sexta-feira, junho 01, 2007

"Ziggy Stardust and the Spiders from Mars"




É sempre interessante ver a diversidade de respostas quando colocamos uma "desafio". Adorei as vossas respostas!



A criar este blog, e apesar do seu título (infertilidades), nunca considerei a opção de colocar um "nick" directamente ligado ao assunto. Pareceu-me que teria de ser um nome que me dissesse directamente alguma coisa, e foi só esse o critério que utilizei para a escolha do mesmo.


Pois é, as meninas que relacionaram com música relacionaram bem. Nascida na década de 70, "teenager" nos "early 80's", foi ao som de músicos como Bowie e bandas como os "pink Floyd" que cresci e me tornei mulher. Ainda hoje guardo os meus discos de vinil daquela época religiosamente, ainda que alguns deste tenham sido substituídos pelos Cds, pois são muitos são intemporais e interessa conservar num formato mais actual.

A música sempre acompanhou cada passo da minha vida, embora não saiba tocar uma nota e desafine enormemente a cantar. E a música do "Ziggy Stardust", faz parte da minha banda sonora. Hoje quando ouço algumas músicas daquela época, são poucas as que não me fazem recordar algo e são muitas as que me fazem sorrir. Inacreditavelmente, ainda sei de cor todas as letras das músicas que marcaram o meu percurso.




Eu sou do tempo das "festas de garagem" e que boas que eram essas festas em casa deste ou daquele amigo, ou na nossa própria casa. Os papis ficavam todos contentes porque nós estavamos entregues e nós aproveitavamos ao máximo. Eramos todos uma família. Como sempre morei num meio pequeno, todos nos conheciamos e os pais também conheciam os outros pais e etc, etc.




Lembro-me que foi numa dessas festas de garagem que "descobri" o meu marido, pois embora nos conhecessemos (um dia conto como foi que nos conhecemos... ), foi só nessa altura, uma passagem de ano de garagem (eu tinha 16 anos), que começamos a definir os nossos pontos de entendimento e que nos apercebemos que havia ali alguma coisa. O namoro só veio, no entanto passados uns meses.

Acredito que a isto se chama envelhecer (agora que sou mãe estou a ficar "bota de elástico" querem ver???!!!). É claro que também gosto de muitas músicas das boas bandas actuais, e como exemplo fica a música dos "pipizes" (With arms wide open), que é dos "Creed", uma banda actual, que tem imensas músicas que eu gosto, sem esquecer os meus preferidos 3doors down claro.

Ás vezes interrogo-me, se conseguirei apreciar o gosto musical dos meus filhotes, um dia quando eles forem mais velhos, e se eles por sua vez gostarão de ouvir os clássicos do "Rock" que a mãe e o pai gostam: David Bowie, Queen, Pink Floyd, etc, etc. Ou se por sua vez acharão os pais uns "velhos jarretas", sem gosto musical nenhum.

Eles (os pipizes) estão bem, crescidos e chorões. Choram muito com cólicas estes meus bebés. Também choram quando têm fome e quando estão aborrecidos. Isto por cá parece uma sinfonia por vezes e a mamã apetece-lhe fugir, mas acho que é normal e espero que com o andar do tempo isto melhore.

Já apresentei queixa formal ao meu médico, porque me mandou as crianças sem manual de instruções. Ora como isso não se faz tive de reclamar...

A resposta dele foi que estes eram de modelo novo e ainda não existiam manuais para eles... Acham isto normal??? Tantos bebés neste mundo e os meus é que tinham de vir sem manual de instruções...

Beijos a todas

quinta-feira, maio 31, 2007

Curiosidade

O tempo escasseia por estes lados, cada dia é mais intenso do que o anterior. Noutro dia ao ler o blog da amiga barriguitas e do seu pedrinho achei imensa graça a ela dizer que é só biberões, mamadas, muda de fraldas, e não dormir de noite. É mesmo assim, só que nós por cá é a DOBRAR!!! Imagino que ter um só filho deve ser muito mais fácil.

Mas não é por isso que cá venho hoje.

Por curiosidade quero saber se vocês (minhas leitoras ou não) sabem a origem do meu nickname: "stardust", ou seja quero saber se sabem qual a fonte de inspiração para a criação do meu mesmo.

Já algumas amigas o sabem, por isso queria que elas não respondessem.

Beijos a todas

segunda-feira, abril 30, 2007

Upss... I did it again!...

E porque nem só de biberões vive o homem (neste caso a mulher), tirei um bocadinho, para vir contar algumas peripécias da pequenada.

O Locas, é um rapaz muito mimalhinho, comilão e chorãooooo. Na primeira vez que os vovós paternos cá vieram para verem o primeiro banhinho dos pimpolhos (de máquina fotográfica em riste claro) decidiu fazer uma gracinha. Então, estava a mamã toda contente com o pirralho ao colo, todo despidinho, mete-o na banheira e eis que o rapaz decide fazer um cócó dentro de água. Conclusão, tivemos que mudar a água outra vez e as "photos" nada apresentáveis.

Continuando no Locas, devo dizer-vos que o evento que marcou o seu nascimento, foi ele fazer uma xixizada em cima do pediatra (acabadinho de nascer), e essa continua a ser a sua imagem de marca. Aquilo funciona tipo panela de pressão: Abra-se a fralda... Leva-se com um jacto de xixi. Noutro dia estava eu a pesá-lo antes do banhinho, e, enquanto tentava acertar os pesos da balança ouço um ruído tipo "parece que está a chover, mas está sol lá fora...", olho e era sua excelência a presentear tudo o que estava em cima da mesa com o repuxo (um leitor de cartões digitais, uns óculos de sol, etc.) eu logo tento mudar a trajectória da "coisa", e assim que lhe toco começa a cair o repuxo no cortinado da vóvó... Bem!!! Este rapaz promete!!! O pior é quando ás 3 da manhã o rapaz molha a roupa toda e a mamã ou o papá (depende de quem estiver de serviço ao infante) têm de trocar tudo.

A M é mais reservada, ambos têm dificuldade em fazer os cocozes, então a mamã tem de ajudar um bocadinho, então de vez em quando lá saí uma cocozada "de jacto" e vai directa à roupinha da mamã... E sabem o mais engraçado... Não me importa nada! Aliás, essa é outra das vertentes da maternidade, deviam ver o meu ar de felicidade quando vejo a rapaziada a fazer os cocozes, nunca julguei que iria ficar assim tão feliz, o que é certo é que eles ficam mais bem dispostos, dormem melhor... Então eu também fico bem disposta...

Mais uma vez peço desculpa por não ser tão assídua nos vossos cantinhos, mas realmente o tempo é muito escasso. Venho só deixar novidades!

Ah... Já me esquecia... Os pipizes estão lindos!

Beijos a todas

quarta-feira, abril 25, 2007

24 hours job

Venho cá, num pequeno intervalo, e nem sei se conseguirei terminar este post em tempo útil. Ao pensamento assola-me o título de uma canção (sempre a música a marcar pontos) da minha adolescência, e se na altura o título nada me dizia, agora acho-lhe piada: "Working nine to five, what a way to make a living..."

Bem nós por cá não trabalhamos só das 9 às 5, temos um trabalho de 24 horas sobre 24. Os pipizes estão uns amores, muito crescidos e já começam a demonstrar as suas personalidades.

O "Locas", está um gorducho, pesava 3,700 no dia 19, agora deve andar por volta dos 3,900, mais coisa menos coisa. É um mimalhaço, muito comilão. Se o acordo para mamar, ele ainda vai estando bem disposto , se por acaso o deixo dormir até ele acordar, começa logo a chorar para comer e só se cala quando sente o biberão na boca. Adora colinho, e dormir na caminha dos papás (sim, eu sei que não se faz, mas quem consegue resistir a dar muitos miminhos depois do que eles passaram??).

A M. é mais independente, mais magrinha, está a retomar o lugar que sempre teve na barriga, ele o comilão, ela a mais magrinha. No dia 19 estava com 3,520. É muito sensível e refilona. Se existe muita agitação ressente-se logo, é mulher e basta.

Enquanto escrevo, o meu pé direito embala a espreguiçadeira do "locas", a M. dorme no sofá aqui detrás de mim. Sentei-me depois de lavar biberões 4 vezes e de os esterilizar pelo menos 3. As mamadas têm de estar sempre prontas. Tenho biberões no frigorifico e 2 aquecedores de biberões sempre ligados (de noite então dá um jeitaço).

Já aprendi que o trabalho de mãe não acaba, enquanto eles dormem (e quando o fazem), temos de deixar tudo pronto para não faltar nada da próxima vez que seja necessária. Tomamos banho a correr, e sempre com o intercomunicador ligado, o creme no corpo após o banho é uma miragem, e por vezes até para pentear o cabelo temos de esperar até ao fim da manhã.

Com tudo isto, muitas são as vezes que ficamos sem comer ou perdemos o apetite, o que comemos é sempre a engolir, porque o irónico é que eles parecem dar pelo nosso "relax" e um deles começa a chorar e lá vem a mãe tipo ventoínha sossegar o bebé, o que leva a que quando conseguimos voltar à mesa a comida já esteja fria e tenhamos perdido completamente a fome. isto, quando o outro gémeo não começa a chorar a seguir (porque eles apesar de gémeos falsos, estão em perfeita sintonia: Um tem soluços, o outro também, um remexe-se a dormir, o outro também, etc.).

O nosso trabalho, vai para além de suprir as necessidades de comidinha dos nossos rebentos, também temos de ajudar a fazer os cocózes, aspirar os narizinhos para tirar as secreções, etc, etc. Por esta altura, os meus gémeos já me xixizaram as calças as camisolas, os cortinados e centenas de bodys acabadinhos de mudar. Os cocózes então... Nem vou falar....

As noites, fazem-me lembrar aquela musica do Pedro Abrunhosa "Longas são as noites... que passo sem dormir...", perco a noção de tempo de de espaço, e a qualquer ruído salto da cama tipo mola. Os pipizes ainda não dormem muitas horas seguidas e choram quando querem a comidinha, como optamos por dar a comida ao mais esfaimado (em geral o locas) e deixar dormir o outro. Já acordo a ouvir choros que não existem, e sem saber onde estou e a pensar se já terão passado muitas horas, e quando olho para o relógio vejo que passaram apenas alguns minutos desde a última vez que para ele olhei.

Temos tido ajuda, porque senão acredito que seria ainda mais complicado. Mas ainda assim, tem sido duro, sempre que posso, saio um pouco e vou espairecer, acho que é o melhor que posso fazer por mim e por eles. Acho que deve ser isto a que chamam o "baby blues", no caso das mães de gémeos, deve ser a dobrar. Acredito que esta fase vai passar, este é só mais um desafio.

