Não sei se é de mim, ou isto anda tudo doido e cego?!?!
Ele é "freeports", ele é "apitos dourados", ele é "BPNs", "BPPs", "Isaltinos Morais", "Fátimas Felgueiras", "Casas Pias"... E não se passa nada, ninguém é responsabilizado ninguém faz nada... Estaremos todos doidos?!
Históricamente, os tempos que antecedem grandes mudanças e grandes "crises", são geralmente caracterizados por desmandes dos mais variados. Já assim foi antes da queda do nosso império ultramarino há muitos séculos atrás e voltou a suceder várias vezes ao longo da história. Longe de mim querer dar lições de história, mas antes fazer um enquadramento para ver se consigo achar alguma lógica na questão.
Desde tempos imemoriais que somos uns "gandas malucos" e uns "espertalhaços" com grande olho para o alheio. Senão vejamos, o nosso D. Afonso (o Henriques), que cobiçava aos espanhas e aos mouros o território e tudo fez para que tivessemos hoje este nosso pedacinho de terra à beira mar plantado. Ao longo do tempo, foi crescendo essa cobiça pelo alheio, e instituiu-se aquilo a que vulgarmente se chama o "chicoespertismo" nacional, que culmina com as histórias mais estapafúrdias de corrupção, luvas e roubo descarado, sem que exista alguém que pareça importar-se muito.
Vale tudo, e o certo é que o que interessa é roubar o mais possível, caso contrário corre-se o risco de ir parar com os ossos a uma cadeia. Ou seja: VOCÊ leitor atento (Sim VOCÊ)! Não pense em roubar um pão para comer... Traga logo o supermercado todo, roube patrão do supermercado e todos os supermercados da região... Otherwise... Vai para Custóias ou outra semelhante (isto porque vão encerrar Guantanamo, senão iria para lá ser torturado até à morte para saberem para que raio queria um simples pão).
Noutro dia, vi na tv, uma reportagem que por diversos motivos me interessa directamente. Uma fraude no Instituto de Emprego superior a 6 milhões de euros (SEIS MILHÕES!!??). Tenho seguido esse caso que ao que parece não suscita muita curiosidade e/ou revolta. Existe um funcionário arguido e outros contornos que não vou explicar aqui (a notícia está disponivel online quem quiser que a consulte).
O certo é que no acompanhamento da notícia, outro dia vi que pediam a demissão da chefe do dito Centro de Emprego, escarrapancharam o nome da mulher no jornal e toca a pedir a demissão. Até aqui tudo bem, só que ela não é a suspeita, nem foi constituída arguida. Pedem a demissão tão somente porque não conseguiu detectar uma fraude (ao que tudo indica bem montada e orquestrada) efectuada por um funcionário da instituição que chefia... E pasmem-se, o dito funcionário continua a trabalhar como se nada fosse e as provas físicas (que existiriam) a esta hora já se desmaterializaram... E querem demitir a chefe...
Esta é uma das histórias das que têm surgido e que têm impunemente passado do verbo ser no presente ao foi no passado. O alarmante é que ninguém parace incomodar-se ou revoltar-se com o estado da justiça em Portugal. Que fazem os juizes a estes casos?? Aliás que raio fazem os juizes nos tribunais portugueses?? Também recebem luvas??? Isto não é, não pode ser considerado normal. Estamos a caminhar para uma era em que uma pessoa honesta será considerada uma pessoa marginal...
Onde é que noutro país se vê um Vale Azevedo a pavonear-se de Bentley "ali ao lado" quando anda fugido da dita justiça. Onde se vê uma Fátima Felgueiras "in and out" no Brasil e ser recebida em apóteose depois de ter fugido à justiça para ter tempo de desmaterializar as provas. Onde se vê um funcionário a lesar o estado (nós pagantes, contribuintes!) despedirem a chefe e o tipo continuar a trabalhar e como é óbvio a roubar............................. Podia continuar por dias......
Será de mim?!!! Ou está tudo doido!
Beijos a todas
quarta-feira, janeiro 28, 2009
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Felicidade!?
Como sabem eu por cá sou um bocado avessa a correntes, desafios e coisas afins. Mas com este desafio me foi proposto por esta amiga não podia recusar, por isso aqui vai a minha perspectiva de felicidade ou falta dela.
Humanista por vocação, mas rendida à objectividade dos números. O encontro com a palavra é para mim por demais importante. Uma palavra pode começar uma guerra e uma palavra pode terminá-la, tão grande é o seu poder. É com grande paixão de destrinço conteúdos e significados de palavras e por isso mesmo, ler é para mim o mais básico dos amores.
Contudo, existem palavras cujo significado não é de todo objectivo, palavras de significado abstracto, ou seja não existe uma definição objectiva para essas mesmas palavras. A palavra felicidade é uma delas, e talvez por isso umas palavra dificil de definir.
Em primeiro lugar, temos de ver se a felicidade é um acto ou um estado de espirito. Como acto, significa que realizamos algo que poderá ou não tornar o estado de espirito de alguém feliz. Como estado de espirito poderá significar se somos ou não felizes...
Complicado?!
Claro que sim!
A felicidade, do meu ponto de vista é como uma Árvore de Natal. De per si não tem nada de extraordinário, é apenas uma árvore. Com os pequenos enfeites que lhe vamos colocando, poderá tornar-se numa coisa maravilhosa.
Ao longo da vida, vamos coleccionando eventos, com os quais vamos construindo a nossa Árvore de Natal. É claro que nem todos os acontecimentos que se cruzam na nossa vida serão bons ou proporcionadores de estado de felicidade. O que interessa é o saldo final. Se somarmos mais eventos felizes, então poderemos ser felizes. Se somarmos mais eventos infelizes então seremos menos felizes.
Reparem aqui, que não utilizo a palavra infeliz, não porque desconheça a sua existência, mas sim porque acho que assim como ninguém é verdadeiramente feliz, também ninguém é verdadeiramente infeliz, porque existirão sempre alguns momentos bons ainda que parcos na vida de uma pessoa.
Então e não há ninguém verdadeiramente feliz? Evidentemente! Não por não termos até uma boa vida, mas porque quanto mais temos, mais queremos e mais desiludidos nos sentimos por não atingirmos este e aquele objectivo, por mais mesquinho que ele seja. Trata-se como diz a Anna, de uma questão de fasquia alta demais, é mais ou menos como a busca da mulher/homem ideal.
Se sou feliz?
Depende dos dias. Há dias em que o brilho no olhar não deixa margem para dúvidas, outros porém, parece que o peso do mundo caíu sobre as minhas costas.
No geral?
Sim sou feliz! Tenho ao meu lado todos os que me amam e eu amo, tenho saúde e os meus filhos também, tenho emprego e ganho benzinho, tenho uma vida confortável...
Claro que poderia ser riquissima, badaladíssima, e ser casada com o Brad Pitt, mas será que seria mais feliz por isso??
Beijos a todas
PS. O desafio vai para todas que quiserem meditar sobre o tema, mas gostava de o ver abordado pela: Nina, Maganita, Bem me queres, Susana Pina, Alexandra e Grilinha
Humanista por vocação, mas rendida à objectividade dos números. O encontro com a palavra é para mim por demais importante. Uma palavra pode começar uma guerra e uma palavra pode terminá-la, tão grande é o seu poder. É com grande paixão de destrinço conteúdos e significados de palavras e por isso mesmo, ler é para mim o mais básico dos amores.
Contudo, existem palavras cujo significado não é de todo objectivo, palavras de significado abstracto, ou seja não existe uma definição objectiva para essas mesmas palavras. A palavra felicidade é uma delas, e talvez por isso umas palavra dificil de definir.
Em primeiro lugar, temos de ver se a felicidade é um acto ou um estado de espirito. Como acto, significa que realizamos algo que poderá ou não tornar o estado de espirito de alguém feliz. Como estado de espirito poderá significar se somos ou não felizes...
Complicado?!
Claro que sim!
A felicidade, do meu ponto de vista é como uma Árvore de Natal. De per si não tem nada de extraordinário, é apenas uma árvore. Com os pequenos enfeites que lhe vamos colocando, poderá tornar-se numa coisa maravilhosa.
Ao longo da vida, vamos coleccionando eventos, com os quais vamos construindo a nossa Árvore de Natal. É claro que nem todos os acontecimentos que se cruzam na nossa vida serão bons ou proporcionadores de estado de felicidade. O que interessa é o saldo final. Se somarmos mais eventos felizes, então poderemos ser felizes. Se somarmos mais eventos infelizes então seremos menos felizes.
Reparem aqui, que não utilizo a palavra infeliz, não porque desconheça a sua existência, mas sim porque acho que assim como ninguém é verdadeiramente feliz, também ninguém é verdadeiramente infeliz, porque existirão sempre alguns momentos bons ainda que parcos na vida de uma pessoa.
Então e não há ninguém verdadeiramente feliz? Evidentemente! Não por não termos até uma boa vida, mas porque quanto mais temos, mais queremos e mais desiludidos nos sentimos por não atingirmos este e aquele objectivo, por mais mesquinho que ele seja. Trata-se como diz a Anna, de uma questão de fasquia alta demais, é mais ou menos como a busca da mulher/homem ideal.
Se sou feliz?
Depende dos dias. Há dias em que o brilho no olhar não deixa margem para dúvidas, outros porém, parece que o peso do mundo caíu sobre as minhas costas.
No geral?
Sim sou feliz! Tenho ao meu lado todos os que me amam e eu amo, tenho saúde e os meus filhos também, tenho emprego e ganho benzinho, tenho uma vida confortável...
Claro que poderia ser riquissima, badaladíssima, e ser casada com o Brad Pitt, mas será que seria mais feliz por isso??
Beijos a todas
PS. O desafio vai para todas que quiserem meditar sobre o tema, mas gostava de o ver abordado pela: Nina, Maganita, Bem me queres, Susana Pina, Alexandra e Grilinha
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Maleitas de Inverno
Em tempo de frio, gela em nós toda e qualquer vontade de fazer o que quer que seja, exceptuando a vontade de estar sempre sem fazer nada. Desculpando a redundância, é mesmo isso que apetece, desde que o respectivo "fare niente" seja acompanhado de uma boa lareira acesa e um bom cobertor polar quentinho enrolado à volta das pernocas.
Divagações à parte, a verdade é que não sendo possível tal ilusão, lá vamos andando às intempéries e quando estamos no tão desejado recesso de nosso lar, as tarefas acumuladas e as rotineiras impedem que nos sentemos nem que seja por cinco parcos minutos. Por isso vamos sonhando com lareiras e destinos quentes. Isso quando nos é permitido sonhar.
Digo isso, porque o pequeno infante "terrible", está com a boca cheia de aftas. Esteve com febres muito altas sem o acompanhamento de sintomas, e depois elas brotaram na sua boca como cogumelos e o pobre baba-se dia e noite, não come e não dorme e chora o tempo que lhe sobra. Por isso, esta mãe que vos escreve é um ser penante há quatro noites consecutivas.
Se o meu pequeno anjo, está neste estado, nem quero imaginar o que acontecerá se a sua pequena irmã berrante também apanhar a mesma maleita... Acho que fujo para outro continente e ainda assim lá, vou conseguir ouvir os gritos dela... Tadinhos!
A vontade para trabalhar é pouca e o trabalho acumula-se na secretária. Talvez na próxima semana consiga ter a cabeça mais lúcida para resolver certas coisas. Porque hoje definitivamente não dá.
O Inverno é uma estação medonha. Detesto Inverno, detesto o frio, a chuva e todos os acessórios que vêm no pacote invernal. Não se pode fazer nada, andamos doentes, carregados de roupa, os virus proliferam em todo o lado... Bahhh!
