quarta-feira, abril 26, 2006

Rendida às evidências!



O solzinho, na verdade tem efeitos terapêuticos, e consegue verdadeiros milagres no nosso estado de espírito.
No fim de semana e no feriado, aproveitei para pôr o bronze em dia, e apesar de ter passado mais um ciclo inglório, acho que até estou bastante bem.
Com o passar dos meses, sem a obtenção de nenhum resultado prático, da cirurgia e dos treinos, cresce no meu interior a firme convicção de que não vai ser fácil, de resto também ninguém disse que ia ser...
Cada mês que passa torna mais dificil a obtenção de uma gravidez natural, devido à endometriose. Mas, também cresce em mim a certeza de que a endometriose não será a causa real da incapacidade, deve ser outra coisa qualquer mais complicada. Até porque o grau da endometriose era muito baixo...
Enfim, com o tempo começo a render-me às evidências e a preparar-me interiormente para ir deixando ficar para trás a esperança...
Haja muito solzinho e bom tempo, que disso é que precisamos!
Beijos a todas

quinta-feira, abril 20, 2006

"Rainy days..."


Quando a Primavera teima em não chegar, a chuva não vai embora, e o trabalho não dá tréguas... nada melhor que um bom relax...

Infelizmente, limito-me a olhar para a imagem do gato, que digo desde já, tem mais sorte do que eu, que já há muito tempo não sinto o privilégio de uma boa massagem. Aliás digo-vos, ando a precisar de ir pintar o cabelo e nem tempo tenho...

Por vezes olho para a minha vida e questiono se a estarei a orientar da melhor maneira, esta corrida desenfreada, as noites sem dormir, os cabelos brancos que não param de aparecer (daí a tinta!), um stress ilimitado, que contribuí com certeza em grande parte para esta ausência de descedência prolongada, esta falta de tempo crónica... Mas a verdade é que gosto da agitação, da adrenalina, da correria, dos desafios.

Enfim, as minhas mosquiteiras e as minhas incursões na blogoesfera têm ficado prejudicadas, desde já as minhas desculpas.

Beijos a todas

segunda-feira, abril 17, 2006

"Carta aberta a uma Amiga..."


Hoje estou de regresso das minhas mini férias na praia... Ah pois é! Estou aqui com um escaldão que nem imaginam. Isto de estar de perna ao léu a ler tem muito que se lhe diga... e "mea culpa", estou num estado lastimável.


Espero que tenham passado uma excelente páscoa, eu por cá estive como já disse a tentar fazer um bocadito de praia... ora como não deu, porque a nossa amiga chuva persiste por cá, ontem lá fui a uma daquelas reuniões familiares... Mais não digo! Hoje o solzito lá apareceu e vai aqui a mulher decidiu que tinha de investir um bocado no bronze... asneira!


Este "post", no entanto, não é para falar disso, é porque hoje a vida pregou mais uma rasteira a uma amiga. A Tiquinha. E por isso é para ela que escrevo hoje:


Querida Amiga,

Foi com grande tristeza que li a notícia de que os teus "congeladinhos" não acordaram do seu sono gelado. Para ser honesta, tanto tu como eu sabíamos que essa possibilidade era a mais provável. No entanto, ambas esperavamos que acontecesse algo de bom neste processo e que aquela pequenina percentagem de sucesso estivesse ali presente na hora da verdade.


É certo que, eu deste lado encarava essa hipótese com mais frieza do que tu, porque, amiga, bem sei, que desse lado daí acreditaste até ao último momento. E acredito que no momento em que recebeste a chamada, ainda ficaste esperançada que tivesse sido um erro qualquer.


Não foi! Ficaste destroçada, bem sei! Quando falamos tentaste parecer animada, eu tentei animar-te... era da praxe. No entanto, sei que foram ocas as minhas palavras, porque eu também não sabia o que dizer para aliviar a tua dor. No fundo do teu ser sei que acreditaste, porque eu também acredito. Mesmo nos momentos em que sei que é irracional acreditar, existe sempre uma vozinha cá dentro que diz - "É possivel!".


Sei que vais ter de passar este momento sozinha a "lamber as tuas feridas", e que vais conseguir avançar e que vais voltar a acreditar. Mas sei que não vais esquecer o peso da frustração porque eu também não consigo esquecer o peso da minha. Sei que vais continuar a sorrir por fora e a chorar por dentro porque é também o que faço.


Amiga, Quero que saibas que ao longo da caminhada vais contar com o meu apoio incondicional, e que provavelmente faremos juntas uma parte do percurso, desta longa caminhada que é a infertilidade. Que uma de nós consiga chegar ao fim, já é bom, se chegarmos as duas melhor ainda (as três "sorry" Alex), e que consigamos encontrar umas nas outras o apoio de que precisamos para manter estável este equilibrio tão precário que nos faz andar entre a loucura e a sanidade mental.


Beijos para ti Amiga


PS - Espero que gostes das flores são para te animares!!

terça-feira, abril 11, 2006

O encontro das "Mosquiteiras"

