, 2008
Pormenores dispersos
quarta-feira, maio 21, 2008
Lido mal com a morte, qualquer que ela seja, nem que seja a singela morte de uma flor.
Fui apresentada a ela com apenas 15 anos. Numa idade em que se acredita que vamos viver para sempre e que todos aqueles que tenham mais de 20 anos já são velhos, quis ela apresentar-se levando-me um grande amigo.
Na altura, inocente, não sabia que a ausência permanente de alguém é algo que não esquece, a dor da despedida atenua mas, permanece lá escondida. Acho que foi ali que cresci, naquele momento em que fazia um teste de história de Portugal, em que alguém me sussurou: "O S. já deve ter morrido, vieram buscar os primos..." - naquele momento em que as lágrimas cegaram os meus olhos percebi a fragilidade da vida. Dois amigos ontem cheios de vida e planos, hoje mortos e sem retorno.
Numa época em que as minhas amigas escreviam nos seus diários "à querida Kitty" eu escrevia ao meu amigo morto num acidente estúpido.
Se ainda hoje me lembro? Claro que sim, foi um acontecimento marcante na minha vida, foi a fronteira do meu crescimento como ser humano, foi ali que percebi que existiam limites na vida e que não éramos indestrutíveis.
Hoje vai a enterrar um outro colega de outros tempos, em 3 meses adoeceu e morreu. Colega de escola, deixou orfã uma menina de 4 anos da qual tinha a custódia depois de um divórcio...
Não lido bem com a morte, principalmente agora que sou mãe, só penso naquela menina que vai crescer sem pai... Olho para os meus filhos e penso que será deles se eu ou o pai lhes faltarmos, ou os dois... Não lido nada bem...
Beijos a todas
PS: Por cá os preparativos vão de vento em popa, a mãe com torrentes de ranhoca a sair pelo nariz e com a voz fanhosa (constipação), gémea nº 1 também ranhosita, e gémeo nº 2 também. Vai ser lindo vai!
Fui apresentada a ela com apenas 15 anos. Numa idade em que se acredita que vamos viver para sempre e que todos aqueles que tenham mais de 20 anos já são velhos, quis ela apresentar-se levando-me um grande amigo.
Na altura, inocente, não sabia que a ausência permanente de alguém é algo que não esquece, a dor da despedida atenua mas, permanece lá escondida. Acho que foi ali que cresci, naquele momento em que fazia um teste de história de Portugal, em que alguém me sussurou: "O S. já deve ter morrido, vieram buscar os primos..." - naquele momento em que as lágrimas cegaram os meus olhos percebi a fragilidade da vida. Dois amigos ontem cheios de vida e planos, hoje mortos e sem retorno.
Numa época em que as minhas amigas escreviam nos seus diários "à querida Kitty" eu escrevia ao meu amigo morto num acidente estúpido.
Se ainda hoje me lembro? Claro que sim, foi um acontecimento marcante na minha vida, foi a fronteira do meu crescimento como ser humano, foi ali que percebi que existiam limites na vida e que não éramos indestrutíveis.
Hoje vai a enterrar um outro colega de outros tempos, em 3 meses adoeceu e morreu. Colega de escola, deixou orfã uma menina de 4 anos da qual tinha a custódia depois de um divórcio...
Não lido bem com a morte, principalmente agora que sou mãe, só penso naquela menina que vai crescer sem pai... Olho para os meus filhos e penso que será deles se eu ou o pai lhes faltarmos, ou os dois... Não lido nada bem...
Beijos a todas
PS: Por cá os preparativos vão de vento em popa, a mãe com torrentes de ranhoca a sair pelo nariz e com a voz fanhosa (constipação), gémea nº 1 também ranhosita, e gémeo nº 2 também. Vai ser lindo vai!
terça-feira, maio 13, 2008
Etapas superadas
Sábado foi dia de pesquisa. Muito a contragosto, lá fui eu procurar uma roupeca para a festa, até porque o tempo urge, e o dia 24 está quase aí.Depois de virar lojas e lojas, roupas e roupas, vestir e despir umas quantas, arregalar os olhos ao ver as etiquetas dos preços. Eis que chego à brilhante conclusão que nada do que tinha visto me agradava. Por fim já nem era uma questão de preços exorbitantes, era mesmo a questão de que não encontrava nada que me despertasse sequer interesse, quanto mais cobiça.
Vim embora ao fim de algumas horas, com os acompanhantes fartinhos de me aturar (a minha mãe, irmã e filhos), vim de mãos vazias a pensar: "Isto não é normal!"