"Working 9 to 5 what a way to make a living"

Beijos a todas

sexta-feira, abril 13, 2007

Pai...

Este é um post reivindicado, mas é um post merecido. É uma homenagem ao Pai. Ao Pai dos meus filhos, a todos os Pais (que possam ser considerados como tal).

A maternidade, é algo intrínseco à mulher, é algo que sentimos desde o primeiro momento em que sabemos que estamos grávidas e que vamos sublimando à medida que a gravidez avança. As alterações no nosso corpo, as hormonas todas em alta, enfim, todas as infinitésimas mudanças que sentimos e que tornam tão complexo o processo de gerar uma vida.

O homem, não sente... Não quero com isto dizer que ele não pode ficar psicologicamente grávido do seu filho, quero dizer que para ele o processo é muito mais abstracto do que para nós que vivemos a criação do pequeno ser por nós gerado muito mais interiormente.

Existem homens que "engravidam" com a mulher, e seguem todos os seus passos, e ligam para ela 1000 vezes por dia, vão a todas as consultas, andam sempre agarrados à barriga, etc. E homens que vivem a gravidez da mulher de forma mais tranquila e expectante. Não quer por isso dizer que a vivam menos, quer talvez dizer, que estão mais incrédulos relativamente a essa mesma gravidez.

O meu marido foi um destes últimos. Não era homem de andar sempre atrás de mim a perguntar-me se estava bem, nem era homem de ir comigo a todas as consultas, nem de me telefonar 1000 vezes por dia, ou de andar sempre agarrado à barriga a perguntar todos os dias como seriam os nossos filhos, era um homem mais moderado, ia seguindo a evolução, os altos e baixos sem nunca entrar em grandes euforias.

No entanto, alguns momentos ficaram na memória:

A confirmação da gravidez gemelar, em que ele guardou na carteira a foto da ecografia, como se de uma relíquia se tratasse;

O despertar, ainda que tardio, quando eu fiquei em repouso e não podia ir sózinha ás consultas: A cara dele ao ver as ecografias e ver que ali dentro da barriga da mulher dele, estavam 2 seres (ainda me lembro da aflição dele ao ver o L com a mão fechada e julgar que ele não tinha dedos).

Se para mim, o facto de estar á espera de 2 filhos era uma realidade imaterializada, até ao momento em que os vi nascer. Para ele era ainda muito mais, porque não os sentia todos os dias a crescerem dentro de si.

O Pai dos meus filhos foi um daqueles homens que só foi pai verdadeiramente quando viu os filhos, e se apercebeu que eles estavam ali e eram reais. E acredito que só aí se apercebeu da dimensão do que acabava de acontecer nas nossas vidas.

O Pai dos meus filhos só se apercebeu que era Pai, quando no dia 16 de Março, o Pediatra anunciou que os ia transferir para a Neonatologia porque eles não estavam a reagir bem, e ele chorou agarrado à mãe, e choramos os dois.

Só se apercebeu que era pai, e o que isso significava, quando foi com a ambulância acompanhar os filhos e ficava horas a fio na Neonatologia a olhar para eles dentro das incubadoras. Quando a cada dia que passava as incertezas quanto ao estado deles, nos deixavam desesperados, e quando em vez de ver os filhos progredirem os via regredir.

Fizemos kilometros de carro, passamos horas em cadeiras desconfortáveis, estivemos juntos em todas as horas difíceis até que os nossos filhos saíram do hospital. E partilhamos todas as angústias e todas as vitórias deles até os podermos trazer para a casa que eles não conheciam.

Desde essa altura, o Pai dos meus filhos tem sido (uma vez mais), um pai exemplar, que partilha todas as tarefas (até as mais ingratas como mudar os cocozes), e insiste em ser ele a fazer tudo desde o leitinho até ao banhinho. E nem nos momentos de maior stress (porque acreditem que não é fácil), ele vacila.

Não tenho dúvida que no dia 15 de Março nasceu um Pai, com P maiusculo, e que os meus filhos, terão sempre esse amor incondicional por parte do pai deles que têm agora, e se algum dia me acontecer alguma coisa, sei que posso fechar os olhos descansada porque com o pai não terão falta de amor, nem de atenção. Sei que serão sempre o centro do seu mundo.

Por todos os motivos enunciados, presto aqui singela homenagem ao Pai dos meus filhos, e a todos os pais que sejam dignos desse nome.

Beijos a todas

segunda-feira, abril 02, 2007

Felicidade em estado puro

Para começar quero pedir desculpa a todas as amigas virtuais pela minha falta de tempo para visitar os vossos cantinhos e para agradecer todo o carinho que têm tido connosco. Logo que as coisas estejam mais calmas, retribuirei todas as visitas e actualizarei as novidades.

Por cá, estamos a entrar na rotina, isto de ter 1 filho não é fácil, quem tem 2 então... É o caos absoluto. Para já os pipizes têm de mamar de 3 em 3 horas, porque como são pequeninos não se pode abusar muito. Eles têm de crescer!

Depois em cada mamada, temos de mudar as fraldinhas 1 vez ou por vezes várias vezes por mamada (se eles decidem fazer o servicinho...), depois temos de pôr os bebés a arrotar, e por fim voltar a adormecê-los. Ora, depois de termos feito tudo isto sobra muito pouco tempo para dormir porque quando acabamos está quase na hora da mamada seguinte.

Por estes motivos, e pelo cansaço acumulado dos primeiros 11 dias de vida dos pipizes, os papás andam tipo zombies, mas muito muito felizes.

Acreditem quando vos digo que quase todos os dias me comovo até ás lágrimas ao olhar para eles, ainda hoje me custa acreditar no milagre de ter gerado uns seres tão pequeninos, tão perfeitinhos. Amo-os tanto que me dói. Apetecia-me estar sempre colada a eles a dar-lhes beijinhos e abraços e colinho.

Sempre que tenha um minutinho voltarei para dar novidades dos pipizes e minhas claro.

Beijos a todas

terça-feira, março 27, 2007

De volta à viagem da nossa vida

Continuamos hoje a grande viagem da nossa vida, agora com os dois novos elementos recebidos no dia 26 de Julho mais activos e já presentes.

Os últimos dias foram pesados: Foi uma recuperação de cesariana, foi uma subida de leite dura e com muito febre, foi um dia atrás do outro passado sentada numa cadeira desconfortável só para estar perto deles. Hoje, escrevo com eles a dormirem nos bercinhos ao meu lado, e apesar da minha grande insegurança de mãe de primeira viagem (que está sempre a meter a cabeça dentro do berço para ver se eles estão a respirar), sinto um alívio enorme por tê-los aqui comigo.

Uma amiga disse-me, uns dias antes do nascimento deles, que o amor de mãe não nascia assim do dia para a noite com o nascimento deles... Antes pelo contrário, era um sentimento que ia ficando maior cada dia que passasse. E é mesmo assim, sinto que amo cada um destes pequenos seres que tive o privilégio de gerar, mais e mais a cada minuto que passa. Nada se compara a este amor que sentimos. De repente, todos os sacrificios parecem pequenos quando olhamos para eles.

Beijos a todas

terça-feira, março 20, 2007

Felicidade adiada...

Hoje já escrevo na primeira pessoa, já estou em casa, ainda que sem os pipizes. Mas primeiro vamos aos pormenores:

O parto correu bem, a mamã levou epidural, e assistiu a tudo, foi o momento mais bonito da minha vida. A primeira a nascer foi a M. a gritar e a espernear, ás 14h45, 2 minutos exactamente depois nasce o mano L. também a gritar e a espernear e a brindar a entrada neste mundo com uma grande xixizada em cima do pediatra. Ela nasceu com 2,510 grs e ele com 2,340 gr. A M. cabeluda e morenaça e o L. louro e branquinho. A mamã ficou e ser tratada e amassada e eles subiram já vestidinhos e quentinhos.

Quando subi do Bloco, a parteira disse-me que a M. estava a precisar de receber um bocadinho de oxigénio e que não iriam para o quarto por enquanto, mais tarde o pediatra voltou a falar connosco e disse-nos que ela continuava a precisar de um pouco de oxigénio porque os pulmões não estavam a reagir muito bem á entrada no mundo, que se iriam manter os pipizes sob vigilância durante aquela noite.

Infelizmente, a imaturidade pulmonar deles fez com que tivessem de ser transferidos para uma unidade de neonatologia e na 6ª feira de manhã. Eu toda amassada da cesariana, só tinha ainda visto os meus filhotes na hora do nascimento lá obriguei o pessoal a levantar-me da cama para ir ver os meus tesouros antes de eles irem nas incubadoras no INEM e ficamos, eu e o pai a chorar. Ele acompanhou a ambulância e eu tive de ficar pois a minha condição não me permitia acompanhá-los.

Fui vê-los ontem pela primeira vez e estão lindos ainda que cheios de tubos, já apresentam alguma melhoria e já fiquei mais feliz perto deles, ainda que por pouco tempo. A M. abriu pela primeira vez os olhinhos á voz da mãe e é muito chorona, o L. mais calminho também mostra conhecer a voz da mamã e lá abriu o olhito para ver de onde vinha aquele som conhecido da voz da mamã.

Não sabemos ainda quando virão para casa, mas acreditamos que virão para perto de nós e então poderemos descansar de toda a atribulação que tem sido a nossa vida nos últimos meses. Porque se para alguns a realização do sonho de ser mãe é a mais fácil das jornadas, para nós (todas nós), essa tarefa é árdua e sofrida até ao limite.

Beijos a todas

quinta-feira, março 15, 2007

:)


Recebi há pouco a seguinte mensagem "Já nasceram, lindos!!!"; apesar de não saber promenores sei que a nossa amiga esta muito feliz. A viagem que se iniciou no dia 26 de Junho , teve o seu fim hoje, um fim muito feliz!! Hoje estou parca em palavras, um pouco emocionada confesso.....
Resta-me desejar muitas felicidades a stardust, ao A. e aos pequenitos Pipizes....
Deixo-vos o ínicio, deixo-vos o dia 26 de julho......
.
"With Arms Wide Open"
.
Well I just heard the news today
It seems my life is going to change I
closed my eyes,
begin to pray
Then tears of joy stream down my face
With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open
Well I don't know if I'm ready
To be the man I have to beI'll take a breath,
I'll take her by my side We stand in awe,
we've created life
With arms wide openUnder the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open I'll show you everything ...
oh yeahWith arms wide open..
wide open
If I had just one wish
Only one demandI hope he's not like me
I hope he understands
That he can take this life
And hold it by the hand
And he can greet the world
With arms wide open...
With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open
I'll show you everything..oh yeah
With arms wide open....wide open

terça-feira, março 13, 2007

Quase


Estamos quase a conhecer o desfecho desta viagem... Iniciou-se a 26 de Junho de 2006. Muito receio da aterragem..
Beijos a todas

quarta-feira, março 07, 2007

Porque hoje é um dia feliz

Que a sorte te sorria nos próximos meses amiga "Bem me queres"!

