O frio veio para ficar, instalou-se entre nós sem pedir licença e já sabe bem o casaquinho comprido de fazenda e as camisolas quentinhas de gola alta. Confesso que não gosto nada do frio, só apetece estar metida dentro de casa, com o aquecimento ligado com enormes meias de lá e mantas polares sobre as pernas a ver "never ending" filmes na televisão.
E é assim que temos passado os fins de semana. A miudagem é que não acha muita piada ao esquema de ficar fechados entre quatro paredes, e cedo inventam mil e uma maneiras para me pôr de cabelo em pé. Lá brincamos a isto e aquilo, mas nestas idades o que eles precisam mesmo é de actividade, e qualquer brincadeira é precocemente descartada.
O passarinho louro lá foi novamente hoje à escola, depois de mais um interregno e 15 dias. Até já tenho medo de o deixar lá, e de o ter outra vez doente. A princesinha continua ranhosita e com tosse mas lá vai andando sempre bem disposta.
É certo que coração de mãe não se engana, e o meu não se enganou quando presumi que seria ela a que se adaptaria melhor à escolinha. Se numa primeira fase lhe custou imenso e não queria ficar. Hoje está como peixe na água e gosta imenso de ir e de lá estar. O passarinho pelo contrário, de inicio ficou melhor, mas depois deu parte fraca, e agora devido aos constantes interregnos (carregadinhos de maus vicios), custa-lhe bastante voltar a ficar, e ainda não se adaptou.
Ainda não falei cá da escolinha. É uma IPSS, da Santa Casa da Misericórdia, é nova, foi inaugurada em Setembro de 2008. Em termos de instalações é excelente, e principalmente em termos humanos é fantástica. A salinha tem 12 meninos 1 educadora e 2 auxiliares, acho que dentro dos parâmetros legais e funcionais estará dentro da normalidade.
Em termos pessoais acho a educadora e uma das auxiliares uns doces, a outra nem por isso. É uma equipa jovem, e por isso acho que as coisas funcionam bem.
É certo que não tenho experiência em escolas, mas sem dúvida nenhuma sei distinguir o bom do mau, e aquela que escolhi como escola para esta primeira fase dos meus filhos, é sem dúvida boa. No final de Outubro fizemos a segunda reunião de pais (a primeira tinha sido em Julho), e realmente fiquei muito bem impressionada com a apresentação que foi feita aos pais. O que me surpreendeu verdadeiramente é que alguns pais nem sequer vieram (quando me refiro a pais refiro-me obviamente ou ao pai ou à mãe, ou aos dois), a reunião foi feita fora do horário de expediente, portanto achei estranho...
Nessa reunião, vimos filmes e fotos dos nossos filhos no seu dia-a-dia (aquele que não compartilhamos com eles e eles são muito pequenos para nos transmitirem), vimos os trabalhinhos que fazem com eles, vimos os nossos filhos na hora das refeições. Sentamo-nos no chão nas almofadas onde eles se costumam sentar e lemos em voz alta um texto, como costumam fazer com eles.
Ali, foi-nos pedido que descessemos ao nível deles, que tivesemos tempo para eles, que tentassemos ser crianças como eles outra vez. Confesso que durante aqueles breves instantes, em que ali estivemos e que me voluntariei para ler o texto que nos foi entregue, as lágrimas teimaram em sair, porque reconheci que muitas vezes o tempo de qualidade que lhes proporciono não chega para o que eles precisam, e reconheci que é ali com estranhos que eles têm um mundo pequeno onde podem ser crianças.
Agora tenho entre mãos a tarefa de escolher uma pré para eles frequentarem no próximo ano lectivo, uma vez que este infantário só vai até à pré. Vou optar por uma escola pública, porque sou defensora das escolas públicas, e porque felizmente na minha área de residência temos à disposição numerosos estabelecimentos de ensino com muita qualidade, só tenho de escolher "a tal", a que melhor vai servir os interesses dos meus meninos.
Beijocas nossas
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Terça-feira, Outubro 27, 2009
Infectários?!!?
Certo está quem diz que os infantários se chamam "infectários" e não infantários.
O meu pequeno L. vitima de todos os virus, esteve duas semanas em casa, depois da visita às urgências, foi a semana passada para o "infectário", e já está outra vez encostado às boxes desde Domingo... Ranhoca, febre, ranhoca...
Ninguém aguenta caramba, coitado do miúdo!