Como muitas já saberão, no Sábado passado, houve o encontro das "Mosquiteiras". Já vi pelas reacções no Bloga da Alexandra, que muitas ficaram tristes por não saberem do encontro. Ora, então passo a explicar:
Em primeiro lugar, isto de falar do encontro do passado Sábado quase a chegar a outro Sábado, não está com nada, mas o trabalho tem destas coisas, e ainda por cima eu devia estar oficialmente de férias. Portanto, já estão a ver, nem férias, nem tempo para fazer os meus comentários no blog. Isto realmente não há quem mereça...
Em segundo lugar, este encontro entre as meninas denominadas "Mosquiteiras", nada teve de segregacionista para as outras meninas nossas amigas e companheiras de luta. Aconteceu apenas porque entre nós "Mosquiteiras" se criou uma empatia especial, porque ao falarmos umas com as outras acabamos por descobrir que temos muitas coisas em comum: O sítio onde fazemos tratamentos, as profissões dos maridos, gostos comuns, etc.
Assim, decidimos oficializar as nossas conversas no messenger, com o conhecimento pessoal, principalmente o meu, porque a Alexandra e a Tiquinha já se conheciam.
Confesso, que não andava nada virada para isso. Quando comecei estas incursões na blogoesfera, não era de todo intenção minha "envolver-me" pessoalmente com ninguém, porque a interacção pessoal torna muito mais onerosa qualquer relação. É fácil, para nós opinarmos sobre os blogs e sobre os pensamentos alheios, porque estamos distanciadas, não conhecemos. No entanto, quando essas pessoas passam para a nossa esfera de conhecimento pessoal, e se tornam pessoas pelas quais nutrimos sentimentos de amizade, as coisas tornam-se mais dificeis.
Estas são algumas das razões porque nunca fui a nenhum dos encontros, e porque estive um pouco relutante em ir encontrar as "Mosquiteiras". Desde Sábado, estas minhas amigas passaram da esfera virtual para a esfera pessoal, o que acarreta uma responsabilidade maior.
Adorei conhecer estas novas amigas. São estupendas! Quando nos encontramos parecia que já nos conhecíamos há anos! Passamos um tempo estupendo juntas!
Isto de passar do virtual ao real tem muito que se lhe diga, e devo dizer-vos que se há 6 meses atrás alguém me dissesse que eu estaria a combinar encontros (ui! Isto soa a traição!) com pessoas que conheci através da internet, eu provavelmente diria a essa pessoa que estaria a precisar de tratamento. No entanto, tem sido tão mais fácil para mim partilhar convosco, companheiras de luta, esta faceta tão sombria da minha personalidade. Tem sido tão mais fácil aceitar as desilusões deste processo tão difícil, sabendo que estais desse lado, e que percebeis perfeitamente aquilo por que estou a passar, porque vocês também passam e sentem o mesmo...
Enfim, obrigada pelo vosso carinho! Mesmo não vos conhecendo pessoalmente (ainda) torço da mesma forma por todas e sei que torcem também por mim.
Beijos a todas

quinta-feira, abril 06, 2006

O primeiro passo

Ontem demos o primeiro passo para o nosso primeiro tratamento de infertilidade. Fomos a uma consulta de psicologia. Sim, porque no hospital onde andamos, não se faz nada sem se fazer primeiro a consulta de psicologia.

Confesso que ia um bocado céptica, mas o meu cepticismo desfez-se rapidamente no momento que transpus a porta do gabinete. Não esperamos muito tempo, o que aumentou o boa disposição claro. Ir a um hospital público e não aguardar mais do que 10 minutos é de facto de estranhar.

O gabinete, ao contrário da sala de espera era muito arejado e com um ambiente confortável, até acolhedor. Entramos, e ela começou logo a falar muito simpática, começou pelas perguntas mais básicas, para se ir aproximando lentamente do âmago da questão.

A idade, a profissão, as habilitações académicas... Para logo a seguir começar a perguntar há quanto tempo estamos juntos, como é que estamos a lidar com esta situação, etc, etc. Evidentemente não vos vou maçar com a descrição pormenorizada da entrevista com a psicóloga.

Foi importante é um facto, porque é bom sabermos que existe alguém para nos apoiar e a quem podemos recorrer se as coisas psicologicamente não estiverem a correr como queríamos.

Estivemos lá dentro uma hora inteira, depois de termos falado de tudo e mais alguma coisa, escutou-nos sem pressa, incentivou-nos a falar e participou activamente na conversa. No final, deu-nos um livrinho que o serviço de medicina de reprodução do hospital elaborou. Um livro muito bem elaborado, com uma linguagem muito simples e concisa, com algumas ilustrações muito explicitas.

Fiquei muito bem impressionada, espero continuar a ter bons motivos para escrever acerca das minha incursões ao hospital. Sempre que lá for escreverei, para que as que estão na dúvida acerca do sítio onde deverão fazer o tratamento, para aquelas que acham que os hospitais públicos são maus, e outras que no futuro venham a visitar este blog, com o intuito de aprenderem alguma coisa acerca da infertilidade e seus tratamentos, saberem com o que podem conter.

Por hoje vou terminar, deixo um beijo para todas vós, especialmente para as minhas "mosquiteiras".







sábado, abril 01, 2006

Reportagem DN de 1 de Abril - Dia do Mega Encontro

Mulheres inférteis unidas pelo desejo de serem mães

Maria João Caetano







Têm um "mega-encontro" marcado para hoje, por volta do meio-dia e meia, em Leiria. Saíram cedo de casa, vindas de todo o País, umas foram buscar outras, colocaram no carro uma fitinha azul e outra cor-de-rosa, "assim quando se cruzarem pelo caminho já sabem como se identificar". São poucas as que se conhecem de facto mas há meses que se encontram em fóruns de discussão na Internet e trocam mails. Foi assim que se uniram por uma causa, a infertilidade, e que criaram um blogue dedicado a este tema (http/unidasporumacausa.blogspot.com). Em comum têm anos de tentativas e frustrações. E são sobretudo mulheres. Dos 72 inscritos para o almoço só 13 são homens.


Estima-se que entre 10 a 15 por cento dos portugueses em idade fértil não consigam ter filhos sem ajuda médica. São cerca de 500 mil casais à procura de respostas. No entanto, esta "é uma doença que é vivida muito na intimidade, entre o casal", explica Cláudia Vieira, 31 anos, há três "nesta luta" por um filho . "Muitas vezes nem os amigos nem a família próxima sabem. A maioria não tem sensibilidade para compreender o que estamos a sentir."


Cláudia começou por fazer umas pesquisas na Internet, em busca de informação, e encontrou um fórum sobre infertilidade (http/bebes.clix.pt). "Eu até era um bocadinho avessa a estas coisas mas foi uma agradável surpresa. Encontrei mulheres com os mesmos problemas do que eu. Faz toda a diferença. É impressionante os laços que se criam. Sentimo-nos felizes com os sucessos umas das outras e também sofremos com os fracassos que, infelizmente, ainda são muitos." Em Dezembro do ano passado, criou o seu próprio blogue, a que, num tom optimista, chamou "the dream will come true".


Não é a única. "Ser mãe é ser eterna... e desde Março de 2005 que o tento ser", escreve Sónia no seu blogue. "Tenho 31 anos e o sonho de ser mãe. Não sei se algum dia conseguirei concretizar este sonho, mas lutarei muito por ele", assegura Cláudia. Depois de dois abortos, Ana está "à espera de um novo milagre". Elsa, 34 anos, conta as várias tentativas falhadas e não perde a esperança: "Sei que um dia serei mãe. Neste mundo cibernauta descobri amigas que me têm ajudado muito nesta luta."


É fácil encontrar na Internet os diários destas mulheres, com nomes como "sonho ser mamã", "à espera das estrelinhas", "wish for a baby", "sonho adiado". Aí partilham os sentimentos mais íntimos. Sónia passou por mais uma desilusão: "Cabeça erguida, começar de novo, até ao dia que Deus me dê o privilégio de ser mãe." "Se sou louca, vejo que não estamos sozinhos (eu e o meu marido) nesta loucura", diz Regina.



