segunda-feira, junho 29, 2009

De facto, não sei se fico ou se vou...

Quando inciei este blog, existiam ainda poucos. Eramos poucas a dar a "cara", e tive o privilégio de acompanhar de perto grandes batalhas. Pessoalmente ou via net, todas conheciam a história de todas e acompanhavam-se a par e passo todas as grandes etapas das nossas vidas. Acho que disse aqui, por diversas vezes, coisas que só me atrevia a pensar e jamais a verbalizar.

Conheci grandes mulheres, e vi nascer o maior projecto de todos: A APF - pela mão de algumas dessas grandes mulheres.

Em alguns momentos, considerei o abandono. De facto, aconteceram alguns episódios menos bons na nossa história bloguistica da infertilidade, o que gerou em mim uma grande vontade terminar e desligar-me de todo este "pequeno mundo" e esquecer que apesar da minha pequena/grande história bem sucedida, existem algumas grandes histórias de grande sofrimento por resolver.

No entanto, achei que pelo menos, ao meu "pequeno núcleo duro" devia a continuidade. Sem nunca alardear em demasia o que me vai na alma, mas mantendo um contacto, ainda que esporádico, para que quem ficou para trás sentisse que não foi (pelo menos) da minha parte esquecido.

O último desses elementos, segue agora o tranquilo caminho para a realização do seu sonho e eu por cá acho que a minha missão terminou, pelo menos naqueles parâmetros que me mantinham por cá.

Agora, o universo deste "pequeno mundo" estendeu-se e são tantas as histórias e tantas as personagens, que não consigo e não posso dentro das minhas parcas possibilidades temporais acompanhar.

A infertilidade vai acompanhar-me por muitos anos mais, de facto acho que não vou esquecer tudo aquilo por que passei para que se realizasse o pequeno/grande sonho de ser mãe. Vão existir pessoas que num pequeno sub-mundo ficarão ligadas a mim para sempre e espero acompanhar o crescimento de todos aqueles bebés de ouro gerados na época dos meus pequenos tesouros.

Ser mãe é de facto o maior de todos os sentimentos, o maior de todos os privilégios, mas também a maior de todas as provações. Com a maternidade muda toda a nossa vida, mudamos nós, e nada volta a ser sequer um esboço do que foi.

Não sou mulher de ter um blog para falar acerca de papas, dentinhos, ou gracinhas dos rebentos. Um "babyblog" não se enquadra no meu perfil, apesar de ser babada com todas as habilidades dos meus pequenos infantes, não acho interessante para ninguém saber se eles comem a sopa toda ou se fizeram duas ou três birras num determinado dia.

Portanto, enquanto considero a continuidade ou não deste espaço, vou pairando por aí.

Beijos a todas

quarta-feira, junho 17, 2009

Fim de um ciclo

Por estes dias confirmou-se, o fechar de um ciclo. Daquele que se tinha iniciado em Fevereiro de 2006, aquando do inicio deste blog.

A verdade é que o ciclo fechou e a última peça foi colocada. Por tal facto alegro-me, porque de todas as pessoas daquele inicio, poucas são as que não conseguiram seguir em frente e concretizar as suas aspirações.

Beijos a todas

segunda-feira, maio 18, 2009

Ainda a propósito de...

Estava eu "quieta e mansa", no meio da papelada e de umas quantas pragas mentais que ia rogando, quando fui interrompida por um dos meus colegas.

- Olha lá, estão ali uma pessoas para ti...

- Para mim, que querem?

- Não sei disseram-lhes para vir falar contigo...

- Disseste que eu estava?

- Disse...

- Bolas!

Mais umas asneiradas mentais, e lá me dirijo aos meus interlocutores, que eram (a saber), um casal jovem (na casa dos vinte e poucos), e uma senhora com mais idade, que depreendi logo ser mãe de um dos jovens.

- Queriam falar comigo?

A senhora mais idosa toma a palavra e pergunta:

- Olhe menina, por acaso não estão a precisar de pessoal?

De repente aquela pareceu-me uma pergunta armadilhada, e pensei, lá vem mais uma pedir os carimbos, ao menos esta pergunta se não é preciso pessoal*.

- Bem, neste momento não estamos a admitir ninguém, mas...

Ao que ela interrompe prontamente e me diz:

- Não era para mim menina, era aqui para a minha nora, que trabalhava neste ramo e ficou sem emprego, e eles (dirigindo-se ao casal), têm a casa para pagar, e eu vim cá com eles para ver se não precisam de ninguém.

Fiquei estupefacta, mas adiante. Recompus-me rapidamente e interpelei a nora candidata.

- Então e a menina trouxe um Curriculum...

- Não.

- Ah, bem é que era capaz de ser interesante, depois se quiser cá passar para deixar, qualquer coisa e eu chamo.

- Está bem eu deixo.

- Certo então, continuação de boa tarde e boa sorte.

Quando sairam lá vociferei, para os outros:

- Vocês viram-me esta??!! Quer vir trabalhar para um estabelecimento para fazer atendimento ao público e vem a sogra pedir? Isto não é normal! Quando chegasse um cliente ela fazia o quê, fugia lá para dentro e tinha de vir eu atendê-lo? Mas que juventude é esta?! Que é isto?!

Bem a rapariga nem o Curriculum veio deixar, por isso ou é mesmo lerdinha ou simplesmente é como a maior parte das dos carimbos, quer é o carimbo e dormir até ás 11.

* Não sei se sabem, mas hoje em dia os desempregados têm de fazer uma coisa que se chama de procura activa de trabalho, pelo que têm de apresentar umas folhas carimbadas e preenchidas pelas empresas para demonstrar nos centros de emprego que até andam à procura de trabalho, só que até nem têm sorte nenhuma e não encontram.

Alguns não terão. Mas a maioria dessas pessoas, vêm às empresas e não perguntam se temos trabalho, perguntam se podemos carimbar a folha. Geralmente carimbo, porque eu até nem sou a salvadora da pátria.

Agora isto para dizer que jovens são estes que formamos, que as sogras/mães, têm de vir com eles pedir empregos... Falam por eles, como se eles não tivessem voz. Isto para dizer que sim. Que até podia arranjar uns meses de trabalho para aquela rapariga, se tivesse vindo ela, sózinha fazer a abordagem, de forma profissional, porque até tenho uma pessoa a gozar licença de maternidade e tenho andado doida (eu própria), a trabalhar como uma maluca, porque tenho menos uma pessoa.

