sábado, julho 21, 2007

Passado 1 ano... A primeira papa

Pois é amigas, faz hoje exactamente 1 ano que os meus pipizes foram "feitos". Todo este mês desde 26 de Junho tem sido feito de lembranças, muitas lembranças. E hoje é só mais 1 dia de lembranças, faz hoje um ano fui puncionada para fazer pipizinhos.

A coincidência é que hoje, dei a primeira papa aos pipizes, portanto é certo e sabido que será uma data que também recordarei sempre porque está associada a outra.

A reacção deles á papa não foi exactamente das melhores, mas lá comeram um bocadito, depois de muito cuspirem e tal. No final tiveram direito ao biberãozito senão morriam á fome tadinhos.

Hoje também o L amanheceu com 38,5 de febre, o narizito entupido e muita tossinha, deve estar constipado. Também é o primeiro febre deles.

A consulta dos 4 meses trouxe para casa uma mãe babada. O L está com 66 cm (percentil 90) e com 7420 kg, a M está com 65 cm (percentil 90 também) e com 6780 Kg. O pediatra acha que eles estão enormes e até teve de medir 2 vezes a M para ver se não se tinha enganado, é que a rapariga cresceu 5 cm num mês. (Já vestem roupa de 6 meses)

Este é um post de esperança para todas as amigas "dinossáuricas" da blogosfera, para que saibam que por vezes o sonho demora a chegar mas mais cedo ou mais tarde lá vem ele...

Tenho uma amiga (real), que também andava em ttt há algum tempo. Teve um percurso acidentado, vários ttts falhados, devido a diversos incidentes. Fez o último ttt recentemente, e disse: - Este será o último, porque não vou andar mais nisto.

O ttt, foi assim um bocado acidentado também, e chegaram ao fim com 1 embrião de 4 células, que a bióloga deu a opção de transferir ou não dada a fraca qualidade do mesmo. Transferiram, já sem grandes expectativas, e o certo é que ela hoje está grávida e feliz da vida.

Há sempre um final feliz há espera de cada uma de nós.

Beijos a todas

terça-feira, junho 26, 2007

Faz hoje 1 ano



Que iniciamos a viagem da nossa vida...
O ano passado por esta altura o que se dizia por aqui era:
"Recentemente iniciei mais uma viagem na minha vida, das de avião, e ainda que a descolagem tenha sido pacifica, o tempo que vou demorar a percorrer a distância até ao meu destino, será sem dúvida atribulado. "

Hoje sei que esteve tudo a meu favor, por esse facto só posso dizer: Obrigada!

Beijos a todas

sexta-feira, junho 22, 2007

Breathe

Depois de um grande stress, eis que respiro de puro alívio. Vou explicar: A minha profissão, exige o cumprimento de diversas obrigações fiscais dentro de prazos mirabolantes, os quais se não forem cumpridos geram multas bastante pesadas e outras penalizações. Ora, eu como mulher organizada que sou, sempre cumpri esses prazos antecipadamente, ou seja nunca sequer esperava para os últimos dias, entregava tudo antecipadamente.

Mas como a minha vida sofreu uma alteração de 100% nos últimos 3 meses, e ainda por cima os "tipos" lá do Ministério das Finanças decidiram que deviam lixar o pessoal este ano (sim tinha de ser logo este ano), e inventar uma coisa chamada "IES" (baseado no conceito ALLgarve claro! Só que falta o Y), que pressupõe ser a informação empresarial simplificada (?), informação essa que vem substituir a Declaração Anual que tinha qualquer coisa como 10 ou 12 páginas de informação (mais ou menos) e passa agora a ter 31 (simplificada??). Aqui a criatura andava já em pânico ás voltas com os biberões, as fraldas, as birrinhas, as férias do pessoal e com a dita IES, a pensar como raio ia entregar aquela bodega até 30 de Junho.

Como boa portuguesa que sou, estava já a pensar "martelar" a informação para despachar a dita e pagar os eurozitos que tem de se pagar, porque afinal os gajos querem é umas lecas para ir de férias.

Mas, eis que ontem fui bafejada pela belíssima notícia de que o prazo tinha sido prolongado até 16 de Setembro (yupiiii), se por ser simplificada a informação os tipos prolongam quase 2 meses a data de entrega, imaginem se não fosse simplificada... Enfim, isto tudo para apanhar os pobres incautos que tentam por todos os meios fugir a pagar mais uns tustos de impostos (os pobres, porque os ricos esses continuam à vontade com as massas nas ilhas Caimão).

Portanto, depois de uma boa notícia destas para alegrar o fim de semana, tinha de a vir partilhar convosco (e vocês a perguntarem: Então esta emparveceu de vez? Nós queremos lá saber da IES??!!).

Tirando o facto de que me posso encostar à sombra da bananeira mais uns tempos... Perdão à sombra dos biberões, este fim de semana mudo para a minha casinha (pois é eu estava na sornice em casa dos papis, porque uma mulher com 2 putos não é de ferro). Vamos começar uma nova etapa da nossa vida, desta vez a 4. Já me estou a ver mais descabelada e mais magra a passear os putos para trás e para a frente quando eles estiverem com as birras, e eu sem tempo para fazer o "xope-xope", mas tudo se vai arranjar.

Eles estão um encanto... Cada dia que passa me sinto mais abençoada por esta dádiva que são os meus filhos. São perfeitos, são lindos, estão a ficar crescidos...

Muitas vezes imagino como serão quando começarem a andar e a falar, à noite fico a contemplar aquelas carinhas de anjo enquanto dormem e as lágrimas caem-me pela cara abaixo, são lágrimas de felicidade como é evidente e também porque dentro da minha capacidade de mulher não sei se serei uma boa mãe para eles e não posso prever o que o futuro lhes reserva a eles e a mim, não posso afastá-los de todos os males. Sou uma pessoa diferente agora, mas sei que nasci para ser mãe, amo aqueles pequenos seres cada dia que passa, e mais uma bocadinho todos os dias.

