quinta-feira, dezembro 04, 2008

Acerca da "ajuda" marital e não só

Este post, é dedicado aos homens, maridos, companheiros, espectadores e afins. É um texto que obviamente não pretende ser regra, mas que acredito se aplicará em muitos (e muitos) casos, quer as respectivas consortes queiram admitir ou não.

O homem, espécie muito estranha, tem pretendido ao longo dos últimos 2 séculos (finais do XX e inicios do XXI), mostrar-se liberal, actual, esconder as suas raízes verdadeiras de homem de "cro-magnon". Alardeiam aos sete ventos que são homens modernos, que acham a igualdade das mulheres uma coisa fantástica e blá, blá, blá.

Ora, a verdade é que na hora H a coisa não é bem assim, em vários ramos da nossa vida quotidiana, por exemplo, homens a exercer as mesmas funções das mulheres em geral ganham mais, etc.

Na vida doméstica então, a discrepância é gritante. Porque a igualdade da mulher é muito bonito e tal, mas umas são mais iguais que outras...

Eles "ajudam", a pôr a louça na máquina;
Eles "ajudam", a mudar umas fraldas aos miúdos (os que ajudam claro);
Eles "ajudam" a dar banho aos miúdos mas esquecem-se que eles precisam de roupa e eles NÃO SABEM onde está a roupa;
Eles "ajudam" a dar o jantar aos miúdos, mas NÃO SABEM onde está o jantar, quanto tempo demora a aquecer, ou a que horas deve ser servido (isto já para não dizer que se forem eles a ter de fazer o jantar as crianças bem podem morrer à fome ou então comem da "telepizza");
Eles "ajudam" sentando-se à mesa a jantar a comidinha preparada por nós, depois de termos chegado de trabalhar dado banho aos miúdos, termos aquecido e servido e dado o jantar aos mesmos, enquanto com a nossa quinta mão disponível fazíamos o jantar para todos;
Eles "ajudam" a avolumar roupa suja na lavandaria porque NÃO SABEM colocá-la na máquina e pôr a dita a lavar, tirar a roupa e estendê-la então, é coisa para ETS;
Eles "ajudam", quando os miúdos estão doentes a dormirem profundamente enquanto nós temos de nos levantar há hora certa para darmos a medicação, verificar o febre ou simplesmente quando os miúdos choram;
Eles "ajudam" a dizerem-nos que têm horas a cumprir e portanto não podem chegar atrasados quando as coisas se complicam de manhã para sair de casa (nós não temos horários claro!);
Eles "ajudam" a queixar-se que não têm tempo para os seus momentos de lazer e que sem eles não aguentam a pressão do seu trabalho, da sua vida, etc (nós não temos pressão nenhuma, até somos desocupadas, e a entidade patronal paga-nos o ordenado pelos nossos olhos lindíssimos);
Eles "ajudam" a fazer tantas coisas que até me canso de as enumerar.

O mais engraçado, é que quando reclamamos da imensa ajuda prestada, eles mostram sempre quão afortunadas nós somos, porque até existem outros que nem uma fralda aos filhos mudam...
E portanto nós mulheres de sorte nem devemos sequer reclamar porque fomos abençoadas com uma sorte extraordinária por os termos encontrado no nosso caminho.

Existem mulheres que engolem a cantilena, e ficam a meditar acerca da verdadeira sorte grande que lhes saiu porque até têm um marido que as ajuda a fazer umas coisitas e vão fazendo as suas múltiplas tarefas, estouradas e resignadas. Outras há que reagem e isso depois acaba por gerar uma série de discussões intermináveis.

A verdade é que quando chega ao fim do mês, eles como homens modernos que são não se importam nada que o nosso rendimento "ajude" a economia familiar, afinal, estamos em pleno século XXI e eles são homens modernos.