"Noutros países há uma tradição de grupos de entreajuda que funcionam em várias circunstâncias em que as pessoas se sentem desapoiadas. Há uma força que tem a ver com o facto de pertencer a um grupo", explica Isabel Leal, coordenadora da psicologia clínica da Maternidade Alfredo da Costa. Maria Paula Fernandes, terapeuta familiar, considera que a Internet permite abordar um tema que, antes, era tabu: "Já não é tão silencioso assim mas só porque mulheres de coragem criaram este espaço de debate".


Um dia, três "amigas de luta" sentiram necessidade de fazer mais do que conversar. O primeiro passo foi lançar uma petição a entregar na Assembleia da República, chamando a atenção para os problemas comuns (ver caixa). Depois, surgiu a ideia de criar uma associação. Explica Cláudia. "A questão é: como nos podemos ajudar umas às outras?" Ao princípio, todas querem perceber, saber quais as principais causas da infertilidade, quantos hospitais e clínicas existem, quais os métodos disponíveis, o que devem fazer. "Além dessas indicações mais práticas, nós, com a nossa experiência, podemos dar alguma orientação àquelas que, pela primeira vez, vão fazer um tratamento. Podemos dizer-lhes o que vão sentir e dar apoio."


A associação, cujo nome ficará hoje definido, tem já objectivos traçados: dar apoio médico e técnico às mulheres, criar uma linha de apoio individual e grupos de apoio psicológico. Para isso, as três fundadoras têm-se dividido em contactos com laboratórios e médicos ligados a esta área de modo a estabelecer parcerias. "Vamos fazer protocolos com clínicas e negociar com as companhias de seguros, queremos ter uma palavra a dizer na legislação e discutir a certificação das clínicas."


Nos blogues das "tentativas" contabilizam-se com entusiasmo todos os sucessos. São poucas as que desistem. "Vou ser mãe de qualquer maneira", afirma, determinada, Cláudia Vieira. "É difícil aceitar a doença e é muito mais difícil aceitar que não somos capazes de todo. O que nos move é a esperança." A psicóloga Isabel Leal compreende esta atitude: "Desistir é sempre complicado porque, de uma maneira geral, houve um grande investimento emocional. É entendido como uma derrota pessoal."

quinta-feira, março 30, 2006

"Quem me dera ter um filho" - The final cut


Acho que está na hora de terminar esta pequena saga sobre este livro. Foi muito bom constatar que todas gostaram, e melhor ainda, que muitas querem comprar este livro (acho que vou ligar para a Editorial Presença para pedir uma comissão).

O final não será por mim desvendado, até porque acho que perde a piada toda para aquelas que pretendem comprar o livro. As outras se pretenderem saber o final contactem-me nesse sentido que responderei individualmente.

"(...) Estou a ovular. Anda, rápido, vem para casa, temos de fazer amor já.
- Estou a meio de uma reunião. Quando estiver despachado, telefono-te.
- Não, James, preciso que venhas imediatamente para casa.
O que estava ele a fazer? Era vital que tivessemos relaçõess já. Naquele preciso momento, em que estava a ovular.
- Ligo-te mais tarde.
- Não James, anda...
Já tinha desligado. Atirei com o telefone à parede. Tinha levado quatro meses e meio a chegar àquele ponto, e agora ele ia estragá-lo chegando a casa tarde e o óvulo ir-se-ia embora, ou murcharia, ou fosse lá o que fosse. Precisávamos de fazer sexo imediatamente. Pus-me a andar de um lado para o outro da sala, a hiperventilar.(...) Raios me partissem se ia ficar à espera mais um minuto que fosse. Agarrei nas chaves do carro e fui(...).

"Tinha consciência de que estava a um passo de ficar maluca, mas tinhamos mesmo de fazer amor o quanto antes. De que valia seguir o tratamento se a seguir não tinhamos relações? Uma parte de mim estava zangada com o James por ele não perceber a importância de passarmos à acção no momento exacto. Mas também sabia que teria de fazer as pazes com ele para que ainda houvesse alguma esperança de fazermos amor naquele dia, por isso fui comprar-lhe uma camisa nova(...)"

Acerca de um amigo que tinha comunicado o nascimento de um segundo filho, logo após a notícia de mais um negativo:

"Sentei-me dentro do carro e tentei apaziguar o grito de dor que sentia mesmo por baixo do peito. Sabia que se o deixasse sair cá para fora, não seria capaz de o controlar. Respirei fundo... inalar, expirar, inalar, expirar. À medida que me ia acalmando, a minha angústia foi sendo substituída pela raiva e pelo ressentimento. Por que raio é que tudo aquilo era tão fácil para a Jess? Como é que ela era capaz de ter filhos como coelhos? Por que é que as coisas corriam duma forma tão tranquila à Jess, e à Imogen, e a toda a gente no raio do mundo inteiro? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Agora ia ter de ir visitá-la ao maldito hospital, e sorrir, e arrulhar com o bébé, e fingir que eram as melhores notícias que alguma vez recebera. Tinha ganas de matar alguém. Queria bater com o carro contra um muro. Aaaargh. Quanto mais é que seria obrigada a aguentar?"

A ida à maternidade visitar o novo rebento:

"Eu tinha começado a chorar. Sabia que tinha de sair dali antes de me ir completamente abaixo. Lá consegui dizer atabalhoadamente: - Tenho de ir andando - e saí disparada pelo corredor fora, indo de encontro a pais e mães extasiados pelo caminho. Não era capaz de respirar. Sentia-me como se me estivesse a afogar. Consegui chegar ao carro, sair do parque de estacionamento e descer a rua. Estava a chorar tanto que não via nada à minha frente. Só precisava de chegar a casa antes de me ir desfazer por completo em lágrimas. Precisava da segurança da minha casa. Carreguei no acelerador. Mais depressa, tinha de ir mais depressa.(...)

Só quando um carro da polícia encostou ao meu (...) me apercebi de que era a mim que estavam a perseguir (...).

Não fui capaz de me conter. Estivera o dia todo a ameaçar sair cá para fora. Um grito de angústia saiu-me da garganta. Sentei-me na beira da estrada e comecei a soluçar descontroladamente (...)