Beijos a todas

segunda-feira, junho 11, 2007

And the winners are...

Lisonjeada foi como me senti pela nomeação do meu blog. De facto é sempre agradável haver alguém que ache os nossos pensamentos em forma de palavra valiosos de alguma forma. Obrigada Tiquinha, sempre foste e serás uma amiga valiosa.

Agora as nomeadas são....

A Tica, porque só podia retribuir desta forma a homenagem e porque de facto a leitura de um blog do dia-a-dia sem presunções e falsas literaturas é sempre uma lufada de ar fresco para tantos outros blogs pretensiosos e outros completamente despersonalizados. É sempre com prazer que escreves aquilo que te vai na alma e é sempre com prazer que te leio também.

A Cris, amiga do coração, tão doce a tua escrita... Tão belas as imagens com que sempre nos brindaste. É também sempre um prazer ler-te, ainda que hoje em dia andes mais desaparecida do que eu.

A Alexandra, porque no teu blog pululam as novidades e as curiosidades de toda a espécie. Tens sempre artigos interessantes de "fait divers" para partilhar connosco. Volta por favor.

A Bem me queres, por todo o carinho e admiração que me desperta. Porque consegue exprimir sem complexos toda a sua esperança e força de mulher.

A Susana Pina, porque mesmo sem nos conhecermos temos tanto em comum. Uma mulher digna de um M muito grande, o verdadeiro rosto da luta contra a infertilidade.

Por estes dias vou andar mais presente, a vida obriga-nos a ter de fazer alguns sacrificios e eu tenho de fazer férias de alguns colegas este mês. Mas eles também seguraram o barco sózinhos desde Dezembro e merecem uns dias de descanso ao sol.

Os pipizes estão lindos e com as avós, já começam a interagir connosco e isso é a maior recompensa que podemos ter pelas longas noites sem dormir.

Beijos a todas

sexta-feira, junho 01, 2007

"Ziggy Stardust and the Spiders from Mars"




É sempre interessante ver a diversidade de respostas quando colocamos uma "desafio". Adorei as vossas respostas!



A criar este blog, e apesar do seu título (infertilidades), nunca considerei a opção de colocar um "nick" directamente ligado ao assunto. Pareceu-me que teria de ser um nome que me dissesse directamente alguma coisa, e foi só esse o critério que utilizei para a escolha do mesmo.


Pois é, as meninas que relacionaram com música relacionaram bem. Nascida na década de 70, "teenager" nos "early 80's", foi ao som de músicos como Bowie e bandas como os "pink Floyd" que cresci e me tornei mulher. Ainda hoje guardo os meus discos de vinil daquela época religiosamente, ainda que alguns deste tenham sido substituídos pelos Cds, pois são muitos são intemporais e interessa conservar num formato mais actual.

A música sempre acompanhou cada passo da minha vida, embora não saiba tocar uma nota e desafine enormemente a cantar. E a música do "Ziggy Stardust", faz parte da minha banda sonora. Hoje quando ouço algumas músicas daquela época, são poucas as que não me fazem recordar algo e são muitas as que me fazem sorrir. Inacreditavelmente, ainda sei de cor todas as letras das músicas que marcaram o meu percurso.




Eu sou do tempo das "festas de garagem" e que boas que eram essas festas em casa deste ou daquele amigo, ou na nossa própria casa. Os papis ficavam todos contentes porque nós estavamos entregues e nós aproveitavamos ao máximo. Eramos todos uma família. Como sempre morei num meio pequeno, todos nos conheciamos e os pais também conheciam os outros pais e etc, etc.




Lembro-me que foi numa dessas festas de garagem que "descobri" o meu marido, pois embora nos conhecessemos (um dia conto como foi que nos conhecemos... ), foi só nessa altura, uma passagem de ano de garagem (eu tinha 16 anos), que começamos a definir os nossos pontos de entendimento e que nos apercebemos que havia ali alguma coisa. O namoro só veio, no entanto passados uns meses.

Acredito que a isto se chama envelhecer (agora que sou mãe estou a ficar "bota de elástico" querem ver???!!!). É claro que também gosto de muitas músicas das boas bandas actuais, e como exemplo fica a música dos "pipizes" (With arms wide open), que é dos "Creed", uma banda actual, que tem imensas músicas que eu gosto, sem esquecer os meus preferidos 3doors down claro.

Ás vezes interrogo-me, se conseguirei apreciar o gosto musical dos meus filhotes, um dia quando eles forem mais velhos, e se eles por sua vez gostarão de ouvir os clássicos do "Rock" que a mãe e o pai gostam: David Bowie, Queen, Pink Floyd, etc, etc. Ou se por sua vez acharão os pais uns "velhos jarretas", sem gosto musical nenhum.

Eles (os pipizes) estão bem, crescidos e chorões. Choram muito com cólicas estes meus bebés. Também choram quando têm fome e quando estão aborrecidos. Isto por cá parece uma sinfonia por vezes e a mamã apetece-lhe fugir, mas acho que é normal e espero que com o andar do tempo isto melhore.

Já apresentei queixa formal ao meu médico, porque me mandou as crianças sem manual de instruções. Ora como isso não se faz tive de reclamar...

A resposta dele foi que estes eram de modelo novo e ainda não existiam manuais para eles... Acham isto normal??? Tantos bebés neste mundo e os meus é que tinham de vir sem manual de instruções...

Beijos a todas

quinta-feira, maio 31, 2007

Curiosidade

O tempo escasseia por estes lados, cada dia é mais intenso do que o anterior. Noutro dia ao ler o blog da amiga barriguitas e do seu pedrinho achei imensa graça a ela dizer que é só biberões, mamadas, muda de fraldas, e não dormir de noite. É mesmo assim, só que nós por cá é a DOBRAR!!! Imagino que ter um só filho deve ser muito mais fácil.