Durante o fim de semana, lembrei-me de uma loja aqui na minha zona, que costuma ter umas coisas engraçadas, e antes de fazer mais incursões, decidi ir lá só para espreitar. Ia com o tempo contadito, e era só mesmo para ver. Quando lá cheguei vi aquela que vai ser a roupa que vou usar no baptizado dos meus filhos. Pousei os olhos e disse, vou experimentar gosto muito. Experimentei, paguei e trouxe a roupa em menos de 30 minutos (por sorte não precisou de arranjos, mas também com este corpinho, cof!cof!). Esta continuo a ser eu: Ou gosto ou não gosto, e se gostar não fico indecisa.
À tarde os sapatitos, lindos (ai os sapatos!), mais uma machadada no orçamento, e fiquei prontérrima, chiquérrima e tesérrrima...
O bolinho já decidi o que quero, já está encomendado aqui, e aguardo apenas o esboço de como ficará o produto final.
Beijos a todas
quinta-feira, maio 08, 2008
Mais do mesmo
Os convites estão feitos. Nada de convitezinhos com coelhinhos porque como sabem eu por cá sou muito prática. Foi pelo telefone, pois então! convites impressos só servem mesmo para trocar euros e para abarrotar os ecopontos do papel. Apesar de eu achar que são muito giros e tal, acho que não se justifica se não se tratar de uma mega festa...
Como seria de esperar não houveram recusas nem hesitações, e apesar de haver uma festa de aniversário de outro priminho sobreposta, esta foi adiada prontamente pela mãe dele. São uns mimecos estes meus filhos, toda a gente os adora e quer estar com eles.
Agora tenho de pensar no repasto para os convivas, nos arranjos para as mesas, no bolo (ahhhhhhhhh o bendito bolo!!!), nas bebidas, nas reportagem fotográfica e na toilette (a minha claro!).
O repastito será algo prático e saboroso, um prato de bacalhau para peixe e leitãozinho para carne, antecedido claro está de saborosas entradas. Depois muitas saladas, frutas e sobremesas docinhas. Claro que tudo isto terá de ser regadinho a preceito (Vinhol, muito vinhol!).
O bolo ainda não está decidido, nem sei se mando fazer um para cada um, se um para os dois, ainda não vi nenhum que me inspirasse e do qual eu gostasse muito. Esta sou eu ... Ou gosto ou não gosto! Mas tenho de decidir, mas como explicar a quem o vai fazer aquilo que me vai na cabeça, e pior será que depois vai ficar como eu quero?!
E a toilette da mãe dos noivos... Perdão dos baptizantes... Ainda nem tive tempo para ir ver nada, e com este tempo ando com uma desinspiração que é de fugir. Não vai ser fácil, não vei não.
Beijos a todas
Como seria de esperar não houveram recusas nem hesitações, e apesar de haver uma festa de aniversário de outro priminho sobreposta, esta foi adiada prontamente pela mãe dele. São uns mimecos estes meus filhos, toda a gente os adora e quer estar com eles.
Agora tenho de pensar no repasto para os convivas, nos arranjos para as mesas, no bolo (ahhhhhhhhh o bendito bolo!!!), nas bebidas, nas reportagem fotográfica e na toilette (a minha claro!).
O repastito será algo prático e saboroso, um prato de bacalhau para peixe e leitãozinho para carne, antecedido claro está de saborosas entradas. Depois muitas saladas, frutas e sobremesas docinhas. Claro que tudo isto terá de ser regadinho a preceito (Vinhol, muito vinhol!).
O bolo ainda não está decidido, nem sei se mando fazer um para cada um, se um para os dois, ainda não vi nenhum que me inspirasse e do qual eu gostasse muito. Esta sou eu ... Ou gosto ou não gosto! Mas tenho de decidir, mas como explicar a quem o vai fazer aquilo que me vai na cabeça, e pior será que depois vai ficar como eu quero?!
E a toilette da mãe dos noivos... Perdão dos baptizantes... Ainda nem tive tempo para ir ver nada, e com este tempo ando com uma desinspiração que é de fugir. Não vai ser fácil, não vei não.
Beijos a todas
quarta-feira, abril 30, 2008
Convidados
Antes de mais quero pedir desculpa pela apresentação pouco recomendável do último post, mas este blog tem vida própria como não me canso de dizer, e em alguns textos tira os espaços e junta tudo ao monte, noutros aumenta os espaços e fica como viram. Espero que hoje fique decente.