Beijos a todas
Divagações à parte, a verdade é que não sendo possível tal ilusão, lá vamos andando às intempéries e quando estamos no tão desejado recesso de nosso lar, as tarefas acumuladas e as rotineiras impedem que nos sentemos nem que seja por cinco parcos minutos. Por isso vamos sonhando com lareiras e destinos quentes. Isso quando nos é permitido sonhar.
Digo isso, porque o pequeno infante "terrible", está com a boca cheia de aftas. Esteve com febres muito altas sem o acompanhamento de sintomas, e depois elas brotaram na sua boca como cogumelos e o pobre baba-se dia e noite, não come e não dorme e chora o tempo que lhe sobra. Por isso, esta mãe que vos escreve é um ser penante há quatro noites consecutivas.
Se o meu pequeno anjo, está neste estado, nem quero imaginar o que acontecerá se a sua pequena irmã berrante também apanhar a mesma maleita... Acho que fujo para outro continente e ainda assim lá, vou conseguir ouvir os gritos dela... Tadinhos!
A vontade para trabalhar é pouca e o trabalho acumula-se na secretária. Talvez na próxima semana consiga ter a cabeça mais lúcida para resolver certas coisas. Porque hoje definitivamente não dá.
O Inverno é uma estação medonha. Detesto Inverno, detesto o frio, a chuva e todos os acessórios que vêm no pacote invernal. Não se pode fazer nada, andamos doentes, carregados de roupa, os virus proliferam em todo o lado... Bahhh!
Beijos a todas
terça-feira, janeiro 06, 2009
Ano Novo
No rescaldo deste último Natal, o de 2008, digo que foi bom. A pequenada já participou mais nas festividades, e já compreendiam que havia ali algo de especial. As prendas foram muitas, mas só lhes dei algumas para a "estragação" não ser completa.
Estão numa idade em que ainda não ligam muito às coisas, acham gira a novidade, mas depressa se cansam. Assim, optamos por ir dividindo as coisas, e podemos ver a alegria deles mais vezes.
As férias de Natal, trouxeram grandes desenvolvimentos, acho que foi algures por aqui que os meus bebés passaram a ser meninos, crianças.
A M. já diz tudo, está sempre a falar e a repetir religiosamente tudo o que ouve dizer. Aguentou bem as festividades até tarde, mas sentiu muito mais a agitação não dormindo nada as noites de festa. Passou o ano no colo da mamã.
O L. é sempre o mesmo passarinho mafarrico, que não pára um segundo e sente uma curiosidade enorme por tudo o que o rodeia. Fala menos do que a irmã, mas já se faz entender muito bem. Há meia-noite do ano velho já dormia sossegado no ninho.
Já vestem roupa de 2/3 anos, e algumas peças que há alguns meses achava enormes assentam-lhes agora como luvas.
O ano 2008, foi um ano de encanto pessoal. Espero que 2009 continue a ser um ano cheio de trabalho, dinheiro, saúde, porque o Amor, esse estará sempre cá e é imenso.
Bom Ano 2009 para todas
Estão numa idade em que ainda não ligam muito às coisas, acham gira a novidade, mas depressa se cansam. Assim, optamos por ir dividindo as coisas, e podemos ver a alegria deles mais vezes.
As férias de Natal, trouxeram grandes desenvolvimentos, acho que foi algures por aqui que os meus bebés passaram a ser meninos, crianças.
A M. já diz tudo, está sempre a falar e a repetir religiosamente tudo o que ouve dizer. Aguentou bem as festividades até tarde, mas sentiu muito mais a agitação não dormindo nada as noites de festa. Passou o ano no colo da mamã.
O L. é sempre o mesmo passarinho mafarrico, que não pára um segundo e sente uma curiosidade enorme por tudo o que o rodeia. Fala menos do que a irmã, mas já se faz entender muito bem. Há meia-noite do ano velho já dormia sossegado no ninho.
Já vestem roupa de 2/3 anos, e algumas peças que há alguns meses achava enormes assentam-lhes agora como luvas.
O ano 2008, foi um ano de encanto pessoal. Espero que 2009 continue a ser um ano cheio de trabalho, dinheiro, saúde, porque o Amor, esse estará sempre cá e é imenso.
Bom Ano 2009 para todas
terça-feira, dezembro 23, 2008
Feliz Natal 2008
Porque o tempo é escasso, este espaço tem andado um bocado às "moscas". No entanto, não queria deixar de desejar a todos os meus leitores um óptimo Natal de 2008 e um 2009 com uma mão cheia de sonhos realizados.Nós por cá estamos bem, as férias hoje iniciadas vão dar-nos um pequeno interregno pelo menos laboral. Passamos o Natal cá, mas no dia 26 rumamos à praia da T. para carregarmos um pouco as baterias com os nossos pequenos "meninos-Jesus". Voltamos dia 5 de Janeiro.
Beijos a todas
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Acerca da "ajuda" marital e não só
Este post, é dedicado aos homens, maridos, companheiros, espectadores e afins. É um texto que obviamente não pretende ser regra, mas que acredito se aplicará em muitos (e muitos) casos, quer as respectivas consortes queiram admitir ou não.
O homem, espécie muito estranha, tem pretendido ao longo dos últimos 2 séculos (finais do XX e inicios do XXI), mostrar-se liberal, actual, esconder as suas raízes verdadeiras de homem de "cro-magnon". Alardeiam aos sete ventos que são homens modernos, que acham a igualdade das mulheres uma coisa fantástica e blá, blá, blá.
Ora, a verdade é que na hora H a coisa não é bem assim, em vários ramos da nossa vida quotidiana, por exemplo, homens a exercer as mesmas funções das mulheres em geral ganham mais, etc.
Na vida doméstica então, a discrepância é gritante. Porque a igualdade da mulher é muito bonito e tal, mas umas são mais iguais que outras...
Eles "ajudam", a pôr a louça na máquina;
Eles "ajudam", a mudar umas fraldas aos miúdos (os que ajudam claro);
Eles "ajudam" a dar banho aos miúdos mas esquecem-se que eles precisam de roupa e eles NÃO SABEM onde está a roupa;
Eles "ajudam" a dar o jantar aos miúdos, mas NÃO SABEM onde está o jantar, quanto tempo demora a aquecer, ou a que horas deve ser servido (isto já para não dizer que se forem eles a ter de fazer o jantar as crianças bem podem morrer à fome ou então comem da "telepizza");
Eles "ajudam" sentando-se à mesa a jantar a comidinha preparada por nós, depois de termos chegado de trabalhar dado banho aos miúdos, termos aquecido e servido e dado o jantar aos mesmos, enquanto com a nossa quinta mão disponível fazíamos o jantar para todos;
Eles "ajudam" a avolumar roupa suja na lavandaria porque NÃO SABEM colocá-la na máquina e pôr a dita a lavar, tirar a roupa e estendê-la então, é coisa para ETS;
Eles "ajudam", quando os miúdos estão doentes a dormirem profundamente enquanto nós temos de nos levantar há hora certa para darmos a medicação, verificar o febre ou simplesmente quando os miúdos choram;
Eles "ajudam" a dizerem-nos que têm horas a cumprir e portanto não podem chegar atrasados quando as coisas se complicam de manhã para sair de casa (nós não temos horários claro!);
Eles "ajudam" a queixar-se que não têm tempo para os seus momentos de lazer e que sem eles não aguentam a pressão do seu trabalho, da sua vida, etc (nós não temos pressão nenhuma, até somos desocupadas, e a entidade patronal paga-nos o ordenado pelos nossos olhos lindíssimos);
Eles "ajudam" a fazer tantas coisas que até me canso de as enumerar.
O mais engraçado, é que quando reclamamos da imensa ajuda prestada, eles mostram sempre quão afortunadas nós somos, porque até existem outros que nem uma fralda aos filhos mudam...
E portanto nós mulheres de sorte nem devemos sequer reclamar porque fomos abençoadas com uma sorte extraordinária por os termos encontrado no nosso caminho.
Existem mulheres que engolem a cantilena, e ficam a meditar acerca da verdadeira sorte grande que lhes saiu porque até têm um marido que as ajuda a fazer umas coisitas e vão fazendo as suas múltiplas tarefas, estouradas e resignadas. Outras há que reagem e isso depois acaba por gerar uma série de discussões intermináveis.
A verdade é que quando chega ao fim do mês, eles como homens modernos que são não se importam nada que o nosso rendimento "ajude" a economia familiar, afinal, estamos em pleno século XXI e eles são homens modernos.
Apercebemo-nos que pouca coisa mudou desde o tempo das nossas avós. O que mudou, foi que a nossa dita independência serviu para nos escravizar ainda mais. Porque hoje somos fonte geradora de riqueza, trabalhamos ombro a ombro com os homens, ganhamos tanto ou mais do que eles, mas na nossa vida quotidiana continuamos a fazer o que faziam as nossas avós e depois delas as nossas mães. Acredito que hajam homens que partilhem de igual maneira as tarefas domésticas, mas tenho a certeza que são mais os que se baldam a elas.
Beijos a todas
O homem, espécie muito estranha, tem pretendido ao longo dos últimos 2 séculos (finais do XX e inicios do XXI), mostrar-se liberal, actual, esconder as suas raízes verdadeiras de homem de "cro-magnon". Alardeiam aos sete ventos que são homens modernos, que acham a igualdade das mulheres uma coisa fantástica e blá, blá, blá.
Ora, a verdade é que na hora H a coisa não é bem assim, em vários ramos da nossa vida quotidiana, por exemplo, homens a exercer as mesmas funções das mulheres em geral ganham mais, etc.
Na vida doméstica então, a discrepância é gritante. Porque a igualdade da mulher é muito bonito e tal, mas umas são mais iguais que outras...
Eles "ajudam", a pôr a louça na máquina;
Eles "ajudam", a mudar umas fraldas aos miúdos (os que ajudam claro);
Eles "ajudam" a dar banho aos miúdos mas esquecem-se que eles precisam de roupa e eles NÃO SABEM onde está a roupa;
Eles "ajudam" a dar o jantar aos miúdos, mas NÃO SABEM onde está o jantar, quanto tempo demora a aquecer, ou a que horas deve ser servido (isto já para não dizer que se forem eles a ter de fazer o jantar as crianças bem podem morrer à fome ou então comem da "telepizza");
Eles "ajudam" sentando-se à mesa a jantar a comidinha preparada por nós, depois de termos chegado de trabalhar dado banho aos miúdos, termos aquecido e servido e dado o jantar aos mesmos, enquanto com a nossa quinta mão disponível fazíamos o jantar para todos;
Eles "ajudam" a avolumar roupa suja na lavandaria porque NÃO SABEM colocá-la na máquina e pôr a dita a lavar, tirar a roupa e estendê-la então, é coisa para ETS;
Eles "ajudam", quando os miúdos estão doentes a dormirem profundamente enquanto nós temos de nos levantar há hora certa para darmos a medicação, verificar o febre ou simplesmente quando os miúdos choram;
Eles "ajudam" a dizerem-nos que têm horas a cumprir e portanto não podem chegar atrasados quando as coisas se complicam de manhã para sair de casa (nós não temos horários claro!);
Eles "ajudam" a queixar-se que não têm tempo para os seus momentos de lazer e que sem eles não aguentam a pressão do seu trabalho, da sua vida, etc (nós não temos pressão nenhuma, até somos desocupadas, e a entidade patronal paga-nos o ordenado pelos nossos olhos lindíssimos);
Eles "ajudam" a fazer tantas coisas que até me canso de as enumerar.