Mas não é por isso que cá venho hoje.

Por curiosidade quero saber se vocês (minhas leitoras ou não) sabem a origem do meu nickname: "stardust", ou seja quero saber se sabem qual a fonte de inspiração para a criação do meu mesmo.

Já algumas amigas o sabem, por isso queria que elas não respondessem.

Beijos a todas

segunda-feira, abril 30, 2007

Upss... I did it again!...

E porque nem só de biberões vive o homem (neste caso a mulher), tirei um bocadinho, para vir contar algumas peripécias da pequenada.

O Locas, é um rapaz muito mimalhinho, comilão e chorãooooo. Na primeira vez que os vovós paternos cá vieram para verem o primeiro banhinho dos pimpolhos (de máquina fotográfica em riste claro) decidiu fazer uma gracinha. Então, estava a mamã toda contente com o pirralho ao colo, todo despidinho, mete-o na banheira e eis que o rapaz decide fazer um cócó dentro de água. Conclusão, tivemos que mudar a água outra vez e as "photos" nada apresentáveis.

Continuando no Locas, devo dizer-vos que o evento que marcou o seu nascimento, foi ele fazer uma xixizada em cima do pediatra (acabadinho de nascer), e essa continua a ser a sua imagem de marca. Aquilo funciona tipo panela de pressão: Abra-se a fralda... Leva-se com um jacto de xixi. Noutro dia estava eu a pesá-lo antes do banhinho, e, enquanto tentava acertar os pesos da balança ouço um ruído tipo "parece que está a chover, mas está sol lá fora...", olho e era sua excelência a presentear tudo o que estava em cima da mesa com o repuxo (um leitor de cartões digitais, uns óculos de sol, etc.) eu logo tento mudar a trajectória da "coisa", e assim que lhe toco começa a cair o repuxo no cortinado da vóvó... Bem!!! Este rapaz promete!!! O pior é quando ás 3 da manhã o rapaz molha a roupa toda e a mamã ou o papá (depende de quem estiver de serviço ao infante) têm de trocar tudo.

A M é mais reservada, ambos têm dificuldade em fazer os cocozes, então a mamã tem de ajudar um bocadinho, então de vez em quando lá saí uma cocozada "de jacto" e vai directa à roupinha da mamã... E sabem o mais engraçado... Não me importa nada! Aliás, essa é outra das vertentes da maternidade, deviam ver o meu ar de felicidade quando vejo a rapaziada a fazer os cocozes, nunca julguei que iria ficar assim tão feliz, o que é certo é que eles ficam mais bem dispostos, dormem melhor... Então eu também fico bem disposta...

Mais uma vez peço desculpa por não ser tão assídua nos vossos cantinhos, mas realmente o tempo é muito escasso. Venho só deixar novidades!

Ah... Já me esquecia... Os pipizes estão lindos!

Beijos a todas

quarta-feira, abril 25, 2007

24 hours job

Venho cá, num pequeno intervalo, e nem sei se conseguirei terminar este post em tempo útil. Ao pensamento assola-me o título de uma canção (sempre a música a marcar pontos) da minha adolescência, e se na altura o título nada me dizia, agora acho-lhe piada: "Working nine to five, what a way to make a living..."

Bem nós por cá não trabalhamos só das 9 às 5, temos um trabalho de 24 horas sobre 24. Os pipizes estão uns amores, muito crescidos e já começam a demonstrar as suas personalidades.

O "Locas", está um gorducho, pesava 3,700 no dia 19, agora deve andar por volta dos 3,900, mais coisa menos coisa. É um mimalhaço, muito comilão. Se o acordo para mamar, ele ainda vai estando bem disposto , se por acaso o deixo dormir até ele acordar, começa logo a chorar para comer e só se cala quando sente o biberão na boca. Adora colinho, e dormir na caminha dos papás (sim, eu sei que não se faz, mas quem consegue resistir a dar muitos miminhos depois do que eles passaram??).

A M. é mais independente, mais magrinha, está a retomar o lugar que sempre teve na barriga, ele o comilão, ela a mais magrinha. No dia 19 estava com 3,520. É muito sensível e refilona. Se existe muita agitação ressente-se logo, é mulher e basta.

Enquanto escrevo, o meu pé direito embala a espreguiçadeira do "locas", a M. dorme no sofá aqui detrás de mim. Sentei-me depois de lavar biberões 4 vezes e de os esterilizar pelo menos 3. As mamadas têm de estar sempre prontas. Tenho biberões no frigorifico e 2 aquecedores de biberões sempre ligados (de noite então dá um jeitaço).

Já aprendi que o trabalho de mãe não acaba, enquanto eles dormem (e quando o fazem), temos de deixar tudo pronto para não faltar nada da próxima vez que seja necessária. Tomamos banho a correr, e sempre com o intercomunicador ligado, o creme no corpo após o banho é uma miragem, e por vezes até para pentear o cabelo temos de esperar até ao fim da manhã.

Com tudo isto, muitas são as vezes que ficamos sem comer ou perdemos o apetite, o que comemos é sempre a engolir, porque o irónico é que eles parecem dar pelo nosso "relax" e um deles começa a chorar e lá vem a mãe tipo ventoínha sossegar o bebé, o que leva a que quando conseguimos voltar à mesa a comida já esteja fria e tenhamos perdido completamente a fome. isto, quando o outro gémeo não começa a chorar a seguir (porque eles apesar de gémeos falsos, estão em perfeita sintonia: Um tem soluços, o outro também, um remexe-se a dormir, o outro também, etc.).

O nosso trabalho, vai para além de suprir as necessidades de comidinha dos nossos rebentos, também temos de ajudar a fazer os cocózes, aspirar os narizinhos para tirar as secreções, etc, etc. Por esta altura, os meus gémeos já me xixizaram as calças as camisolas, os cortinados e centenas de bodys acabadinhos de mudar. Os cocózes então... Nem vou falar....