Beijos a todas

sexta-feira, março 02, 2007

34 Semanas


Estamos em contagem decrescente a partir de agora. Ontem fomos ao médico, os pipizes estão bem e a engordar, têm á volta de 2,200 Kg cada um, se bem que agora o cálculo do peso se torna complicado devido a tanta confusão que impera na barriga da mãe. A M, está com os pés enfiadinhos na porta de saída, e de lá não sai. As contracções são mais do que muitas e o incómodo uma constante. Por esta altura, já não tenho pés de gente, eles mais parecem umas patorras de elefante, e a barriga está tão grande que prefiro nem falar nisso. Canso-me e fico cheia de contracções se caminhar, e não consigo estar deitada porque o desconforto é enorme e quando as contracções apertam tenho de me erguer porque não aguento.
A qualquer altura podem vir conhecer o mundo cá fora os meus pequenos. Ontem julguei que já ficava, porque a altura do colo do útero diminuiu um bocado. O ideal era aguentarmos mais 2 semanas, mas ainda não sabemos se vamos conseguir. A ordem é de marcha ao primeiro sinal de alarme a qualquer hora do dia ou da noite.
Agora, e como prometido, vou falar das minhas escolhas, portanto mamãs mais experientes, façam o favor de opinar.
Na malinha da mamã:
4 Camisas de dormir de manga curta, 2 com botões á frente e 2 de amamentação (100% algodão);
1 par de chinelos de quarto;
10 cuecas descartáveis (lindissimas diga-se..);
2 Soutiens de amamentação;
1 embalagem pensos pós-parto da chicco;
1 embalagem de discos de amamentação da chicco;
1 faixa pós parto da chicco;
1 necessaire com os produtos de higiene (normais), incluíndo 1 embalagem de creme para as gretas dos mamilos da Avent.
Na malinha dos pipizes:
5 mudas completas para cada um (body, collant, babygrow, e gorrinho), divididas nos seguintes tamanhos: 2 de prematuro para cada um, 2 de tamanho zero, 1 de tamanho 1;
2 Mantinhas (rosa e azul claro);
2 Fraldas de pano bordadas (rosa e azul);
2 conjuntinhos de pente e escova (rosa e azul);
2 fatos polares para a saída da maternidade (branquinhos);
2 casaquinhos de malha para cada um;
3 pares de meias para cada um;
3 babetes bordadas pela mamã para cada um;
As mudas vão embrulhadinhas em fraldas de pano e atadas com lacinhos à cor (rosa e azuis) para ser mais fácil e higiénico de manusear, portanto as indispensáveis fraldas de pano também já estão incluídas.
Artigos de higiene para os pipizes:
Sabonete de glicerina;
Óleo de amêndoas doces;
Toalhetes Dodot;
2 pacotes de fraldas recem nascido 1 da 3 kilos da Dodot;
1 pacote de fraldas de 2 a 5 Kilos da Dodot;
O carrinho e cadeiras auto, depois de muito pesar, escolhi o da Bébéconfort, porque apesar de ser dos mais caros, é leve, fácil de manusear, resistente e seguro (pelo menos parece). Assim vamos ter:
2 Creatis (rosa e azul para não variar);
2 suportes para o carro (que são o máximo, é só encaixar as creatis lá e já está...)
1 Carrinho de passeio azul marinho com as respectivas capas de chuva e de sol.
Fico á espera das vossas opiniões.
Beijos a todas

sábado, fevereiro 24, 2007

Dias de reflexão


Nesta fase, é normal as futuras mães procuparem-se com os enxoval dos seus rebentos, com aquilo que têm de levar para as maternidades, tanto para elas como para eles. Ora, eu não sou diferente... E se por um lado tenho a minha mala preparada desde as 21 semanas (desde que estou em casa), a verdade é que a malinha deles, dos pipizes, ainda se encontra "em obras", se bem que já tenha o essencial.
O que suponho acontece a todas as mamãs é que partem para uma pesquisa acerca do conteúdo das ditas malas (que é muito diferente daquele que levamos quando vamos para uma férias nas caraíbas como é evidente). O mais engraçado é que das imensas listas que existem "on line", ás quais acrescentamos os conselhos das amigas já mamãs anteriormente, ficamos completamente baralhadas. Porque é muito raro aparecerem duas listas iguais.
Assim, depois de batalharmos um bocado com as 500 listas que temos, e com os 1500 conselhos bem intencionados das nossas queridas amigas, ficamos com a certeza absoluta de que nos vais faltar alguma coisa na hora H.
Em primeiro lugar, temos o problema do tamanho das roupinhas dos nossos rebentos. Já todas repararam com certeza que o conceito dos tamanhos difere de marca para marca: Se por um lado temos marcas em que um tamanho de 3 meses é tão pequeno que temos a certeza serve ao recém nascido, outras marcas temos em que o tamanho zero é tão grande que a criança só vai usar quando tiver 3 meses.
Depois, temos o problema dos bebés que nascem com menos peso ou que podem nascer prematuros (caso dos pipizes e dos gémeos em geral). Ora, devemos comprar roupa para prematuros ou o simples tamanho zero servirá ás crianças? E se por um lado compramos roupas para prematuros e na hora do nascimento ficar muito pequenina? E se comprarmos tamanho zero e for muito grande??? E se levarmos tudo errado e na hora do nascimento os pobres não tiverem nada para vestir???
Depois temos a questão dos biberons, chupetas, e produtos de higiéne dos bebés. Como todas sabem existe uma parafrenália de marcas todas elas bem publicitadas e que se encarregam de massacrar as pobres mães antes do nascimento dos filhos (é impressionante o número de catálogos, e amostras que se recebe), que juntamente com os "preciosissímos" conselhos das nossas amigas (que cada uma aconselha uma marca diferente), contribuem ainda mais para nos deixar á beira de um ataque de nervos. Então os biberons compro Chicco, Avent, Nuk ou o quê?? E as chupetas??? E para dar banho aos pobres será que preciso de comprar a linha "Xpto", ou o simples sabonete de glicerina e o óleo de amêndoas doces chega???
É de facto muito confuso, sobretudo para uma pessoa como eu que gosta do "preto no branco" e da organização milimétrica. Além de que a minha condição de "aposentada" não me permite grandes devaneios pelas lojas para ver isto e ver aquilo. Mas, devagarinho lá fui organizando as coisas.
Mas, ainda não ficamos por aqui, temos também de decidir a problemática do transporte dos infantes. Outro quebra cabeças... Ainda mais para quem só vai ter um bebé (porque tem imensaaaa escolha), porque com gémeos ficamos condicionados nas escolhas, não existe muita variedade de carrinhos e cadeiras para gémeos, geralmente cada marca tem um modelo e uma ou duas cores no máximo, e ficamos por aí... Temos é de decidir a marca e depois cair para o lado com os preços...
Este aspecto dos carrinhos é muito importante, principalmente para quem vai ter dois bebés, porque se comprarmos uns carros enormes e pesados, depois nós (pobres mães) é que temos que andar com eles, tirar da mala do carro, meter na mala do carro, etc. Portanto, aqui mais do que o custo, devem pesar-se os pormenores como: Peso do chassis, a portabilidade, a facilidade de montar e desmontar, a resistência, etc, etc.
Por esta altura do "campeonato", a nossa cabeça já está em "água" e as nossas finanças bastante desfalcadas. Eu também não me vou alongar muito mais hoje. Da próxima prometo, vir cá falar das minhas escolhas.
Beijos a todas e bom fim de semana

sábado, fevereiro 17, 2007

32 semanas

Esta semana foi semana de ver os pipizes. Eles estão grandinhos, e a mamã ainda mais. O L já pesava 1960 gramas ás 32 semanas de gestação, continua a ser o gémeo dominante. A M, mais pequenina pesava 1700 gramas, o que significa que como mulher que se preze já anda a fazer dieta na barrigota da mamã.

Ora, como devem imaginar, eu estou enorme, eles os dois com 32 semanas de gestação pesam mais do que a esmagadora maioria dos bebés de termo, ainda por cima tenho 2 placentas e liquido amniótico para os 2...

Têm sido tempos dificeis, para levantar, sentar, caminhar, vestir, tomar banho, e principalmente para dormir. Eu já costumo brincar com a situação e dizer que se fosse mais baixinha caía para a frente ao levantar-me.

Agora começo a ir ao médico todas as semanas para controlar a evolução da pequenada, porque queremos que eles se aguentem pelo menos até ás 36 semanas, que era o ideal. A ver vamos.

Pra todas vocês um bom Carnaval e bom fim de semana.

Beijos a todas

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Ainda o aborto

Isto de estar prestes a ser mãe, mexe-nos um bocado com o miolo, e aquilo que eu até agora tinha como "favas contadas", e que do alto do meu pedestal de moralizadora apregoava como verdades absolutas, de repente parecem não ser tão absolutas assim.

Digo isto, a propósito do tema recorrente, tão em voga nos últimos tempos: O aborto.

Se é verdade que eu nunca fiz nenhum, e antes pelo contrário tive de passar um bocado mau, para ter estes dois pipizes na barriga, e outro ainda para os conseguir manter cá dentro e tentar levar esta gravidez a bom termo. Por outro lado, recordo o tempo em que nós cá por casa (e ainda enquanto solteiros), temíamos só de pensar que podia vir uma criança indesejada.

Enquanto assistia aos debates, às várias opiniões defendidas de forma mais ou menos aguerrida, ainda que por vezes os argumentos utilizados não fossem os mais sólidos e/ou correctos. Dei por mim a meditar... Esta não era uma questão de resposta linear, o que ficou mais do que demonstrado pela esmagadora vitória da abstenção.

Pus-me, cá por casa, a fazer um bocado de futurologia (não, não virei Maya) e pensei na minha filha... Pensei o que faria se ela daqui a 13/14 anos me aparecesse em casa a dizer-me que estava grávida: Um caso sem consequência, um rapaz que não quer saber, e ela... A minha menina, à espera de um bebé que não queria de maneira nenhuma, com o futuro que tinha sonhado para ela comprometido por um erro... Que apesar de ter sido feito a dois, ela é que carregava...

E pensei no que faria...

Iria fazer a minha filha abdicar de toda a sua vida futura para a responsabilizar por esse erro? Iria fazer nascer essa criança, ainda que indesejada, assumindo eu o seu encargo? Ou iria encaminhar a minha filha para uma interrupção segura dessa gravidez, e permitir-lhe que crescesse como mulher, construisse a sua vida, e então aí se assim o optasse, tivesse filhos desejados?