O mais engraçado, é que quando reclamamos da imensa ajuda prestada, eles mostram sempre quão afortunadas nós somos, porque até existem outros que nem uma fralda aos filhos mudam...
E portanto nós mulheres de sorte nem devemos sequer reclamar porque fomos abençoadas com uma sorte extraordinária por os termos encontrado no nosso caminho.
Existem mulheres que engolem a cantilena, e ficam a meditar acerca da verdadeira sorte grande que lhes saiu porque até têm um marido que as ajuda a fazer umas coisitas e vão fazendo as suas múltiplas tarefas, estouradas e resignadas. Outras há que reagem e isso depois acaba por gerar uma série de discussões intermináveis.
A verdade é que quando chega ao fim do mês, eles como homens modernos que são não se importam nada que o nosso rendimento "ajude" a economia familiar, afinal, estamos em pleno século XXI e eles são homens modernos.
Apercebemo-nos que pouca coisa mudou desde o tempo das nossas avós. O que mudou, foi que a nossa dita independência serviu para nos escravizar ainda mais. Porque hoje somos fonte geradora de riqueza, trabalhamos ombro a ombro com os homens, ganhamos tanto ou mais do que eles, mas na nossa vida quotidiana continuamos a fazer o que faziam as nossas avós e depois delas as nossas mães. Acredito que hajam homens que partilhem de igual maneira as tarefas domésticas, mas tenho a certeza que são mais os que se baldam a elas.
Beijos a todas
terça-feira, novembro 25, 2008
O Inverno é sempre uma altura do ano pouco frutífera... O frio não deixa que a inspiração cresça, e vamos deixando ficar parados os nossos projectos literários e não só. Não se lê, não se escreve, não se tem vontade de fazer nada a não ser estar numa saudável letargia em algum sítio quente e confortável.
É certo que o meu tempo é cada vez menor. Tem o trabalho remunerado que ocupa grande parte do meu tempo, e depois tem aquele que não é remunerado que ocupa o resto. As poucas horas sobrantes, são para dormir ou pelo menos tentar.
A verdade, é que a minha qualidade de vida caíu em flecha após o nascimento dos meus filhotes. Se antes já tinha pouco tempo, agora é crítico, existem dias em que saio de casa sem sequer pentear o cabelo...
Estão numa fase terrorífica. Mexem em tudo, querem ver tudo, disputam tudo. E principalmente o passarinho louro, é um verdadeiro "acidente ambulante". Mexe nos bicos do fogão e já aprendeu a acendê-los, abre os armários e esvazia tudo o que lá tiver; Adora ouvir o barulhos dos tachos e panelas a bater no chão, entra para dentro dos armários; Sobe para cima das mesas sofás, cadeiras e afins (por vezes caí claro!);
A princesinha, mais reservada e cautelosa, também adora fazer das dela e adora ir para as gavetas da roupa do quarto deles e atirar em todas as direcções as roupas guardadas e passadas a ferro, e quando eu furiosa pergunto "M. que estás a fazer" ela responde candidamente "M. a trabalhai..."
Perco muitas vezes as estribeiras, fico verde, azul, rôxa... Quando tenho de arrumar coisas vezes sem conta, quando estou 10 minutos para mudar uma fralda, quando apanho os cacos de algo que se partiu.
Sinto-me mal... Arrependo-me, mas inevitavelmente volto a fazer o mesmo. Eles estão na fase de testar os limites, e levam a tarefa muito a sério. Ás vezes questiono, tudo: A maternidade, a minha capacidade para ser mãe, tudo, enfim...
Hoje fiquei com o carro preso na garagem. Eles adoram agarrar-se ao puxador da garagem, antes de eu lá chegar com a chave para abrir. Hoje o meu passarinho (enfant terrible), lá se agarrou uma vez mais cheio de força, quando cheguei lá e meti a chave, vi que o puxador estava solto e que devia ter partido... Não abria! Tive de chamar alguém para me vir rebentar a fechadura para poder tirar o carro e sair... Cheguei ao trabalho às 10h30 com os nervos em franja...
As relações conjugais também sofrem invariávelmente com a chegada dos pequenos rebentos. O cansaço de ambos leva-nos a discutir mais, as diferentes perspectivas sobre educação também. Ás vezes fico farta de me ouvir reclamar com ele e ele comigo... Esta tem sido mais uma prova de fogo no nosso casamento, vamos a ver se ele aguenta esta pressão.
Costumo dizer que a minha vida está em suspenso, que quero que eles cresçam mais um pouco e se tornem mais independentes para poder retomar o fio da minha vida, porque desde há 20 é por eles e para eles. Senão também não fazia sentido.
Beijos a todas
É certo que o meu tempo é cada vez menor. Tem o trabalho remunerado que ocupa grande parte do meu tempo, e depois tem aquele que não é remunerado que ocupa o resto. As poucas horas sobrantes, são para dormir ou pelo menos tentar.
A verdade, é que a minha qualidade de vida caíu em flecha após o nascimento dos meus filhotes. Se antes já tinha pouco tempo, agora é crítico, existem dias em que saio de casa sem sequer pentear o cabelo...
Estão numa fase terrorífica. Mexem em tudo, querem ver tudo, disputam tudo. E principalmente o passarinho louro, é um verdadeiro "acidente ambulante". Mexe nos bicos do fogão e já aprendeu a acendê-los, abre os armários e esvazia tudo o que lá tiver; Adora ouvir o barulhos dos tachos e panelas a bater no chão, entra para dentro dos armários; Sobe para cima das mesas sofás, cadeiras e afins (por vezes caí claro!);
A princesinha, mais reservada e cautelosa, também adora fazer das dela e adora ir para as gavetas da roupa do quarto deles e atirar em todas as direcções as roupas guardadas e passadas a ferro, e quando eu furiosa pergunto "M. que estás a fazer" ela responde candidamente "M. a trabalhai..."
Perco muitas vezes as estribeiras, fico verde, azul, rôxa... Quando tenho de arrumar coisas vezes sem conta, quando estou 10 minutos para mudar uma fralda, quando apanho os cacos de algo que se partiu.
Sinto-me mal... Arrependo-me, mas inevitavelmente volto a fazer o mesmo. Eles estão na fase de testar os limites, e levam a tarefa muito a sério. Ás vezes questiono, tudo: A maternidade, a minha capacidade para ser mãe, tudo, enfim...
Hoje fiquei com o carro preso na garagem. Eles adoram agarrar-se ao puxador da garagem, antes de eu lá chegar com a chave para abrir. Hoje o meu passarinho (enfant terrible), lá se agarrou uma vez mais cheio de força, quando cheguei lá e meti a chave, vi que o puxador estava solto e que devia ter partido... Não abria! Tive de chamar alguém para me vir rebentar a fechadura para poder tirar o carro e sair... Cheguei ao trabalho às 10h30 com os nervos em franja...
As relações conjugais também sofrem invariávelmente com a chegada dos pequenos rebentos. O cansaço de ambos leva-nos a discutir mais, as diferentes perspectivas sobre educação também. Ás vezes fico farta de me ouvir reclamar com ele e ele comigo... Esta tem sido mais uma prova de fogo no nosso casamento, vamos a ver se ele aguenta esta pressão.
Costumo dizer que a minha vida está em suspenso, que quero que eles cresçam mais um pouco e se tornem mais independentes para poder retomar o fio da minha vida, porque desde há 20 é por eles e para eles. Senão também não fazia sentido.
Beijos a todas
quarta-feira, novembro 05, 2008
Paris
Já fui e já voltei, a cidade da "Luz" lá estava, igual a si própria. Muito frio, alguma chuva e o trânsito caótico em hora de ponta.Fui a trabalho, mas pude também disfrutar de umas "voltinhas", porque é sempre bom ver o que há de novo, e rever o antigo que me deslumbra como sempre.
É tudo "très, très chèr", e quando vagueamos por ruas como a "Avenue Montagne" (por exemplo), a estupefacção raia a indignação, quando vemos montras com vestidos a custar 19.000€, casas de "griffe" onde um simples blazer custa 3500€. E pensamos, que realmente existe muito dinheiro no mundo, o que acontece simplesmente é que está mal distribuído... E depois ainda falam em crise... Meus amigos, quem tinha dinheiro continua a ter, quem não tinha continua a não ter e agora tem um pouco menos (saldo negativo??!!).
Vemos as "damas do petróleo" chegarem com os seus "chauffeurs" (sim porque isto para ser chique temos de ter a palavra em francês) e assistentes. Entrarem nas ditas lojas que estão guardadas por porteiros enluvados. Sentarem os vastos traseiros nas poltronas forradas a peles ou a veludos e vemos começar o desfile de cabides e roupas. Não falam sequer, apontam com o dedo indicador as suas preferências. Dali a pouco é vê-las sair da loja com os "chauffeur" e assistentes carregados com os sacos, entram na loja seguinte e repete-se o cenário por várias vezes...
No extremo oposto, vemos o restante "povo" que anda no metro, que de antiquando, não tem sequer rampas para o acesso dos carrinhos de bebé, vemos o que passam as mães que precisam de se deslocar dali para acolá e têm de transportar os bebés, os carrinhos, os sacos, para entrarem num Metro sobrelotado. As crianças com caras translucidas e aspecto pouco saudável, que circulam por aqueles corredores longe do sol...
Realmente, a nossa perspectiva muda quando somos mães, olhamos mais à nossa volta, qualquer criança nos faz lembrar as "nossas" crianças que deixamos em casa e das quais temos tantas saudades que chega a doer. Vemos que realmente, até podemos ganhar menos do que aqueles franceses, mas que a nossa qualidade de vida é 200% superior.
Eles ficaram sem a mãe pela primeira vez na vida deles. Sentiram, principalmente o meu passarinho louro. Eu também pela primeira vez, senti-me como se faltasse qualquer coisa de mim. Aproveitei para dormir umas noitinhas sem interrupção (santo Lexotan!), e para fazer umas refeições completas sem ter de me levantar 2000 vezes (pelo menos!). Mas faltava qualquer coisa...
Voltei de noite, ainda estavam acordados quando cheguei. Quando entrei pela porta de casa, só ouvi o pai dizer "olha a mamã!" e aparece logo um coelhinho louro de pijama azul a correr para se atirar nos meus braços, nem tive tempo de pousar a mala... A coelhinha logo a seguir, mas mais comedida a minha princesa.
Confesso que tinha medo que se esquecessem de mim... Ainda são muito pequenos... Mas a mãe deles é a mãe deles, e só adormeceram os dois na minha cama grudados a mim, com medo que eu desaparecesse outra vez. São a minha riqueza!
Beijos a todas
sexta-feira, outubro 17, 2008
Bolotas
"Mamã mão!" "Mamã mão!" - pego-lhe na mão, o irmão corre mais à frente. Tenta conduzir-me onde pretende mostrar-me alguma coisa. Dirige-se a um velho tronco de árvore e diz: "mamã buota", entendo o termo "bolota", mas não percebo o contexto. Volta a repetir: "mamã buota", de repente olho e vejo um buraquinho no tronco da árvore, está cheio de bolotas. O irmão chega a correr e trás mais duas bolotas nas mãos, delicadamente coloca-as no buraquinho, batem palmas os dois... Eu também. Têm um armazém de bolotinhas os meus pipizes, no tronco de uma árvore velha...
Já sabem o que são bolotas, pinhas, cogumelos, relva, árvores, pássaros, musgo... Vivem em contacto com a natureza. Sujam as roupas, os sapatos, as mãos e as unhas parecem as das "meninas da Ribeira do Sado" que lavram a terra com as "unhas dos pés".