As noites, fazem-me lembrar aquela musica do Pedro Abrunhosa "Longas são as noites... que passo sem dormir...", perco a noção de tempo de de espaço, e a qualquer ruído salto da cama tipo mola. Os pipizes ainda não dormem muitas horas seguidas e choram quando querem a comidinha, como optamos por dar a comida ao mais esfaimado (em geral o locas) e deixar dormir o outro. Já acordo a ouvir choros que não existem, e sem saber onde estou e a pensar se já terão passado muitas horas, e quando olho para o relógio vejo que passaram apenas alguns minutos desde a última vez que para ele olhei.

Temos tido ajuda, porque senão acredito que seria ainda mais complicado. Mas ainda assim, tem sido duro, sempre que posso, saio um pouco e vou espairecer, acho que é o melhor que posso fazer por mim e por eles. Acho que deve ser isto a que chamam o "baby blues", no caso das mães de gémeos, deve ser a dobrar. Acredito que esta fase vai passar, este é só mais um desafio.

"Working 9 to 5 what a way to make a living"

Beijos a todas

sexta-feira, abril 13, 2007

Pai...

Este é um post reivindicado, mas é um post merecido. É uma homenagem ao Pai. Ao Pai dos meus filhos, a todos os Pais (que possam ser considerados como tal).

A maternidade, é algo intrínseco à mulher, é algo que sentimos desde o primeiro momento em que sabemos que estamos grávidas e que vamos sublimando à medida que a gravidez avança. As alterações no nosso corpo, as hormonas todas em alta, enfim, todas as infinitésimas mudanças que sentimos e que tornam tão complexo o processo de gerar uma vida.

O homem, não sente... Não quero com isto dizer que ele não pode ficar psicologicamente grávido do seu filho, quero dizer que para ele o processo é muito mais abstracto do que para nós que vivemos a criação do pequeno ser por nós gerado muito mais interiormente.

Existem homens que "engravidam" com a mulher, e seguem todos os seus passos, e ligam para ela 1000 vezes por dia, vão a todas as consultas, andam sempre agarrados à barriga, etc. E homens que vivem a gravidez da mulher de forma mais tranquila e expectante. Não quer por isso dizer que a vivam menos, quer talvez dizer, que estão mais incrédulos relativamente a essa mesma gravidez.

O meu marido foi um destes últimos. Não era homem de andar sempre atrás de mim a perguntar-me se estava bem, nem era homem de ir comigo a todas as consultas, nem de me telefonar 1000 vezes por dia, ou de andar sempre agarrado à barriga a perguntar todos os dias como seriam os nossos filhos, era um homem mais moderado, ia seguindo a evolução, os altos e baixos sem nunca entrar em grandes euforias.

No entanto, alguns momentos ficaram na memória:

A confirmação da gravidez gemelar, em que ele guardou na carteira a foto da ecografia, como se de uma relíquia se tratasse;

O despertar, ainda que tardio, quando eu fiquei em repouso e não podia ir sózinha ás consultas: A cara dele ao ver as ecografias e ver que ali dentro da barriga da mulher dele, estavam 2 seres (ainda me lembro da aflição dele ao ver o L com a mão fechada e julgar que ele não tinha dedos).

Se para mim, o facto de estar á espera de 2 filhos era uma realidade imaterializada, até ao momento em que os vi nascer. Para ele era ainda muito mais, porque não os sentia todos os dias a crescerem dentro de si.

O Pai dos meus filhos foi um daqueles homens que só foi pai verdadeiramente quando viu os filhos, e se apercebeu que eles estavam ali e eram reais. E acredito que só aí se apercebeu da dimensão do que acabava de acontecer nas nossas vidas.

O Pai dos meus filhos só se apercebeu que era Pai, quando no dia 16 de Março, o Pediatra anunciou que os ia transferir para a Neonatologia porque eles não estavam a reagir bem, e ele chorou agarrado à mãe, e choramos os dois.

Só se apercebeu que era pai, e o que isso significava, quando foi com a ambulância acompanhar os filhos e ficava horas a fio na Neonatologia a olhar para eles dentro das incubadoras. Quando a cada dia que passava as incertezas quanto ao estado deles, nos deixavam desesperados, e quando em vez de ver os filhos progredirem os via regredir.

Fizemos kilometros de carro, passamos horas em cadeiras desconfortáveis, estivemos juntos em todas as horas difíceis até que os nossos filhos saíram do hospital. E partilhamos todas as angústias e todas as vitórias deles até os podermos trazer para a casa que eles não conheciam.

Desde essa altura, o Pai dos meus filhos tem sido (uma vez mais), um pai exemplar, que partilha todas as tarefas (até as mais ingratas como mudar os cocozes), e insiste em ser ele a fazer tudo desde o leitinho até ao banhinho. E nem nos momentos de maior stress (porque acreditem que não é fácil), ele vacila.

Não tenho dúvida que no dia 15 de Março nasceu um Pai, com P maiusculo, e que os meus filhos, terão sempre esse amor incondicional por parte do pai deles que têm agora, e se algum dia me acontecer alguma coisa, sei que posso fechar os olhos descansada porque com o pai não terão falta de amor, nem de atenção. Sei que serão sempre o centro do seu mundo.

Por todos os motivos enunciados, presto aqui singela homenagem ao Pai dos meus filhos, e a todos os pais que sejam dignos desse nome.

Beijos a todas

segunda-feira, abril 02, 2007

Felicidade em estado puro

Para começar quero pedir desculpa a todas as amigas virtuais pela minha falta de tempo para visitar os vossos cantinhos e para agradecer todo o carinho que têm tido connosco. Logo que as coisas estejam mais calmas, retribuirei todas as visitas e actualizarei as novidades.

Por cá, estamos a entrar na rotina, isto de ter 1 filho não é fácil, quem tem 2 então... É o caos absoluto. Para já os pipizes têm de mamar de 3 em 3 horas, porque como são pequeninos não se pode abusar muito. Eles têm de crescer!