A saga vai continuar dentro de momentos, mas antes queria referir aqui, o encontro com duas amigas que ocorreu este fim de semana, uma já "habitué, e outra que ainda não conhecia. Foi um encontro agradável, embora da minha parte pouco participativo porque os gémeos não dão chance de se fazer algo que não seja dedicar-lhes toda a atenção (e ás vezes não chega). Acho que elas tiveram uma pequena percepção do que é ser mãe de duas crianças pequenas e não estranharam quando lhes disse para pensarem na hora das transferências de embriões se queria dois ou um... Gostei muito do encontrozinho, espero repetir mais vezes.
Agora vamos ao convivas do baptizado (ainda não convidei ninguém mas enfim...). Uma vez mais as minhas idéias fixas me dizem que um baptismo é uma cerimónia de família, e que não faz sentido nenhum estender aos milhentos amigos e sua prole, até porque as massarocas não são demais e teríamos não uma reunião familiar simbólica e sim uma cerimónia tipo "Karen Jardel e Felipe Gaidão" (passo a publicidade claro).
Para mim seria mais do tipo avós e tios directos, mas como existem outros familiares que viveram juntos connosco todo este processo e nunca se cansaram de nos apoiar e ainda hoje nunca esquecem os pimpolhos, será justo que se convidem.
Devo acrescentar que será mais a família da parte do A. do que da minha. Infelizmente, venho de uma família desunida, não me envergonho de dizer, que da parte da minha família directa (tios e tias), a esmagadora maioria não conhece os meus filhos, nem nunca me deu sequer um telefonema de felicitações. Não temos grandes relações, uns estão por aqui outros por ali, mas a verdade é que não me dizem absolutamente nada.
A família do A. pelo contrário, é muito unida, talvez por serem só irmãs (e do meu lado serem irmãos dos meus pais), andam sempre juntas e fazem festas a propósito de tudo e nada. Sempre estiveram comigo, e com os meus filhos. Festejaram até ás lágrimas quando engravidei, estavam sempre a visitar-me e a mandar-me coisas quando fiquei em casa, e não me largaram quando estive no hospital, choraram e fizeram promessas pelos meus filhos, para que ficassem bons.
Para mim é evidente que quero que estejam presentes no baptismo dos pipizes.
Beijos a todas
A saga vai continuar dentro de momentos, mas antes queria referir aqui, o encontro com duas amigas que ocorreu este fim de semana, uma já "habitué, e outra que ainda não conhecia. Foi um encontro agradável, embora da minha parte pouco participativo porque os gémeos não dão chance de se fazer algo que não seja dedicar-lhes toda a atenção (e ás vezes não chega). Acho que elas tiveram uma pequena percepção do que é ser mãe de duas crianças pequenas e não estranharam quando lhes disse para pensarem na hora das transferências de embriões se queria dois ou um... Gostei muito do encontrozinho, espero repetir mais vezes.
Agora vamos ao convivas do baptizado (ainda não convidei ninguém mas enfim...). Uma vez mais as minhas idéias fixas me dizem que um baptismo é uma cerimónia de família, e que não faz sentido nenhum estender aos milhentos amigos e sua prole, até porque as massarocas não são demais e teríamos não uma reunião familiar simbólica e sim uma cerimónia tipo "Karen Jardel e Felipe Gaidão" (passo a publicidade claro).
Para mim seria mais do tipo avós e tios directos, mas como existem outros familiares que viveram juntos connosco todo este processo e nunca se cansaram de nos apoiar e ainda hoje nunca esquecem os pimpolhos, será justo que se convidem.
Devo acrescentar que será mais a família da parte do A. do que da minha. Infelizmente, venho de uma família desunida, não me envergonho de dizer, que da parte da minha família directa (tios e tias), a esmagadora maioria não conhece os meus filhos, nem nunca me deu sequer um telefonema de felicitações. Não temos grandes relações, uns estão por aqui outros por ali, mas a verdade é que não me dizem absolutamente nada.
A família do A. pelo contrário, é muito unida, talvez por serem só irmãs (e do meu lado serem irmãos dos meus pais), andam sempre juntas e fazem festas a propósito de tudo e nada. Sempre estiveram comigo, e com os meus filhos. Festejaram até ás lágrimas quando engravidei, estavam sempre a visitar-me e a mandar-me coisas quando fiquei em casa, e não me largaram quando estive no hospital, choraram e fizeram promessas pelos meus filhos, para que ficassem bons.
Para mim é evidente que quero que estejam presentes no baptismo dos pipizes.
Beijos a todas
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