
Queria dizer que não despareci em combate, tenho andado por cá com problemas na internet, num "Portugal no seu melhor", mas disso falarei noutra ocasião, agora vou prosseguir com o meu relato.
Até às 18 semanas, a metamorfose do nosso corpo dá-se de forma gradual, a partir desta fase, as alterações fazem-se sentir de forma muito mais acentuada. Acho que é porque nesta fase os nossos rebentos começam a crescer e a exigência dos recursos da mãe é enorme, principalmente para as mamãs de gémeos.
A barriga, da noite para o dia cresce, cresce e cresce; Começamos a ter uma maior dificuldade de respiração quando subimos umas simples escadas; O nosso cabelo, unhas e pêlo deixam quase de crescer (o que até nem á mau para quem é "peludinha" como eu), todo o nosso organismo está virado para aqueles seres e para suprir as suas necessidades.
Também é nesta fase que sentimos os primeiros movimentos dos bebés, eu pelo menos foi por volta das 18/19 semanas que senti os pipizes pela primeira vez. O movimento como uma carícia interna, parece que alguém anda a "nadar" dentro do nosso corpo. Ao ínicio, esses movimentos sentem-se esporádicamente, quase que passam despercebidos... É uma sensação tão nova, que não se consegue descrever, e boa, muito boa.
Com 18 semanas apanhei o meu primeiro susto, deve haver algures um post a relatá-lo, portanto não me vou alongar. Foi quando fiz a hérnia de esforço. Foi um medo horrível que senti, chorei imenso antes de ir para o hospital, e mesmo lá, as lágrimas teimavam em querer cair. A enfermeira e a médica que me atenderam perceberam que estava muito nervosa e não me abandonaram um minuto.
Nessa altura, e devido ao que já falei no post anterior, devo dizer-vos que andava aterrorizada, e que qualquer coisa me parecia uma enormidade. Só não fui mais vezes para a urgência por vergonha...
Para além da hérnia de esforço que felizmente não se voltou a manifestar até à data, lá vim eu para casa com os meus tesouros mais valiosos: Os pipizes.
Por esta altura, já pouco conseguia ver para além da barriga, mas ainda consegui ver a ponta dos pés, relativamente aos outros orgãos externos, só de espelho, porque de resto já nem com muito boa vontade conseguia ver se as virilhas estavam ou não depiladas...
O mais engraçado é que em cada fase, achamos que já estamos enormes e que será impossível ficarmos ainda mais. Mas desiludam-se, é sempre possível ficar mais e mais enorme, e perder o controle absoluto do nosso corpo.
Os orgãos internos começam a ser "tomados" de assalto: O nosso estomâgo, o nosso intestino, tudo fica alterado, é nesta fase que já estamos muito bem (leia-se: Sem enjoos), que começamos a ter uma azia terrível, e que o nosso organismo armazena quantidades de "metanol" que julgavamos simplesmente não existirem.
Ás 21 semanas foi outro susto, este mais efectivo do que o outro. Estava com contracções, ainda que não dolorosas. Passo a explicar, para as meninas que não sabem (assim como eu não sabia), as contracções são quando sentimos repentinamente a barriga endurecer muito, a sensação deve ser mais ou menos a do peixe quando é apanhado na rede e depois esta começa a apertar, a apertar até ficar só numa bola onde vai juntar o peixe todo. Sentia essas contracções muito seguidas, e colocava a mão na barriga e sentia que ela estava dura como pedra. Mais uma vez urgência, exames de sangue, de urina... Indicação de repouso e magnésio, muito magnésio.
Passados 3 dias a sensação não passou e começamos a fazer medicação específica para as contracções e foi quando vim para casa para a sornice. Desta vez, para ficar.
As primeiras semanas, que passei em casa, no "vai não vai", foram muito duras. Sabia que se acontecesse alguma coisa naquelas semanas, o resultado seria desastroso, e chorava muito, nas horas que passava aqui sózinha. Cada dia sentia como uma vitória dos meus pipizes e sofria muito só de pensar que não sabia o que iria acontecer no dia seguinte. Foram umas semanas conturbadas, em que nem queria que ninguém falasse comigo, e qualquer coisa me fazia chorar.
Só no Natal (devia andar por volta das 26 semanas), dissemos a toda a gente que os nossos pipizes eram um "ele & ela", e só a partir de janeiro autorizei a que me dessem alguma coisa para eles. Até essa altura, mais ou menos 26/27 semanas não tinha nada cá em casa que me lembrasse que ia ter um bebé, quanto mais dois.
Também, depois dessa altura, comecei a ter verdadeiras invasões de coisas para eles, e acho que foi só aí que me apercebi como estes pipizes são desejados, não são por nós, mas por toda a família e amigos. Alegro-me imenso, por todo o amor que os rodeia, apesar de ainda estarem na barrigota, mas entristeço-me porque muitas crianças não têm 1/3 sequer desse amor, nem são desejadas como eles são.
Os movimentos deles também são mais intensos a cada semana que passa, quanto mais eles crescem, menos espaço têm, mais sentimos. As mamãs de gémeos conseguem, a maior parte das vezes, saber qual é que está a mexer, se bem que é complicado. E eles têm já um ritmo próprio, e certos horários, que eu costumo chamar de "hora do recreio", em que me ponho com a "super" barriga ao ar a ver a frequente ondulação e a tentar imaginar o que se passa lá dentro.
Por hoje fico por aqui.
Beijos a todas