Depois em cada mamada, temos de mudar as fraldinhas 1 vez ou por vezes várias vezes por mamada (se eles decidem fazer o servicinho...), depois temos de pôr os bebés a arrotar, e por fim voltar a adormecê-los. Ora, depois de termos feito tudo isto sobra muito pouco tempo para dormir porque quando acabamos está quase na hora da mamada seguinte.

Por estes motivos, e pelo cansaço acumulado dos primeiros 11 dias de vida dos pipizes, os papás andam tipo zombies, mas muito muito felizes.

Acreditem quando vos digo que quase todos os dias me comovo até ás lágrimas ao olhar para eles, ainda hoje me custa acreditar no milagre de ter gerado uns seres tão pequeninos, tão perfeitinhos. Amo-os tanto que me dói. Apetecia-me estar sempre colada a eles a dar-lhes beijinhos e abraços e colinho.

Sempre que tenha um minutinho voltarei para dar novidades dos pipizes e minhas claro.

Beijos a todas

terça-feira, março 27, 2007

De volta à viagem da nossa vida

Continuamos hoje a grande viagem da nossa vida, agora com os dois novos elementos recebidos no dia 26 de Julho mais activos e já presentes.

Os últimos dias foram pesados: Foi uma recuperação de cesariana, foi uma subida de leite dura e com muito febre, foi um dia atrás do outro passado sentada numa cadeira desconfortável só para estar perto deles. Hoje, escrevo com eles a dormirem nos bercinhos ao meu lado, e apesar da minha grande insegurança de mãe de primeira viagem (que está sempre a meter a cabeça dentro do berço para ver se eles estão a respirar), sinto um alívio enorme por tê-los aqui comigo.

Uma amiga disse-me, uns dias antes do nascimento deles, que o amor de mãe não nascia assim do dia para a noite com o nascimento deles... Antes pelo contrário, era um sentimento que ia ficando maior cada dia que passasse. E é mesmo assim, sinto que amo cada um destes pequenos seres que tive o privilégio de gerar, mais e mais a cada minuto que passa. Nada se compara a este amor que sentimos. De repente, todos os sacrificios parecem pequenos quando olhamos para eles.

Beijos a todas

terça-feira, março 20, 2007

Felicidade adiada...

Hoje já escrevo na primeira pessoa, já estou em casa, ainda que sem os pipizes. Mas primeiro vamos aos pormenores:

O parto correu bem, a mamã levou epidural, e assistiu a tudo, foi o momento mais bonito da minha vida. A primeira a nascer foi a M. a gritar e a espernear, ás 14h45, 2 minutos exactamente depois nasce o mano L. também a gritar e a espernear e a brindar a entrada neste mundo com uma grande xixizada em cima do pediatra. Ela nasceu com 2,510 grs e ele com 2,340 gr. A M. cabeluda e morenaça e o L. louro e branquinho. A mamã ficou e ser tratada e amassada e eles subiram já vestidinhos e quentinhos.

Quando subi do Bloco, a parteira disse-me que a M. estava a precisar de receber um bocadinho de oxigénio e que não iriam para o quarto por enquanto, mais tarde o pediatra voltou a falar connosco e disse-nos que ela continuava a precisar de um pouco de oxigénio porque os pulmões não estavam a reagir muito bem á entrada no mundo, que se iriam manter os pipizes sob vigilância durante aquela noite.

Infelizmente, a imaturidade pulmonar deles fez com que tivessem de ser transferidos para uma unidade de neonatologia e na 6ª feira de manhã. Eu toda amassada da cesariana, só tinha ainda visto os meus filhotes na hora do nascimento lá obriguei o pessoal a levantar-me da cama para ir ver os meus tesouros antes de eles irem nas incubadoras no INEM e ficamos, eu e o pai a chorar. Ele acompanhou a ambulância e eu tive de ficar pois a minha condição não me permitia acompanhá-los.

Fui vê-los ontem pela primeira vez e estão lindos ainda que cheios de tubos, já apresentam alguma melhoria e já fiquei mais feliz perto deles, ainda que por pouco tempo. A M. abriu pela primeira vez os olhinhos á voz da mãe e é muito chorona, o L. mais calminho também mostra conhecer a voz da mamã e lá abriu o olhito para ver de onde vinha aquele som conhecido da voz da mamã.

Não sabemos ainda quando virão para casa, mas acreditamos que virão para perto de nós e então poderemos descansar de toda a atribulação que tem sido a nossa vida nos últimos meses. Porque se para alguns a realização do sonho de ser mãe é a mais fácil das jornadas, para nós (todas nós), essa tarefa é árdua e sofrida até ao limite.

Beijos a todas

quinta-feira, março 15, 2007

:)


Recebi há pouco a seguinte mensagem "Já nasceram, lindos!!!"; apesar de não saber promenores sei que a nossa amiga esta muito feliz. A viagem que se iniciou no dia 26 de Junho , teve o seu fim hoje, um fim muito feliz!! Hoje estou parca em palavras, um pouco emocionada confesso.....
Resta-me desejar muitas felicidades a stardust, ao A. e aos pequenitos Pipizes....
Deixo-vos o ínicio, deixo-vos o dia 26 de julho......
.
"With Arms Wide Open"
.
Well I just heard the news today
It seems my life is going to change I
closed my eyes,
begin to pray
Then tears of joy stream down my face
With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open
Well I don't know if I'm ready
To be the man I have to beI'll take a breath,
I'll take her by my side We stand in awe,
we've created life
With arms wide openUnder the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open I'll show you everything ...
oh yeahWith arms wide open..
wide open
If I had just one wish
Only one demandI hope he's not like me
I hope he understands
That he can take this life
And hold it by the hand
And he can greet the world
With arms wide open...
With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open
I'll show you everything..oh yeah
With arms wide open....wide open

terça-feira, março 13, 2007

Quase


Estamos quase a conhecer o desfecho desta viagem... Iniciou-se a 26 de Junho de 2006. Muito receio da aterragem..
Beijos a todas

quarta-feira, março 07, 2007

Porque hoje é um dia feliz

Que a sorte te sorria nos próximos meses amiga "Bem me queres"!