A princesinha gulosa, lá anda ranhosita e tal, mas FELIZMENTE nada de sério tem surgido, o que é muito bom senão ia ser um "vê se te avias" com os dois doentes (mãe sofre).
Beijos a todas
O meu pequeno L. vitima de todos os virus, esteve duas semanas em casa, depois da visita às urgências, foi a semana passada para o "infectário", e já está outra vez encostado às boxes desde Domingo... Ranhoca, febre, ranhoca...
Ninguém aguenta caramba, coitado do miúdo!
A princesinha gulosa, lá anda ranhosita e tal, mas FELIZMENTE nada de sério tem surgido, o que é muito bom senão ia ser um "vê se te avias" com os dois doentes (mãe sofre).
Beijos a todas
Terça-feira, Outubro 06, 2009
Ainda não tenho a bimby, mas comprei uma "Actifry" da Tefal para me iniciar na saga das "máquinas". Só digo, aquilo é espectacular para quem como eu odeia e detesta fritos e o seu incómodo cheiro. Este fim de semana já fiz uma quantidade de cozinhados "fritos", sem quase gordura nenhuma, sem barafunda na cozinha e/ou maus-cheiros em casa. Aquilo é colocar os ingredientes, marcar o tempo, e deixar a "tipa" cozinhar por nós...
E bem precisei, uma vez que tenho uma vez mais, o meu passarinho louro encostado às boxes. O bendito infantário não lhe tem dado tréguas, é uma semana a ir e outra semana em casa com uma qualquer virose... Desta vez até teve direito às urgências hospitalares pela primeira vez em dois anos e meio... Uma bronquiolite viral aguda ou qualquer coisa do género, pregou-me um susto de morte, pensei que o perdia. Também é um estreante nas bronquiolites, o pobre, tudo lhe acontece.
Felizmente a princesinha até agora tem sido mais fortezita e lá se tem aguentado como uma "ranhoca" aqui e uma tossita ali, mas sem baixas...
Tenho andado quase a rastejar de tanto cansaço, nem me recupero de umas para as outras e ele ainda menos. Está um magrela o meu pequenito.
Beijos a todas
E bem precisei, uma vez que tenho uma vez mais, o meu passarinho louro encostado às boxes. O bendito infantário não lhe tem dado tréguas, é uma semana a ir e outra semana em casa com uma qualquer virose... Desta vez até teve direito às urgências hospitalares pela primeira vez em dois anos e meio... Uma bronquiolite viral aguda ou qualquer coisa do género, pregou-me um susto de morte, pensei que o perdia. Também é um estreante nas bronquiolites, o pobre, tudo lhe acontece.
Felizmente a princesinha até agora tem sido mais fortezita e lá se tem aguentado como uma "ranhoca" aqui e uma tossita ali, mas sem baixas...
Tenho andado quase a rastejar de tanto cansaço, nem me recupero de umas para as outras e ele ainda menos. Está um magrela o meu pequenito.
Beijos a todas
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
E a Bimby?!
Desde sempre fui um bocado despistada em matérias de novas tecnologias e sua utilização, e a maternidade contribuíu para aumentar um pouco (ainda mais) esse despiste. Mas desde há algum tempo a esta parte, lá vou ouvindo uns "zumzuns" acerca da máquina que cozinha isto, a Bimby aquilo, e aqueloutro.
Confesso que até nem tinha muita curiosidade, mas, aborrece-me supremamente falarem-me disto ou daquilo e eu não saber do que se trata e ter de abreviar a conversa para não mostrar ignorância.
Noutro dia, depois de mais uma menção entusiástica ao objecto, lá decidi eu ir ver do que se tratava de facto essa "coisa" de que já ouço fala há anos e não faço a mínima idéia do que seja.
De facto ao fazer uma simples pesquisa, é gritante o número de resultados que aparece: Fóruns, blogs, etc, etc.
Começo a ler, leio mais um pouco, vejo uns filmezitos, e eis-me rendida (quase) à pequena Bimby, aquilo parece mesmo eficiente... Então o filme das caipirinhas... E tal...
Bem mas o que eu gostava mesmo era de saber se alguma das minhas leitoras tem, conhece alguém que tenha, ou mesmo se já viu alguma em funcionamento. E que me digam as vossas opiniões, para ver se me convenço (ou não) definitivamente a largar os quase mil "aéreos" que a "coisa" custa.