A mim parece-me que optaria pela última opção, apesar de todo o meu percurso de vida, porque acho que um filho é um privilégio e tem de ser muito desejado, e nunca pode ser um acidente de percurso.

Beijos a todas

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Um ano passado


"Depois de ter lido diversos blogs, confesso que me senti contagiada e que percebi realmente que certos assuntos são mais fáceis de falar com "estranhos" do que propriamente com todos aqueles que diariamente convivem connosco(...)"

Foi assim que tudo começou há um ano atrás. Foi esta a primeira fase deste blog. Evidentemente não poderia deixar passar em branco esta data, até porque, confesso que nunca pensei que iria persistir durante um ano inteirinho a idéia do blog, julguei sempre que iria desistir mais cedo. Mas não, este "bichinho" da blogosfera pegou, e já raro é o dia em que cá não venho, nem que seja para ver as novidades das amigas virtuais. E não raras vezes dou por mim a pensar: Hoje é dia de Beta de fulana ou beltrana ou hoje é dia de punção de A, ou numa outra que descobriu um problema mais grave. Sinto como se fizessem parte do meu mundo, ainda que seja um submundo à parte do meu viver real.

Noutro dia, falavam-me da reportagem da SIC, da rapariga que tinha lá aparecido, a grávida de gémeos. Eu dei por mim a falar dela como se a conhecesse, e a dizer que ela tinha ficado grávida 3 meses antes de mim, depois de um ttt complicado que resultou num "tiro certeiro". A minha interlocutora olhou-me e perguntou: - Mas tu conheces? Como sabes? - Dei por mim a pensar que realmente nunca tinha visto a "Musa", mas que realmente conhecia bem a sua história e da concepção dos seus filhotes e respondi: - Conheço... Da Internet...

Mas não foi a única vez que isto me aconteceu, não são raras as vezes que em conversa falo deste ou daquele episódio, desta ou daquela história de vida, que conheço virtualmente, daqui, e muitas são as vezes em que fico meia atrapalhada para justificar o meu conhecimento de pessoas que não são reais e também não são fictícias, mas meramente virtuais.

Foram vários os episódios pelos quais passei ao longo deste ano e que convosco partilhei, houveram alturas em que andava um pouco por baixo, outras nem por isso. De qualquer forma tentei sempre dar um tom de boa disposição aos meus textos, ainda que por vezes (muitas vezes), tivesse vontade para tudo menos para fazer humor.

Aprendi muito aqui. Ainda me lembro do dia em que saí do hospital com um protocolo na mão e não fazia a mínima idéia do que aquilo era. Nenhuma idéia mesmo! Eram dois ou três papéis com datas, nomes de medicamentos e quantidades que ninguém me explicou patavina e me deixaram em pânico. Ainda me lembro de estar horas no messenger com a amiga Tica e com a Alexandra, a destrinçar aquilo tudo para ver se percebia alguma coisa. É claro que depois tive direito a consulta de dúvidas e de treinos no hospital, mas quando lá cheguei para esse evento já ia mais preparada, tinha feito uma listinha de duvidas e tudo, já ia mais esclarecida e só fiz o figuraço de perguntar só aquelas coisas mais complicadas, porque as básicas já as sabia.

É verdade que a falta de informação médica aos utentes dos tts de infertilidade é real, e é muito criticável. O pior, é que me parece que essa falta de informação é existente em todos os lados, ou seja, não é só predicado dos serviços públicos. O que se torna muito mais grave no caso das clinicas que fazem os tts privados, porque mexe com as finanças de quem está a pagar (e não é pouco).

Também acho mau, que uma mulher e um homem se submetam a um (ou vários) tts de infertilidade, assinem "termos de responsabilidade", e não saibam, nem procurem por todos os meios ao seu dispôr, saber que riscos e que efeitos poderão ter as drogas no seu organismo, e qual vai ser o procedimento que vai ser seguido. Existem pessoas que vão fazer estes tts, que são duríssimos, sem o menor conhecimento dos procedimentos mínimos a que serão sujeitos. Se os médicos não dizem... Perguntem! Se não têm coragem de perguntar aos médicos... Informem-se! Na internet, na biblioteca, em qualquer lado... Mas informem-se.

Parece-me absurdo que saiam pessoas de transferências a julgar que estão grávidas ou que pessoas que vão fazer punções julguem que vão ficar com cicatrizes exteriores dos furos da punção (isto é verídico não julguem que é brincadeira)

Claro que existe sempre o reverso da medalha, as antiteses, aquelas pessoas que se entopem de informação completamente sem a menor selecção e não enquadrável em qualquer contexto, e que fazem uma enorme confusão nas suas cabeças e nas de quem as lê e pior ainda, não podem tirar daí nada de positivo a não ser grandes doses de sofrimento desnecessário. É importante mantermos o norte, e lembrarmo-nos de que qualquer informação só é útil quando inserida num determinado contexto e numa realidade muitas vezes individual e particular. Se o tt A resultou comigo, porque os meus exames tinham esta ou aquela característica, não quer dizer que para outra pessoa possam resultar. Não podemos esquecer que cada caso é um caso e que não podemos generalizar. Quem está a avaliar o problema tem um conhecimento de "background" muito específico das milhentas variáveis existentes que enquadra neste ou naquele quadro mediante cada caso particular.

Ainda recordo, quando o meu médico me deu o protocolo, eu vi que aquilo durava quase um mês e sabia que existiam protocolos mais curtos e perguntei: - Então vamos fazer o protocolo longo? Porquê? - Ao que ele respondeu: - "Porque é adequado a si, é o mais simples e tem bons resultados..." - Não pude reclamar, aliás com o tempo aprendi a nunca reclamar com ele...

Cada vez mais, está provado que a infertilidade é um negócio de milhões, e que existem muitos locais a fazer tts sem a menor credibilidade, é importante falar das experiências, más e boas, publicamente e acho que neste ponto estamos a melhorar. Ainda noutro dia segui um debate aceso no fórum da API, em que uma das meninas partilhou uma experiência menos positiva (para não dizer pior) que teve numa clínica privada, o que causou alguma controvérsia levando mesmo um suposto dirigente dessa clinica a intervir. É importante, principalmente para quem anda no privado, partilhar informações e procurar as clinicas com melhores referências (todas sabemos onde estão). Porque enquanto que no público ganha-se o mesmo com sucessos e insucessos, no privado existe o "vil metal" a mover os interesses, e acreditem que tem muita força.

Pois... Parece que aquilo que ia ser uma breve dissertação acerca do primeiro aniversário do meu blog, se alongou em mais um longo "Sermão de Stº António aos Peixes", também que querem, uma mulher aqui presa há 2 meses tem direito a massacrar a audiência.

Beijos a todas e obrigada por este ano aí desse lado!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Grandes mudanças


Queria dizer que não despareci em combate, tenho andado por cá com problemas na internet, num "Portugal no seu melhor", mas disso falarei noutra ocasião, agora vou prosseguir com o meu relato.

Até às 18 semanas, a metamorfose do nosso corpo dá-se de forma gradual, a partir desta fase, as alterações fazem-se sentir de forma muito mais acentuada. Acho que é porque nesta fase os nossos rebentos começam a crescer e a exigência dos recursos da mãe é enorme, principalmente para as mamãs de gémeos.

A barriga, da noite para o dia cresce, cresce e cresce; Começamos a ter uma maior dificuldade de respiração quando subimos umas simples escadas; O nosso cabelo, unhas e pêlo deixam quase de crescer (o que até nem á mau para quem é "peludinha" como eu), todo o nosso organismo está virado para aqueles seres e para suprir as suas necessidades.

Também é nesta fase que sentimos os primeiros movimentos dos bebés, eu pelo menos foi por volta das 18/19 semanas que senti os pipizes pela primeira vez. O movimento como uma carícia interna, parece que alguém anda a "nadar" dentro do nosso corpo. Ao ínicio, esses movimentos sentem-se esporádicamente, quase que passam despercebidos... É uma sensação tão nova, que não se consegue descrever, e boa, muito boa.

Com 18 semanas apanhei o meu primeiro susto, deve haver algures um post a relatá-lo, portanto não me vou alongar. Foi quando fiz a hérnia de esforço. Foi um medo horrível que senti, chorei imenso antes de ir para o hospital, e mesmo lá, as lágrimas teimavam em querer cair. A enfermeira e a médica que me atenderam perceberam que estava muito nervosa e não me abandonaram um minuto.

Nessa altura, e devido ao que já falei no post anterior, devo dizer-vos que andava aterrorizada, e que qualquer coisa me parecia uma enormidade. Só não fui mais vezes para a urgência por vergonha...

Para além da hérnia de esforço que felizmente não se voltou a manifestar até à data, lá vim eu para casa com os meus tesouros mais valiosos: Os pipizes.

Por esta altura, já pouco conseguia ver para além da barriga, mas ainda consegui ver a ponta dos pés, relativamente aos outros orgãos externos, só de espelho, porque de resto já nem com muito boa vontade conseguia ver se as virilhas estavam ou não depiladas...

O mais engraçado é que em cada fase, achamos que já estamos enormes e que será impossível ficarmos ainda mais. Mas desiludam-se, é sempre possível ficar mais e mais enorme, e perder o controle absoluto do nosso corpo.

Os orgãos internos começam a ser "tomados" de assalto: O nosso estomâgo, o nosso intestino, tudo fica alterado, é nesta fase que já estamos muito bem (leia-se: Sem enjoos), que começamos a ter uma azia terrível, e que o nosso organismo armazena quantidades de "metanol" que julgavamos simplesmente não existirem.

Ás 21 semanas foi outro susto, este mais efectivo do que o outro. Estava com contracções, ainda que não dolorosas. Passo a explicar, para as meninas que não sabem (assim como eu não sabia), as contracções são quando sentimos repentinamente a barriga endurecer muito, a sensação deve ser mais ou menos a do peixe quando é apanhado na rede e depois esta começa a apertar, a apertar até ficar só numa bola onde vai juntar o peixe todo. Sentia essas contracções muito seguidas, e colocava a mão na barriga e sentia que ela estava dura como pedra. Mais uma vez urgência, exames de sangue, de urina... Indicação de repouso e magnésio, muito magnésio.

Passados 3 dias a sensação não passou e começamos a fazer medicação específica para as contracções e foi quando vim para casa para a sornice. Desta vez, para ficar.

As primeiras semanas, que passei em casa, no "vai não vai", foram muito duras. Sabia que se acontecesse alguma coisa naquelas semanas, o resultado seria desastroso, e chorava muito, nas horas que passava aqui sózinha. Cada dia sentia como uma vitória dos meus pipizes e sofria muito só de pensar que não sabia o que iria acontecer no dia seguinte. Foram umas semanas conturbadas, em que nem queria que ninguém falasse comigo, e qualquer coisa me fazia chorar.