Beijos a todas

sexta-feira, março 02, 2007

34 Semanas


Estamos em contagem decrescente a partir de agora. Ontem fomos ao médico, os pipizes estão bem e a engordar, têm á volta de 2,200 Kg cada um, se bem que agora o cálculo do peso se torna complicado devido a tanta confusão que impera na barriga da mãe. A M, está com os pés enfiadinhos na porta de saída, e de lá não sai. As contracções são mais do que muitas e o incómodo uma constante. Por esta altura, já não tenho pés de gente, eles mais parecem umas patorras de elefante, e a barriga está tão grande que prefiro nem falar nisso. Canso-me e fico cheia de contracções se caminhar, e não consigo estar deitada porque o desconforto é enorme e quando as contracções apertam tenho de me erguer porque não aguento.
A qualquer altura podem vir conhecer o mundo cá fora os meus pequenos. Ontem julguei que já ficava, porque a altura do colo do útero diminuiu um bocado. O ideal era aguentarmos mais 2 semanas, mas ainda não sabemos se vamos conseguir. A ordem é de marcha ao primeiro sinal de alarme a qualquer hora do dia ou da noite.
Agora, e como prometido, vou falar das minhas escolhas, portanto mamãs mais experientes, façam o favor de opinar.
Na malinha da mamã:
4 Camisas de dormir de manga curta, 2 com botões á frente e 2 de amamentação (100% algodão);
1 par de chinelos de quarto;
10 cuecas descartáveis (lindissimas diga-se..);
2 Soutiens de amamentação;
1 embalagem pensos pós-parto da chicco;
1 embalagem de discos de amamentação da chicco;
1 faixa pós parto da chicco;
1 necessaire com os produtos de higiene (normais), incluíndo 1 embalagem de creme para as gretas dos mamilos da Avent.
Na malinha dos pipizes:
5 mudas completas para cada um (body, collant, babygrow, e gorrinho), divididas nos seguintes tamanhos: 2 de prematuro para cada um, 2 de tamanho zero, 1 de tamanho 1;
2 Mantinhas (rosa e azul claro);
2 Fraldas de pano bordadas (rosa e azul);
2 conjuntinhos de pente e escova (rosa e azul);
2 fatos polares para a saída da maternidade (branquinhos);
2 casaquinhos de malha para cada um;
3 pares de meias para cada um;
3 babetes bordadas pela mamã para cada um;
As mudas vão embrulhadinhas em fraldas de pano e atadas com lacinhos à cor (rosa e azuis) para ser mais fácil e higiénico de manusear, portanto as indispensáveis fraldas de pano também já estão incluídas.
Artigos de higiene para os pipizes:
Sabonete de glicerina;
Óleo de amêndoas doces;
Toalhetes Dodot;
2 pacotes de fraldas recem nascido 1 da 3 kilos da Dodot;
1 pacote de fraldas de 2 a 5 Kilos da Dodot;
O carrinho e cadeiras auto, depois de muito pesar, escolhi o da Bébéconfort, porque apesar de ser dos mais caros, é leve, fácil de manusear, resistente e seguro (pelo menos parece). Assim vamos ter:
2 Creatis (rosa e azul para não variar);
2 suportes para o carro (que são o máximo, é só encaixar as creatis lá e já está...)
1 Carrinho de passeio azul marinho com as respectivas capas de chuva e de sol.
Fico á espera das vossas opiniões.
Beijos a todas

sábado, fevereiro 24, 2007

Dias de reflexão


Nesta fase, é normal as futuras mães procuparem-se com os enxoval dos seus rebentos, com aquilo que têm de levar para as maternidades, tanto para elas como para eles. Ora, eu não sou diferente... E se por um lado tenho a minha mala preparada desde as 21 semanas (desde que estou em casa), a verdade é que a malinha deles, dos pipizes, ainda se encontra "em obras", se bem que já tenha o essencial.
O que suponho acontece a todas as mamãs é que partem para uma pesquisa acerca do conteúdo das ditas malas (que é muito diferente daquele que levamos quando vamos para uma férias nas caraíbas como é evidente). O mais engraçado é que das imensas listas que existem "on line", ás quais acrescentamos os conselhos das amigas já mamãs anteriormente, ficamos completamente baralhadas. Porque é muito raro aparecerem duas listas iguais.
Assim, depois de batalharmos um bocado com as 500 listas que temos, e com os 1500 conselhos bem intencionados das nossas queridas amigas, ficamos com a certeza absoluta de que nos vais faltar alguma coisa na hora H.
Em primeiro lugar, temos o problema do tamanho das roupinhas dos nossos rebentos. Já todas repararam com certeza que o conceito dos tamanhos difere de marca para marca: Se por um lado temos marcas em que um tamanho de 3 meses é tão pequeno que temos a certeza serve ao recém nascido, outras marcas temos em que o tamanho zero é tão grande que a criança só vai usar quando tiver 3 meses.
Depois, temos o problema dos bebés que nascem com menos peso ou que podem nascer prematuros (caso dos pipizes e dos gémeos em geral). Ora, devemos comprar roupa para prematuros ou o simples tamanho zero servirá ás crianças? E se por um lado compramos roupas para prematuros e na hora do nascimento ficar muito pequenina? E se comprarmos tamanho zero e for muito grande??? E se levarmos tudo errado e na hora do nascimento os pobres não tiverem nada para vestir???
Depois temos a questão dos biberons, chupetas, e produtos de higiéne dos bebés. Como todas sabem existe uma parafrenália de marcas todas elas bem publicitadas e que se encarregam de massacrar as pobres mães antes do nascimento dos filhos (é impressionante o número de catálogos, e amostras que se recebe), que juntamente com os "preciosissímos" conselhos das nossas amigas (que cada uma aconselha uma marca diferente), contribuem ainda mais para nos deixar á beira de um ataque de nervos. Então os biberons compro Chicco, Avent, Nuk ou o quê?? E as chupetas??? E para dar banho aos pobres será que preciso de comprar a linha "Xpto", ou o simples sabonete de glicerina e o óleo de amêndoas doces chega???
É de facto muito confuso, sobretudo para uma pessoa como eu que gosta do "preto no branco" e da organização milimétrica. Além de que a minha condição de "aposentada" não me permite grandes devaneios pelas lojas para ver isto e ver aquilo. Mas, devagarinho lá fui organizando as coisas.
Mas, ainda não ficamos por aqui, temos também de decidir a problemática do transporte dos infantes. Outro quebra cabeças... Ainda mais para quem só vai ter um bebé (porque tem imensaaaa escolha), porque com gémeos ficamos condicionados nas escolhas, não existe muita variedade de carrinhos e cadeiras para gémeos, geralmente cada marca tem um modelo e uma ou duas cores no máximo, e ficamos por aí... Temos é de decidir a marca e depois cair para o lado com os preços...
Este aspecto dos carrinhos é muito importante, principalmente para quem vai ter dois bebés, porque se comprarmos uns carros enormes e pesados, depois nós (pobres mães) é que temos que andar com eles, tirar da mala do carro, meter na mala do carro, etc. Portanto, aqui mais do que o custo, devem pesar-se os pormenores como: Peso do chassis, a portabilidade, a facilidade de montar e desmontar, a resistência, etc, etc.
Por esta altura do "campeonato", a nossa cabeça já está em "água" e as nossas finanças bastante desfalcadas. Eu também não me vou alongar muito mais hoje. Da próxima prometo, vir cá falar das minhas escolhas.
Beijos a todas e bom fim de semana