O que eles querem é andar cá fora a correr, a ver a laranjas verdes nas árvores e os figos nas figueiras. Vão às cabaças do Natal dão-lhes chutos porque pensam que são bolas... Apanham as bolotas do chão e as folhas que o Outono tira das árvores, aos pequenos ramos do chão dizem "Pau!Pau!" e vão apanhá-los. Vão ver o cão à sua "mansão" e chamam "cão Dino" e dizem "au au".
São felizes os meus pips, têm a felicidade que muitas crianças não têm, estão em casa com as avós e têm muito espaço para correrem, muita natureza para conhecerem. Aquilo que outros miúdos conhecem bem, eles não ligam a mínima. Não querem saber do Noddy, do Ruca e companhia, a televisão não lhes diz nada. Querem é ver os peixes, os gatos, as bolotas e outras coisas que tal.
Acho que é isso mesmo que eu pretendo para eles, que cresçam em contacto com a natureza sem ficarem dependentes da televisão, consolas e "game-boys", porque se há coisa que não gosto é de ver miúdos agarrados horas às televisões e outros objectos que tal. Mesmo ao fim de semana, quando não vamos para as avós, tento sempre levá-los a qualquer sítio interessante: Dar uma volta à beira mar, para eles mexerem na areia que adoram; Ir a um parque infantil andar nos escorregas e nos baloiços, qualquer coisa ao ar livre. É raro irmos a centros comerciais com eles, muito raro mesmo.
Beijos a todas
Já sabem o que são bolotas, pinhas, cogumelos, relva, árvores, pássaros, musgo... Vivem em contacto com a natureza. Sujam as roupas, os sapatos, as mãos e as unhas parecem as das "meninas da Ribeira do Sado" que lavram a terra com as "unhas dos pés".
O que eles querem é andar cá fora a correr, a ver a laranjas verdes nas árvores e os figos nas figueiras. Vão às cabaças do Natal dão-lhes chutos porque pensam que são bolas... Apanham as bolotas do chão e as folhas que o Outono tira das árvores, aos pequenos ramos do chão dizem "Pau!Pau!" e vão apanhá-los. Vão ver o cão à sua "mansão" e chamam "cão Dino" e dizem "au au".
São felizes os meus pips, têm a felicidade que muitas crianças não têm, estão em casa com as avós e têm muito espaço para correrem, muita natureza para conhecerem. Aquilo que outros miúdos conhecem bem, eles não ligam a mínima. Não querem saber do Noddy, do Ruca e companhia, a televisão não lhes diz nada. Querem é ver os peixes, os gatos, as bolotas e outras coisas que tal.
Acho que é isso mesmo que eu pretendo para eles, que cresçam em contacto com a natureza sem ficarem dependentes da televisão, consolas e "game-boys", porque se há coisa que não gosto é de ver miúdos agarrados horas às televisões e outros objectos que tal. Mesmo ao fim de semana, quando não vamos para as avós, tento sempre levá-los a qualquer sítio interessante: Dar uma volta à beira mar, para eles mexerem na areia que adoram; Ir a um parque infantil andar nos escorregas e nos baloiços, qualquer coisa ao ar livre. É raro irmos a centros comerciais com eles, muito raro mesmo.
Beijos a todas
quarta-feira, outubro 01, 2008
Esta época do ano é sempre de grande intensidade laboral para mim. Até aqui nada de novo, só que a minha pequena prole a cada dia fica mais exigente, o que tudo junto faz com que ainda acumule mais cansaço.
Sempre me disseram que quando eles começassem a andar é que eu ia ver o que era ter trabalho. Eu sempre disse, que iria preferir essa fase à fase das mamadeiras e dos choros das cólicas. E de facto aprecio muito mais agora do que anteriormente, mas que dá cá uma canseira... Isso dá!
Eles é saltarem para cima das cadeiras, mesas, sofás; Ligam e desligam as luzes, televisões vezes sem conta; tentam agarrar (e na maior parte das vezes conseguem) tudo o que está em cima dos móveis; Atiram comida em todas as direcções e por vezes enfiam os pratos cheios na cabeça como se de chapéus se tratassem; Se apanham papel higiénico é vê-lo espalhado pela casa fora... Enfim...
A minha casa já esqueci. Está sempre completamente caótica: Os brinquedos espalhados por todo o lado, as cadeiras deitadas no chão para eles não subirem para cima delas, os móveis despidos, tudo o que eles não possam mexer colocado em sitios altos estratégicos o que se torna até piada, por exemplo quando vamos à casa de banho e temos de fazer uma ginástica imensa para chegarmos ao papel higiénico.
São imensamente curiosos e principalmente como diz o pai: "São dois!" - Andam sempre atrás um do outro e se falta um o outro pergunta logo: "A mana?" - "O mano?"
A parte boa da questão é que depois das férias já adormecem sózinhos nas suas caminhas. Há horinha deles lá os vou deitar e já ficam quietinhos sózinhos com a luz apagada e adormecem. Por isso amigas que adormecem os bebés ao colo: "Não se preocupem, na hora certa eles vão começar a adormecer sózinhos!"
O L. ainda não dorme a noite toda, ainda acorda muitas vezes ao meio da noite e por vezes fica acordado durante algum tempo. Dou-lhe um leitinho, mas nem isso é suficiente para ele pegar no sono outra vez, muitas vezes fica a dar voltas na cama, tal e qual como nós quando temos insónias. O meu desespero por não poder dormir é muito, mas tenho muita pena dele e lá o vou tentando acalmar para ver se ele pega no sono outra vez. Quando passadas um ou duas horas ele pega no sono, eu já exausta não consigo dormir, depois quando adormeço já está na hora de levantar... Ando exausta, ás vezes acho que se me deixassem dormia uma semana seguida.
Agora também, começo a ter de assumir coisas que até aqui tinha deixado ficar para trás. E vou ter de começar a acompanhar alguns eventos profissionais fora do país. Vou começar já em fins de Outubro. Tenho de me ausentar do país durante 4 dias, nem ando bem... Vai ser a primeira vez que fico longe deles, ando com o coração apertado.
Beijos a todas
Sempre me disseram que quando eles começassem a andar é que eu ia ver o que era ter trabalho. Eu sempre disse, que iria preferir essa fase à fase das mamadeiras e dos choros das cólicas. E de facto aprecio muito mais agora do que anteriormente, mas que dá cá uma canseira... Isso dá!
Eles é saltarem para cima das cadeiras, mesas, sofás; Ligam e desligam as luzes, televisões vezes sem conta; tentam agarrar (e na maior parte das vezes conseguem) tudo o que está em cima dos móveis; Atiram comida em todas as direcções e por vezes enfiam os pratos cheios na cabeça como se de chapéus se tratassem; Se apanham papel higiénico é vê-lo espalhado pela casa fora... Enfim...
A minha casa já esqueci. Está sempre completamente caótica: Os brinquedos espalhados por todo o lado, as cadeiras deitadas no chão para eles não subirem para cima delas, os móveis despidos, tudo o que eles não possam mexer colocado em sitios altos estratégicos o que se torna até piada, por exemplo quando vamos à casa de banho e temos de fazer uma ginástica imensa para chegarmos ao papel higiénico.
São imensamente curiosos e principalmente como diz o pai: "São dois!" - Andam sempre atrás um do outro e se falta um o outro pergunta logo: "A mana?" - "O mano?"
A parte boa da questão é que depois das férias já adormecem sózinhos nas suas caminhas. Há horinha deles lá os vou deitar e já ficam quietinhos sózinhos com a luz apagada e adormecem. Por isso amigas que adormecem os bebés ao colo: "Não se preocupem, na hora certa eles vão começar a adormecer sózinhos!"
O L. ainda não dorme a noite toda, ainda acorda muitas vezes ao meio da noite e por vezes fica acordado durante algum tempo. Dou-lhe um leitinho, mas nem isso é suficiente para ele pegar no sono outra vez, muitas vezes fica a dar voltas na cama, tal e qual como nós quando temos insónias. O meu desespero por não poder dormir é muito, mas tenho muita pena dele e lá o vou tentando acalmar para ver se ele pega no sono outra vez. Quando passadas um ou duas horas ele pega no sono, eu já exausta não consigo dormir, depois quando adormeço já está na hora de levantar... Ando exausta, ás vezes acho que se me deixassem dormia uma semana seguida.
Agora também, começo a ter de assumir coisas que até aqui tinha deixado ficar para trás. E vou ter de começar a acompanhar alguns eventos profissionais fora do país. Vou começar já em fins de Outubro. Tenho de me ausentar do país durante 4 dias, nem ando bem... Vai ser a primeira vez que fico longe deles, ando com o coração apertado.
Beijos a todas
quarta-feira, setembro 17, 2008
A propósito de opções de vida
O meu sonho nunca foi ser mãe. Não era assim um sonho de criança/adolescente, como muita gente tem. Muitas raparigas brincam com as suas bonecas como se fossem as suas mães, e sonham desde cedo com a maternidade. Eu não.
Na altura das bonecas brincava com elas vestindo-as para irem a grandes festas e terem vidas faustosas como as das princesas. Retalhava cortinas velhas e metia-as na máquina de costura da minha mãe, fazia vestidos farfalhudos e tentava fazer grandes penteados às pobres. Lavava as cabeças na banheira e com o secador tentava fazer grandes caracóis. O que acontecia invariavelmente era que queimava o cabelo às ditas e cada vez ia queimando mais a cada insistência. O resultado: Hoje tenho uma parafrenália de bonecas carecas ou com uns fios de cabelo queimado...
Mesmo em casada durante alguns anos pusemos mesmo a hipótese de não termos filhos. Não porque não gostassemos de crianças, mas pela grande responsabilidade de trazer uma criança a um mundo (principalmente país), com tão pouco para oferecer. E nós com uma vida tão sobrecarregada achávamos que realmente também teríamos tão pouco tempo para disponibilizar, que o pouco tempo que tinhamos deveria ser usado em nosso proveito.
Claro que a semente existe dentro de cada uma de nós (só que para algumas demora mais tempo a germinar). A minha semente despontou e foi crescendo. Mas confesso que nunca fui uma mulher cujo objectivo maior seria o de ser mãe.
Queria muito ser mãe sim. Mas esse não foi nunca o meu cavalo de batalha, não era a razão do meu viver. Quando segui para os tratamentos, ia com a firme convicção de tentar 2 ou 3 vezes e não mais.
Fui fazê-lo porque um dia mais tarde ao olhar para trás não queria ter a sensação de que tinha ficado à porta e não tinha tido coragem para bater e entrar... As minhas expectativas eram nulas, e acho que foi por isso que resultou.
Nesta perspectiva, torna-se para mim difícil aconselhar, opinar ou até fazer qualquer tipo de juízo de valor, quando alguém que já tentou algumas vezes quer desistir e não prosseguir com a luta ou quando alguém que já tentou muitas vezes a pretende prosseguir. Confesso que não sei o que dizer porque não fui posta à prova e não sei o que teria feito se não tivesse conseguido à primeira.
Uma coisa é eu dizer que faria isto e aquilo, outra coisa é a realidade dos factos.
Na verdade sou uma pessoa que lida mal com as frustrações, por isso, evito entrar em guerras onde sei que sou eu a parte mais fraca para não ter de lidar com a derrota. É assim em todos os aspectos da minha vida, onde sei que tenho mais chances de perder do que de ganhar, tento... Nunca deixo de tentar. Mas contorno se o resultado não me é favorável. Acho que sou defensora daquela máxima de que "mais vale um cobarde vivo que um herói morto".