Em adenda ao post anterior, gostaria de dizer que não sou contra os infantários. De forma alguma. São uma necessidade e têm como tudo coisas boas e más. Nem todos podem deixar os filhos com os avós, nem todos querem, e nem tudo é um mar de rosas quando eles ficam com os avós. E também eu, e o pai deles trabalhamos, e de que maneira. Muitos são os Sábados e Domingos que um de nós está a trabalhar, e que o horário até nem é muito flexível. Mas que tentamos coordenar-nos para que pelo menos um de nós vá buscá-los e ficar com eles. Se um não pode o outro vai. A nossa vida não é diferente da de qualquer um, podemos é ter perspectivas diferentes.

Beijos a todas

quinta-feira, maio 14, 2009

Mais teorias acerca da educação

Se há coisa que detesto e me tira do sério são fedelhos mimados, cheios de artefactos electrónicos de última geração, com roupa ostentado as marcas em grandes letras, cabelo penteado à "moda" e cara de quem comeu e não gostou.

Estes são os pequenos tiranos, pequenas miniaturas de adultos, a quem os pais se esfalfam para conseguir agradar sem tal seja visível a olho nú.

Vivemos, todos nós (ou pelo menos a grande maioria), num grande circo. Corremos feitos loucos de um lado para o outro e andamos sempre apressados. No meio disto, ficam os nossos filhos. Crianças inocentes, que nem sequer pediram a ninguém para nascer. Tem-se filhos pela pressão social, tem-se filhos porque acontece, tem-se filhos porque sim. No entanto, na maior parte das vezes nem sequer temos tempo disponível para nós, quanto mais para os filhos.

Colocam-se os filhos nos infantários e/ou amas, ainda mal seguram o pescoço, ficam ao cuidado de terceiros durante 8,9, 10 ou mais horas todos os dias. Levam-se para casa para acumular com o banho, jantar e outras imensas lides domésticas que nunca mais acabam. A paciência é menor do que um copo de água, o cansaço é imenso.

Neste cenário, assistimos a pais que se afogam na culpa: Porque não têm tempo, paciência e disponibilidade... Vemos pais que tentam comprar com dinheiro o tempo e disponibilidade que não têm para lhes dar. Vemos erguer crianças egoístas, viradas para si e sem grande conhecimento significado do valor do dinheiro e da palavra não.

Conheço casos de putos que pedem aos pais para comprarem isto ou aquilo porque até só custa 1000 ou 1500 euros, como se estas quantias fossem irrisórias ou pequenas. E o pior é que não sabem, nem conseguem lidar com a resposta não. Já não conseguem... E os pais esfalfam-se, fazem dívidas, mas não conseguem dizer que não aos meninos, não querem que eles se sintam mal porque até nem têm aquilo que só custa 1000 euros e o amigo do lado tem.

Fui criada na época do não. Numa época em que o pai trabalhava, a mãe ficava em casa, e os putos eram contrariados porque sim. Havia algum dinheiro, mas não se faziam dívidas para comprar uma televisão. A mentalidade era preparar as crianças para o "dia de amanhã".

Desde muito nova partilhava tarefas domésticas com a minha irmã, arrumávamos o que era nosso, passávamos a ferro, ajudávamos na arrumação da casa, preparação de refeições e em tudo o que nos era pedido. Depois ainda tínhamos tempo para irmos fazer os "deveres", e ás vezes ver um pouco de televisão, televisão essa que tinha uma chave e só se abria em ocasiões especiais.

As roupas, eram confeccionadas pela costureira da terra, e tínhamos uma ou duas melhores para aqueles dias festivos. Os nossos brinquedos eram umas bonecas que iamos recebendo, só nas ocasiões festivas, as quais com alguma imaginação íamos vestindo e despindo com indumentárias fabricadas por nós na máquina de costura lá de casa. Quando começamos a saber ler e escrever, os presentes eram livros, mas sempre e só nas alturas festivas, não havia cá "vamos ali e compramos isto ou aquilo". Tenho colecções de livros fabulosas dessa época. Vem daí o amor pelas letras.

Os trabalhos da escola eram feitos por nós, sem ter o pai ou a mãe de atalaia a vigiar se os fazíamos ou não. Se vinha uma repreensão da professora por não termos feito isto e aquilo ou algum teste com má nota, era castigo na certa. Era aquele o nosso "trabalho" e desde logo tínhamos de o fazer bem feito, não havia presentes por termos boas notas, era este o resultado que devíamos ter pronto.

Tirei carta aos 18, tive carro, mas ia para a faculdade de autocarro e o "meu" carro só saía ao fim-de-semana com a kilometragem controlada.

Se gostei deste regime? Não e sim.

Acho que talvez algumas coisas fossem exageradas, porque até nem viviamos mal. Porque podíamos ter mais "vida boa". Mas, sem dúvida foi importante para a minha formação enquanto ser humano, enquanto mulher, enquanto profisional.

Com as minhas crianças, tento de alguma forma conciliar as coisas. Não estão no infantário, estão com as avós, não vão para lá ás 7 da manhã e não vou buscá-las ás 7 da noite. Vão há hora que acordam e depois de tomarem o pequeno almoço, tento sempre estar com eles ao almoço, para os mimar um bocadinho e para eles matarem saudades, e vou buscá-los ás 17h30 ou 18. Em casa, é por conta deles, fique o que ficar por fazer, o trabalho não foge.

Em termos materiais, é tudo muito a conta gotas, tento não dar em excesso, até porque eles nestas idades querem é muito amor e carinho.

No futuro, tenciono colocá-las numa escola pública. Quero que convivam com o bom e o mau, o rico e o pobre. Não sou nada a favor das escolas privadas. Por um lado acho que há mais facilitismo no ensino, e por outro o convivio com "elites" não será nada benéfico para as mentes em formação. Devem desde cedo distinguir o bem do mal saber conviver com ele e sobretudo verem qua há alguns que têm mais coisas do que eles, mas outros que têm menos.