- Não percebo... Este tem sido o pior dia da minha vida... dezasete meses e nada... nenhum bébé... e eu fui visitar uma amiga que acabou de ter um bébé... e foi tão dificil... tantas mães e tantos bébés... todos tão felizes... tanto amor nos olhares... por isso tive de me vir embora... e vinha a conduzir e a chorar... eu não tenho nada... nenhum bébé... só exames e medicamentos horríveis que me põem louca... e o meu marido detesta-me... bom, ele não detesta, mas ando a dar com ele em maluco... ando a dar comigo em maluca... é tão dificil... Por que é tão dificil ter um bébé?"


E pronto amigas, termino por aqui este relato, queria deixar para o fim as partes mais dramáticas do livro para que entendessem, por que é que no primeiro dia vos disse que este livro me fez chorar de rir, para logo de seguida ser levada às lágrimas de verdade e de puro sentimento.

É tão fácil para mim rever-me nestes relatos, na verdade vejo cada uma de vós expressas neles, e pergunto a mim mesma quantas de nós aguentarão esta pressão a que estamos sujeitas e quantas ficarão pelo caminho da esperança... A ver vamos.

Beijos para todas!



terça-feira, março 28, 2006

"Quem me dera ter um filho" - Parte IV

Antes de mais peço desculpa pelo longo interregno entre a parte III e a parte IV. É que eu, eu primeiro lugar, ando com imenso trabalho (Desculpem-me "mosquiteiras" que vos deixo penduradas no Messenger!! Gosto muito de vocês!!), em segundo lugar, porque ando naquela altura do mês em que desejava ardentemente tirar umas férias de mim própria...

Não, não se assustem, não estou a pensar em nada de dramático, até porque não sou uma pessoa nada dramática. As que me conhecem melhor, sabem que encaro tudo com um certo humor, um pouco mordaz por vezes, mas não deixa de ser humor. O que acontece é que estou na expectativa da vinda do M. Red para este fim de semana (mais coisa menos coisa), e como desejava que ele não viesse, e não me foi diagnosticada nenhuma impossibilidade real para tal... Todas sabem do que estou a falar... e o que estou a sentir. Daí eu dizer que me apetecia ir de férias de mim própria e só voltar quando o dito amigo resolver aparecer ou não e apagar o tempo "in between".

É nesta fase que estou como a heroína do "meu livro", apalpo as "mamocas" várias vezes ao dia, para ver se doem, e as desgraçadas de tanto serem apalpadas acabam por doer, nem que não queiram; Procuro cheiros mais intensos para ver se estou enjoada; Espreito as cuequinhas à procura de alguma coisa mais suspeita, etc, etc, etc.

Bom, mas adiante, vou continuar o resumo do livrinho:

Acerca da toma de um medicamento: O clomifeno

"Quando o James chegou a casa, andei atrás dele pela casa fora a fazer-lhe o relato minucioso do meu dia. - ... E tenho de tomar estes medicamentos malucos que me fazem produzir montes de óvulos e existe a forte probabilidade de que eu possa vir a ter cancro nos ovários por causa dos medicamentos e morrer depois de ter os trigémeos.
O James ficou a olhar para mim embasbacado, com ar de desaprovação. - Cancro? Cancro, mesmo?
- Sim.
- Isso não é um bocado de mais, Emma?
- Não, é a única maneira.
- Então e que tal sexo à maneira antiga?
- Já tentamos isso, lembras-te?
- Então vais dar-me três filhos saudáveis e depois morres e deixas-me a criá-los sozinho?
- Filhas... e só te podes voltar a casar depois de cinco anos de luto, mas não com uma loira e muito menos com aquela vaca que vai sempre meter-se contigo depois dos jogos."

Amiga "mosquiteira" este parágrafo é para ti...

(...)
"Comecei o tratamento com clomifeno e, depois de ter engolido ansiosamente o primeiro comprimido, decidi ler o folheto explicativo. Nele, encontrei uma descrição dos possíveis efeitos secundários do medicamento, que íncluiam hiper-estimulação ovárica, aumento do tamanho dos ovários, com eventual ruptura, perturbações da visão, vermelhidão da pele, desconforto abdominal, naúseas e vómitos, depressão, insónias, aumento de peso, erupções cutâneas, tonturas e queda de cabelo. Fiquei a olhar para aquilo em estado de choque. Santo Deus! Ia ficar careca, suada, gorda e deprimida.(...)

"Mosquiteira" Tica, este parágrafo é para ti que gostas de perguntar muita coisa aos médicos, e que dizes que o meu médico parece um filósofo (ora imagina que o homem era jeitoso... Como é que eu ficava??)

"Mais uma vez dei por mim despida da cintura para baixo, deitada de barriga para cima e com as pernas flectidas. O radilogista era um homem, chamado Tom, em forma e extremamente atraente, o que só tornou a situação ainda mais desconfortável. Quando me sinto envergonhada, tenho tendência a compensar exageradamente, e começo a falar sem parar e com demasiada animação. Assim, quando o Tom me começou a explicar o que se ia passar, eu não parei de o interromper com deixas infelizes. Senti-me ridicula.
- Tal como com certeza já foi informada, os exames de detecção dos foliculos mostram-nos se os ovários estão a funcionar correctamente. Através destes exames podemos...
- Oh, estou a ver, pois. Vamos lá ovinhos, vamos lá coelhinho da Páscoa, Ah, Ah...
Ele olhou para mim, sorriu disfarçadamente e prosseguiu: - detectar o tamanho dos foliculos nos ovários durante vários dias para prevermos o momento da ovulação e avisá-la da altura ideal para a concepção.
- Então da próxima vez tenho de trazer o meu marido comigo para que possamos ir logo para o armário das vassouras, Ah, Ah, Ah?
Foi horrivel, tinha consciência de que estava a fazer figura de parva, mas era incapaz de me controlar. Estava uma pilha de nervos."

Bom por hoje fico por aqui, até porque isto de estar a escrever e a "fofocar" no Messenger tem o que se lhe diga, portanto, antes de mais peço desculpa pelos erros ortográficos que possam detectar. Podem sempre mandar uma reclamação por escrito...

Beijos a todas

quarta-feira, março 22, 2006

"Quem me dera ter um filho" - Parte III

Ora, tal como prometido, a saga continua:

"Depois de Perpignan, fiquei convencida de que estava grávida. Sentia-me permanentemente cansada e doíam-me as mamas... Se bem que isso pudesse ter a ver com o facto de eu não parar de mexer nelas para ver se estavam sensíveis.(...)

