domingo, março 19, 2006

"Quem me dera ter um filho"

Acalme-se quem pensa que este é um título "dejà vu", que todas nós queremos o mesmo, bla, bla, bla. Este é o titulo de um livro que encontrei no Sábado e que comprei, porque reflexo condicionado obriga, e ultimamente compro tudo o que tem a ver com o tema...

A autora,Sinéad Moriarty (desconheço se sofre de infertilidade ou não), apresenta-nos um texto brilhante, com descrições simltaneamente hilariantes e verídicas, ao estilo de tragico-comédia.

Comecei logo a lê-lo no Sábado à tarde, e dei por mim a rir até às lágrimas, e logo a seguir a chorar, porque aquilo que estava a ler era um retrato fiel de mim mesma de há 2 anos a esta parte. Claro que não parei até ler tudo até ao fim, até porque a prosa era absorvente, e queria saber se no fim ela ia conseguir ou não... Li até algumas partes ao meu marido, e rimos juntos. Rimos como já não ríamos há muito tempo! Aliás rir é só uma das coisas que já não faziamos há muito tempo.

"Sentei-me na beira da cama e suspirei. Estava mesmo apanhada com aquela brincadeira do bébé. Será que todas as mulheres passariam pelo mesmo? Ter de andar a correr atrás dos maridos à espera que eles tenham uns minutinhos que dispensem para a procriação? Qual era a piada de ter relações com datas e horas marcadas? Porque é que eram as mulheres a ter o trabalho todo? Por que motivo teria deus decidido que seriam as mulheres a carregarem os óvulos? Por que razão teríamos de ser nós a suportar o ónus? Por que é que não poderiam ser os homens a controlar as descargas do pénis, e a fazer chichi para um bastonete e a arrastar as respectivas esposas para a cama para terem relações não espontaneas? Não era justo.(...)"

"O problema em fazer bébés era que tinha quase extinto o sexo espontâneo, do género arranca roupa (...). Agora era só cronometragem e datas(...)"

"(...)Não consigo imaginar nada pior do que ter de ir a um baptizado e ficar lá a ver toda a gente a falar amorosamente com duas gémeas lindas e a dizer aos pais delas como elas são encantadoras, e a ver com quem são parecidas(...), e como nunca se conhece o significado da palavra amor até se ter um filho, e como a nossa vida só está verdadeiramente cheia e completa quando experimentamos a alegria da maternidade. E depois vão pôr-se todos a olhar fixamente para mim a perguntar-me quando é que vou ter filhos."

Estas são apenas algumas passagens de 263 páginas absolutamente comoventes, contadas na primeira pessoa, que não resisti a partilhar convosco. É claro que todas nos identificamos com este singelo retrato, e todas nós passamos por situações como estas.

O problema da infertilidade, é que converte toda a nossa vida, e sem darmos conta passamos a ser comandados por uma questão que é somente uma ínfima parte da nossa existência. É como foi dito naquela entrevista do "expresso", um sonho que comanda as nossas vidas.

Ora, acho que está na hora de colocar um ponto final nesta situação! Quem tem de controlar as nossas vidas somos nós! Quero a partir de hoje deixar de andar com o calendário atrás, a controlar os dias e os mucos e a temperaturas! Quero sair e divertir-me e deixar de estar sempre a massacrar o meu marido com os temas "bébés" e "infertilidade"! Quero deixar de estar sempre a contar os dias que faltam para o aparecimento do período...

Acho que era realmente uma pessoa muito mais alegre e divertida antes deste problema... Acho que era menos amargurada e revoltada, tenho de reagir!

Já combinei com as minhas amigas, Sábado à noite vamos sair, e falar e beber uns copos, depois vamos dançar... "Sky is the limit".

Tenho pena de este Sábado não ter ido conhecer pessoalmente as minhas amigas, principalmente a Tiquinha e a Alexandra... Mas ocasiões não faltarão com certeza, e espero estar disponível para o próximo encontro.

Nos meus próximos "posts" deixarei mais um gostinho deste livro, se os vossos comentários forem favoráveis.

Beijos a todas

6 comentários:

Alexandra disse...

Amiga,
Realmente tenho muita pena de não te ter conhecido pessoalmente, mas tenho a certeza q um fim de semana destes nos havemos de encontrar. Ainda assim, não perdi completamente as esperanças de te convencer a ir ao mega almoço! Sempre era uma oportunidade de convívio e aproveitávamos para mudar de ares.
O livro parece-me ser engraçado...tb já me ri com as passagens q copiáste par aqui!
Peço desculpa por ainda não ter visto aquilo q te prometi em relação ao livro q comprei a semana passada, mas ontem o dia foi completamente dedicado ao meu pai e no sábado, já sabes, estive muito ocupada!
Bjs grandes
Alexandra

Musa disse...

SIm, sim, amiga, partilha mais connosco porque por aquilo que vi, esse livro deve ser o máximo!...
Eu tb tive mta pena de não ir ao encontro! Das vezes que fui, foi sempre tão bom, tão "revigorante"!
Espero na próxima, conseguir ir e que tu vás tb!
Beijinhos enormes!
Musa

Tiquinha disse...

amiga!!! ainda bem que já peseste o brelogue a funcionar!!!!
Deve ser giro o livro.... acho que também nos faz bem de vez em quando rirmo-nos, mesmo que seja de nós!!
beijo grandeeee

*CC* disse...

Olá, o livro parece-me muito interessante, por favor conta mais...

Beijocas
CC

eu.tenho.umsonho.ser.mae disse...

Olá!
Desculpa, mas vim fazer uma visita ao teu blog, sou a Helena, e achei piada aos excertos do livro, também eu ando a ficar doida, com ovulações, dias que faltam, relações a dias certos, o meu marido que insiste em dizer que qdo for é, já dei por mim a pensar se terei ficado hipocondriaca? É que cada vez que leio qq diagnostico, acho que tb posso ter, este mês até acho que me doi o peito, e que tenho umas sensações estranhas no peito, estarei a ficar doida?
Bjs
Helena

Bem Me Queres disse...

Amiga, como me revejo em cada palavra....hoje já sou capaz de apreciar as mtas coisas lindas que existem na minha vida e, embora continue a desejar um filho com toda a minha força, aprendi a ser feliz.
Eu tb tive mt pena de não te conhecer neste encontro, mas trataremos de organizar outro mt em breve.
Um beijinho doce.....fico à espera de mais dicas do livro
Cláudia