sábado, fevereiro 17, 2007

32 semanas

Esta semana foi semana de ver os pipizes. Eles estão grandinhos, e a mamã ainda mais. O L já pesava 1960 gramas ás 32 semanas de gestação, continua a ser o gémeo dominante. A M, mais pequenina pesava 1700 gramas, o que significa que como mulher que se preze já anda a fazer dieta na barrigota da mamã.

Ora, como devem imaginar, eu estou enorme, eles os dois com 32 semanas de gestação pesam mais do que a esmagadora maioria dos bebés de termo, ainda por cima tenho 2 placentas e liquido amniótico para os 2...

Têm sido tempos dificeis, para levantar, sentar, caminhar, vestir, tomar banho, e principalmente para dormir. Eu já costumo brincar com a situação e dizer que se fosse mais baixinha caía para a frente ao levantar-me.

Agora começo a ir ao médico todas as semanas para controlar a evolução da pequenada, porque queremos que eles se aguentem pelo menos até ás 36 semanas, que era o ideal. A ver vamos.

Pra todas vocês um bom Carnaval e bom fim de semana.

Beijos a todas

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Ainda o aborto

Isto de estar prestes a ser mãe, mexe-nos um bocado com o miolo, e aquilo que eu até agora tinha como "favas contadas", e que do alto do meu pedestal de moralizadora apregoava como verdades absolutas, de repente parecem não ser tão absolutas assim.

Digo isto, a propósito do tema recorrente, tão em voga nos últimos tempos: O aborto.

Se é verdade que eu nunca fiz nenhum, e antes pelo contrário tive de passar um bocado mau, para ter estes dois pipizes na barriga, e outro ainda para os conseguir manter cá dentro e tentar levar esta gravidez a bom termo. Por outro lado, recordo o tempo em que nós cá por casa (e ainda enquanto solteiros), temíamos só de pensar que podia vir uma criança indesejada.

Enquanto assistia aos debates, às várias opiniões defendidas de forma mais ou menos aguerrida, ainda que por vezes os argumentos utilizados não fossem os mais sólidos e/ou correctos. Dei por mim a meditar... Esta não era uma questão de resposta linear, o que ficou mais do que demonstrado pela esmagadora vitória da abstenção.

Pus-me, cá por casa, a fazer um bocado de futurologia (não, não virei Maya) e pensei na minha filha... Pensei o que faria se ela daqui a 13/14 anos me aparecesse em casa a dizer-me que estava grávida: Um caso sem consequência, um rapaz que não quer saber, e ela... A minha menina, à espera de um bebé que não queria de maneira nenhuma, com o futuro que tinha sonhado para ela comprometido por um erro... Que apesar de ter sido feito a dois, ela é que carregava...

E pensei no que faria...

Iria fazer a minha filha abdicar de toda a sua vida futura para a responsabilizar por esse erro? Iria fazer nascer essa criança, ainda que indesejada, assumindo eu o seu encargo? Ou iria encaminhar a minha filha para uma interrupção segura dessa gravidez, e permitir-lhe que crescesse como mulher, construisse a sua vida, e então aí se assim o optasse, tivesse filhos desejados?

A mim parece-me que optaria pela última opção, apesar de todo o meu percurso de vida, porque acho que um filho é um privilégio e tem de ser muito desejado, e nunca pode ser um acidente de percurso.

Beijos a todas

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Um ano passado


"Depois de ter lido diversos blogs, confesso que me senti contagiada e que percebi realmente que certos assuntos são mais fáceis de falar com "estranhos" do que propriamente com todos aqueles que diariamente convivem connosco(...)"

Foi assim que tudo começou há um ano atrás. Foi esta a primeira fase deste blog. Evidentemente não poderia deixar passar em branco esta data, até porque, confesso que nunca pensei que iria persistir durante um ano inteirinho a idéia do blog, julguei sempre que iria desistir mais cedo. Mas não, este "bichinho" da blogosfera pegou, e já raro é o dia em que cá não venho, nem que seja para ver as novidades das amigas virtuais. E não raras vezes dou por mim a pensar: Hoje é dia de Beta de fulana ou beltrana ou hoje é dia de punção de A, ou numa outra que descobriu um problema mais grave. Sinto como se fizessem parte do meu mundo, ainda que seja um submundo à parte do meu viver real.