À medida que se aproximava o dia previsto para me vir o período eu apalpava regularmente os peitos só para ter a certeza que continuavam doridos. Também enfiei o nariz num prato com salmão fumado, e não há duvida que senti uma leve náusea. (...) Faltavam dois dias, um dia, dia previsto... nada. Viva, estava grávida. Fui a correr ao Boots comprar um teste de gravidez e, quando voltava para casa, senti-o. Tinha-me vindo o período. Fiquei arrasada."

Agora parte do diálogo entre eles quando ele foi fazer o espermograma... Delicioso!

"- As revistas foram suficientes.
- Eram recentes ou antigas?
- Antigas.
- Que nojo. As páginas estavam coladas?
-Bom, não. Se as páginas estivessem coladas, era sinal de que o tipo não tinha feito pontaria para o copo, não era?
- Foi dificil acertar dentro do copo?
- Era um bocado pequeno mas lá me arranjei.
- Quem me dera que dessem qualquer coisa para nós vermos quando temos de fazer esfregaços. Tornaria as cos muito mais simples.
- Porque é que não sugeres isso amanhã ao Dr. Philips?"

Bom, eu acho que quando for à minha próxima consulta de ginecologia, vou exigir, algo interessante para eu poder ver enquanto estou a ser examinada, que dizem?

"Decidi não levar o assunto da pornografia para a minha consulta com o Dr. Philips. Era um homem afectuoso, a meio da casa dos cinquenta, e acho que, só de ouvir a minha sugestão, era capaz de lhe dar uma coisa."

"Voltei ao consultório, subi para a marquesa e coloquei-me em posição. A radiologista mal-encarada aproximou-se de mim com um enorme bastão com uma cabeça redonda que se assemelhava notavelmente a um vibrador gigante. Contudo, qualquer coisa cá dentro me dizia que aquele monstro não me iria proporcionar nem metade do prazer do seu primo mais pequeno."

Acerca da histerossalpingografia:

"Adorei o Dr. Tunney. Era o meu tipo de médico. Senti-me à vontade com ele e comecei a acalmar-me. Seguindo as instruções dele, dobrei as pernas como um rã e esperei que ele inserisse um espéculo... o temido instrumento utilizado para fazer esfregaços. Logo que ficou no lugar, foi introduzido um cateter.
- Agora Emma, vou injectar a tintura. Isto pode arder um bocadinho...- avisou-me o meu herói.
De herói a vilão em três segundos... nunca tinha sentido uma dor daquelas em toda a minha vida. A tintura parecia arame farpado a ferver a explodir-me pelas entranhas. Fiquei tão alarmada com a dor que sustive a respiração.
-Está tudo bem, Emma, está quase a terminar- declarou o Dr. tunney ao ver a minha cara ficar azul - preciso que inale e expire profundamente várias vezes.(...)
Como é que alguém era capaz de descrever aquela tortura como "arder"? Foi aí que percebi.As duas pessoas que me tinham dito que era "simples" e "indolor" eram homens."

"Passados 3 dias voltei ao consultório(...)Dr.Reynolds perguntou-me como correra o exame(...) Tinha planeado contar-lhe que fora uma das experiências mais traumáticas da minha vida e aconselhá-lo a, de futuro, avisar as suas doentes, porque a idéia de "ligeiro desconforto" era absurda e que ele devia tentar enfiar arame farpado pelo pénis acima da maneira errada pra ver como aquilo se transformava em "ligeiro desconforto" (...)"

Ainda bem que não fiz este exame!!

Beijos para todas

segunda-feira, março 20, 2006

"Quem me dera ter um filho" - Parte II

Então, a pedido de algumas amigas, vou hoje, apresentar mais alguns "flashes" deste livrinho:

"Tudo começou duma forma perfeitamente inocente. Eu tinha planeado: Deixava de tomar a pilula em Dezembro, tinha relações, em Janeiro ficaria grávida, teria o bébé em Setembro, em Novembro arranjaria um treinador pessoal e pelo Natal teria recuperado a figura, e o bébé teria entrado numa rotina agradável, de forma a poder pavonear-me durante a quadra festiva com a aparência da modelo "Liz Hurley"."

Amigas, como é verdade isto, eu também já tinha decidido que o melhor mês para nascer um filho seria Março, porque poderia ficar de licença até Julho e depois ia de férias em Agosto... Estava tudo planeado.

"Era inacreditável, eu não estava grávida! Tivera tanta certeza que a dilatação do meu estomago era um bebezinho a crescer dentro de mim. Ao invés, eram uns "muffins" que tinha comido. Um grande choque, pois agora tinha a dupla desilusão de não estar grávida e de me sentir culpada por ter comido os "muffins" seguindo a fantasia complacente de que estava com desejos. Bolas agora ia ter de ir para o ginásio para desinchar a minha barriga não grávida."

"Passada uma hora estávamos na cama. Bem o James estava na cama a fumar o seu cigarro pós-coito (...) enquanto eu tentava fazer o pino contra a parede.
- O que é que estás a fazer?
- O pino - disse eu ofegante
- Por alguma razão especial?
- Para que o esperma tenha mais facilidade em nadar contra a corrente.
-Estás a gozar?
-Estou com cara de que esteja a gozar? - retorqui eu. Esta brincadeira da ginástica estava a revelar-se difícil."

Pois é verdade, eu também passei por esta fase, embora não de forma não radical. Eu era só de almofada por baixo...

"Porra. Porra. Porra. Continuava a não estar grávida.Bolas. tinha certeza que estaria. Tínhamos tido relações no décimo segundo, décimo terceiro, décimo quarto e décimo quinto dias do meu ciclo para jogar pelo seguro. Que raio se passava comigo?"

"senti-me fisicamente mal disposta. Vaca sortuda. Gémeos.Seria perfeito. O que é que se passava comigo? Devia ter falta de óvulos, ou então só tinha daqueles murchos citadinos. Maldita Imogen e mais os seus enormes óvulos, cavalares, férteis e campestres."

(Isto relativamente a uma cunhada que acaba de anunciar estar grávida de gémeos).

"(...) O dia seguinte era o décimo quarto do ciclo. Rezei para que o inchaço não fosse grave e para que ele se sentisse melhor... Porque, nem que fosse preciso amarrá-lo à cama e amordaça-lo, íamos ter relações."

Bom acho que por hoje já chega, até porque o meu marido também já começa a perder a paciência comigo de andar sempre de volta do computador a escrever no blog da infertilidade. Por isso é melhor abusar.

Espero que gostem, amanhã, a saga continua.