Já têm a noção do dinheiro (tostões), e que para se ter coisas é preciso ter dinheiro, e que para ter dinheiro o pai e a mãe têm de ir trabalhar. Quando vamos a qualquer lado, e querem isto ou aquilo (agora andam na fase dos carros de moedas, e das bolas com brinde lá dentro), basta que eu diga que não tenho tostão e eles aceitam que não podem ter.

É claro que ainda são muito novinhos, e que quanto maior for a sua percepção do mundo e de tudo o que existe, maior será a tentação e a vontade de posse. No entanto, penso que com um pouco de bom-senso e algumas lágrimas, conseguiremos chegar a um ponto de equilíbrio.

Beijos a todas

terça-feira, maio 05, 2009

O primeiro corte

Hoje foi o dia, em que levei a minha princesa M. pela primeira vez cortar o cabelo. Quem a conhece sabe que ela tinha uma bela cabeleira toda aos "cachinhos". A esta altura, já estava pelo meio das costas, o que fazia com que tivesse de andar sempre a fazer-lhe tótós, pôr-lhe travessões e mesmo assim a ver a pobre sofrer com o cabelo sempre na frente da cara e de cada vez que tentava pentea-la.

Foram uns meses de preparação. Se a mim já me custa ir cortar o meu rico cabelinho, então o dela... Mas com o Verão à porta teve de ser. É mais prático para ela, para mim, para todos enfim.

Ia com um bocado de receio, e no caminho lá a fui mentalizando que íamos ao cabeleireiro cortar o cabelo, e ela lá foi dizendo que não queria cortar o cabelo e tal. Acho que associou o cortar o cabelo ao cortar as unhas, coisa que ela detesta e que repete religiosamente cada vez que lhe vou mudar a fralda: "Não vamos curtar as unhas..." - ao que eu respondo, "Hoje não."

Chegadas lá, sentei-a no meu colo, e deixei que começassem a pintar primeiro o meu cabelo, com ela sentada ao colo, para ela ganhar confiança. Depois enquanto esperava "pela tinta fazer efeito", lá fomos preparando a moçoila para o feito.

Antes de tudo pedi para cortar 3 caracóis para recordação (eu sei que sou boubelita!), depois lá se molhou o cabelinho e curtou-se. Não foi fácil, porque ela não parava quieta com a cabeça, mas de resto portou-se como uma verdadeira princesa e ficou tão linda a minha menina. Aguentou comigo quase 2 horas no cabeleireiro sem se chatear. Deve ser genética esta predisposição do mulherio para passar horas no cabeleireiro sem pestanejar.

Estão a ficar grandes, já são meninos.

Beijos a todas

quinta-feira, abril 23, 2009

O trânsito lento, dificultava o andamento àquela hora. Enquanto aguardava que o carro da frente se dignasse a andar, os meus olhos pousaram no outdoor em frente. A imagem era de uma criança a estender os braços para a mãe, assim numa luz difusa. Dizia algo do género:

"Um dia viajarei pelo mundo, mas tu serás sempre a minha casa..."

De repente senti que tinha os olhos cheios de água, ali naquele momento, fui apanhada de forma certeira...

Parabéns à Chicco que está com uma campanha muito boa.

Entretanto o carro da frente andou e eu segui também. A frase gravada na memória e no coração, lembra-me que os pássaros saem do ninho e temos de os deixar voar quando chegar à hora, mas que o ninho será sempre deles... Resta-nos ir aproveitando cada minuto até chegar essa hora.

Beijos a todas

segunda-feira, março 23, 2009

Os acidentes com crianças

Esta tem sido uma época negra para as crianças. De repente, parece que todos os dias vemos ou ouvimos notícias acerca deste ou aquele acidente com crianças muito pequenas.

Começamos com aquela pobre alma que se esqueceu do filho no carro; Passamos por um pai de marcha atrás a atropelar a filha de 18 meses; Por um miúdo de 19 meses a cair de um quinto andar; Outro de 4 anos a ser levado por uma onda; E a última uma criança de 2 anos a morrer afogada numa piscina.

Isto tem sido demais...

Ora eu que sou uma mãe, de per si stressada com a segurança dos infantes, ando ainda mais stressada. Eles estão numa fase muito perigosa, qualquer coisa é novidade para eles, a novidade é sempre apelativa e movem-se a um ritmo assustador.

Já abrem portas, portões, já pegam em bancos e cadeiras para chegarem onde querem, e o perigo espreita por todo o lado.

Para mim é muito dificil sair sózinha com os dois, porque eles nem sempre vão de mãozinha dada comigo, durante um tempo lá os consigo manter calmos, mas rapidamente a coisa descamba e começam a querer ir um para cada lado. E aí nem imaginam a festa...

É evidente, que ao referir-me aos acidentes acima mencionados, longe de mim querer criticar, antes pelo contrário, agonia-me pensar que a qualquer momento pode acontecer uma tragédia que pode mudar para sempre as nossas vidas. E tenho medo.

Tenho medo, porque eu também, não estou livre que aconteça alguma coisa aos meus meninos de ouro, sendo comigo ou com os outros...

As piscinas então perseguem-me nos meus pesadelos e durante o dia. Onde estão durante a semana têm piscinas, nos dois lados. Todos os dias massacro por causa disso, agora que eles sabem o que é e querem chegar perto. Assusto-os até á exaustão com todos os bichos e lobos maus que conheço, dizendo-lhes que estão na piscina, mas temo que não seja suficiente para afastar aquela curiosidade que têm... E tenho medo.

Acho que uma característica comum às mães da infertilidade será a de serem ansiosas, super protectoras, stressadas. Eu sou! Estou sempre de olho neles, tentando prever o que vem a seguir. Se se engasgam vou a correr, se caem também, em casa não tenho janelas abertas quando eles lá estão, se saio da cozinha quando estou a cozinhar fecho a porta atrás de mim. Não os deixo sózinhos durante muito tempo se ir espreitar para ver o que estão a fazer.

No entanto, tenho a noção que basta um nanosegundo para que aconteça alguma coisa, e que mesmo fazendo tudo para supervisionar, naquele nanosegundo poderá falhar a supervisão. E que vida alucinante que nós levamos, nos leva por vezes a andarmos tão cansados que podemos falhar mais do que aquilo que deviamos, e então temos situações com as que têm acontecido ultimamente...