Beijos a todas
Confesso que até nem tinha muita curiosidade, mas, aborrece-me supremamente falarem-me disto ou daquilo e eu não saber do que se trata e ter de abreviar a conversa para não mostrar ignorância.
Noutro dia, depois de mais uma menção entusiástica ao objecto, lá decidi eu ir ver do que se tratava de facto essa "coisa" de que já ouço fala há anos e não faço a mínima idéia do que seja.
De facto ao fazer uma simples pesquisa, é gritante o número de resultados que aparece: Fóruns, blogs, etc, etc.
Começo a ler, leio mais um pouco, vejo uns filmezitos, e eis-me rendida (quase) à pequena Bimby, aquilo parece mesmo eficiente... Então o filme das caipirinhas... E tal...
Bem mas o que eu gostava mesmo era de saber se alguma das minhas leitoras tem, conhece alguém que tenha, ou mesmo se já viu alguma em funcionamento. E que me digam as vossas opiniões, para ver se me convenço (ou não) definitivamente a largar os quase mil "aéreos" que a "coisa" custa.
Beijos a todas
Segunda-feira, Setembro 14, 2009
Adaptação
De facto, por vezes pensamos e damos por certo algumas coisas, mas elas acabam por não serem assim tão lineares.
Eu, mãe "empenachada" há quase dois anos e meio, julgadora convicta de personalidades, não hesitando portanto em distribuir a minha opinião acerca disto ou daquilo, acabei por me enganar redondamente acerca dos meus ricos filhos.
Passo, a explicar:
Sempre julguei que ia ser ao pequeno Locas, passarinho louro, a quem mais ia custar a adaptação na escolinha. Erro, grande erro, aquele pequeno guerreiro surpreende-me a cada dia que passa e lá se adaptou (ainda que resignado) à permanência naquele lugar estranho (leia-se escola). De manhã quando os tiro do carro, é o meu amparo, porque a pequena M. só quer "colito", e a mãe para levar a mochila e a moça, não tem muito mais mãos disponíveis, pelo que o pequeno/grande L. para ajudar vai sózinho a puxar o seu troley, com a cabeça bem erguida. Engraçado que parece um homenzinho pequenino...
A pequena M. por seu lado, anda a dar-me que fazer. Começa logo o dia a dizer que não quer ir para a escola, que não quer ficar lá sozinhinha, etc, etc. Para ela lá ficar é preciso mil e um estratagemas, para que a moça passe para outro colo que não o meu sem fazer grande alarido. Inevitávelmente já ficou a chorar... Agora, o mais importante, é que deu-lhe para retroceder, ou seja, já fazia o xixizinho e o cocozinho sózinha e pedia e sabia pedir muito bem, mas agora dá-lhe para fazer pelas pernas abaixo e dizer que "já fazi", logo a seguir a lhe termos perguntado se não queria ir fazer. Confesso que me passo... Porque sinto que ela está a fazer de propósito, mas não sei como agir... Ás vezes lá lhe dou uma palmada no rabo, mas depois fico a pensar que se calhar nem devia ter feito aquilo.
Isto de ser mãe é de facto muito complicado, ficamos sem saber a melhor maneira de agir em tantas situações, se castigamos ficamos com o coração apertado, se não castigamos ficamos a pensar que estamos a ser moles demais e que temos de criar regras...
Hoje foi sózinha para a escola (o pequeno L. está enfebrado), foi o pai levá-la, ficou a choramingar... Dormiu mal de noite, acho que foi porque ontem lhe disse que hoje ia para a escola, passou a noite a chorar e a chamar pela mamã... Podia tê-la deixado ficar com o irmão, mas acho que quanto mais depressa se habituar à escola melhor, e as interrupções nesta fase são sempre contraproducentes... Sei lá se fiz o melhor?!
Beijos a todas
Eu, mãe "empenachada" há quase dois anos e meio, julgadora convicta de personalidades, não hesitando portanto em distribuir a minha opinião acerca disto ou daquilo, acabei por me enganar redondamente acerca dos meus ricos filhos.