Noutro dia, falavam-me da reportagem da SIC, da rapariga que tinha lá aparecido, a grávida de gémeos. Eu dei por mim a falar dela como se a conhecesse, e a dizer que ela tinha ficado grávida 3 meses antes de mim, depois de um ttt complicado que resultou num "tiro certeiro". A minha interlocutora olhou-me e perguntou: - Mas tu conheces? Como sabes? - Dei por mim a pensar que realmente nunca tinha visto a "Musa", mas que realmente conhecia bem a sua história e da concepção dos seus filhotes e respondi: - Conheço... Da Internet...

Mas não foi a única vez que isto me aconteceu, não são raras as vezes que em conversa falo deste ou daquele episódio, desta ou daquela história de vida, que conheço virtualmente, daqui, e muitas são as vezes em que fico meia atrapalhada para justificar o meu conhecimento de pessoas que não são reais e também não são fictícias, mas meramente virtuais.

Foram vários os episódios pelos quais passei ao longo deste ano e que convosco partilhei, houveram alturas em que andava um pouco por baixo, outras nem por isso. De qualquer forma tentei sempre dar um tom de boa disposição aos meus textos, ainda que por vezes (muitas vezes), tivesse vontade para tudo menos para fazer humor.

Aprendi muito aqui. Ainda me lembro do dia em que saí do hospital com um protocolo na mão e não fazia a mínima idéia do que aquilo era. Nenhuma idéia mesmo! Eram dois ou três papéis com datas, nomes de medicamentos e quantidades que ninguém me explicou patavina e me deixaram em pânico. Ainda me lembro de estar horas no messenger com a amiga Tica e com a Alexandra, a destrinçar aquilo tudo para ver se percebia alguma coisa. É claro que depois tive direito a consulta de dúvidas e de treinos no hospital, mas quando lá cheguei para esse evento já ia mais preparada, tinha feito uma listinha de duvidas e tudo, já ia mais esclarecida e só fiz o figuraço de perguntar só aquelas coisas mais complicadas, porque as básicas já as sabia.

É verdade que a falta de informação médica aos utentes dos tts de infertilidade é real, e é muito criticável. O pior, é que me parece que essa falta de informação é existente em todos os lados, ou seja, não é só predicado dos serviços públicos. O que se torna muito mais grave no caso das clinicas que fazem os tts privados, porque mexe com as finanças de quem está a pagar (e não é pouco).

Também acho mau, que uma mulher e um homem se submetam a um (ou vários) tts de infertilidade, assinem "termos de responsabilidade", e não saibam, nem procurem por todos os meios ao seu dispôr, saber que riscos e que efeitos poderão ter as drogas no seu organismo, e qual vai ser o procedimento que vai ser seguido. Existem pessoas que vão fazer estes tts, que são duríssimos, sem o menor conhecimento dos procedimentos mínimos a que serão sujeitos. Se os médicos não dizem... Perguntem! Se não têm coragem de perguntar aos médicos... Informem-se! Na internet, na biblioteca, em qualquer lado... Mas informem-se.

Parece-me absurdo que saiam pessoas de transferências a julgar que estão grávidas ou que pessoas que vão fazer punções julguem que vão ficar com cicatrizes exteriores dos furos da punção (isto é verídico não julguem que é brincadeira)

Claro que existe sempre o reverso da medalha, as antiteses, aquelas pessoas que se entopem de informação completamente sem a menor selecção e não enquadrável em qualquer contexto, e que fazem uma enorme confusão nas suas cabeças e nas de quem as lê e pior ainda, não podem tirar daí nada de positivo a não ser grandes doses de sofrimento desnecessário. É importante mantermos o norte, e lembrarmo-nos de que qualquer informação só é útil quando inserida num determinado contexto e numa realidade muitas vezes individual e particular. Se o tt A resultou comigo, porque os meus exames tinham esta ou aquela característica, não quer dizer que para outra pessoa possam resultar. Não podemos esquecer que cada caso é um caso e que não podemos generalizar. Quem está a avaliar o problema tem um conhecimento de "background" muito específico das milhentas variáveis existentes que enquadra neste ou naquele quadro mediante cada caso particular.

Ainda recordo, quando o meu médico me deu o protocolo, eu vi que aquilo durava quase um mês e sabia que existiam protocolos mais curtos e perguntei: - Então vamos fazer o protocolo longo? Porquê? - Ao que ele respondeu: - "Porque é adequado a si, é o mais simples e tem bons resultados..." - Não pude reclamar, aliás com o tempo aprendi a nunca reclamar com ele...

Cada vez mais, está provado que a infertilidade é um negócio de milhões, e que existem muitos locais a fazer tts sem a menor credibilidade, é importante falar das experiências, más e boas, publicamente e acho que neste ponto estamos a melhorar. Ainda noutro dia segui um debate aceso no fórum da API, em que uma das meninas partilhou uma experiência menos positiva (para não dizer pior) que teve numa clínica privada, o que causou alguma controvérsia levando mesmo um suposto dirigente dessa clinica a intervir. É importante, principalmente para quem anda no privado, partilhar informações e procurar as clinicas com melhores referências (todas sabemos onde estão). Porque enquanto que no público ganha-se o mesmo com sucessos e insucessos, no privado existe o "vil metal" a mover os interesses, e acreditem que tem muita força.

Pois... Parece que aquilo que ia ser uma breve dissertação acerca do primeiro aniversário do meu blog, se alongou em mais um longo "Sermão de Stº António aos Peixes", também que querem, uma mulher aqui presa há 2 meses tem direito a massacrar a audiência.

Beijos a todas e obrigada por este ano aí desse lado!