Beijos a todas

terça-feira, março 17, 2009

O bolo do Noddy

Este foi o bolo que fez as delícias da pequenada, feito por esta menina, estava espectacular e muito bom. O pequeno L queria muito "brincar" com este carro do Noddy, e foi com enorme desilusão e sofrimento que viu o seu brinquedo favorito ser destruído pela mãe.

Só dizia: "O Noddy partido... O Noddy partido..." - com aquela carinha de anjo e com os olhinhos azuis muito tristonhos.

Confesso que vi "a coisa" mal parada, estava a ver que ele ia desatar numa choradeira, mas ele lá se aguentou na brincadeira com os primos, mas de vez em quando lá vinha à mesa olhar para o pobre Noddy delapidado...

A M, menina muito independente, não quer sequer saber desses pormenores, até porque gosta do Noddy "e tal", mas não liga muito. Do que ela gosta mesmo é de peles (sim peles e pêlos), tudo que seja assim muito macio e peludo para se enroscar. É uma autêntica gata borralheira.

Beijos a todas

segunda-feira, março 16, 2009

2º Aniversário

E foi ontem...

o 2º aniversário da M e do L, mais um dia de amor em estado puro nas nossas vidas.

O dia estava lindo como há dois anos atrás, estava calor mesmo.

Eles excitadissimos com o "carro do Noddy" (o bolo) e com os balões, com a decoração do Noddy, nem queriam dormir a sestinha...

Na hora dos parabéns, o sorriso no rosto demonstrava que não estavam a perceber aquela excitação toda, mas que sabiam era dirigida a eles. Estão grandes...

Há noite adormeceram os dois na minha cama e lembrei-me da primeira noite deles... Sem mim...

Agora a caminho dos três, quero aproveitar, porque passa tão rápido, os meus meninos já não são bebés...

Beijos a todas

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Março

O mês de Março é um mês carregado de significado para mim. Já era, e agora ainda mais.

Foi em Março que nasci, e foi em Março que tomei grandes decisões da minha vida, e mais recentemente foi em Março que me tornei mãe.

Aproxima-se mais um mês de Março, o segundo dos meus filhos por cá, a festa já está em andamento e o "bolito" já foi encomendado na "carolina", será um carro do Noddy, porque é a mais recente paixão dos meus pipizes.

As mini-férias do Carnaval passamos na T., o tempo, excelente ajudou e eles adoram a casa, o sítio, os quartos, tudo...

A compra da casa da T. foi mais uma das decisões de Março, e ainda que esteja um bocado abandonada depois que eles nasceram, nestes últimos dias lá passados voltei a vislumbrar o porquê de estar a pagar uma viagem ao Brasil por mês para ter uma casa fechada.

É um sítio fantástico que ajuda a carregar as baterias do stress em que vivemos, os nossos filhos ao que parece também começam a nutrir por aquele sítio a mesma paixão que nós, o que significa que num futuro próximo retomaremos as idas para lá mais assíduamente.

É tão bom levantar de manhãzinha, abrir a janela e ver o mar ao fundo. Ir à padaria buscar pão quentinho para o pequeno almoço, saborear o ar vindo do mar e os suaves raios de sol que nos afagam a nuca como se de uma carícia se tratasse... É bom sentar na varanda, sem pressas e tomar um pequeno almoço em familia, e saborear o pãozinho acabado de cozer... É bom ás 9h30 já estarmos na rua para uma passeata matinal pela beira-mar... Tão bom!

Eles estão o máximo, faladores, espertalhaços e muito, mas muito giros.

Só sinto por vezes a nostalgia da partilha. Uma mãe de gémeos tem de estar sempre a dividir o colinho, a atenção, o trabalho... Ás vezes gostava que poder gozá-los individualmente por mais tempo, sem ter a pressão da divisão. Mas acho que nunca saberei como é ter um bebé ao colo sem pressa porque tenho de pegar noutro.

Beijos a todas

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Não sei se é de mim, ou isto anda tudo doido e cego?!?!

Ele é "freeports", ele é "apitos dourados", ele é "BPNs", "BPPs", "Isaltinos Morais", "Fátimas Felgueiras", "Casas Pias"... E não se passa nada, ninguém é responsabilizado ninguém faz nada... Estaremos todos doidos?!

Históricamente, os tempos que antecedem grandes mudanças e grandes "crises", são geralmente caracterizados por desmandes dos mais variados. Já assim foi antes da queda do nosso império ultramarino há muitos séculos atrás e voltou a suceder várias vezes ao longo da história. Longe de mim querer dar lições de história, mas antes fazer um enquadramento para ver se consigo achar alguma lógica na questão.

Desde tempos imemoriais que somos uns "gandas malucos" e uns "espertalhaços" com grande olho para o alheio. Senão vejamos, o nosso D. Afonso (o Henriques), que cobiçava aos espanhas e aos mouros o território e tudo fez para que tivessemos hoje este nosso pedacinho de terra à beira mar plantado. Ao longo do tempo, foi crescendo essa cobiça pelo alheio, e instituiu-se aquilo a que vulgarmente se chama o "chicoespertismo" nacional, que culmina com as histórias mais estapafúrdias de corrupção, luvas e roubo descarado, sem que exista alguém que pareça importar-se muito.

Vale tudo, e o certo é que o que interessa é roubar o mais possível, caso contrário corre-se o risco de ir parar com os ossos a uma cadeia. Ou seja: VOCÊ leitor atento (Sim VOCÊ)! Não pense em roubar um pão para comer... Traga logo o supermercado todo, roube patrão do supermercado e todos os supermercados da região... Otherwise... Vai para Custóias ou outra semelhante (isto porque vão encerrar Guantanamo, senão iria para lá ser torturado até à morte para saberem para que raio queria um simples pão).

Noutro dia, vi na tv, uma reportagem que por diversos motivos me interessa directamente. Uma fraude no Instituto de Emprego superior a 6 milhões de euros (SEIS MILHÕES!!??). Tenho seguido esse caso que ao que parece não suscita muita curiosidade e/ou revolta. Existe um funcionário arguido e outros contornos que não vou explicar aqui (a notícia está disponivel online quem quiser que a consulte).