Só no Natal (devia andar por volta das 26 semanas), dissemos a toda a gente que os nossos pipizes eram um "ele & ela", e só a partir de janeiro autorizei a que me dessem alguma coisa para eles. Até essa altura, mais ou menos 26/27 semanas não tinha nada cá em casa que me lembrasse que ia ter um bebé, quanto mais dois.

Também, depois dessa altura, comecei a ter verdadeiras invasões de coisas para eles, e acho que foi só aí que me apercebi como estes pipizes são desejados, não são por nós, mas por toda a família e amigos. Alegro-me imenso, por todo o amor que os rodeia, apesar de ainda estarem na barrigota, mas entristeço-me porque muitas crianças não têm 1/3 sequer desse amor, nem são desejadas como eles são.

Os movimentos deles também são mais intensos a cada semana que passa, quanto mais eles crescem, menos espaço têm, mais sentimos. As mamãs de gémeos conseguem, a maior parte das vezes, saber qual é que está a mexer, se bem que é complicado. E eles têm já um ritmo próprio, e certos horários, que eu costumo chamar de "hora do recreio", em que me ponho com a "super" barriga ao ar a ver a frequente ondulação e a tentar imaginar o que se passa lá dentro.

Por hoje fico por aqui.

Beijos a todas

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Finalmente grávida



No dia 2 de Outubro, fui fazer a ecografia das 12 semanas. Após uma seca descomunal (isto do funcionamento dos hospitais públicos deixa muito a desejar), lá entrei. Numa fase inicial, a médica, que era amarga como rabo de gato, nem tugiu nem mugiu, quanto mais mostrar-me o que se estava a passar ou fazer qualquer tipo de descrição. Chegou uma altura que eu já duvidava da existência das criancinhas.

Mas, no fim lá me deu uns minutos de tempo de antena e me mostrou o que tinha estado tanto tempo a ver. Aqui, nesta altura, já vi filhos... Aqui já vi seres humanos com as perninhas e os bracinhos e os dedinhos... Tudo lá, tudo formadinho ainda que em micro ponto. Existe neste blog uma foto dos pipizes dessa altura e um relato mais ou menos pormenorizado, pelo que não me vou alongar.

Foi aqui, que na verdade vi seres humanos e que a minha gravidez me começou a parecer mais real, se bem que como ainda não os sentia, parecia que estava a ver imagens de outra pessoa, apesar do ecógrafo estar a deslizar bem em cima da minha barriga.

Nesta fase também, comecei a usar roupa de grávida, os soutiens, as calças, etc. Apesar das minhas calças já há muito não me servirem (não as conseguia fechar). Mas antes desta altura, achava eu que podia dar azar e não usei nadinha. Depois comecei a usar, aquelas peças básicas que me faziam falta (as calças e os soutiens), porque quanto às camisolas e acessórios comprei iguais aos outros só um pouco maiores e ainda é o que uso.

Como sempre ouvi dizer que os enjoos passavam às 12 semanas, fiquei toda contente à espera que do dia para a noite eles desaparecessem, mas nada... Continuava naquela vidinha de vomitório maravilhosa. Só por volta das 15/16 semanas eles começaram a dar tréguas, por isso amigas enjoadas... Aguentem-se que ainda falta um bocado (mas isso não é o pior, o pior é que eles voltaram a partir das 27/28 semanas... Pois é!!).

Ás 15 semanas foi altura de amniocentese, não porque existisse algum risco dobrado. A ecografia das 12 semanas mostrava parâmetros absolutamente normais, o risco era bastante baixo, fiz o rastreio bioqimico integrado e tudo. Mas como tenho já 35 anos, e o rastreio bioquimico para gravidez gemelar não é muito conclusivo, achei que era só mais uma provação e decidi fazer a amniocentese.

Digo desde já que o conceito que se espalha da amniocentese como "bicho papão", é um bocado isso mesmo... um conceito. Não digo que não ia nervosa. Claro que ia nervosa, não tanto por mim, mas com medo por eles (os pipizes). Quem me calhou na rifa, foi aquela médica azeda como rabo de gato de que vos falei acima (ao que tudo indica muito mais competente do que simpática). E quando vi aqueles instrumentos de tortura (as agulhas gigantes e as seringas gigantes), fiquei assim um bocado apreensiva. Não se esqueçam que na amniocentese gemelar tem de se picar 2 vezes, porque cada bebés está separado do outro.

As picadas a bem da verdade não me doeram muito, so tive de me contorcer um bocado para ver a seringas do liquido para verificar que saiam amarelinho, que não tinham sangue. A minha principal preocupação era que me picassem os pequenitos. De resto, o procedimento não custa nada, para quem passou por FIVs ICSIs e outros ttts do género, por isso amigas já está tudo vacinado.

Entretanto surgiram aqueles acontecimentos que nos entristecerem a muitas de nós e que enlutaram a blogosfera. As perdas das 2 amigas que esperavam como eu os seus gémeos: A Susana e a Claúdia.

Confesso que essa fase simbolizou uma viragem para mim. Se por um lado já não tinha enjoos, tinha feito a amniocentese e tinha corrido bem, aqueles dois acontecimentos tão seguidos e com historial tão semelhante fez com que andasse todo o tempo que decorreu desde aquela data completamente em pânico.

Entretanto estavamos nas 18 semanas.

Beijos a todas

quinta-feira, janeiro 25, 2007

A dupla confirmação

No dia da ecografia, ou melhor dizendo na véspera do dia marcado para fazer a ecografia, lá fomos nós ao hospital. Fomos na véspera porque o meu médico não estaria lá no dia marcado e tanto ele como eu queriamos que fosse ele a fazer aquela eco. Foi ele quem esteve presente desde o primeiro momento e só falhou uma etapa do tratamento (a transferência), continua connosco, e espero que seja ele a pôr-me os meus bebés no colo.

Quando cheguei ao hospital, para fazer a ecografia, o meu estado de espírito era um misto de sentimentos que não consigo adjectivar. Se por um lado tudo indicava que a gravidez estivesse lá, por outro lado tinha medo desses sintomas serem tão somente psicológicos e afinal tudo não passar de um grande equívoco.

O médico veio buscar-nos à porta, e a primeira coisa que me disse foi:

- A M. está mesmo com cara de grávida!

Lá fomos nós rumo à célebre "sala 5", e enquanto me despia nem sabia o que pensar. Não porque estivesse acanhada por uma vez mais ter de tirar as cuequitas e ir para a denominada "posição de ataque", porque essa posição já não me incomoda nada de tão habituada que estou.
Era o que iria ver a seguir que me incomodava.

Não o facto de ser um ou dois bebés, até porque devo dizer-vos que o coração de mãe nunca se engana, e eu sempre disse, que seriam os dois, isto apesar de o médico me ter dito que pelo valor da análise podia ser só um. Eu sempre disse: - Eu coloquei lá dois e até prova em contrário estão lá dois.

E lá estavam... Os dois.... Saquinhos pequeninos com uma luzinha a piscar. Parecia inacreditável naquela altura que "aquilo" seriam os meus futuros filhos, e pior... Que aquelas coisas tão pequeninas andavam a fazer-me sentir tão mal.

Depois das queixas (minhas claro), depois da alegria colectiva e da apreensão médica relativamente à gravidez gemelar e todos os seus riscos (que eu na altura considerei como muito pouco importantes). Marcamos uma nova ecografia para dali a 2 semanas para podermos ver a evolução dos pequenos embriões.

Não fui daquelas que chorou baba e ranho na primeira eco, e que lá viu mundos e fundos. O que vi foram apenas dois saquinhos com uma luzinha a piscar, e que em nada se pareciam com os pequenos seres em que viriam a transformar-se, a verdade é que foi muito difícil para mim vislumbrar dois bebés naqueles pequenos sacos.

As duas semanas que se seguiram foram de intensificação de sintomas, aquilo que de ínicio eram ténues marcas da indisposição e de nausea transformou-se em verdadeiras odisseias de má disposição nauseas e mal estar generalizado.

Se vos disser que até enjoei a minha casa de praia, se calhar acham exagero da minha parte, mas juro-vos que depois de vir de férias só lá voltei passados 2 meses e desde essa época só lá fui passar um fim de semana.

Acordava logo de manhã muito mal disposta, levantava-me sempre à mesma hora por causa da medicação: O Zumenon e o Utrogestan. Tinha de comer qualquer coisa, e tudo me sabia mal. Certos alimentos pura e simplesmente não conseguia sequer sentir-lhes o cheiro, quanto mais olhar para eles. Andava tão cansada e com um mal estar generalizado tão grande que não me apetecia nem sequer falar.

Quando fomos fazer a eco das 8 semanas, só me queixei. Eu que andei tantos anos para ter um filho no ventre e agora tinha a benção de ter dois. Isn't it ironic?

Nessa consulta já vim medicada com o "santo" Nausefe, que eu ingenuamente achei iria ser a chave para a resolução de tudo, mas não... Nem com Nausefe a coisa melhorava. Depois dos enjoos comecei a vomitar... De manhã, ao meio da noite... Enfim quando me apetecia, principalmente quando tinha o estomâgo vazio.

Apesar de já ter começado a trabalhar, sentia-me miseravelmente mal e confesso que muitas vezes pensei que se soubesse que era tão mau se calhar não tinha tentado, pensava alguém me podia ter avisado disto...

Claro que isto eram pensamentos "in extremis", claro que a maior parte do tempo não perdia de vista o sonho em realização, mas não posso ocultar esses pensamentos nem fingir que nunca os tive. Este foi um dos motivos pelos quais na maior parte das vezes não partilhei convosco esta minha aventura no mundo da criação humana. Sentia que de alguma forma, vocês achariam que eu era uma palerma ingrata e que vocês, as que ainda não conseguiram a realização do sonho, até dariam muita coisa para estarem no meu lugar e eis que eu só me queixava.

No seguimento desta sintomatologia, comecei a perder peso, e decidi que estava na hora de ir a uma nutricionista para ver de que forma poderia ajudar-me a comer saudavelmente dentro daqueles parcos alimentos que eu conseguia ingerir. Tinha de fazer algo, porque os Nausefes não ajudavam e eu não aguentava mais.

Digo-vos que foi das melhores coisas que fiz. Com a dieta prescrita, seguindo os horários prescritos, e com a ajuda dos Nausefes lá consegui melhorar a minha qualidade de vida, e nos dias em que até andava melhorzinha dava-me ao luxo de ficar preocupada a pensar que algo estava mal com os meus pequenos embriões, andava sempre de um sentimento ao outro, se enjoava é porque enjoava, se não enjoava é porque não enjoava e os bebés não estavam bem.