No entanto, acho hilariante, que existam sempre pessoas prontas a opinar sobre isto e sobre aquilo, mesmo sem conhecimento de causa. Ainda noutro dia assisti num fórum a uma acesa discussão sobre "dadores de esperma", num fórum mesmo ao lado de um fórum sobre "infertilidade". Verifiquei que as pessoas não fazem idéia nenhuma daquilo que se passa realmente e acham muito simples darem as suas opinões, sem terem em consideração o contexto que poderá estar por detrás de cada escolha (neste caso a doação de gâmetas).
Fez-me lembrar uma celeuma que existiu há uns anos por cá, quando se descobriu um blog de uma "fulana", que tinha um post dedicado aos blogs da infertilidade (pouco simpático evidentemente). As pessoas realmente deviam contextualizar as suas opiniões em vez de alardearem aos sete ventos que quem "faz isto ou aquilo" é um "este" e um "aquele".
Beijos a todas
Na altura das bonecas brincava com elas vestindo-as para irem a grandes festas e terem vidas faustosas como as das princesas. Retalhava cortinas velhas e metia-as na máquina de costura da minha mãe, fazia vestidos farfalhudos e tentava fazer grandes penteados às pobres. Lavava as cabeças na banheira e com o secador tentava fazer grandes caracóis. O que acontecia invariavelmente era que queimava o cabelo às ditas e cada vez ia queimando mais a cada insistência. O resultado: Hoje tenho uma parafrenália de bonecas carecas ou com uns fios de cabelo queimado...
Mesmo em casada durante alguns anos pusemos mesmo a hipótese de não termos filhos. Não porque não gostassemos de crianças, mas pela grande responsabilidade de trazer uma criança a um mundo (principalmente país), com tão pouco para oferecer. E nós com uma vida tão sobrecarregada achávamos que realmente também teríamos tão pouco tempo para disponibilizar, que o pouco tempo que tinhamos deveria ser usado em nosso proveito.
Claro que a semente existe dentro de cada uma de nós (só que para algumas demora mais tempo a germinar). A minha semente despontou e foi crescendo. Mas confesso que nunca fui uma mulher cujo objectivo maior seria o de ser mãe.
Queria muito ser mãe sim. Mas esse não foi nunca o meu cavalo de batalha, não era a razão do meu viver. Quando segui para os tratamentos, ia com a firme convicção de tentar 2 ou 3 vezes e não mais.
Fui fazê-lo porque um dia mais tarde ao olhar para trás não queria ter a sensação de que tinha ficado à porta e não tinha tido coragem para bater e entrar... As minhas expectativas eram nulas, e acho que foi por isso que resultou.
Nesta perspectiva, torna-se para mim difícil aconselhar, opinar ou até fazer qualquer tipo de juízo de valor, quando alguém que já tentou algumas vezes quer desistir e não prosseguir com a luta ou quando alguém que já tentou muitas vezes a pretende prosseguir. Confesso que não sei o que dizer porque não fui posta à prova e não sei o que teria feito se não tivesse conseguido à primeira.
Uma coisa é eu dizer que faria isto e aquilo, outra coisa é a realidade dos factos.
Na verdade sou uma pessoa que lida mal com as frustrações, por isso, evito entrar em guerras onde sei que sou eu a parte mais fraca para não ter de lidar com a derrota. É assim em todos os aspectos da minha vida, onde sei que tenho mais chances de perder do que de ganhar, tento... Nunca deixo de tentar. Mas contorno se o resultado não me é favorável. Acho que sou defensora daquela máxima de que "mais vale um cobarde vivo que um herói morto".
No entanto, acho hilariante, que existam sempre pessoas prontas a opinar sobre isto e sobre aquilo, mesmo sem conhecimento de causa. Ainda noutro dia assisti num fórum a uma acesa discussão sobre "dadores de esperma", num fórum mesmo ao lado de um fórum sobre "infertilidade". Verifiquei que as pessoas não fazem idéia nenhuma daquilo que se passa realmente e acham muito simples darem as suas opinões, sem terem em consideração o contexto que poderá estar por detrás de cada escolha (neste caso a doação de gâmetas).
Fez-me lembrar uma celeuma que existiu há uns anos por cá, quando se descobriu um blog de uma "fulana", que tinha um post dedicado aos blogs da infertilidade (pouco simpático evidentemente). As pessoas realmente deviam contextualizar as suas opiniões em vez de alardearem aos sete ventos que quem "faz isto ou aquilo" é um "este" e um "aquele".
Beijos a todas
terça-feira, setembro 09, 2008
Controvérsias
A primeira semana custou, no fim-de-semana, quase que não conseguia sentar-me na sanita, tais eram as dores nos musculos. Pegar nos miúdos era o supremo sacrificio e quando eles me pisavam os doridos musculos um esgar seguido de um "obrigadinho filho(a), estava mesmo a precisar disso". Ontem já correu melhor, até porque fazer exercício em cima dos musculos doridos, ajuda a passar a dor (so I think), e já estou melhorzita.
Soube-me bem, soltar a adrenalina, trautear umas músicas e suarrrr, suar muito. Bem bom!
No entanto, ainda não consegui cortar o cordão umbilical, fico sempre remorseada a pensar neles, e porque não estou com eles... Eles também ao que consta à hora do almoço ouvem chegar um carro e dizem: "Mamã!", e durante o dia lá vão chamando por mim... Coitadinhos.
Tenho andado a ler um pouco de tudo por este nosso pequeno mundo, quando tenho um bocadito ou quando já estou há algumas horas a trabalhar e preciso descansar um pouco, pairo por aí... Tenho seguido na nossa amiga Susana Pina, os posts sobre os custos dos tratamentos de fertilidade, os tempos de espera, e tenho lido os respectivos comentários (alguns infelizes).
Quase todas nós que por cá andamos há algum tempo sabemos a exorbitância dos preços dos tratamentos, e dos medicamentos. Todas nós sabemos que existe um "grande" negócio por detrás da infelicidade de milhares de casais deseperados.
As consultas e tratamentos nos hospitais públicos teimam em não chegar, até porque na maior parte dos casos não há interesse, porque os médicos que fazem nos públicos fazem na privada, e a "coisa" rende mais no privado, ou porque é impossível fazer um maior número de tratamentos com médicos que trabalham só de manhã e de tarde vão para os privados. Os casais, aqueles que têm algum fundo de maneio, lá vão tentando nesta ou naquela clinica, neste ou naquele médico, e fazem 1, 2, 3, ... 15 tratamentos. Alguns têm a sorte de a natureza estar a seu favor e lá conseguem, outros com casos mais complicados, lá vão andando sem que ninguém se ilumine e diga: "Oh pá estes tipos já fizeram N tratamentos sem resultado, vamos a ver porque não resulta!"
É certo que não podemos "meter" todas entidades intervenientes nestes processos no "mesmo saco", até porque a maioria das pessoas que tenha um pouco de interesse e siga alguns fóruns relativos à infertilidade, cedo se apercebe onde estão as clinicas que apresentam resultados e as que não apresentam... É só procurar!
Eu sempre pensei que o ideal seria fazer um tratamento destes num centro público, porque, ali o interesse é nulo. Ou seja, como não pagamos nada (só os medicamentos), não há o interesse do vil metal, ou seja se resulta resulta, se não resulta paga-se o mesmo. Por isso mesmo é que fiz o meu único tratamento num hospital público.
Reconheço que fui uma privilegiada, não só pelo excelente resultado, como também pelo excelente médico que tive a sorte de encontrar no meu caminho e que deu todos os passos comigo. Não foi homem de "empaliar", sempre pôs o preto no branco e eu comecei por onde muitas terminam os tratamentos. Não andei a fazer exames e mais exames, IUUs, IAs, estimulações e outras coisas que tal. Depois das análises hormonais e espermograma, e uma vez que estavam ambos com valores dentro dos normais, fiz uma laparoscopia de diagnóstico (que o meu rico seguro de saúde pagou) e uma vez que não havia nada de muito grave partimos para a FIV, a qual foi denominada teste de fertilização para vermos se os gâmetas fundiam ou não em laboratório, para vermos se poderia existir ou não algum outro problema subjacente. Felizmente não houve e o resultado todos conhecem.
Se nos abstrairmos do preço violento dos tratamentos no privado, e considerarmos que temos a sorte de ir para um público, não podemos ignorar o preço da medicação. Na altura acho que até escrevi algo sobre isso. E temos de considerar que infelizmente muitos são os casais que nem sequer para a medicação têm dinheiro. Existem casais cujos rendimentos são 2 ordenados mínimos mensais, esses casais não podem sequer comprar a medicação.
Antes das férias surgiu-me uma situação dessas. Numa das empresas onde trabalho, os operários não qualificados não são muito bem pagos, rapazes jovens, cujo rendimento mensal ronda os 700 Euros, a mulher também operária, noutra empresa ganha o ordenado mínimo. São jovens, pagam uma casita, e queriam ter filhos... A História todos sabem... Foram encaminhados para o hospital aqui da zona, que por acaso tem serviço de Medicina de Reprodução, e chegaram a marcar o tratamento, protocolo, etc. Só que ninguém lhes disse quanto custaria a medicação, chegaram à farmácia e voltaram para trás porque não tinham dinheiro, as famílias também com parcos rendimentos não tinham para emprestar. Até que o rapaz veio falar comigo e contar-me a situação, para ver se seria posssível conceder-lhe um empréstimo sobre o salário, para ir descontando por mês... Sem entrar em grandes pormenores, lá lhe fiz ver que este poderia ser o primeiro de muitos tratamentos e o primeiro de muitos dinheiros que eles iam precisar (os pobres julgavam que eram favas contadas... Ninguém lhes disse que as percentagens de sucesso são em muito inferiores aos sucessos), mas emprestei-lhe o dinheiro. Felizmente a sorte esteve do lado deles, vão ter uma menina, o dinheiro ele ainda não sabe mas vou oferecê-lo como presente para aquela menina que vai nascer, nunca tive intenção de lho cobrar, mas também não lhe poderia dar outro se esta tentativa não tivesse dado certo... É a vida...
Beijos a todas
Soube-me bem, soltar a adrenalina, trautear umas músicas e suarrrr, suar muito. Bem bom!
No entanto, ainda não consegui cortar o cordão umbilical, fico sempre remorseada a pensar neles, e porque não estou com eles... Eles também ao que consta à hora do almoço ouvem chegar um carro e dizem: "Mamã!", e durante o dia lá vão chamando por mim... Coitadinhos.
Tenho andado a ler um pouco de tudo por este nosso pequeno mundo, quando tenho um bocadito ou quando já estou há algumas horas a trabalhar e preciso descansar um pouco, pairo por aí... Tenho seguido na nossa amiga Susana Pina, os posts sobre os custos dos tratamentos de fertilidade, os tempos de espera, e tenho lido os respectivos comentários (alguns infelizes).
Quase todas nós que por cá andamos há algum tempo sabemos a exorbitância dos preços dos tratamentos, e dos medicamentos. Todas nós sabemos que existe um "grande" negócio por detrás da infelicidade de milhares de casais deseperados.
As consultas e tratamentos nos hospitais públicos teimam em não chegar, até porque na maior parte dos casos não há interesse, porque os médicos que fazem nos públicos fazem na privada, e a "coisa" rende mais no privado, ou porque é impossível fazer um maior número de tratamentos com médicos que trabalham só de manhã e de tarde vão para os privados. Os casais, aqueles que têm algum fundo de maneio, lá vão tentando nesta ou naquela clinica, neste ou naquele médico, e fazem 1, 2, 3, ... 15 tratamentos. Alguns têm a sorte de a natureza estar a seu favor e lá conseguem, outros com casos mais complicados, lá vão andando sem que ninguém se ilumine e diga: "Oh pá estes tipos já fizeram N tratamentos sem resultado, vamos a ver porque não resulta!"