O certo é que no acompanhamento da notícia, outro dia vi que pediam a demissão da chefe do dito Centro de Emprego, escarrapancharam o nome da mulher no jornal e toca a pedir a demissão. Até aqui tudo bem, só que ela não é a suspeita, nem foi constituída arguida. Pedem a demissão tão somente porque não conseguiu detectar uma fraude (ao que tudo indica bem montada e orquestrada) efectuada por um funcionário da instituição que chefia... E pasmem-se, o dito funcionário continua a trabalhar como se nada fosse e as provas físicas (que existiriam) a esta hora já se desmaterializaram... E querem demitir a chefe...

Esta é uma das histórias das que têm surgido e que têm impunemente passado do verbo ser no presente ao foi no passado. O alarmante é que ninguém parace incomodar-se ou revoltar-se com o estado da justiça em Portugal. Que fazem os juizes a estes casos?? Aliás que raio fazem os juizes nos tribunais portugueses?? Também recebem luvas??? Isto não é, não pode ser considerado normal. Estamos a caminhar para uma era em que uma pessoa honesta será considerada uma pessoa marginal...

Onde é que noutro país se vê um Vale Azevedo a pavonear-se de Bentley "ali ao lado" quando anda fugido da dita justiça. Onde se vê uma Fátima Felgueiras "in and out" no Brasil e ser recebida em apóteose depois de ter fugido à justiça para ter tempo de desmaterializar as provas. Onde se vê um funcionário a lesar o estado (nós pagantes, contribuintes!) despedirem a chefe e o tipo continuar a trabalhar e como é óbvio a roubar............................. Podia continuar por dias......

Será de mim?!!! Ou está tudo doido!

Beijos a todas

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Felicidade!?

Como sabem eu por cá sou um bocado avessa a correntes, desafios e coisas afins. Mas com este desafio me foi proposto por esta amiga não podia recusar, por isso aqui vai a minha perspectiva de felicidade ou falta dela.

Humanista por vocação, mas rendida à objectividade dos números. O encontro com a palavra é para mim por demais importante. Uma palavra pode começar uma guerra e uma palavra pode terminá-la, tão grande é o seu poder. É com grande paixão de destrinço conteúdos e significados de palavras e por isso mesmo, ler é para mim o mais básico dos amores.

Contudo, existem palavras cujo significado não é de todo objectivo, palavras de significado abstracto, ou seja não existe uma definição objectiva para essas mesmas palavras. A palavra felicidade é uma delas, e talvez por isso umas palavra dificil de definir.

Em primeiro lugar, temos de ver se a felicidade é um acto ou um estado de espirito. Como acto, significa que realizamos algo que poderá ou não tornar o estado de espirito de alguém feliz. Como estado de espirito poderá significar se somos ou não felizes...

Complicado?!

Claro que sim!

A felicidade, do meu ponto de vista é como uma Árvore de Natal. De per si não tem nada de extraordinário, é apenas uma árvore. Com os pequenos enfeites que lhe vamos colocando, poderá tornar-se numa coisa maravilhosa.

Ao longo da vida, vamos coleccionando eventos, com os quais vamos construindo a nossa Árvore de Natal. É claro que nem todos os acontecimentos que se cruzam na nossa vida serão bons ou proporcionadores de estado de felicidade. O que interessa é o saldo final. Se somarmos mais eventos felizes, então poderemos ser felizes. Se somarmos mais eventos infelizes então seremos menos felizes.

Reparem aqui, que não utilizo a palavra infeliz, não porque desconheça a sua existência, mas sim porque acho que assim como ninguém é verdadeiramente feliz, também ninguém é verdadeiramente infeliz, porque existirão sempre alguns momentos bons ainda que parcos na vida de uma pessoa.

Então e não há ninguém verdadeiramente feliz? Evidentemente! Não por não termos até uma boa vida, mas porque quanto mais temos, mais queremos e mais desiludidos nos sentimos por não atingirmos este e aquele objectivo, por mais mesquinho que ele seja. Trata-se como diz a Anna, de uma questão de fasquia alta demais, é mais ou menos como a busca da mulher/homem ideal.

Se sou feliz?

Depende dos dias. Há dias em que o brilho no olhar não deixa margem para dúvidas, outros porém, parece que o peso do mundo caíu sobre as minhas costas.

No geral?

Sim sou feliz! Tenho ao meu lado todos os que me amam e eu amo, tenho saúde e os meus filhos também, tenho emprego e ganho benzinho, tenho uma vida confortável...

Claro que poderia ser riquissima, badaladíssima, e ser casada com o Brad Pitt, mas será que seria mais feliz por isso??

Beijos a todas

PS. O desafio vai para todas que quiserem meditar sobre o tema, mas gostava de o ver abordado pela: Nina, Maganita, Bem me queres, Susana Pina, Alexandra e Grilinha

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Maleitas de Inverno

Em tempo de frio, gela em nós toda e qualquer vontade de fazer o que quer que seja, exceptuando a vontade de estar sempre sem fazer nada. Desculpando a redundância, é mesmo isso que apetece, desde que o respectivo "fare niente" seja acompanhado de uma boa lareira acesa e um bom cobertor polar quentinho enrolado à volta das pernocas.

Divagações à parte, a verdade é que não sendo possível tal ilusão, lá vamos andando às intempéries e quando estamos no tão desejado recesso de nosso lar, as tarefas acumuladas e as rotineiras impedem que nos sentemos nem que seja por cinco parcos minutos. Por isso vamos sonhando com lareiras e destinos quentes. Isso quando nos é permitido sonhar.

Digo isso, porque o pequeno infante "terrible", está com a boca cheia de aftas. Esteve com febres muito altas sem o acompanhamento de sintomas, e depois elas brotaram na sua boca como cogumelos e o pobre baba-se dia e noite, não come e não dorme e chora o tempo que lhe sobra. Por isso, esta mãe que vos escreve é um ser penante há quatro noites consecutivas.

Se o meu pequeno anjo, está neste estado, nem quero imaginar o que acontecerá se a sua pequena irmã berrante também apanhar a mesma maleita... Acho que fujo para outro continente e ainda assim lá, vou conseguir ouvir os gritos dela... Tadinhos!