As calças continuavam abertas para não apertarem a barriga, e o sindrome do WC sempre presente.

Aos empurrões e com algum esforço lá chegou a data da ecografia das 12 semanas.

Beijos a todas

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Do sonho à realidade

Quando recebi o telefonema a dar-me a boa notícia do positivo, fiquei como é evidente eufórica. Lembro que estava com uma grande amiga, e que quando o telefone tocou não me apetecia atender, pelo que lhe disse:

- Atende tu... Não tenho coragem!

Ela responde:
- Eu também não, não consigo...

Resignada à minha sorte, lá atendi o telefone, e ouvi a voz da enfermeira Susana do outro lado a dizer-me que tinham o resultado e que era positivo. Ainda perguntei o valor, o qual não fixei com certeza e ainda a ouvi dizer:

-É um positivo bastante positivo.

Depois disso foi uma alegria, a minha amiga que estava prestes a desfalecer, abraçou-se a mim e fizemos a festa ali mesmo em pleno horário laboral, no meio de uma loja.

Seguiram-se os telefonemas obrigatórios e a respectiva euforia. Confesso que não foram muitos os telefonemas porque somente um punhado de gente sabia deste tratamento. Como todas sabemos estes assuntos são polémicos pela carga emocional que transportam consigo, e o facto de termos uma imensidão de gente a perguntar-nos a toda a hora se já sabemos, se deu resultado, etc... Não ajuda muito.

Depois disso foi o regressar à realidade, o assentar os pés no chão, e a sensação que tive naquele mesmo dia foi a sensação de "day after". Sabem, aquele dia a seguir a uma grande festa, bem regada, em que acordamos e nos sentimos todos partidos como se um autocarro de 2 andares tivesse passado por cima de nós? Pois é assim mesmo.

Eu só pensava e agora? Como vai ser agora? Que faço? Tinha tantas dúvidas na minha cabeça, que ela parecia querer sair dos meus ombros e ir embora.

Acho que o sentimento é normal, esta é a fase em que passamos do sonho à realidade, se bem que a realidade ainda não esteja ali nem se faça sentir. Porque durante a fase anterior (a fase do sonho), a única coisa em que pensamos é no positivo. Eu pelo menos era assim, o meu horizonte levava-me até ao positivo e/ou negativo, não vislumbrava mais além.

Eis que me deparo com um horizonte demasiado longinquo para poder abarcar com o meu olhar, e só o simples facto de começar a trilhar um caminho desconhecido e pouco iluminado estava a deixar-me inquieta.

Por isso, após a euforia inicial fiquei estática e não queria partilhar com ninguém a notícia nem autorizei a que quem sabia a divulgasse.

No dia a seguir, dia 5 de Agosto, fui de férias, a altura era perfeita pensei eu. - Agora vou tirar uns diazinhos de descanso e poder disfrutar desta situação em todo o seu esplendor.

Fomos para a praia.

Levamos as malinhas, e lá fomos nós.

Engraçado como nós engravidamos logo psicologicamente, mesmo antes dos sintomas fisicos se fazerem sentir. Por aquela altura tinha 4 semanas de gravidez e já achava que a barriga me estava a crescer. É bem verdade que depois dos tratamentos ficamos sempre mais inchadas, mas daí a com 4 semanas já termos medo de apertar os botões da bela calça porque achamos que vai massacrar os babies... É um exagero! Então passei o mês de Agosto com roupas largas e botões desapertados.

Outro sintoma de gravidez aguda é o síndrome do WC, ou seja, vamos muitas vezes lá, ainda que não tenhamos vontade só para espreitar a cuequinha e o papel higiénico e para vermos se não há sinal do dito cujo que sempre nos assombrou (desengane-se quem pensa que este síndrome passa... Não passsa! Pelo menos a mim não passou até hoje).

De repente, sentimos que se passa tudo e que não se passa nada. Ou seja, estamos grávidas, mas não temos barriga, não sentimos nada de diferente connosco e não fazemos idéia daquilo que se passa dentro do nosso organismo.

De repente estou na praia... Apetece-me deitar de barriga para baixo e dormir uma soneca (posição preferida num belo dia de praia), de repente penso: -Mas será que se me deitar de barriga para baixo não vou esmagar os meus babies??? - na dúvida não me viro, passo o mês inteiro deitada de frente ou de lado, nunca de barriga para baixo.

Depois tinha o maravilhoso Utrogestan, 3 vezes por dia. Pensamento nos dias de calor: -Será que posso dar um mergulho?? Uma nadadela?? Mas se vou para a água esta porcaria sai toda e depois não faz efeito...- Conclusão, 3 semanas sem um mísero banho de mar, só molhar os pézitos.

Depois a prostração começa a apoderar-se de nós, os nossos "simpáticos parasitas" começam a precisar da nossa energia, e nós vamos aos poucos sucumbindo e as tardes passadas na sorna à sombrinha no terraço sabem tão bem.

Por volta da 6ª semana começam os sintomas: Os cheiros, o cansaço, os enjoos, as alterações no peito, e outras pequenas nuances que vão aparecendo e nos fazem pensar que apesar de ainda não termos nada visível, há ali alguma coisa que não está bem. Acho que deve ser por volta desta altura que as mulheres que engravidam naturalmente se apercebem que estão grávidas. Há ali qualquer coisa diferente que não sabemos explicar (é claro que temos aquelas super grávidas que nunca sentiram enjoos, etc, etc).

Também é nesta fase que aparece o reflexo de andar agarrada à barriga, acho que é o instinto de protecção materno que se apodera de nós. Desde a mais tenra idade achamos que os podemos proteger de tudo e andamos sempre com uma mãozinha na barriga.

Duas semans depois do positivo, eis que surge a ecografia de confirmação (pelo menos no hospital onde fiz o tratamento é assim), e são vários os sentimentos que nos assolam na véspera desse exame tão importante, porque nunca sabemos o que vamos encontrar.

Beijos a todas

terça-feira, janeiro 23, 2007

Relatos de uma grávida


Queridas amigas, hoje sim, já tive água quentinha para tomar banho (e que bem que me soube). De manhã fui fazer as maravilhosas análises da glicémia (e não só), e só vos digo espero honestamente que esteja tudo bem porque beber aquela droga é muito mau.

Hoje também quero iniciar aqui, uma série de relatos acerca da minha gravidez, pelo que irei recuar um pouco no tempo. Estes relatos servirão, não só para mim no futuro, para recordar episódios que de outra forma poderiam ficar perdidos no tempo, e para as minhas amiguinhas treinantes para que fiquem a saber (de alguma forma) com aquilo que podem contar.

Nesta fase estão vocês a pensar, mas porquê agora, e não antes. A resposta a essa vossa questão é simples. É agora porque a sorna ajuda a ter um bocadinho mais de tempo disponível para me dedicar a estas questões bloguisticas, e também porque de alguma forma (e sem certezas nenhumas) se começa a vislumbrar uma luz no fundo do túnel, e a possibilidade de vir a conhecer os viajantes que me acompanham desde 26 de Julho se torna cada vez mais possível.

A imagem com que ilustro este post é representativa da forma como tudo começou, é verdade que eu não fui das mulheres que conseguiu conceber um filho da forma mais divertida, na privacidade com o meu marido, foi tudo feito com a menor privacidade possível, e essa é uma verdade que nunca poderei nem quererei esquecer. Se vou ou não falar acerca disso com os meus filhos, algum dia, isso ainda não decidi.

Depois da odisseia da cabeça na marquesa, todas sabem que tive o meu positivo no dia 4 de Agosto de 2006, o relato que farei nos próximos episódios será a partir dessa mesma data.

Beijos a todas

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Peripécias de uma mulher grávida

Hoje de manhã acordo para o belo banho reconfortante com o qual costumo iniciar o meu diazinho de sorna (depois do pequeno almoço claro), o A. já tinha saído, e eu toda contente, casa de banho quentinha, roupinha lavada, os cremes para "barrar" o corpo prontinhos, aguinha a correr quentinha... Enfim, tudo a que uma pobre grávida tem direito.

Entro, passo a aguinha, ensaboo-me e ... Eis que a água começa a sair morna, mais morna... Fria, Friissima, eu ensaboada e barriguda dentra da banheira fecho a água... Volto a abrir, encosto-me a um canto para não sentir a água fria, verifico que a água continua a correr FRIA, GELADA.

- E agora?? - "Think fast! Think fast!"" - Tenho de ir ver o que se passa com a caldeira, mas estou ensaboada, lá fora está muito frio...

Saio da banheira embrulho-me na toalha e vou a praguejar à caldeira. Está desligada, uma luz vermelha a piscar, profiro aquelas palavras feias, volto a ligar a caldeira... Nada! Estou gelada!

Coloco uma panela com água no fogão, vou novamente para a casa de banho (pelo menos lá está mais quente), aguardo um bocado, vou buscar a panela e com uma toalha começo a operação de retirar o gel de banho que a essa hora já estava sequinho no corpo, profiro mais uns saborosos palavrões e alguns adjectivos pouco simpáticos dirigidos à mãe do homem que ainda no fim do ano esteve a fazer a revisão da caldeira. Lá consegui lavar-me à gato.

Já vestida e cheia de comichões (é o que dá tomar banho à gato), fui novamente à caldeira, e não é que ela já disparava? Acham isto normal?! (mais alguns adjectivos pouco simpáticos), e a água jorrava quentinha. Pego no telefone e ligo para a empresa que dá manutenção à dita...

Passado 1 hora estava o técnico à porta. A estúpida continuava como se nada fosse(a caldeira claro), o homem olhava para mim a pensar com os botões dele - A gravidez desta subiu-lhe à cabeça... - depois de muito insistir que não estava louca (apesar de fechada em casa), o homem lá conseguiu descobrir que havia um mau contacto e espero eu repará-lo.

Espero honestamente que sim, porque não deve haver nada pior do que não termos água quente para o banho no Inverno, e ainda por cima assim barriguda que nem sequer posso andar a esvoaçar-me pela casa fora correndo o risco de cair. Este foi mais um dia da aventuras de uma grávida sornante, amanhã vou tirar análises e fazer aquela maravilhosa da glicémia (mais uma aventura).

Beijos a todas

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Mais uma visita

Ontem tive mais um pouco de Pipizes. É claro que nesta fase eles já estão grandinhos e começa a ficar dificil de visualizar o que quer que seja nas ecografias, aquilo é uma misturas de pernas, braços, cabeças, etc. Só conseguimos vê-los aos bocadinhos.

Francamente não sei como os médicos conseguem distinguir o que quer que seja naquele emaranhado, porque eu realmente não consigo.