Apercebemo-nos que pouca coisa mudou desde o tempo das nossas avós. O que mudou, foi que a nossa dita independência serviu para nos escravizar ainda mais. Porque hoje somos fonte geradora de riqueza, trabalhamos ombro a ombro com os homens, ganhamos tanto ou mais do que eles, mas na nossa vida quotidiana continuamos a fazer o que faziam as nossas avós e depois delas as nossas mães. Acredito que hajam homens que partilhem de igual maneira as tarefas domésticas, mas tenho a certeza que são mais os que se baldam a elas.

Beijos a todas

16 comentários:

Algodão Doce disse...

Olá,

Como te compreendo!!!! Às vezes nem sei como aguento. Eles ajudam é verdade, mas o trabalho pesado é sempre nosso.
Já não sei o que é sentar-me descansadinha a comer ou no sofá a ler um livro. Que saudades eu tenho......mas é passageiro, quando olho para os meus 2 filhos, tudo fica mais fácil.

Somos mães e isso é o fundamental.

Beijinhos e que tudo se vá compondo da melhor maneira.

Anna72 disse...

Nem mais!

É por essas e por outras que, caso tenha a sorte de algum dia ter filhos e, especialmente do sexo masculino, pretendo ensinar-lhe(s) a fazer tudo. Até por uma questão de independência. Tem alguma lógica precisar de vestir um par de calças e esperar que a "mulher da casa" as passe? Ou não saber estrelar um ovo?

Acho que eles tendem a ver a coisa pelo lado da comodidade e não percebem o quão dependentes são do sexo feminino.

Beijocas ;)

Nina disse...

Lá isso é verdade! São poucos os homens que ajudam verdadeiramente. E depois, há os que ajudam e só perturbam. Nesse caso mais vale tê-los no sofá!Lol
Que somos bem diferentes dessa espécie em extinção, lá isso somos! Ainda hoje, comentava com a minha cunhada a atitude de um homem, em frente ao colégio, que me fez, inevitavelmente, compará-lo com o pai do meu filho. Estava a chover...frio, mas em vez de vestir o casaco à criancinha, que devia ter a idade dos nossos filhotes, dentro do carro, vestiu-lho cá fora! Agora imagina que a criança ficou doente...não seria melhor ter estado quieto a ler o jornal no sofá? Há que ver o lado positivo das coisas, para não moer a paciência!:)
Toma lá um xi para 4

Lita disse...

Bem... até posso um dia vir a arrepender-me do que vou dizer, mas nestes 8 anos e meio de casada tenho tido mais do que a ajuda do meu marido.
Talvez porque foi criado pelos avós e nunca ter vivido com os pais, ele aprendeu a fazer de tudo e quando o faz, faz bem feito. Até a passar a ferro ele se safa bem e não preciso de lhe pedir ajuda, porque normalmente ele toma a iniciativa.
Sei, comparando com os meus cunhados, com os meus amigos que tenho uma sorte fantástica.
Espero que um dia, se chegar a ter um filho que ele possa aprender com o pai o quanto é importante saber fazer, ser independente e não se limitar a "ajudar".

E só peço que ele seja sempre esta pessoa disponivel e que nunca se inspire num mau modelo masculino :-)

Beijinhos

Lita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
amora disse...

Acho que tens toda a razão naquilo que dizes e que a igualdade entre homem e mulher é uma utopia na maioria dos assuntos. Mas também acho que essa desigualdade é muito fomentada pelas próprias mulheres que estimulam a atitude da ajuda e não a da partilha. Ao dizer que o meu marido me ajuda eu já estou a alimentar a ideia de que me cabe a mim fazer as tarefas e que quanto muito mereço ser ajudado. Eu sinceramente não me incluo nesse posicionamento. O meu marido não me ajuda, o meu marido partilha comigo as tarefas que a vida familiar existe. E se há tarefas que apenas eu faço, outras há que são exclusivas dele porque a partilha passa por isso mesmo. Acho que é uma questão educacional e de atitude.

beijocas que o texto já vai longo

stardust disse...

Querida Amorinha, sempre sábia! É evidente que nós não podemos nem devemos agradecer a "ajuda" dos maridos, as tarefas devem ser compartilhadas assim como as despesas o são.