A vontade para trabalhar é pouca e o trabalho acumula-se na secretária. Talvez na próxima semana consiga ter a cabeça mais lúcida para resolver certas coisas. Porque hoje definitivamente não dá.

O Inverno é uma estação medonha. Detesto Inverno, detesto o frio, a chuva e todos os acessórios que vêm no pacote invernal. Não se pode fazer nada, andamos doentes, carregados de roupa, os virus proliferam em todo o lado... Bahhh!

Beijos a todas

terça-feira, janeiro 06, 2009

Ano Novo

No rescaldo deste último Natal, o de 2008, digo que foi bom. A pequenada já participou mais nas festividades, e já compreendiam que havia ali algo de especial. As prendas foram muitas, mas só lhes dei algumas para a "estragação" não ser completa.

Estão numa idade em que ainda não ligam muito às coisas, acham gira a novidade, mas depressa se cansam. Assim, optamos por ir dividindo as coisas, e podemos ver a alegria deles mais vezes.

As férias de Natal, trouxeram grandes desenvolvimentos, acho que foi algures por aqui que os meus bebés passaram a ser meninos, crianças.

A M. já diz tudo, está sempre a falar e a repetir religiosamente tudo o que ouve dizer. Aguentou bem as festividades até tarde, mas sentiu muito mais a agitação não dormindo nada as noites de festa. Passou o ano no colo da mamã.

O L. é sempre o mesmo passarinho mafarrico, que não pára um segundo e sente uma curiosidade enorme por tudo o que o rodeia. Fala menos do que a irmã, mas já se faz entender muito bem. Há meia-noite do ano velho já dormia sossegado no ninho.

Já vestem roupa de 2/3 anos, e algumas peças que há alguns meses achava enormes assentam-lhes agora como luvas.

O ano 2008, foi um ano de encanto pessoal. Espero que 2009 continue a ser um ano cheio de trabalho, dinheiro, saúde, porque o Amor, esse estará sempre cá e é imenso.

Bom Ano 2009 para todas

terça-feira, dezembro 23, 2008

Feliz Natal 2008

Porque o tempo é escasso, este espaço tem andado um bocado às "moscas". No entanto, não queria deixar de desejar a todos os meus leitores um óptimo Natal de 2008 e um 2009 com uma mão cheia de sonhos realizados.

Nós por cá estamos bem, as férias hoje iniciadas vão dar-nos um pequeno interregno pelo menos laboral. Passamos o Natal cá, mas no dia 26 rumamos à praia da T. para carregarmos um pouco as baterias com os nossos pequenos "meninos-Jesus". Voltamos dia 5 de Janeiro.

Beijos a todas

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Acerca da "ajuda" marital e não só

Este post, é dedicado aos homens, maridos, companheiros, espectadores e afins. É um texto que obviamente não pretende ser regra, mas que acredito se aplicará em muitos (e muitos) casos, quer as respectivas consortes queiram admitir ou não.

O homem, espécie muito estranha, tem pretendido ao longo dos últimos 2 séculos (finais do XX e inicios do XXI), mostrar-se liberal, actual, esconder as suas raízes verdadeiras de homem de "cro-magnon". Alardeiam aos sete ventos que são homens modernos, que acham a igualdade das mulheres uma coisa fantástica e blá, blá, blá.

Ora, a verdade é que na hora H a coisa não é bem assim, em vários ramos da nossa vida quotidiana, por exemplo, homens a exercer as mesmas funções das mulheres em geral ganham mais, etc.

Na vida doméstica então, a discrepância é gritante. Porque a igualdade da mulher é muito bonito e tal, mas umas são mais iguais que outras...

Eles "ajudam", a pôr a louça na máquina;
Eles "ajudam", a mudar umas fraldas aos miúdos (os que ajudam claro);
Eles "ajudam" a dar banho aos miúdos mas esquecem-se que eles precisam de roupa e eles NÃO SABEM onde está a roupa;
Eles "ajudam" a dar o jantar aos miúdos, mas NÃO SABEM onde está o jantar, quanto tempo demora a aquecer, ou a que horas deve ser servido (isto já para não dizer que se forem eles a ter de fazer o jantar as crianças bem podem morrer à fome ou então comem da "telepizza");
Eles "ajudam" sentando-se à mesa a jantar a comidinha preparada por nós, depois de termos chegado de trabalhar dado banho aos miúdos, termos aquecido e servido e dado o jantar aos mesmos, enquanto com a nossa quinta mão disponível fazíamos o jantar para todos;
Eles "ajudam" a avolumar roupa suja na lavandaria porque NÃO SABEM colocá-la na máquina e pôr a dita a lavar, tirar a roupa e estendê-la então, é coisa para ETS;
Eles "ajudam", quando os miúdos estão doentes a dormirem profundamente enquanto nós temos de nos levantar há hora certa para darmos a medicação, verificar o febre ou simplesmente quando os miúdos choram;
Eles "ajudam" a dizerem-nos que têm horas a cumprir e portanto não podem chegar atrasados quando as coisas se complicam de manhã para sair de casa (nós não temos horários claro!);
Eles "ajudam" a queixar-se que não têm tempo para os seus momentos de lazer e que sem eles não aguentam a pressão do seu trabalho, da sua vida, etc (nós não temos pressão nenhuma, até somos desocupadas, e a entidade patronal paga-nos o ordenado pelos nossos olhos lindíssimos);
Eles "ajudam" a fazer tantas coisas que até me canso de as enumerar.

O mais engraçado, é que quando reclamamos da imensa ajuda prestada, eles mostram sempre quão afortunadas nós somos, porque até existem outros que nem uma fralda aos filhos mudam...
E portanto nós mulheres de sorte nem devemos sequer reclamar porque fomos abençoadas com uma sorte extraordinária por os termos encontrado no nosso caminho.

Existem mulheres que engolem a cantilena, e ficam a meditar acerca da verdadeira sorte grande que lhes saiu porque até têm um marido que as ajuda a fazer umas coisitas e vão fazendo as suas múltiplas tarefas, estouradas e resignadas. Outras há que reagem e isso depois acaba por gerar uma série de discussões intermináveis.

A verdade é que quando chega ao fim do mês, eles como homens modernos que são não se importam nada que o nosso rendimento "ajude" a economia familiar, afinal, estamos em pleno século XXI e eles são homens modernos.