Passo, a explicar:
Sempre julguei que ia ser ao pequeno Locas, passarinho louro, a quem mais ia custar a adaptação na escolinha. Erro, grande erro, aquele pequeno guerreiro surpreende-me a cada dia que passa e lá se adaptou (ainda que resignado) à permanência naquele lugar estranho (leia-se escola). De manhã quando os tiro do carro, é o meu amparo, porque a pequena M. só quer "colito", e a mãe para levar a mochila e a moça, não tem muito mais mãos disponíveis, pelo que o pequeno/grande L. para ajudar vai sózinho a puxar o seu troley, com a cabeça bem erguida. Engraçado que parece um homenzinho pequenino...
A pequena M. por seu lado, anda a dar-me que fazer. Começa logo o dia a dizer que não quer ir para a escola, que não quer ficar lá sozinhinha, etc, etc. Para ela lá ficar é preciso mil e um estratagemas, para que a moça passe para outro colo que não o meu sem fazer grande alarido. Inevitávelmente já ficou a chorar... Agora, o mais importante, é que deu-lhe para retroceder, ou seja, já fazia o xixizinho e o cocozinho sózinha e pedia e sabia pedir muito bem, mas agora dá-lhe para fazer pelas pernas abaixo e dizer que "já fazi", logo a seguir a lhe termos perguntado se não queria ir fazer. Confesso que me passo... Porque sinto que ela está a fazer de propósito, mas não sei como agir... Ás vezes lá lhe dou uma palmada no rabo, mas depois fico a pensar que se calhar nem devia ter feito aquilo.
Isto de ser mãe é de facto muito complicado, ficamos sem saber a melhor maneira de agir em tantas situações, se castigamos ficamos com o coração apertado, se não castigamos ficamos a pensar que estamos a ser moles demais e que temos de criar regras...
Hoje foi sózinha para a escola (o pequeno L. está enfebrado), foi o pai levá-la, ficou a choramingar... Dormiu mal de noite, acho que foi porque ontem lhe disse que hoje ia para a escola, passou a noite a chorar e a chamar pela mamã... Podia tê-la deixado ficar com o irmão, mas acho que quanto mais depressa se habituar à escola melhor, e as interrupções nesta fase são sempre contraproducentes... Sei lá se fiz o melhor?!
Beijos a todas
Quarta-feira, Setembro 02, 2009
Escola...
Depois de umas férias bem passadas. Com muito calor e muito cansaço (quem é mãe de pequenos índios sabe do que falo). Eis-nos regressados à nossa vidinha, à qual se acrescentou uma variante nova: A escolinha.
Quem nos tem acompanhado sabe que a M e o L têm estado nas avós até agora. Portanto, ontem foi o primeiro de (espero eu) muitos dias de escolinha para os meus Pips. Andei durante meses a prepará-los para a escola. Como ela fica muito perto de nossa casa passávamos muitas vezes lá de carro e lá lhes ia dizendo que aquela era a escola dos meninos, que eles iriam para lá, etc.
Mas o meu receio relativamente à integração era (e é) bem grande, depois de 2 anos e meio noutros ambientes, julguei que iriam armar um barraco descomunal quando lá chegassem.
Felizmente surpreenderam-me os meus filhos, e aquele que eu julgava que iria ser o mais saudoso foi o que reagiu melhor (o pequeno Locas). Entrou na salinha, começou logo a brincar com tudo o que viu e quando lhe perguntaram como se chamava respondeu muito prontamente e continuou a brincar.
A princesinha, mais recatada logo que viu que ia entrar num sítio estranho pediu o "colito", ficou mais retraída, mas quando uma das auxiliares lhe disse para ir ao colo dela, ela lá foi sem grandes hesitações e ficou a brincar.
Estive por lá um pouco, a ver se a situação se alterava e depois saí de fininho. Liguei várias vezes e disseram-me sempre que estavam bem.
Isto ainda é tudo muito recente, e poderá ainda haver alguma rejeição da parte deles. Hoje também ficaram bem. O L lá foi a arrastar o seu troley (quase do tamanho dele) pelo chão, o qual ele tanto arrasta com as rodas como sem as rodas. A M. lá disse que não queria ir para aquela escola e tal, mas lá ficou sem grandes dificuldades.
Hoje já me despedi deles, e eles ficaram bem.
Vamos ver como corre nos próximos dias...
É mais uma etapa nas vidas deles, simboliza o seu crescimento, mais uma para me lembrar que já não são bebés, já são meninos...