Beijos a todas

domingo, março 19, 2006

"Quem me dera ter um filho"

Acalme-se quem pensa que este é um título "dejà vu", que todas nós queremos o mesmo, bla, bla, bla. Este é o titulo de um livro que encontrei no Sábado e que comprei, porque reflexo condicionado obriga, e ultimamente compro tudo o que tem a ver com o tema...

A autora,Sinéad Moriarty (desconheço se sofre de infertilidade ou não), apresenta-nos um texto brilhante, com descrições simltaneamente hilariantes e verídicas, ao estilo de tragico-comédia.

Comecei logo a lê-lo no Sábado à tarde, e dei por mim a rir até às lágrimas, e logo a seguir a chorar, porque aquilo que estava a ler era um retrato fiel de mim mesma de há 2 anos a esta parte. Claro que não parei até ler tudo até ao fim, até porque a prosa era absorvente, e queria saber se no fim ela ia conseguir ou não... Li até algumas partes ao meu marido, e rimos juntos. Rimos como já não ríamos há muito tempo! Aliás rir é só uma das coisas que já não faziamos há muito tempo.

"Sentei-me na beira da cama e suspirei. Estava mesmo apanhada com aquela brincadeira do bébé. Será que todas as mulheres passariam pelo mesmo? Ter de andar a correr atrás dos maridos à espera que eles tenham uns minutinhos que dispensem para a procriação? Qual era a piada de ter relações com datas e horas marcadas? Porque é que eram as mulheres a ter o trabalho todo? Por que motivo teria deus decidido que seriam as mulheres a carregarem os óvulos? Por que razão teríamos de ser nós a suportar o ónus? Por que é que não poderiam ser os homens a controlar as descargas do pénis, e a fazer chichi para um bastonete e a arrastar as respectivas esposas para a cama para terem relações não espontaneas? Não era justo.(...)"

"O problema em fazer bébés era que tinha quase extinto o sexo espontâneo, do género arranca roupa (...). Agora era só cronometragem e datas(...)"

"(...)Não consigo imaginar nada pior do que ter de ir a um baptizado e ficar lá a ver toda a gente a falar amorosamente com duas gémeas lindas e a dizer aos pais delas como elas são encantadoras, e a ver com quem são parecidas(...), e como nunca se conhece o significado da palavra amor até se ter um filho, e como a nossa vida só está verdadeiramente cheia e completa quando experimentamos a alegria da maternidade. E depois vão pôr-se todos a olhar fixamente para mim a perguntar-me quando é que vou ter filhos."

Estas são apenas algumas passagens de 263 páginas absolutamente comoventes, contadas na primeira pessoa, que não resisti a partilhar convosco. É claro que todas nos identificamos com este singelo retrato, e todas nós passamos por situações como estas.

O problema da infertilidade, é que converte toda a nossa vida, e sem darmos conta passamos a ser comandados por uma questão que é somente uma ínfima parte da nossa existência. É como foi dito naquela entrevista do "expresso", um sonho que comanda as nossas vidas.

Ora, acho que está na hora de colocar um ponto final nesta situação! Quem tem de controlar as nossas vidas somos nós! Quero a partir de hoje deixar de andar com o calendário atrás, a controlar os dias e os mucos e a temperaturas! Quero sair e divertir-me e deixar de estar sempre a massacrar o meu marido com os temas "bébés" e "infertilidade"! Quero deixar de estar sempre a contar os dias que faltam para o aparecimento do período...

Acho que era realmente uma pessoa muito mais alegre e divertida antes deste problema... Acho que era menos amargurada e revoltada, tenho de reagir!

Já combinei com as minhas amigas, Sábado à noite vamos sair, e falar e beber uns copos, depois vamos dançar... "Sky is the limit".

Tenho pena de este Sábado não ter ido conhecer pessoalmente as minhas amigas, principalmente a Tiquinha e a Alexandra... Mas ocasiões não faltarão com certeza, e espero estar disponível para o próximo encontro.

Nos meus próximos "posts" deixarei mais um gostinho deste livro, se os vossos comentários forem favoráveis.

Beijos a todas

sexta-feira, março 17, 2006

Here by me...


I hope you’re doing fine out there without me
‘Cause I’m not doing so good without you
The things I thought you’d never know about me
Were the things I guess you always understood

So how could I have been so blind for all these years?
Guess I only see the truth through all this fear,
And living without you…

And everything I had in this world
And all that I’ll ever be
It could all fall down around me.
Just as long as I have you,
Right here by me.

I can’t take another day without you
‘Cause baby, I could never make it on my own
I’ve been waiting so long, just to hold you
And be back in your arms where I belong

Sorry I can’t always find the words to say
But everything I’ve ever know gets swept away
Inside of your love…

And everything I had in this world
And all that I’ll ever be
It could all fall down around me.
Just as long as I have you,
Right here by me.

As the days grow long I see
That time is standing still for me
When you’re not here

Sorry I can’t always find the words to say
Everything I’ve ever known gets swept away
Inside of your love

And everything I had in this world
And all that I’ll ever be
It could all fall down around me.
Just as long as I have you,
Right here by me.

And everything I had in this world
And all that I’ll ever be
It could all fall down around me.
Just as long as I have you,
Right here by me.

quarta-feira, março 15, 2006

Renascer...

Pois é... Cá estou eu renovada, e pronta para outra!

Não tenho sido presença muito assídua neste meu blog (mea culpa), tão só porque o tempo não é muito mas também porque como ando com a cabeça a mil, não tenho tido grande inspiração.

Tenho quando posso acompanhado os desenvolvimentos nos blogs da minha lista, e tenho falado com algumas amigas no msn. Nunca deixo de vir cá! A blogosfera já faz parte da minha vida.

Estou muito satisfeita pela onda dos positivos que se vive, parabéns a todas!

Não queria deixar de comentar, a reportagem que passou na RTP, a qual teve como protagonista a minha querida amiga Musa.

A reportagem, no meu entender, ficou mito aquém das expectativas. Esperava-se uma reportagem bem elaborada, desenvolvida, que falasse com maior amplitude deste problema, suas implicações e formas de resolução, ilustrando com histórias reais contadas na primeira pessoa. Que apresentasse as soluções existentes e mais importante do que isso, que referisse os custos exorbitantes que os casais têm de suportar para fazerem os tratamentos de infertilidade, sem qualquer contribuição por parte do estado português, do qual somos todos contribuintes pagantes.

No entanto, a reportagem, minimalista, limitou-se a referir a existência de uma petição, tal e tal... e já está (pelo menos foi esta a idéia com que eu fiquei)!