Apercebemo-nos que pouca coisa mudou desde o tempo das nossas avós. O que mudou, foi que a nossa dita independência serviu para nos escravizar ainda mais. Porque hoje somos fonte geradora de riqueza, trabalhamos ombro a ombro com os homens, ganhamos tanto ou mais do que eles, mas na nossa vida quotidiana continuamos a fazer o que faziam as nossas avós e depois delas as nossas mães. Acredito que hajam homens que partilhem de igual maneira as tarefas domésticas, mas tenho a certeza que são mais os que se baldam a elas.

Beijos a todas

terça-feira, novembro 25, 2008

O Inverno é sempre uma altura do ano pouco frutífera... O frio não deixa que a inspiração cresça, e vamos deixando ficar parados os nossos projectos literários e não só. Não se lê, não se escreve, não se tem vontade de fazer nada a não ser estar numa saudável letargia em algum sítio quente e confortável.

É certo que o meu tempo é cada vez menor. Tem o trabalho remunerado que ocupa grande parte do meu tempo, e depois tem aquele que não é remunerado que ocupa o resto. As poucas horas sobrantes, são para dormir ou pelo menos tentar.

A verdade, é que a minha qualidade de vida caíu em flecha após o nascimento dos meus filhotes. Se antes já tinha pouco tempo, agora é crítico, existem dias em que saio de casa sem sequer pentear o cabelo...

Estão numa fase terrorífica. Mexem em tudo, querem ver tudo, disputam tudo. E principalmente o passarinho louro, é um verdadeiro "acidente ambulante". Mexe nos bicos do fogão e já aprendeu a acendê-los, abre os armários e esvazia tudo o que lá tiver; Adora ouvir o barulhos dos tachos e panelas a bater no chão, entra para dentro dos armários; Sobe para cima das mesas sofás, cadeiras e afins (por vezes caí claro!);

A princesinha, mais reservada e cautelosa, também adora fazer das dela e adora ir para as gavetas da roupa do quarto deles e atirar em todas as direcções as roupas guardadas e passadas a ferro, e quando eu furiosa pergunto "M. que estás a fazer" ela responde candidamente "M. a trabalhai..."

Perco muitas vezes as estribeiras, fico verde, azul, rôxa... Quando tenho de arrumar coisas vezes sem conta, quando estou 10 minutos para mudar uma fralda, quando apanho os cacos de algo que se partiu.

Sinto-me mal... Arrependo-me, mas inevitavelmente volto a fazer o mesmo. Eles estão na fase de testar os limites, e levam a tarefa muito a sério. Ás vezes questiono, tudo: A maternidade, a minha capacidade para ser mãe, tudo, enfim...

Hoje fiquei com o carro preso na garagem. Eles adoram agarrar-se ao puxador da garagem, antes de eu lá chegar com a chave para abrir. Hoje o meu passarinho (enfant terrible), lá se agarrou uma vez mais cheio de força, quando cheguei lá e meti a chave, vi que o puxador estava solto e que devia ter partido... Não abria! Tive de chamar alguém para me vir rebentar a fechadura para poder tirar o carro e sair... Cheguei ao trabalho às 10h30 com os nervos em franja...

As relações conjugais também sofrem invariávelmente com a chegada dos pequenos rebentos. O cansaço de ambos leva-nos a discutir mais, as diferentes perspectivas sobre educação também. Ás vezes fico farta de me ouvir reclamar com ele e ele comigo... Esta tem sido mais uma prova de fogo no nosso casamento, vamos a ver se ele aguenta esta pressão.

Costumo dizer que a minha vida está em suspenso, que quero que eles cresçam mais um pouco e se tornem mais independentes para poder retomar o fio da minha vida, porque desde há 20 é por eles e para eles. Senão também não fazia sentido.

Beijos a todas

quarta-feira, novembro 05, 2008

Paris

Já fui e já voltei, a cidade da "Luz" lá estava, igual a si própria. Muito frio, alguma chuva e o trânsito caótico em hora de ponta.

Fui a trabalho, mas pude também disfrutar de umas "voltinhas", porque é sempre bom ver o que há de novo, e rever o antigo que me deslumbra como sempre.

É tudo "très, très chèr", e quando vagueamos por ruas como a "Avenue Montagne" (por exemplo), a estupefacção raia a indignação, quando vemos montras com vestidos a custar 19.000€, casas de "griffe" onde um simples blazer custa 3500€. E pensamos, que realmente existe muito dinheiro no mundo, o que acontece simplesmente é que está mal distribuído... E depois ainda falam em crise... Meus amigos, quem tinha dinheiro continua a ter, quem não tinha continua a não ter e agora tem um pouco menos (saldo negativo??!!).

Vemos as "damas do petróleo" chegarem com os seus "chauffeurs" (sim porque isto para ser chique temos de ter a palavra em francês) e assistentes. Entrarem nas ditas lojas que estão guardadas por porteiros enluvados. Sentarem os vastos traseiros nas poltronas forradas a peles ou a veludos e vemos começar o desfile de cabides e roupas. Não falam sequer, apontam com o dedo indicador as suas preferências. Dali a pouco é vê-las sair da loja com os "chauffeur" e assistentes carregados com os sacos, entram na loja seguinte e repete-se o cenário por várias vezes...

No extremo oposto, vemos o restante "povo" que anda no metro, que de antiquando, não tem sequer rampas para o acesso dos carrinhos de bebé, vemos o que passam as mães que precisam de se deslocar dali para acolá e têm de transportar os bebés, os carrinhos, os sacos, para entrarem num Metro sobrelotado. As crianças com caras translucidas e aspecto pouco saudável, que circulam por aqueles corredores longe do sol...

Realmente, a nossa perspectiva muda quando somos mães, olhamos mais à nossa volta, qualquer criança nos faz lembrar as "nossas" crianças que deixamos em casa e das quais temos tantas saudades que chega a doer. Vemos que realmente, até podemos ganhar menos do que aqueles franceses, mas que a nossa qualidade de vida é 200% superior.