Beijos a todas
Quem nos tem acompanhado sabe que a M e o L têm estado nas avós até agora. Portanto, ontem foi o primeiro de (espero eu) muitos dias de escolinha para os meus Pips. Andei durante meses a prepará-los para a escola. Como ela fica muito perto de nossa casa passávamos muitas vezes lá de carro e lá lhes ia dizendo que aquela era a escola dos meninos, que eles iriam para lá, etc.
Mas o meu receio relativamente à integração era (e é) bem grande, depois de 2 anos e meio noutros ambientes, julguei que iriam armar um barraco descomunal quando lá chegassem.
Felizmente surpreenderam-me os meus filhos, e aquele que eu julgava que iria ser o mais saudoso foi o que reagiu melhor (o pequeno Locas). Entrou na salinha, começou logo a brincar com tudo o que viu e quando lhe perguntaram como se chamava respondeu muito prontamente e continuou a brincar.
A princesinha, mais recatada logo que viu que ia entrar num sítio estranho pediu o "colito", ficou mais retraída, mas quando uma das auxiliares lhe disse para ir ao colo dela, ela lá foi sem grandes hesitações e ficou a brincar.
Estive por lá um pouco, a ver se a situação se alterava e depois saí de fininho. Liguei várias vezes e disseram-me sempre que estavam bem.
Isto ainda é tudo muito recente, e poderá ainda haver alguma rejeição da parte deles. Hoje também ficaram bem. O L lá foi a arrastar o seu troley (quase do tamanho dele) pelo chão, o qual ele tanto arrasta com as rodas como sem as rodas. A M. lá disse que não queria ir para aquela escola e tal, mas lá ficou sem grandes dificuldades.
Hoje já me despedi deles, e eles ficaram bem.
Vamos ver como corre nos próximos dias...
É mais uma etapa nas vidas deles, simboliza o seu crescimento, mais uma para me lembrar que já não são bebés, já são meninos...
Beijos a todas
Sexta-feira, Julho 31, 2009
Férias
Se há coisa que me enerva é "carpição". Sempre fui uma mulher prática e objectiva, com tudo bem delineado na minha vida, e quando me surgem certo tipo de pessoas fico possessa, fula mesmo.
O tema que vou abordar é polémico, mas dentro da polémica, não deixa de ser actual e bem real. Quero falar acerca da maternidade e do trabalho, acerca das nossas obrigações para com os filhos e as nossas obrigações laborais.
O meu sentido de responsabilidade, desde sempre me levou a pensar, que para ter um filho teria que ter reunidas certas e determinadas condições laborais e pessoais. Perspectivei antecipadamente todas as opções para a criança e só quando achei que estavam reunidas essas condições, avancei para a "execução" (o que se passou a seguir não vem ao caso). É demasiado evidente para mim, que se não tivessemos eu ou o pai um horário compatível, uma situação laboral compatível, e todas as outras planificações bem definidas (quem fica com as crianças, em que horários, etc), jamais avançaria para ter um filho (a não ser que acontecesse claro).
Quando os meus filhos nasceram, fiquei "de baixa" alguns meses. Isso a juntar com a licença de maternidade e as férias, iria fazer com que num dos meus locais de trabalho, as pessoas que trabalham comigo tivessem de ficar sem férias até Novembro daquele ano. Para que tal não acontecesse, fiz das minhas "tripas coração", e em Junho, tinham os meus filhos dois meses e meio e fui fazer um mês para que pudessem tirar quinze dias de férias cada um. Em Setembro, voltei a ir trabalhar para que pudessem ter mais férias em tempo de Verão e porque o trabalho não azeda, mas precisa de ser feito regressei ao local fisico de trabalho um mês e meio mais cedo (local fisico, porque em casa sempre trabalhei).
A culpa que me acompanhou nessas alturas foi muita, mas a certeza de que apesar de os meus filhos serem o que de mais importante tenho, o meu trabalho e o dinheiro que dele advém também se reveste de muita importância, até porque pão, amor e uma cabana só mesmo nos filmes.
É indescritível a sensação de deixar um filho, ainda que por umas horas. Quem é mãe sabe. Mas a vida tem de avançar, e não se compadece com essas coisas. As empresas têm de avançar, de facturar, de rentabilizar, e ninguém quer saber se temos filhos ou não, e no nosso trabalho não podemos deixar afectar pelos nossos problemas pessoais.
Quantas vezes vim trabalhar quase em claro? Quantas vezes vim cansada e desmotivada? Quantas vezes com o coração apertado porque o L está com febre ou a M está "choquita"? São imensas, já lhes perdi a conta. Mas vim, porque o mundo não pode parar, vim porque outras pessoas dependem de mim, vim porque tinha de vir.