Ora, o público em geral (pessoas que não vivem por dentro este problema, nem sabem da sua verdadeira amplitude), ficou a entender o mesmo... Ou se calhar até ficou com uma idéia errada, daí que alguns colegas da nossa amiga lhe tenham dito que ela agora era uma estrela da televisão.

Aquela imagem da outra amiga nossa, a pedir as assinaturas, para o ouvinte menos atento, deveria parecer algo como um peditório para uma qualquer causa... E portanto, se mais tarde esse ouvinte menos atento, for abordado por alguém para assinar a petição fugirá a sete pés julgando que o que pretendem é dinheiro.

Francamente, poderia ter sido melhor! Muito melhor!

Queria aqui deixar este parágrafo para a minha amiga Musa: Realmente é muito estranho falarmos com as pessoas virtuais e depois vermos como elas são na vida real! Adorei a tua participação, a dicção, a maneira objectiva como falaste! És a cara de todas nós! Quantos aos teus colegas já sabes o que penso...

Num dos meus próximos posts vou comentar sobre o "negócio da infertilidade", mas isso será para quando tiver mais um bocadinho.

Beijos para todas

Finalmente... Fez-se música!!!

Eu e uma amiga da blogosfera estamos neste momento a fazer um teste... Posso assegurar que foi dificil conseguir colocar esta musiquinha aqui no meu bloguinho!!!

Obrigada amiga!

sexta-feira, março 10, 2006

Tenho tudo... E não tenho nada...

Tenho andado um pouco esquiva a este cantinho nos últimos dias... Isto porque uma vez mais fui brindada com o meu inseparável amigo mensal (gosta tanto de mim, nunca me larga!!!). E como, já referi sobejamente num dos meus "posts" atrás, a "dor da esperança" atacou-me em força este mês e não tinha vontade de fazer nada, mesmo nada.
A verdade, é que esta é uma dor recorrente, e que se agudiza mais e mais. É como termos uma ferida aberta que não deixamos cicatrizar porque alguém se lembra de lhe estar a mexer constantemente. E quanto mais mexemos... Mais dói!
Em vésperas de mais um aniversário, é usual fazer uma retrospectiva anual e de vida. O ano passado, por esta altura foi quando decidi dar o primeiro passo... Fiz a minha primeira consulta de infertilidade.
Claro que como todas nós, quando lá fui ia com a idéia de ouvir do médico algo do tipo: "tem de fazer assim..." "ou assim", ou "vou-lhe receitar aqui uns comprimidos...", ou então que a simples ida ao médico resolvesse um problema que ainda hoje me custa a aceitar.
Não foi assim... Aliás, na primeira consulta, além das perguntas mais indiscretas que eles têm de fazer (coitados) e que a nós nos custa responder, pouco mais se adiantou, somente uma quantidade de exames para fazer com a promessa do breve retorno, para analisar esses exames.
Confesso-vos que o retorno não foi breve...(É dificil a assunção de um problema desta dimensão), nós ao contrário de muitos casais que tentam 3 meses e entram em pânico e vão logo a correr para o médico (existem muitos), fazemos parte daqueles que depois de alguns anos a tentar ainda acham que vão conseguir...
Entretanto, fomos sobrepondo coisas e mais coisas, o trabalho, o trabalho, o trabalho... Só lá voltamos em Setembro novamente com os ditos exames, e a partir daí já sabem: A cirurgia, o diagnóstico, a espera, as tentativas, o ttt agendado (porque aos 35 não se pode tentar para sempre).
Ao analisar a minha vida nos últimos anos, vejo que alcançamos as metas a que nos propusemos, já fizemos aos 35 o que uma grande parte das pessoas não faz numa vida inteira. Temos uma vida boa! Temos uma relação boa! Temos uma família boa! Temos amigos bons!
Temos tantas tantas coisas boas na nossa vida... E não temos nada sem o nosso filho...
Beijinhos a todas e bom fim de semana

terça-feira, março 07, 2006

Distância



Para quando a realização de um sonho?

quinta-feira, março 02, 2006

As crianças

















Isto é o castigo que um pai se prepara para dar a seu filho...

















Ele cometeu um crime gravissímo....

















Tinha fome...
















Roubou um pão!

Recebi este email há dias... Fiquei chocada! Que personalidades se poderão formar destes castigos??

Beijos a todas!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Tratamentos de infertilidade - "Os bébés de Ouro"

Num dos Blogs que costumo seguir "Desabafos de um médico" encontrei o seguinte texto, que a meu entender está simplesmente fantástico. Leiam e comentem, o título é:

Contrastes

Na cama 1 está a Vanessa. Acabou de ter um filho com o qual provavelmente não contava. A Vanessa tem 15 anos de idade, e acabou agora de ser mãe de um pequeno boneco, o seu primeiro filho. Como é alta conseguiu esconder a gravidez do mundo durante bastante tempo. Apenas no terceiro trimestre da gravidez a situação se tornou excessivamente evidente para que a família desse pelo sucedido. Assim, teve duas consultas médicas, fez apenas uma ecografia, e fez uma vez só as análises laboratoriais de rotina da gravidez. Felizmente nada de especial aconteceu. O bebé nasceu bem, está perfeitamente saudável, e toda a embrulhada acabou por se resolver da melhor maneira. A embrulhada que se segue é saber se a Vanessa, que ganhou o epíteto de mãe-adolescente, é capaz de educar convenientemente o bebé... Felizmente para os dois, a Vanessa estabeleceu uma boa relação com ele. Sorri, deliciada, quando lhe mostro que o seu bebé já sabe "andar". Pode ser que os instintos lhe incutam a responsabilidade que ela precisa de ter... Oxalá!


Na cama 4 está a Luísa. Tem o dobro da idade da Vanessa, mas uma experiência "gestacional" semelhante. O bebé que, atrapalhado, tenta perceber como se mama, é o primeiro filho da Luísa. É um bebé de ouro, ou seja, é o resultado de vários anos de tratamentos para a infertilidade. Provavelmente poucos filhos são tão desejados como os "bebés de ouro". A mãe sorri, quando uso a expressão, diz-me que de facto vale o seu peso em ouro. Teve 10 consultas médicas da gravidez, fez 8 ecografias e fez as análises de rotina dos três trimestres da gravidez. Felizmente teve a mesma sorte da Vanessa, tudo correu bem na gravidez e o bebé está óptimo. A Luísa sorri, aliviada, quando lho digo depois de "virar a criança do avesso".