É certo que não podemos "meter" todas entidades intervenientes nestes processos no "mesmo saco", até porque a maioria das pessoas que tenha um pouco de interesse e siga alguns fóruns relativos à infertilidade, cedo se apercebe onde estão as clinicas que apresentam resultados e as que não apresentam... É só procurar!
Eu sempre pensei que o ideal seria fazer um tratamento destes num centro público, porque, ali o interesse é nulo. Ou seja, como não pagamos nada (só os medicamentos), não há o interesse do vil metal, ou seja se resulta resulta, se não resulta paga-se o mesmo. Por isso mesmo é que fiz o meu único tratamento num hospital público.
Reconheço que fui uma privilegiada, não só pelo excelente resultado, como também pelo excelente médico que tive a sorte de encontrar no meu caminho e que deu todos os passos comigo. Não foi homem de "empaliar", sempre pôs o preto no branco e eu comecei por onde muitas terminam os tratamentos. Não andei a fazer exames e mais exames, IUUs, IAs, estimulações e outras coisas que tal. Depois das análises hormonais e espermograma, e uma vez que estavam ambos com valores dentro dos normais, fiz uma laparoscopia de diagnóstico (que o meu rico seguro de saúde pagou) e uma vez que não havia nada de muito grave partimos para a FIV, a qual foi denominada teste de fertilização para vermos se os gâmetas fundiam ou não em laboratório, para vermos se poderia existir ou não algum outro problema subjacente. Felizmente não houve e o resultado todos conhecem.
Se nos abstrairmos do preço violento dos tratamentos no privado, e considerarmos que temos a sorte de ir para um público, não podemos ignorar o preço da medicação. Na altura acho que até escrevi algo sobre isso. E temos de considerar que infelizmente muitos são os casais que nem sequer para a medicação têm dinheiro. Existem casais cujos rendimentos são 2 ordenados mínimos mensais, esses casais não podem sequer comprar a medicação.
Antes das férias surgiu-me uma situação dessas. Numa das empresas onde trabalho, os operários não qualificados não são muito bem pagos, rapazes jovens, cujo rendimento mensal ronda os 700 Euros, a mulher também operária, noutra empresa ganha o ordenado mínimo. São jovens, pagam uma casita, e queriam ter filhos... A História todos sabem... Foram encaminhados para o hospital aqui da zona, que por acaso tem serviço de Medicina de Reprodução, e chegaram a marcar o tratamento, protocolo, etc. Só que ninguém lhes disse quanto custaria a medicação, chegaram à farmácia e voltaram para trás porque não tinham dinheiro, as famílias também com parcos rendimentos não tinham para emprestar. Até que o rapaz veio falar comigo e contar-me a situação, para ver se seria posssível conceder-lhe um empréstimo sobre o salário, para ir descontando por mês... Sem entrar em grandes pormenores, lá lhe fiz ver que este poderia ser o primeiro de muitos tratamentos e o primeiro de muitos dinheiros que eles iam precisar (os pobres julgavam que eram favas contadas... Ninguém lhes disse que as percentagens de sucesso são em muito inferiores aos sucessos), mas emprestei-lhe o dinheiro. Felizmente a sorte esteve do lado deles, vão ter uma menina, o dinheiro ele ainda não sabe mas vou oferecê-lo como presente para aquela menina que vai nascer, nunca tive intenção de lho cobrar, mas também não lhe poderia dar outro se esta tentativa não tivesse dado certo... É a vida...
Beijos a todas
segunda-feira, setembro 01, 2008
É desta que me candidato a Miss
Depois de quase 2 anos de paragem, é hoje que tiro as teias de aranha às sapatilhas, aos tops e às calças de ginástica. Ok!.. Está bem!!... Eu confesso que até comprei umas sapatilhas e
equipamento todo novo (porque mulher que é mulher tem de comemorar certas datas à maneira...), mas vai ser hoje que tiro as etiquetas...
Sinto a adrenalina, a as saudades que já me picavam há algum tempo, estou cheiinha de vontade de voltar.
Adepta incondicional do exercício físico e da boa forma física, fui fiel praticante de algumas modalidades no ginásio cá da terra, durante longos e bons anos. No tempo das aeróbicas e steps, era o que fazia. Com a introdução das novas modalidades, há alguns anos, era fácil ver-me de luvas pretas na mão e calças de camuflado a praticar Bodycombat, com os pesos às costas no Bodypump, e de calções de ciclista nas aulas de RPM, claro que não faltava a umas aulitas de ginástica localizada, para perder a inexistente (na altura) barriguita.
Durante muito tempo ouvi a piada que não queria ter filhos com medo de me estragarem o corpinho...
Durante muito tempo tive receio que esta minha carga de exercício físico fosse o factor impeditivo para a chegada dos ditos filhos...
Mas isso foi no passado, agora quero o meu corpinho de volta e não quero mais filhinhos. Portanto há que recomeçar!
Durante este primeiro quase ano e meio deles, quis dedicar-me em absoluto, e estar com eles na hora do meu almoço e tudo. Agora, e apesar de eles continuarem com as avós, 2 ou 3 vezes durante a semana, à hora do almoço não estarei com eles (que saudades!!!) e vou cuidar (finalmente) de mim.
Vou aniquilar a barriguita que teima em não desaparecer, e a celulite que teima em alojar-se nas minha pernas, porque apesar de em termos de figura vestir as minhas roupas anteriores à gravidez desde que os meus pips tinham 15 dias, a verdade é que ficaram algumas sequelas, que foram agravando com a falta de exercício, por isso: Bye! Bye!
Claro que vai ser duro, acho que já nem sei colocar os pesos na barra do Bodypump. E vou ter de fazer com o peso mínimo, e mesmo assim, amanhã acho que nem me vou conseguir sentar.... Mas estou cheiinha de vontade de vestir a roupa preta (só tenho equipamentos pretos e brancos) e sentir o suor, e o stress deixarem o meu corpo; Relaxar nem que seja aquela pequena porção de tempo em que ali estou...
Agora é que vou ficar jeitosa!?!...
Beijos a todas
equipamento todo novo (porque mulher que é mulher tem de comemorar certas datas à maneira...), mas vai ser hoje que tiro as etiquetas...
Sinto a adrenalina, a as saudades que já me picavam há algum tempo, estou cheiinha de vontade de voltar.
Adepta incondicional do exercício físico e da boa forma física, fui fiel praticante de algumas modalidades no ginásio cá da terra, durante longos e bons anos. No tempo das aeróbicas e steps, era o que fazia. Com a introdução das novas modalidades, há alguns anos, era fácil ver-me de luvas pretas na mão e calças de camuflado a praticar Bodycombat, com os pesos às costas no Bodypump, e de calções de ciclista nas aulas de RPM, claro que não faltava a umas aulitas de ginástica localizada, para perder a inexistente (na altura) barriguita.
Durante muito tempo ouvi a piada que não queria ter filhos com medo de me estragarem o corpinho...
Durante muito tempo tive receio que esta minha carga de exercício físico fosse o factor impeditivo para a chegada dos ditos filhos...
Mas isso foi no passado, agora quero o meu corpinho de volta e não quero mais filhinhos. Portanto há que recomeçar!
Durante este primeiro quase ano e meio deles, quis dedicar-me em absoluto, e estar com eles na hora do meu almoço e tudo. Agora, e apesar de eles continuarem com as avós, 2 ou 3 vezes durante a semana, à hora do almoço não estarei com eles (que saudades!!!) e vou cuidar (finalmente) de mim.
Vou aniquilar a barriguita que teima em não desaparecer, e a celulite que teima em alojar-se nas minha pernas, porque apesar de em termos de figura vestir as minhas roupas anteriores à gravidez desde que os meus pips tinham 15 dias, a verdade é que ficaram algumas sequelas, que foram agravando com a falta de exercício, por isso: Bye! Bye!
Claro que vai ser duro, acho que já nem sei colocar os pesos na barra do Bodypump. E vou ter de fazer com o peso mínimo, e mesmo assim, amanhã acho que nem me vou conseguir sentar.... Mas estou cheiinha de vontade de vestir a roupa preta (só tenho equipamentos pretos e brancos) e sentir o suor, e o stress deixarem o meu corpo; Relaxar nem que seja aquela pequena porção de tempo em que ali estou...
Agora é que vou ficar jeitosa!?!...
Beijos a todas
terça-feira, agosto 26, 2008
O regresso
Com um tempo ameno, nada digno do mês de Verão por excelência, carregamos o carro (e como ele ia carregado coitado), reunimos a criançada e lá fomos rumo ao nosso destino de sempre: A praia da T.
Não é de agora, este é já um destino eleito por nós há anos, é uma praia extensa, com um enorme areal (já foi maior...) de areia branca, é um sítio ainda pouco frequentado (e ainda bem), um lugar onde podemos respirar um pouco de ar puro e descansar (ufa!).
Ora, este ar puro é muitas vezes "reforçado" com umas nortadas que é um grande senão, senão que aliás todas as praias do litoral norte acabam por sofrer, umas com maior outras com menor intensidade. As nortadas aliadas ao oceano frio, tornam o prato pouco apetecível, sobretudo para quem tem crianças.
Quando eramos só nós, faziamos ali uma semana ou 15 dias e iamos 1 semana ou 10 dias para qualquer destino mais ou menos recôndito. Agora com eles, torna-se um bocado impraticável, estarmos sempre ali, até porque queremos que eles aproveitem em pleno o que de melhor tem o verão.
De baixo de chuva rumamos a terras do sul, com eles tão pequenos recuso-me a metê-los num avião para qualquer destino mais longínquo. Saímos de cá com 18 graus e chegamos lá com 32 (Estamos a falar do mesmo país...).
Logo que chegamos "ala que se faz tarde" e fomos logo para a praia, com aquela temperatura boa ficaram logo descapotáveis e foram "molhar os pés", rapidamente molharam as pernas, o rabos, os braços, enfim, tomaram um banho completo. O primeiro banho deles no oceano!
Adoraram, se bem que sofriam um pouco com a canícula, caíam de sono como as frutas maduras caem das árvores. Eramos para ficar uma semana mas fomos ficando e estivemos lá quase 2 semanas (só vim embora porque tinha de vir trabalhar...).
As férias com eles são cansativas, até porque não facilito em termos de alimentação, e fazer sopas constantemente dá um trabalhão enorme, além de todos os outros cuidados que eles necessitam. Mas, senti que estas férias foram melhores que as anteriores, eles mais participativos, mais calmos, a apreciarem cada momento. Para nós não há um minuto de descanso enquanto eles estão acordados, mas quando fazem as sestinhas podemos relaxar um pouco e eu até consegui ler um livro (Biba!Biba!).
Como tudo que é bom acaba depressa, eis-me aqui, "back to real life", e a contar os dias para as próximas fériazitas.
Beijos a todas
Não é de agora, este é já um destino eleito por nós há anos, é uma praia extensa, com um enorme areal (já foi maior...) de areia branca, é um sítio ainda pouco frequentado (e ainda bem), um lugar onde podemos respirar um pouco de ar puro e descansar (ufa!).
Ora, este ar puro é muitas vezes "reforçado" com umas nortadas que é um grande senão, senão que aliás todas as praias do litoral norte acabam por sofrer, umas com maior outras com menor intensidade. As nortadas aliadas ao oceano frio, tornam o prato pouco apetecível, sobretudo para quem tem crianças.
Quando eramos só nós, faziamos ali uma semana ou 15 dias e iamos 1 semana ou 10 dias para qualquer destino mais ou menos recôndito. Agora com eles, torna-se um bocado impraticável, estarmos sempre ali, até porque queremos que eles aproveitem em pleno o que de melhor tem o verão.