Actualmente tenho uma das pessoas que trabalham comigo de licença de maternidade, desde Fevereiro. Licença essa cumprida escrupulosamente, o que levou a que os outros que ficaram tivessem uma sobrecarga horária e semanal muito grande (eu incluída claro).
Em empresas pequenas, que privilegiam a formação do seu pessoal, é sempre dificil arranjar substitutos temporários para as pessoas que se ausentam pela grande especificidade da tarefa, pelo que há sobrecarga dos que estão a trabalhar. Evidentemente não se retiram os direitos ás pessoas, nem se exige mais do que aquilo que se pode exigir, o que se passa a seguir tem a ver com a consciência e a postura de cada um.
Agora, quando nós sabemos que existem pessoas a trabalhar "non stop" durante cinco meses consecutivos, e uma semana antes da data de apresentação ao trabalho pedimos mais uma semana de férias, tira-me do sério. Juro que sim. Quando me começam com o choradinho que não conseguem deixar o filhinho, e que o filhinho até está muito habituado, passo para o outro lado.
Será que os filhinhos das outras pessoas são mais importantes que os meus?! É que para elas estarem a semanita de férias com os filhitos, os meus até estão doentes e eu não posso estar com eles... Eu até estive doente e tive de vir trabalhar... Porque a vida continua, porque o mundo não pára, e sobretudo porque preciso de trabalhar.
Depois admiram-se que os homens ganhem mais, e que as empresas não queiram contratar mulheres.
É lamentável, ter que lembrar ás pessoas, que sim, que sou mãe, e até a dobrar. E que também eu passo pela privação dos meus filhos, e que ainda assim venho sempre trabalhar, com boa cara e cabeça no sítio, porque se a não tiver no sítio vamos todos nós e nossos filhinhos para o fundo de desemprego, e que sim que fico até mais tarde se for preciso, e que tenho de fazer tudo quando chego a casa, e que não, não morri até ao presente de saudades e cansaço, e TENHO DOIS FILHOS!
Depois vem a lengalenga, de que até tenho as avós que tomam conta e o pai que vai buscá-los e ajuda a dar banho e tal. Mas, que me desculpem, se tinham um horário estipulado há anos, e não tinham apoio de fundo dos avós, tios ou parentes, deviam ter pensado nisso antes de terem filhos, porque esse não é um problema que possa ser resolvido por mim. Certo e sabido é que nenhum de nós pode continuar a desdobrar-se por causa dos problemas familiares dos outros. E as pessoas que assim pensam e sentem, têm duas opções ou vêm trabalhar com pés e cabeça ou ficam em casa a tomar conta dos filhos, agora virem para o local de trabalho carpir e chorar "baba e ranho", por amor de Deus...
Eu depois de cinco meses e meio "non stop", com semanas de seis dias, vou finalmente descansar e dar colo aos meus filhos um dos quais está com uma gastroentrite (depois do outro ter estado a semana passada), eu própria, estive com uma esta semana (o vírus correu a casa toda). Vamos gozar umas merecidas férias.
Beijos a todas
O tema que vou abordar é polémico, mas dentro da polémica, não deixa de ser actual e bem real. Quero falar acerca da maternidade e do trabalho, acerca das nossas obrigações para com os filhos e as nossas obrigações laborais.
O meu sentido de responsabilidade, desde sempre me levou a pensar, que para ter um filho teria que ter reunidas certas e determinadas condições laborais e pessoais. Perspectivei antecipadamente todas as opções para a criança e só quando achei que estavam reunidas essas condições, avancei para a "execução" (o que se passou a seguir não vem ao caso). É demasiado evidente para mim, que se não tivessemos eu ou o pai um horário compatível, uma situação laboral compatível, e todas as outras planificações bem definidas (quem fica com as crianças, em que horários, etc), jamais avançaria para ter um filho (a não ser que acontecesse claro).