Eles ficaram sem a mãe pela primeira vez na vida deles. Sentiram, principalmente o meu passarinho louro. Eu também pela primeira vez, senti-me como se faltasse qualquer coisa de mim. Aproveitei para dormir umas noitinhas sem interrupção (santo Lexotan!), e para fazer umas refeições completas sem ter de me levantar 2000 vezes (pelo menos!). Mas faltava qualquer coisa...

Voltei de noite, ainda estavam acordados quando cheguei. Quando entrei pela porta de casa, só ouvi o pai dizer "olha a mamã!" e aparece logo um coelhinho louro de pijama azul a correr para se atirar nos meus braços, nem tive tempo de pousar a mala... A coelhinha logo a seguir, mas mais comedida a minha princesa.

Confesso que tinha medo que se esquecessem de mim... Ainda são muito pequenos... Mas a mãe deles é a mãe deles, e só adormeceram os dois na minha cama grudados a mim, com medo que eu desaparecesse outra vez. São a minha riqueza!

Beijos a todas

sexta-feira, outubro 17, 2008

Bolotas

"Mamã mão!" "Mamã mão!" - pego-lhe na mão, o irmão corre mais à frente. Tenta conduzir-me onde pretende mostrar-me alguma coisa. Dirige-se a um velho tronco de árvore e diz: "mamã buota", entendo o termo "bolota", mas não percebo o contexto. Volta a repetir: "mamã buota", de repente olho e vejo um buraquinho no tronco da árvore, está cheio de bolotas. O irmão chega a correr e trás mais duas bolotas nas mãos, delicadamente coloca-as no buraquinho, batem palmas os dois... Eu também. Têm um armazém de bolotinhas os meus pipizes, no tronco de uma árvore velha...

Já sabem o que são bolotas, pinhas, cogumelos, relva, árvores, pássaros, musgo... Vivem em contacto com a natureza. Sujam as roupas, os sapatos, as mãos e as unhas parecem as das "meninas da Ribeira do Sado" que lavram a terra com as "unhas dos pés".

O que eles querem é andar cá fora a correr, a ver a laranjas verdes nas árvores e os figos nas figueiras. Vão às cabaças do Natal dão-lhes chutos porque pensam que são bolas... Apanham as bolotas do chão e as folhas que o Outono tira das árvores, aos pequenos ramos do chão dizem "Pau!Pau!" e vão apanhá-los. Vão ver o cão à sua "mansão" e chamam "cão Dino" e dizem "au au".

São felizes os meus pips, têm a felicidade que muitas crianças não têm, estão em casa com as avós e têm muito espaço para correrem, muita natureza para conhecerem. Aquilo que outros miúdos conhecem bem, eles não ligam a mínima. Não querem saber do Noddy, do Ruca e companhia, a televisão não lhes diz nada. Querem é ver os peixes, os gatos, as bolotas e outras coisas que tal.

Acho que é isso mesmo que eu pretendo para eles, que cresçam em contacto com a natureza sem ficarem dependentes da televisão, consolas e "game-boys", porque se há coisa que não gosto é de ver miúdos agarrados horas às televisões e outros objectos que tal. Mesmo ao fim de semana, quando não vamos para as avós, tento sempre levá-los a qualquer sítio interessante: Dar uma volta à beira mar, para eles mexerem na areia que adoram; Ir a um parque infantil andar nos escorregas e nos baloiços, qualquer coisa ao ar livre. É raro irmos a centros comerciais com eles, muito raro mesmo.

Beijos a todas

quarta-feira, outubro 01, 2008

Esta época do ano é sempre de grande intensidade laboral para mim. Até aqui nada de novo, só que a minha pequena prole a cada dia fica mais exigente, o que tudo junto faz com que ainda acumule mais cansaço.



Sempre me disseram que quando eles começassem a andar é que eu ia ver o que era ter trabalho. Eu sempre disse, que iria preferir essa fase à fase das mamadeiras e dos choros das cólicas. E de facto aprecio muito mais agora do que anteriormente, mas que dá cá uma canseira... Isso dá!



Eles é saltarem para cima das cadeiras, mesas, sofás; Ligam e desligam as luzes, televisões vezes sem conta; tentam agarrar (e na maior parte das vezes conseguem) tudo o que está em cima dos móveis; Atiram comida em todas as direcções e por vezes enfiam os pratos cheios na cabeça como se de chapéus se tratassem; Se apanham papel higiénico é vê-lo espalhado pela casa fora... Enfim...



A minha casa já esqueci. Está sempre completamente caótica: Os brinquedos espalhados por todo o lado, as cadeiras deitadas no chão para eles não subirem para cima delas, os móveis despidos, tudo o que eles não possam mexer colocado em sitios altos estratégicos o que se torna até piada, por exemplo quando vamos à casa de banho e temos de fazer uma ginástica imensa para chegarmos ao papel higiénico.



São imensamente curiosos e principalmente como diz o pai: "São dois!" - Andam sempre atrás um do outro e se falta um o outro pergunta logo: "A mana?" - "O mano?"



A parte boa da questão é que depois das férias já adormecem sózinhos nas suas caminhas. Há horinha deles lá os vou deitar e já ficam quietinhos sózinhos com a luz apagada e adormecem. Por isso amigas que adormecem os bebés ao colo: "Não se preocupem, na hora certa eles vão começar a adormecer sózinhos!"



O L. ainda não dorme a noite toda, ainda acorda muitas vezes ao meio da noite e por vezes fica acordado durante algum tempo. Dou-lhe um leitinho, mas nem isso é suficiente para ele pegar no sono outra vez, muitas vezes fica a dar voltas na cama, tal e qual como nós quando temos insónias. O meu desespero por não poder dormir é muito, mas tenho muita pena dele e lá o vou tentando acalmar para ver se ele pega no sono outra vez. Quando passadas um ou duas horas ele pega no sono, eu já exausta não consigo dormir, depois quando adormeço já está na hora de levantar... Ando exausta, ás vezes acho que se me deixassem dormia uma semana seguida.



Agora também, começo a ter de assumir coisas que até aqui tinha deixado ficar para trás. E vou ter de começar a acompanhar alguns eventos profissionais fora do país. Vou começar já em fins de Outubro. Tenho de me ausentar do país durante 4 dias, nem ando bem... Vai ser a primeira vez que fico longe deles, ando com o coração apertado.

Beijos a todas