Ora, os amigos pipizes não param quietos e se na anterior eco estavam já em posição cefálica, ontem já estavam atravessados na barriga da mamã. A M. segue o irmão para onde quer que ele vá e continuam cabeça com cabeça, sempre encostadinhos (que remédio).

E estão gordinhos, então, ás 27 semanas e 6 dias: O L. pesava 1328 grs, a M. pesava 1283 grs. São definitivamente uns comilões estes pipizes. Segundo o médico estão no percentil 75.

Aqui seguimos quietinhos, espero eu por mais uma quantidade de semanas.

Beijos a todas

sábado, janeiro 13, 2007

Efeméride



Faz hoje exactamente 1 ano, era uma sexta-feira 13, que abrimos o processo no Hospital Público onde fiz o tratamento.

Tudo o que se passou até aqui parece tanto e tão pouco ao olhar para trás. Se por um lado há 1 ano atrás não acreditava que iria necessitar de fazer qualquer tipo de tratamento, por outro a possibilidade de uma gravidez parecia pertencer a uma outra pessoa.

Hoje, passado 1 ano, somos 3 aqui sentados a escrever este post, embora 2 de nós ainda não estejam efectivamente presentes, intrinsecamente no entanto, não deixam de se fazer lembrar e notar.

E eu que até nem gostava de sextas-feiras 13!

Beijos a todas e bom fim de semana.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Portugal dos pequeninos


Num país onde nos acostumamos a viver paredes meias com situações absurdas de: "rendimentos de inserção social", jogadores de futebol que por mês ganham mais do que muitas pessoas a vida toda e apesar disso ainda estão isentos de tributação em 40%, "apitos dourados" e Carolinas Salgado. Vamo-nos habituado a conviver pacificamente com certo tipo de situações absurdas e pior, achamos já tudo isto muito normal.

Uma das coisas que me tira do sério, é o funcionamento de certas repartições públicas, não sei se sentem o mesmo. O denominador comum é o bando de funcionários públicos que existem nesses sítios, alguns dos quais com (desculpem-me dizer isto) muito mau ar, que falam uns com os outros , passeiam alguns papéis, ou então olham atentamente para o monitor do Pc à sua frente como se de algo inóspito se tratasse (se repararem, os teclados quase nunca são utilizados, e quando o são é como se fosse algum objecto alienigena). Enquanto isso, assistimos a uma aglomerar pacífico de pessoas, nos balcões de atendimento, que aguardam que algum funcionário se digne vir, de semblante carregado, atender.

No top dessas instituições temos: Os centros de saúde, os centros regionais de segurança social, as repartições de finanças, e muitos outros como nós todas sabemos.

Pior, acontece que as informações prestadas por esses organismos são díspares, ou seja o mesmo assunto poderá ter diversas abordagens mediante o funcionário que nos atende, o que é certo é que são raras as vezes em que depois de um pedido de informação para a formalização de uma qualquer burocracia, e depois de virmos para casa/escritório organizarmos inacreditável parafrenália de papel que geralmente nos é exigida para a realização do acto mais simples que possa existir, chegados novamente ao local do crime, o funcionário que nos atende, que já é diferente anterior, nos diz que falta mais isto ou aquilo, e aquela sensação de "dever cumprido vou-me ver livre destes gajos por mais uns tempos" que levavamos juntamente com a papelada desaparece enquanto nos invade um misto de sensações.

Ora, é nesta hora que rapidamente o nosso cérebro começa a debitar informação e é neste lapso de tempo que temos de tomar uma decisão que pode ser de 2 tipos:

A primeira, vimos embora com a nossa derrota e preparamo-os para mais uma maratona de papel por pelo menos 3 ou 4 vezes (dependendo do numero de funcionários que nos atende e do seu estado de espírito);

A segunda, partimos para a ignorância, puxamos pelos galões e fazemos uma velha e boa peixeirada, e aí vemos os tipos correrem de um lado para o outro para céleremente resolverem o nosso problema, não vá os outros tipos da fila também começarem a arrebitar cachimbo e começar tudo a descambar.

Eu cá sou adepta da segunda, é evidente que não sou mal educada, mas gosto de competência no trabalho e sobretudo de ser bem atendida. Se isso não acontece, apelo logo aos superiores hierárquicos e ao "afamado" livro de reclamações: Nunca falha!

Ora, mas isto não acontece em todos os sítios, em todas as repartições, portanto queridas amigas não se deixem levar. Existem instituições onde pura e simplesmente não se deve reclamar (muito). É o caso das repartições de finanças, não vá os tipos ficarem com o nosso nº de contribuinte debaixo de olho para depois nos mandarem uma fiscalização.

Isto para vos contar uma situação caricata que me aconteceu. Como sabem estou em casa com aquilo que é a denominada "gravidez de risco", muito sucintamente, para quem não sabe, a gravidez de risco, dá direito ao pagamento de 100% do nosso salário ilíquido, mediante a apresentação de um formulário próprio.

Este processo que poderia ser simples, de per si é muito complexo, ou seja: Nós temos de ter a baixa, depois temos de arranjar os impressos da gravidez de risco, preencher, levar à entidade empregadora para preencher e carimbar, pedir um documento comprovativo do NIB ao banco, juntar declaração médica e entregar num centro regional de segurança social (ufa... já estou cansada). É claro que entretanto, as crianças que estão em risco, podem já ter nascido.

Depois de tudo isto, pensamos: Ah que fixe agora não tenho de me preocupar mais!

Mas não!!! Pura ilusão! Depois disto tudo, temos de entregar um requerimento para cada período de baixa, até porque aquilo que era de risco pode deixar de ser (não sei bem como, mas enfim...). E temos de voltar à entidade patronal, e temos de anexar a declaração do médico e temos de entregar novamente na segurança social, ou seja se estivermos de baixa 7 meses temos de entregar 7 requerimentos...

Ora eu, depois de ter cumprido todas as formalidades já por 2 vezes, sentei-me pacientemente em casinha à espera do dito pagamento. Até que ontem me chegou uma cartinha datada de 28/12, a dizer que tinha de ir ao médico de família para pedir uma declaração de gravidez de risco. E eu, uma vez mais coloquei a minha gravidez em risco devido à fúria da mãe dos meus filhos.

Então isto é tudo maluco ou o que se passa?

Eu tenho baixa passada por instituição hospitalar, por um hospital maternidade, tenho uma declaração de um médico especialista em ginecologia e obstetrícia, e o meu médico de família nem sequer sabe que eu estou grávida quanto mais com gravidez de risco, eu estou de repouso em casa e agora tenho de ir ao centro de saúde??

Bem, depois de ter digerido isto durante a noite, hoje de manhã liguei para o serviço de expedição da dita carta e afivelei a minha voz mais doce a que uso quando estou prontinha para fazer alguma). Depois de ter me passarem de departamento em departamento (outra das coisas que me irrita de verdade), lá encontraram a alma que estava com o processo, à qual expliquei de forma incisiva e clara tudo isto. Depois de alguns desenhos, lá consegui q a Srª percebesse e acedesse a aceitar uma declaração do hospital para eu não ter de ir ao médico de família. Mais ainda me disse para lhe enviar directamente para ela sem precisar de ir entregar à segurança social, e ainda que se tivesse a declaração lá até dia 18 ainda me metia no processamento desse dia.

Bem, isto tudo porque,a declaração apesar do ser do médico do hospital, ia passada numa folha timbrada com o nome dele e não do hospital, acham isto normal?

Se alguém tiver paciência para ler este post até ao fim parabéns,merece um prémio.

Beijos a todas

sábado, janeiro 06, 2007

Primeiro post adiado

Este não é o primeiro post de 2007, mas podia ser (a Nina antecipou-se!). No dia 4 foi dia de ver os Pipizes, pela primeira vez ao vivo e a cores. Cada dia/semana que passa eles se tornam mais presentes e nós vamos tendo a consciência que realmente corremos o sério risco de virmos a ser pais de 2 crianças lindas (porque são nossas claro). Não é que eles não estejam presentes desde o primeiro dia... É que com o avançar do tempo, eles vão ficando mais fortes e o dia em que poderemos de facto tê-los connosco, começa a vislumbrar-se como uma realidade, sem grandes euforias, sempre tendo em conta que cada passo deste caminho é sempre de incerteza relativamente ao dia seguinte.

Esta é a minha Pipizia, a M., tinha ás 25 semanas e 6 dias 921 grs. Não descolava do irmão nem por nada, por isso não se vê a carinha toda, o tecido anexo é o corpinho do "mano" que é tão quentinhoooo.




Este é o meu Pipizio, o L., tinha com 25 semanas e 6 dias 1023 grs, e é a coisa mais linda... Digam lá!

Já viram que ele é mais gordinho do que ela, e que ela é uma gata borralheira que gosta de estar encostadinha ao irmão a dormir. Enquanto ele come... Ela dorme.

Quanto à mãe tem de reforçar o repouso, porque as contracções teimam em não ir embora, e o cumprimento do colo do útero teima em diminuir. Assim, é reforço da medicação, reforço do repouso e aguardar para ver se estes Pipizes ficam lá dentro mais umas semanas valentes.

Espero que gostem, bom fim de semana.

Beijos a todas

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Boa sorte Nina e Diogo!


Que corra tudo bem na chegada de mais um bebé de ouro!

domingo, dezembro 31, 2006

Último post de 2006...Feliz 2007!


Neste último dia do ano 2006, parece-me lícito e mais do que apropriado, utilizar este meu espaço para uma retrospectiva dos acontecimentos mais marcantes daquele que foi um ano importante na minha vida.

Recordo, que terminei o ano de 2005 de forma muito "sui generis", no final do ano passado tinha tomado muitas decisões de "ano novo", que sabia serem dificéis de conseguir, quer em termos pessoais, quer em termos profissionais. Para além disso, estava com uma infecção urinária do tamanho de uma casa e tinha passado o dia a acompanhar o "Lisboa/Dakar" pelo meio de montes e estava um frio de morrer, isto se tirarmos a chuva.

Quando chegamos a casa para a "passagem do ano", estava exausta, e ainda não tinham dado as 12 badaladas estava já meia a dormir no sofá, nem as pobres 12 passas comi. O facto de estarmos sózinhos também era de "per si" estranho, uma vez que foi a primeira vez (em muitos anos), que não tinhamos combinado nada com os amigos para aquele dia. O A. queria ir ver o Dakar ao Alentejo e os homens conseguem ser muito teimosos quando querem (o meu então é uma "mula").

O ano 2006 começou logo no dia 2 de Janeiro pela primeira tomada de decisão a nível pessoal, foi nesse dia, que com o meu médico decidi estabelecer um prazo de avançar para a FIV.