Quando os meus filhos nasceram, fiquei "de baixa" alguns meses. Isso a juntar com a licença de maternidade e as férias, iria fazer com que num dos meus locais de trabalho, as pessoas que trabalham comigo tivessem de ficar sem férias até Novembro daquele ano. Para que tal não acontecesse, fiz das minhas "tripas coração", e em Junho, tinham os meus filhos dois meses e meio e fui fazer um mês para que pudessem tirar quinze dias de férias cada um. Em Setembro, voltei a ir trabalhar para que pudessem ter mais férias em tempo de Verão e porque o trabalho não azeda, mas precisa de ser feito regressei ao local fisico de trabalho um mês e meio mais cedo (local fisico, porque em casa sempre trabalhei).
A culpa que me acompanhou nessas alturas foi muita, mas a certeza de que apesar de os meus filhos serem o que de mais importante tenho, o meu trabalho e o dinheiro que dele advém também se reveste de muita importância, até porque pão, amor e uma cabana só mesmo nos filmes.
É indescritível a sensação de deixar um filho, ainda que por umas horas. Quem é mãe sabe. Mas a vida tem de avançar, e não se compadece com essas coisas. As empresas têm de avançar, de facturar, de rentabilizar, e ninguém quer saber se temos filhos ou não, e no nosso trabalho não podemos deixar afectar pelos nossos problemas pessoais.
Quantas vezes vim trabalhar quase em claro? Quantas vezes vim cansada e desmotivada? Quantas vezes com o coração apertado porque o L está com febre ou a M está "choquita"? São imensas, já lhes perdi a conta. Mas vim, porque o mundo não pode parar, vim porque outras pessoas dependem de mim, vim porque tinha de vir.
Actualmente tenho uma das pessoas que trabalham comigo de licença de maternidade, desde Fevereiro. Licença essa cumprida escrupulosamente, o que levou a que os outros que ficaram tivessem uma sobrecarga horária e semanal muito grande (eu incluída claro).
Em empresas pequenas, que privilegiam a formação do seu pessoal, é sempre dificil arranjar substitutos temporários para as pessoas que se ausentam pela grande especificidade da tarefa, pelo que há sobrecarga dos que estão a trabalhar. Evidentemente não se retiram os direitos ás pessoas, nem se exige mais do que aquilo que se pode exigir, o que se passa a seguir tem a ver com a consciência e a postura de cada um.
Agora, quando nós sabemos que existem pessoas a trabalhar "non stop" durante cinco meses consecutivos, e uma semana antes da data de apresentação ao trabalho pedimos mais uma semana de férias, tira-me do sério. Juro que sim. Quando me começam com o choradinho que não conseguem deixar o filhinho, e que o filhinho até está muito habituado, passo para o outro lado.
Será que os filhinhos das outras pessoas são mais importantes que os meus?! É que para elas estarem a semanita de férias com os filhitos, os meus até estão doentes e eu não posso estar com eles... Eu até estive doente e tive de vir trabalhar... Porque a vida continua, porque o mundo não pára, e sobretudo porque preciso de trabalhar.
Depois admiram-se que os homens ganhem mais, e que as empresas não queiram contratar mulheres.
É lamentável, ter que lembrar ás pessoas, que sim, que sou mãe, e até a dobrar. E que também eu passo pela privação dos meus filhos, e que ainda assim venho sempre trabalhar, com boa cara e cabeça no sítio, porque se a não tiver no sítio vamos todos nós e nossos filhinhos para o fundo de desemprego, e que sim que fico até mais tarde se for preciso, e que tenho de fazer tudo quando chego a casa, e que não, não morri até ao presente de saudades e cansaço, e TENHO DOIS FILHOS!
Depois vem a lengalenga, de que até tenho as avós que tomam conta e o pai que vai buscá-los e ajuda a dar banho e tal. Mas, que me desculpem, se tinham um horário estipulado há anos, e não tinham apoio de fundo dos avós, tios ou parentes, deviam ter pensado nisso antes de terem filhos, porque esse não é um problema que possa ser resolvido por mim. Certo e sabido é que nenhum de nós pode continuar a desdobrar-se por causa dos problemas familiares dos outros. E as pessoas que assim pensam e sentem, têm duas opções ou vêm trabalhar com pés e cabeça ou ficam em casa a tomar conta dos filhos, agora virem para o local de trabalho carpir e chorar "baba e ranho", por amor de Deus...
Eu depois de cinco meses e meio "non stop", com semanas de seis dias, vou finalmente descansar e dar colo aos meus filhos um dos quais está com uma gastroentrite (depois do outro ter estado a semana passada), eu própria, estive com uma esta semana (o vírus correu a casa toda). Vamos gozar umas merecidas férias.
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