De baixo de chuva rumamos a terras do sul, com eles tão pequenos recuso-me a metê-los num avião para qualquer destino mais longínquo. Saímos de cá com 18 graus e chegamos lá com 32 (Estamos a falar do mesmo país...).
Logo que chegamos "ala que se faz tarde" e fomos logo para a praia, com aquela temperatura boa ficaram logo descapotáveis e foram "molhar os pés", rapidamente molharam as pernas, o rabos, os braços, enfim, tomaram um banho completo. O primeiro banho deles no oceano!
Adoraram, se bem que sofriam um pouco com a canícula, caíam de sono como as frutas maduras caem das árvores. Eramos para ficar uma semana mas fomos ficando e estivemos lá quase 2 semanas (só vim embora porque tinha de vir trabalhar...).
As férias com eles são cansativas, até porque não facilito em termos de alimentação, e fazer sopas constantemente dá um trabalhão enorme, além de todos os outros cuidados que eles necessitam. Mas, senti que estas férias foram melhores que as anteriores, eles mais participativos, mais calmos, a apreciarem cada momento. Para nós não há um minuto de descanso enquanto eles estão acordados, mas quando fazem as sestinhas podemos relaxar um pouco e eu até consegui ler um livro (Biba!Biba!).
Como tudo que é bom acaba depressa, eis-me aqui, "back to real life", e a contar os dias para as próximas fériazitas.
Beijos a todas
sexta-feira, agosto 01, 2008
Encerrado para ferias!!!
Muito breve, brevemente, só para deixa as notícias da consulta dos 16meses (e meio):
L - pesa 12,330 e mede 88 Cm (aumentou 4 cm desde Maio)
M - pesa 11,950 e mede 86 Cm (aumentou 3,5 desde Maio)
Segundo consta estão melhor que bem, o Pediatra não se cansa de os elogiar (baba, imensa baba)...
Amanhã abalamos para 3 semanas de férias, quer dizer... Férias para eles porque para a mamã aqui vai ser um não acabar de tarefas... Depois damos novidades!
Beijos a todas
L - pesa 12,330 e mede 88 Cm (aumentou 4 cm desde Maio)
M - pesa 11,950 e mede 86 Cm (aumentou 3,5 desde Maio)
Segundo consta estão melhor que bem, o Pediatra não se cansa de os elogiar (baba, imensa baba)...
Amanhã abalamos para 3 semanas de férias, quer dizer... Férias para eles porque para a mamã aqui vai ser um não acabar de tarefas... Depois damos novidades!
Beijos a todas
quinta-feira, julho 31, 2008
Só falta um bocadinho assim...
Com as férias à espreita, por cá o tempo vai escasseando, e a cabeça cansada com tanto trabalho a ser feito e a deixar preparado, não anda também muito inspirada para escrever.No entanto, esta é uma altura do ano carregadinha de recordações, das quais é dificil estar abstraída, acho que cada dia tem um significado especial com o culminar no dia 4 de Agosto. Foi há 2 anos e ainda parece que foi ontem... O tempo voa, simplesmente voa.
Os nosso pipizes estão grandes, espertalhaços e traquinas. Amanhã vamos ao Pediatra para fazermos uma revisão antes de irmos de férias, depois se puder faço o relatório. De resto, como algumas de vós poderam ver, estão o máximo (ou não fossem meus filhos claro...).
Beijos a todas
segunda-feira, julho 28, 2008
Ainda a propósito da Quinta da Fonte
E porque o que bem se escreve deve ser divulgado, eis aqui um texto que considero muito interessante e sobretudo muito verdadeiro. Grande Mário Crespo!
Limpeza étnica - Mário Crespo
O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter. 'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias.
Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'.
Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.'
A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala.
Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
Limpeza étnica - Mário Crespo
O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter. 'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias.
Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'.
Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.'
A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala.
Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
quarta-feira, julho 16, 2008
Mais teorias
Antes de iniciar o périplo das teorias, aproveito para informar que os pips fizeram ontem 16 meses.
Estão enormes, o L tem à volta de 87 cm, e a M. 86. Correm tudo, mexem em tudo e principalmente ele, só faz asneirada... Ela já fala imenso e repete tudo o que dizemos, adoro a maneira como diz "tiaaaa", "Vacaa", "Camaa", "meninaa", tudo dito de uma forma muito certinha dando enfâse à última vogal, é linda. Ele mais trapalhão, lá vai dizendo umas palavritas atabalhoadas.
Em termos verbais, ela é mais desenvolvida, em termos motores sempre foi ele o mais desenrascado e continua a ser. Sobe para cima de sofás, cadeiras, camas, a maior parte das vezes acaba estendido no chão a chorar. Pendura-se em tudo e à conta disso já levou com uma mesinha de cabeceira em cima. Não posso perdê-lo de vista um instante, e mesmo assim elas vão acontecendo.
Em termos de sono (aí vêm as teorias), também, são muito diferentes os meus filhos.
Acho muito bonito que mães, amigas minhas e não só, teorizem acerca dos maus hábitos de dormir dos filhos dos outros. Quando me perguntam acerca dos hábitos de sono dos meus filhos eu até prefiro nem falar. Aparece sempre alguém pronto a dar um palpite, e como eu não pedi nenhum prefiro ignorar.
Os meus filhos, sofreram muito com as cólicas. Principalmente a M. passava horas a berrar e a contorcer-se com as ditas. Apesar disso, conseguíamos que tivesse um sono mais ou menos certinho à noite.
Já o L. sempre foi um bebé que apesar de não ter tantas cólicas como a irmã, sempre teve um sono muito instável, acordava e acorda muitas vezes durante a noite, chorava, queria companhia. Claro que numa fase inicial, a pessoa levanta-se 15 vezes durante a noite para ir acalmá-lo na caminha dele, mas depois, já derrotada pelo cansaço, a pessoa começa a trazer o puto para a nossa cama, e ele sossega, e nós sossegamos, e todos ficamos contentes.
Neste cenário, aos 3 meses tínhamos os putos a dormirem no seu quartinho, os dois, só que a verdade é que passávamos a noite em romaria, porque o L. acordava a chorar, a M. também acordava e tinhamos o circo montado várias vezes por noite. A coisa foi-se aguentando até que eu comecei a trabalhar a tempo inteiro outra vez. Depois disso, tomou-se a decisão de separar os gémeos... E os pais... Um fica num quarto com um, o outro com outro... (A mim calhou-me o jovem L. que dorme mal como o caraças...)
A psicologia é muito bonita... Mas é quando não se tem de trabalhar ao outro dia, ou não se tem trabalho de responsabilidade...
Evidentemente esta solução, apesar dos contras que tem, é uma solução boa para todos, porque conseguimos dormir umas horas seguidas, e até já umas (poucas) noites seguidas. É muito bonito ouvir mães cujos filhos dormem toda a noite desde os 2, 3 meses dizerem que se deve fazer assim e assado.
A verdade é que cada criança é um caso, e não devemos generalizar. Lembro-me de uma altura em que andava à procura de textos sobre "cosleeping", e encontrei um texto de um dos gurus da pedopsiquiatria americana, basicamente do que me recordo, e que foi realmente aquilo que achei importante foi o homem dizer que quando tinha tido o primeiro filho tinha seguido todas as teorias à risca, e tinha dado tudo errado. Então quando teve o segundo filho, comprou a cama maior que conseguiu encontrar...
Às mães que têm sorte que os filhos durmam toda a noitinha nas suas caminhas sem um suspiro sequer: Parabéns!
Às outras mães, cujos filhos acordam várias vezes por noite (o meu ainda esta noite acordou às 4 queria festa, dei-lhe leite às 5, e ele ficou acordado até às 6, e eu também), tenham paciência não estão sózinhas...
Beijos a todas
Estão enormes, o L tem à volta de 87 cm, e a M. 86. Correm tudo, mexem em tudo e principalmente ele, só faz asneirada... Ela já fala imenso e repete tudo o que dizemos, adoro a maneira como diz "tiaaaa", "Vacaa", "Camaa", "meninaa", tudo dito de uma forma muito certinha dando enfâse à última vogal, é linda. Ele mais trapalhão, lá vai dizendo umas palavritas atabalhoadas.
Em termos verbais, ela é mais desenvolvida, em termos motores sempre foi ele o mais desenrascado e continua a ser. Sobe para cima de sofás, cadeiras, camas, a maior parte das vezes acaba estendido no chão a chorar. Pendura-se em tudo e à conta disso já levou com uma mesinha de cabeceira em cima. Não posso perdê-lo de vista um instante, e mesmo assim elas vão acontecendo.
Em termos de sono (aí vêm as teorias), também, são muito diferentes os meus filhos.
Acho muito bonito que mães, amigas minhas e não só, teorizem acerca dos maus hábitos de dormir dos filhos dos outros. Quando me perguntam acerca dos hábitos de sono dos meus filhos eu até prefiro nem falar. Aparece sempre alguém pronto a dar um palpite, e como eu não pedi nenhum prefiro ignorar.
Os meus filhos, sofreram muito com as cólicas. Principalmente a M. passava horas a berrar e a contorcer-se com as ditas. Apesar disso, conseguíamos que tivesse um sono mais ou menos certinho à noite.
Já o L. sempre foi um bebé que apesar de não ter tantas cólicas como a irmã, sempre teve um sono muito instável, acordava e acorda muitas vezes durante a noite, chorava, queria companhia. Claro que numa fase inicial, a pessoa levanta-se 15 vezes durante a noite para ir acalmá-lo na caminha dele, mas depois, já derrotada pelo cansaço, a pessoa começa a trazer o puto para a nossa cama, e ele sossega, e nós sossegamos, e todos ficamos contentes.
Neste cenário, aos 3 meses tínhamos os putos a dormirem no seu quartinho, os dois, só que a verdade é que passávamos a noite em romaria, porque o L. acordava a chorar, a M. também acordava e tinhamos o circo montado várias vezes por noite. A coisa foi-se aguentando até que eu comecei a trabalhar a tempo inteiro outra vez. Depois disso, tomou-se a decisão de separar os gémeos... E os pais... Um fica num quarto com um, o outro com outro... (A mim calhou-me o jovem L. que dorme mal como o caraças...)
A psicologia é muito bonita... Mas é quando não se tem de trabalhar ao outro dia, ou não se tem trabalho de responsabilidade...
Evidentemente esta solução, apesar dos contras que tem, é uma solução boa para todos, porque conseguimos dormir umas horas seguidas, e até já umas (poucas) noites seguidas. É muito bonito ouvir mães cujos filhos dormem toda a noite desde os 2, 3 meses dizerem que se deve fazer assim e assado.
A verdade é que cada criança é um caso, e não devemos generalizar. Lembro-me de uma altura em que andava à procura de textos sobre "cosleeping", e encontrei um texto de um dos gurus da pedopsiquiatria americana, basicamente do que me recordo, e que foi realmente aquilo que achei importante foi o homem dizer que quando tinha tido o primeiro filho tinha seguido todas as teorias à risca, e tinha dado tudo errado. Então quando teve o segundo filho, comprou a cama maior que conseguiu encontrar...
Às mães que têm sorte que os filhos durmam toda a noitinha nas suas caminhas sem um suspiro sequer: Parabéns!
Às outras mães, cujos filhos acordam várias vezes por noite (o meu ainda esta noite acordou às 4 queria festa, dei-lhe leite às 5, e ele ficou acordado até às 6, e eu também), tenham paciência não estão sózinhas...
Beijos a todas
segunda-feira, julho 07, 2008
Era uma manhã soalheira de Outubro, daquelas cujo sol baixo ofusca, mas já não aquece muito. A Avenida ia pejada de risos e conversas dos estudantes com capas e livros, que seguiam a caminho da escola.