Eles ao fazerem o que quer que seja dentro de casa não deveriam considerar serem uns "tipos porreiros" porque até fazem isto e aquilo, deveriam sim fazer porque nós tmb fazemos.

Kitty disse...

Assino por baixo!
Mas também acho que a Amora tem razão!

Beijinho
Bom fim de semana

Lita disse...

Este tema já tem sido motivo de algumas "conversas acesas" cá em casa.
O meu marido diz sempre que ajuda e de facto, toma sempre a iniciativa de tirar os pratos da mesa e de os pôr na máquina. Mas, que não cabe na máquina, espera na banca, até caber! Limpar o fogão, nem que esteja todo sujo e engordorado, para ele, não faz parte de arrumar a cozinha. A dita banca, depois da louça ser colocada na máquina, fica com o aspecto de que alguém vomitou para lá! Com este comportamento, não há paciência!!!
No início do casamento, perguntei-lhe se sabia passar a ferro e respondeu-me que sim mas, que a roupa costumava ficar colada ao ferro!!!

Tudo isto, eu tenho a certeza, que é para eu me cansar e desistir! Mas, nem que faça mal feito (o que é o habitual!), nunca caio nessa asneira!
Mas, que irrita, lá isso irrita!

Costumo dizer que não sou empregada doméstica de ninguém (sem ofensa às empregadas domésticas, claro!) mas, a verdade é que acabo por desempenhar muitas vezes esse papel!

Beijinhos grandes
Lita

Raio de Sol disse...

lol!

tens toda a razão! :)

beijokas

Susana Pina disse...

Belo post amiga...bem retratado sim senhora...
Eu sou das poucas previligiadas, mas, o meu marido faz o almoço, é verdade, quando chego a casa para almoçar e se o turno dele for entrar de tarde, o meu almoço está na mesa, mas...bem!!! O fogão...o chão...os panos...o lava-loiça...a loiça amontoada que é só colocar na máquina...pois, esse trabalho fica para a Susana na unica hora que tem para almoçar e descansar...e depois ainda me diz que me faz o almoço...eheheh!!!
Mas lembro-me bem do meu pai que nem sabia fazer uma cama, estrelar um ovo ou aquecer uma sopa, e o mesmo do meu sogro. Um dia a minha sogra estava doente e pediu-lhe para fazer um chá, e ele perguntou-lhe: - Na água deito sal e que mais? Ainda hoje nos rimos com esta frase...
O pior é que os adoramos, mesmos que eles não ajudem em nada.
Bjs grandes
Susana

R e L disse...

Pois...
Nem tenho mais nada a acrescentar, mas começo a cansar-me das discussões por este motivo. Por isso já há algumas tarefas que lá em casa ficam por FAZER... E ficam mesmo!!!
Só garanto o bem estar total das crianças, roupa é tratada de igual modo pelos dois, não passo a ferro (tenho engomadeira). Limpezas... é o que deixo por fazer (e ele faz por ver que eu não faço mesmo) e sinto-me mal porque as crianças apercebem-se que eu discuto com ele, fico triste por isto!

Beijos

Luna disse...

ainda esta semana deu programa na atena 3 sobre o assunto, sabes que a maioria das mulheres chegou a conclusão a culpa é das mãe ensinam ser assim, depois eles habituam-se quando saem de casa coisa muda eles refilam.
depois eles queixam são sexo forte, mas não vivem sem nos mulheres!
bjkas

Bem Me Queres disse...

Cá em casa posso dizer que tudo é partilhado, mt mais desde que engravidei e que as M&Ms nasceram. Acho que o T. percebe o esforço monumental que é ter uma vida profissional exigente e ainda uma casa (e agora uma família) à minha espera. Posso-me considerar uma sortuda talvez por ser das poucas mulheres que sente que tudo na sua vida conjugal é partilhado.
Beijocas docinhas

Mae Princesa disse...

Este texto está excelente!! Publiquei-o no meu blog, com a devida menção que o texto é teu, para ver se o meu marido o lê....
Beijos!

Mae Princesa disse...

Espero que não te importes...