Realmente, os nossos bébés serão bébés de ouro. Só nós sabemos o que nos custaram, e não falo só do factor monetário claro.

Será que os nossos hipotéticos filhos algum dia vão saber e dar valor ao que passamos para eles virem ao mundo? Será que vamos ter a clarividência suficiente para os educarmos devidamente, ou pelo contrário iremos sufocá-los com este nosso amor durante tanto tempo contido?

Beijos a todas

domingo, fevereiro 19, 2006

Tratamentos de infertilidade - "A dor sem parto"

Sendo ainda "novata" nestas coisas da infertilidade, a internet apresentou-se-me como um mundo vasto para descobrir mais acerca do significado desta palavra, aparentemente tão inofensiva, mas que desvasta tudo e todos os que se lhe deparam.

Foi assim, que tomei conhecimento das diversas causas da infertilidade, dos seus possíveis tratamentos, de como são efectuados esses tratamentos, das taxas de sucesso dos mesmos, etc.etc.

Palavras como FIV, ICSI, DGPI, TPA, entre muitas outras passaram a fazer parte do meu vocabulário e do meu dia-a-dia, como aliás fazem parte do de milhões de mulheres por esse mundo fora. Cada uma com a sua história, com os seus sentimentos e com a sua mágoa.

Foi assim, que cheguei aos blogs de todas vós, e que criei o meu próprio. Em alguns dos blogs deixo os meus comentários, noutros limito-me a ser espectadora silenciosa dos gritos de revolta que ecoam nas páginas de cada uma. Porque é disso mesmo que se trata: De revolta.

Todas nós pensamos e dizemos porquê eu??

Mas, mais importante do que o sentimento de revolta. Durante as incursões que tenho feito pelos diversos blogs acerca deste tema, verifiquei que existia em todos eles um denominador comum: A dor.

Associada aos diversos tratamento de infertilidade que são relatados nos vossos blogs na primeira pessoa, existe a dor. E essa dor, no meu entender, pode dividir-se em várias dores:

A dor da física - a que as mulheres se sujeitam para fazerem os diversos tratamentos: As injecções, as sucessivas ecografias de monitorização, as anestesias gerais para as punções, e a implantação dos embriões. E estas dores repetidas uma e outra vez, uma e outra vez. Até que se esgotem as opções.

A ingestão contínua de medicação que provoca mal estar, inchaço, dores de cabeça, nauseas, etc. e que nenhuma de nós sabe muito bem o mal que pode fazer ao nosso organismo a médio prazo. E que muitas pensam: "Será que depois disto tudo se tiver um filho vou ter saúde para o ver crescer?"

A dor financeira - é mais do que sabido que os tratamentos de infertilidade são caríssimos, o que aliado à baixa taxa de sucesso cria um factor de dor. Porque, tanto quanto eu sei, mesmo os tratamentos realizados nos hospitais púlicos (que são poucos), têm o encargo da medicação, que é muito cara.

Ora, quer queiramos quer não, o factor financeiro tem um peso decisivo nesta equação (como de resto na maior parte dos aspectos da nossa vida). Digam-me quantas mulheres e homens sofrem de privações para fazerem os tratamentos para terem um filho, e fazem-no uma e outra vez, uma e outra vez, até que se esgotam os recursos financeiros, havendo até aqueles que vendem bens para a realização deste sonho que deveria estar ao alcance de todos.

A dor da "esperança" - por fim temos esta dor. E não ficou para o fim por ser a menos importante, antes pelo contrário. Esta dor é a primeira das dores, a dor que enluta os nossos corações de mulheres que nos leva etapa a etapa para todas as outras dores, até que se esgotem todos os recursos.

  • É dor que sente um homem e uma mulher que têm de fazer amor com hora marcada;
  • É a dor que se sente todos os meses quando uma pequena mancha ensombra o nosso dia;
  • É a dor de se ver um filho chamar de mãe a outra mulher e pensar que se calhar nunca teremos ninguém que nos chame mãe;
  • É a dor da espera dos dias das ecografias de monitorização, das punções, implantações, testes;
  • É a dor da falta das duas riquinhas rosa;
  • É a dor do desgaste de relações que não podem viver em função de uma ansiedade gritante;
  • É a dor de repetir estas dores mês após mês, ano após ano.

E depois ainda há quem fale das dores do parto!

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

E finalmente a chuva!



O dia hoje está "chato", é um daqueles dias que não é carne nem peixe, em que não nos apetece fazer nada...

Ontem fui a "CDS" (Casa da Sogra), ela fez anos. Estava lá a família toda: Os tios, os primos, e os netinhos...

São todos uns amores, os tios do meu "TB", as tias e as primas também. Poucos são os que sabem do nosso "problemazito" com a procriação, pelo menos pela nossa boca. Mas acredito que a sogra se encarregou de contar porque ninguém nos chateia com o assunto, o que já não podemos considerar muito mau.

A sogra sofre um bocado coitada, não gosta de mostrar, às vezes sei que chora às escondidas quando se fala em crianças. No dia de Natal contaram-me que se fartou de chorar (ainda bem que não estava presente). Já tem um neto, que é um terroristazinho, um puto muito espertalhaço que nasceu prematuro de 32 semanas. Foi um susto enorme para todos. Vai fazer 3 anos em Outubro.

Mas, assim como as mães gostam de maneira diferente dos seus filhos, também as sogras gostam de maneira diferente das suas noras... E eu sei que ela gosta muito de mim de maneira especial e que sofre por nós e pelos netos que não lhe damos.

O mais "bombástico", se assim lhe podemos chamar, nesta história familiar, é que o meu cunhado mais novo vai casar, e a minha futura cunhada confessou-me muito recentemente que sofre de ovários poliquisticos.

Acreditem que quando ouvi isto gelei... Porque nesta minha "saga", descobri que os ovários poliquisticos são uma das maleitas que pode provocar infertilidade. Claro que a ela não lhe disse nada. Não vale a pena preocupá-la por antecipação, porque ela até pode conseguir engravidar rapidamente sem qualquer problema, mas que fiquei preocupada... Isso fiquei, era demasiado mau! De 3 cunhadas 2 terem problemas de infertilidade!... Bolas!

Deixo-vos uma fotografia de um mar maravilhoso, e recordações de paragens mais quentes do outro lado do Atlântico, porque num dia como este só apetece fazer isto mesmo... Divagar!

Que me perdoem os Balancetes de Encerramento e os Modelos 10...

Beijos a todas!