Era um cenário habitual na década de 80, os autocarros internos e externos deixavam ficar a estudantada que depois se juntavam aos que vinham a pé de casa, e todos juntos enchiam o ar com aquele burburinho prazeiroso que ainda recordo saudosamente. Hoje ao fazer o mesmo percurso, vinda de casa, dentro do carro, verifico que a Avenida está deserta, em proporção aumentou a número de carros que levam os estudantes agora até à porta da escola.
Íamos as três, eu a J. e a G., na bagageira uma qualquer conversa sobre um qualquer rapaz por quem andassemos a suspirar, ou outro qualquer assunto leve que caracterizava a conversa de três adolescentes de 16 anos.
De repente, a travagem brusca, o barulho de metal a chocar, a bater e a deslizar sobre o asfalto. De repente, um corpo a rebolar aos nossos pés. Aqueles segundos que parecem horas e a rapidez dos movimentos que parece em câmara lenta.
- É o irmão do B. - disse eu ao reconhecer o jovem motociclista caído.
Baixei-me para lhe falar, para ver se estava bem... Ele rapidamente se levantava também, e tentava ver se estava tudo inteiro. Ajudei-o a tirar os livros e o capacete, e suspirei de alívio, aparentemente, aquele rapaz tinha tido só um grande susto, e nós também...
Entretanto aparece um outro amigo que se prontifica a levá-lo ao hospital, porque as mãos sangravam e não conseguia mexer uns dedos. Fiquei com o capacete, com os livros, enquanto outro alguém tratou da mota, prometi que num intervalo lhos ia entregar à escola vizinha, quando ele chegasse do hospital.
Seguimos o nosso trajecto um pouco mais silencioso agora. Fomos para a primeira aula a pensar naquele acidente, e no que realmente poderia ter acontecido ali mesmo debaixo dos nossos olhos.
Nos intervalos ia espreitando para a escola vizinha (eram 2 escolas secundárias, uma em frente à outra, ainda são) para ver se via o rapaz, o irmão do B. Ao meio da manhã lá o vislumbrei e fomos lá levar os seus pertences e inquirir acerca do seu estado. Estava bem, com dois dedos partidos, tinha sido só o susto.
Nos dias seguintes, lá ia ele passando pela escola de cima e nós pela escola de baixo para sabermos como estava.
E foi ali, naquela manhã de Outubro, em finais de 1986, que aquele que viria a ser o pai dos meus filhos, 20 anos depois, me caíu aos pés... O destino tem destas coisas.
Beijos a todas
Era um cenário habitual na década de 80, os autocarros internos e externos deixavam ficar a estudantada que depois se juntavam aos que vinham a pé de casa, e todos juntos enchiam o ar com aquele burburinho prazeiroso que ainda recordo saudosamente. Hoje ao fazer o mesmo percurso, vinda de casa, dentro do carro, verifico que a Avenida está deserta, em proporção aumentou a número de carros que levam os estudantes agora até à porta da escola.
Íamos as três, eu a J. e a G., na bagageira uma qualquer conversa sobre um qualquer rapaz por quem andassemos a suspirar, ou outro qualquer assunto leve que caracterizava a conversa de três adolescentes de 16 anos.
De repente, a travagem brusca, o barulho de metal a chocar, a bater e a deslizar sobre o asfalto. De repente, um corpo a rebolar aos nossos pés. Aqueles segundos que parecem horas e a rapidez dos movimentos que parece em câmara lenta.
- É o irmão do B. - disse eu ao reconhecer o jovem motociclista caído.
Baixei-me para lhe falar, para ver se estava bem... Ele rapidamente se levantava também, e tentava ver se estava tudo inteiro. Ajudei-o a tirar os livros e o capacete, e suspirei de alívio, aparentemente, aquele rapaz tinha tido só um grande susto, e nós também...
Entretanto aparece um outro amigo que se prontifica a levá-lo ao hospital, porque as mãos sangravam e não conseguia mexer uns dedos. Fiquei com o capacete, com os livros, enquanto outro alguém tratou da mota, prometi que num intervalo lhos ia entregar à escola vizinha, quando ele chegasse do hospital.
Seguimos o nosso trajecto um pouco mais silencioso agora. Fomos para a primeira aula a pensar naquele acidente, e no que realmente poderia ter acontecido ali mesmo debaixo dos nossos olhos.
Nos intervalos ia espreitando para a escola vizinha (eram 2 escolas secundárias, uma em frente à outra, ainda são) para ver se via o rapaz, o irmão do B. Ao meio da manhã lá o vislumbrei e fomos lá levar os seus pertences e inquirir acerca do seu estado. Estava bem, com dois dedos partidos, tinha sido só o susto.
Nos dias seguintes, lá ia ele passando pela escola de cima e nós pela escola de baixo para sabermos como estava.
E foi ali, naquela manhã de Outubro, em finais de 1986, que aquele que viria a ser o pai dos meus filhos, 20 anos depois, me caíu aos pés... O destino tem destas coisas.
Beijos a todas
sexta-feira, junho 27, 2008
Teorias
Antes de mais, uma correcção ao post anterior (não, não é acerca do nome da Águia), relativamente ao Dr. Vale Azevedo, que eu infamemente disse que estava no Brasil. Não está! Este facto, tem a ver com a razão de ele ter sido o único português preso por corrupção como é fácil de ver. Então o homem vai ali para o lado viver faustosamente e acha que ninguém vai saber??!! Tivesse ele tido umas lições de vigarice com "algumas" mulheres do Norte (ali mais para o lado de Felgueiras), e ficaria a saber, que o destino melhor para tirar umas "férias" da justiça seria mesmo o Brasil, até porque lá é quente e até poderia fazer uns liftings e tal...
Agora vamos ao assunto do dia, este vai ser um post sobre (des)educação, dos bebés, acho que nunca me manifestei acerca deste tema, que por acaso me é muito querido.
Quando estamos para ter um filho, é natural que vamos deitando a mão a tudo o que se escreve sobre o antes, o durante e o depois e que nos vai chegando às mãos. Principalmente quando os bebés nascem, tentamos encontrar em algum lado, a receita milagreira que nos permita educar os nossos filhos sem a menor margem de erro, como se de uma equação matemática se tratasse.
Rapidamente porém nos apercebemos de que a coisa não é bem assim, e que existem uma quantidade de teorias todas elas de diferente cariz o que ainda nos consegue baralhar mais. Uma das mais faladas e talvez a mais controversa é acerca do choro dos bebés.
É verdade, que a maior parte dos bebés chora muito. Choram pelas mais diversas razões: Ou porque têm fome, porque têm calor, porque têm frio, porque têm cólicas, ou porque simplesmente lhes apetece chorar. Ora, como eles não trazem manual de instruções, para nós mães é sempre dificil saber do que se trata, e umas mais do que as outras reagem de maneiras diferentes ao choro dos bebés.
Eu confesso, que à luz de algumas teorias seria totalmente "pichada e coberta de penas", porque nunca fui capaz de deixar os meus filhos chorarem só porque eles estavam comidos, limpinhos e até nem estavam doentes. Eles choravam e eu dava (e dou) colo. Muito colinho, muito miminho, e passava horas com eles ao colo até os braços chegarem a ficar dormentes.
Para mim não faz qualquer sentido deixar um bebé chorar, porque tem de aprender por si a dormir, ou a estar sossegado ou outra qualquer teoria. Os meus filhos em bebés adormeciam ao colo (e são dois) e posso dizer que era dos momentos que mais apreciava, estar ali com eles observar as suas feições, afagá-los nos meus braços e vê-los sucumbir à confiança num colo que é só deles. Ainda hoje quando precisam os adormeço ao colo, e não posso ouvi-los chorar. Se uma criança não encontra eco para o seu choro no colo da mãe onde vai encontrar??
São mimados? Com certeza que sim, o mais possível, se dar amor e carinho significa mimar! Será que vão ficar crianças mais dependentes pelo facto de terem andado sempre ao colo e não os ter deixado chorar para "aprenderem" a adormecer sózinhos? Talvez sim, mas nem pretendo de outra forma! Quero que os meus filhos saibam sempre que têm apoio e alguém que os acarinhe, porque se não fôr em casa vai ser onde?
Acho que nunca se ouviu falar de nenhum adolescente ainda andar ao colo da mãe. Eles têm tempo para crescerem e se tornarem autónomos e mais rápido do que aquilo que queremos.
Enquanto eu puder e eles quiserem, podem vir sempre agarrar-se às minhas pernas e balbuciar "côa" com os bracinhos estendidos que eu vou dar (o problema é quando está um na "côa" e o outro agarrado às pernas com o mesmo intuíto...).
Beijos a todas
Agora vamos ao assunto do dia, este vai ser um post sobre (des)educação, dos bebés, acho que nunca me manifestei acerca deste tema, que por acaso me é muito querido.
Quando estamos para ter um filho, é natural que vamos deitando a mão a tudo o que se escreve sobre o antes, o durante e o depois e que nos vai chegando às mãos. Principalmente quando os bebés nascem, tentamos encontrar em algum lado, a receita milagreira que nos permita educar os nossos filhos sem a menor margem de erro, como se de uma equação matemática se tratasse.
Rapidamente porém nos apercebemos de que a coisa não é bem assim, e que existem uma quantidade de teorias todas elas de diferente cariz o que ainda nos consegue baralhar mais. Uma das mais faladas e talvez a mais controversa é acerca do choro dos bebés.
É verdade, que a maior parte dos bebés chora muito. Choram pelas mais diversas razões: Ou porque têm fome, porque têm calor, porque têm frio, porque têm cólicas, ou porque simplesmente lhes apetece chorar. Ora, como eles não trazem manual de instruções, para nós mães é sempre dificil saber do que se trata, e umas mais do que as outras reagem de maneiras diferentes ao choro dos bebés.
Eu confesso, que à luz de algumas teorias seria totalmente "pichada e coberta de penas", porque nunca fui capaz de deixar os meus filhos chorarem só porque eles estavam comidos, limpinhos e até nem estavam doentes. Eles choravam e eu dava (e dou) colo. Muito colinho, muito miminho, e passava horas com eles ao colo até os braços chegarem a ficar dormentes.
Para mim não faz qualquer sentido deixar um bebé chorar, porque tem de aprender por si a dormir, ou a estar sossegado ou outra qualquer teoria. Os meus filhos em bebés adormeciam ao colo (e são dois) e posso dizer que era dos momentos que mais apreciava, estar ali com eles observar as suas feições, afagá-los nos meus braços e vê-los sucumbir à confiança num colo que é só deles. Ainda hoje quando precisam os adormeço ao colo, e não posso ouvi-los chorar. Se uma criança não encontra eco para o seu choro no colo da mãe onde vai encontrar??
São mimados? Com certeza que sim, o mais possível, se dar amor e carinho significa mimar! Será que vão ficar crianças mais dependentes pelo facto de terem andado sempre ao colo e não os ter deixado chorar para "aprenderem" a adormecer sózinhos? Talvez sim, mas nem pretendo de outra forma! Quero que os meus filhos saibam sempre que têm apoio e alguém que os acarinhe, porque se não fôr em casa vai ser onde?
Acho que nunca se ouviu falar de nenhum adolescente ainda andar ao colo da mãe. Eles têm tempo para crescerem e se tornarem autónomos e mais rápido do que aquilo que queremos.
Enquanto eu puder e eles quiserem, podem vir sempre agarrar-se às minhas pernas e balbuciar "côa" com os bracinhos estendidos que eu vou dar (o problema é quando está um na "côa" e o outro agarrado às pernas com o mesmo intuíto...).
Beijos a todas
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