Em Janeiro ainda tomei grandes decisões a nível profissional, que viriam a culminar com um mês de Março e Abril super agitados, mas que me proporcionaram uma grande alívio e satisfação nos meses vindouros. Havia alguém num dos meus locais de trabalho que era causa de conflitos constantes e causa de problemas gravíssimos. No ínicio do ano foi altura de "bater na mesa" e dizer: -"Vou sair, com aquela pessoa não trabalho mais..."- Mas foi a criatura que me massacrava a vida e o trabalho há 5 anos que foi embora, e posso dizer que a felicidade foi colectiva e que foi um dos momentos mais felizes do ano no dia que isso aconteceu. É claro que, não há bela sem senão, e tive de abdicar de uma coisa (material) de que gostava muito, e em termos financeiros com alguns prejuízos, mas a nível pessoal foi bom, foi excelente. Os prejuízos rapidamente se recuperam e nada existe mais importante que a nossa paz de espírito.

A partir de Abril, o trabalho foi dobrado, mas feito com alegria e motivação extra, a equipa era boa e ficou excelente, os conflitos internos desapareceram e a produtividade aumentou, com benefícios para todos.

Cumpridos que estavam objectivos que considerava prioritários, pois acredito que o facto de andar sob um stress constante em termos laborais não contribuía em nada para poder ter um filho, em Maio decidi avançar para a FIV (estava agendada para Setembro), e em Junho, dia 26, lá comecei o tratamento. O resto, a maior parte de vós já conhece, por isso não vale a pena voltar a repetir.

O ano 2006 também foi importante, porque desde Fevereiro entrei neste "pequeno mundo", aqui aprendi muita coisa, conheci muitas histórias de vida que me fizeram sorrir e outras que me fizeram chorar. Celebrei muitos positivos com verdadeira euforia e entristeci-me com muitos negativos. Rejubilei com nascimentos e fiquei enlutada com perdas.

Foram vocês, antes da maior parte da minha família e amigos a saberem do meu tratamento, foram vocês a saberem em primeira mão as minhas angústias de cada vez que o ânimo desmoronava, foi convosco que partilhei o meu positivo em 4 de Agosto. São vocês, interlocutoras sem rosto (na sua maior parte) que vivem o meu dia-a-dia desde Fevereiro de 2006, e que me deram vontade muitas vezes para prosseguir, porque cada vez que eu julgava que tinha um problema do tamanho do mundo, eis que aparece uma com um problema maior, pronta a reagir e a seguir em frente.

Algumas de vós tive o privilégio de conhecer pessoalmente, outras ainda espero conhecer um deste dias.

Para todas, as que conseguiram durante este ano realizar o seu desejo de fazerem nascer uma vida, para aquelas que como eu aguardam a chegada dos seus bebés de ouro, para as que continuam a luta, para as que tiveram o sonho na mão e o viram desvanecer-se (principalmente para estas últimas), quero desejar um ano de 2007 muito feliz e que consigam realizar todos os vossos projectos, independentemente de conseguirem a maternidade física ou não.

Espero estar cá para acompanhar os sucessos e para consolar nos desaires, porque se é verdade que espero os meus pipis, também não deixa de ser verdade que sei o que custou, em termos psicológicos, para chegar até aqui. A infertilidade é uma realidade, e nunca vai deixar de fazer parte da minha vida, nunca poderei ficar indiferente perante uma mulher que quer um filho e não o consegue gerar, assim como nunca ficarei indiferente perante uma mulher que teve o privilégio de gerar uma vida e se pretende desfazer dela, ou perante aquelas que maltratam os filhos até à morte ou os abandonam à sua sorte.

Esta dissertação toda, só para dizer que tive (até ao momento),um excelente ano de 2006, e só peço que o ano 2007, a ser mau, que seja como este que hoje se finda.

Espero que entrem todas com o pé direito, comam as passas e bebam o champanhe, subam nas cadeiras, etc. que eu por cá vou ficar quietinha cá em casa, e é provável que nas 12 badaladas já esteja embalada a dormitar, porque este estado de pré-mãe, obriga-me a acordar muito cedo para dar o pequeno almoço aos pipis senão eles ficam zangadinhos e cheiinhos de fome.

Excelente 2007 para todas!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Prognósticos... Antes do jogo...

Ora cá fui eu espreitar os prognósticos para o ano 2007, e vejam lá o que dizem as cartas:

PEIXES – Cartas do ano:
O Mundo, O Mago, A Justiça e a Estrela
Peixes terá um ano excelente já que vai saber aproveitar da melhor forma possível as oportunidades que vão surgir. Goza de uma protecção e sorte invulgares mas também há que trabalhar para que esta influência se mantenha. Começará o segundo semestre com energias fortes e vigorosas, terá evoluções muito positivas que o levarão a uma transformação radical na sua forma de estar. Deixe de se punir tanto e confie mais nas suas potencialidades.
No sector sentimental vai passar a dar mais importância à sua actual relação, para trás ficarão dúvidas que em nada beneficiavam a vida a dois. Viverá momentos muito felizes ao longo do ano com mais intensidade a partir de Março. É uma boa altura para fazer planos para uma união. Em Outubro terá de tomar algumas posições de força para chegar a uma definição por vezes terá de se mostrar egoísta para defender as suas convicções pessoais mas no final vai obter o que mais deseja.
No sector profissional terá de fazer de tudo um pouco e não poderá contar com grandes ajudas ou apoios mas também não se vai importar muito com isso já que achará sempre uma forma de se divertir aprendendo a fazer coisas que até então não sabia fazer. O segundo semestre será estável e sólido tudo correrá dentro dos seus planos. Terá de fazer algumas análises e a opinião dos outros pode mesmo ser muito importante. Não terá problemas económicos. Na saúde os seus joelhos podem trazer-lhe alguns problemas.
Melhor compatibilidade com: Caranguejo e Escorpião
Mais desentendimentos com: Gémeos e Balança

Agora que já tenho os prognósticos vou "sornar" mais um bocadito.

Beijos a todas

PS: Sim a prenda no sapatinho foi a confirmação do sexo dos Pipizes: Um Pilocas e uma princesinha...

segunda-feira, dezembro 25, 2006

E no sapatinho...

Este ano, esta foi a nossa prenda, também não tínhamos pedido mais nada...

Queria também partilhá-la convosco, por isso muda o "template" deste blog. O caminho, agora em terra firme, tem tido alguns espinhos, mas tenho fé que chegue o dia em que eu possa desembrulhar os meus presentinhos e finalmente tê-los comigo, e nesse dia mudaremos novamente o "template".


Feliz Natal para todas

terça-feira, dezembro 19, 2006

E a sorna continua...

Num pequeno interregno da minha sorna lá fui eu, a semana passada à consulta e... Mais importante ver os pipizinhos.

Como já era de esperar, a sorna continua, nada de abusos, o máximo de repouso possível.

Os pipizes estavam um mimo, gordinhos, mexidinhos e exibicionistas como é apanágio deles. Com 23 semanitas já pesavam: O mais exibicionista 600 grs; O mais calminho 590 grs. Pois com umas térmitas destas como é que a mãe podia aguentar a barrigota e continuar a andar por aí. Vi algures num site qualquer, que os bebés com 24 semanas pesam à volta das 540 grs, os meus pipizes com 23 pesavam já mais um bom bocado e são dois.

A barriga da mamã está enorme (não! não vou colocar aqui no blog!), ainda noutro dia quando fui à Segurança Social entregar os impressos a Srª que os recebeu me disse:

- Pois também deve estar quase não é?....
Eu para ela:
- Não ainda falta muito tempo...
Ela olha para a Declaração do médico e vê lá data prevista para o parto 30/03/2007:
- Ah pois falta...

Esta semana vamos a mais uns examezitos na sexta-feira, parece que é a única coisa que se faz quando se está grávida...

Beijos a todas

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Os benefícios da sorna...

Depois de quase duas semanas de reclusão intermitente, achei que deveria fazer um pequeno balanço da situação, e fazer uma análise "swat" da mesma (os pontos fortes e pontos fracos). Tal exercício, serve não só para não ficar "biruta" de todo, como também para arranjar alguma "coisinha" para fazer. Então lá vai:


Pontos fortes da sornice:

- Na sorna não precisamos de nos levantar cedo, podemos degladiar-nos na cama o tempo que nos apetecer, sem remorsos:

- Na sorna podemos gozar com o cara metade quando ele se levanta morto de sono para ir trabalhar, depois de uma noite mal dormida, porque nós, as sornantes demos 500.000 voltas durante a noite para arranjarmos posição;

- Na sorna não gastamos resmas de dinheiro em sapatos, carteiras, roupas, cabeleireiro, depilação e outros, até porque passamos a maior parte do dia de pijama ou de fato de treino, com o cabelo amarrado e os olhos remelentos;

- Na sorna despertamos os mais diversos sentimentos de piedade aos familiares, que por isso mesmo teimam em encher-nos a casa de bolos, bolachas e bonbons, o que contribuí para que a sornante das duas uma: Ou enjoe toda a qualidade de doces, ou então fique tipo elefante e seja preciso alargar as portas quando sai de casa. Eu ainda não decidi que tipo sou, mas acho que estou mais a caminho do tipo dois...

- Na sorna, ouvimos todo o tipo de histórias de desgraças e afins que aconteceram com as pessoas amigas, familiares e amigos, só para as pessoas nos tentarem dizer que vai tudo correr bem;

- Uma sorna na altura do Natal é muito benéfica para o PIB português, o pessoal não pode ir ás compras, logo não vai às lojas dos "chinos", logo não contribui para o aumento das importações, o que logo vai contribuir para o equilibrio da Balança Comercial.

- Na sorna se ganharmos o vencimeto a 100%, ainda ganhamos mais do que a trabalhar...

Pontos fracos:
- Na sorna, apesar de termos todo o tempo do mundo para dormirmos, não nos apetece, nem temos posição para o fazermos...

- Na sorna apesar de estar frio, ansiamos pelo momento de pormos o nariz fora de casa;

- A sorna é uma grande seca...

Apesar de tudo, acho que os pontos fortes ocupam mais espaço que os pontos fracos, sobretudo porque a causa da sorna é a maior de todas as causas...

Beijos a todas (cheios de sorna)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Parabéns

Pois em época festiva também há quem esteja de parabéns, queria deixar um grande beijinho de parabéns às minhas amigas:

Cris e Tiquinha

Que realizem os vossos maiores sonhos durante este ano, que a vida vos dê tudo de bom!

quarta-feira, dezembro 06, 2006

De volta a terra firme...

É de onde escrevo estas palavras, de terra, apeada da minha viagem por voos mais altos. E é por cá que vou permanecer por tempo indeterminado.

Fomos forçados a aterrar, os pipis e eu, estamos em casa a descansar e a tentar que esta aterragem seja apenas mais um ponto de passagem para uma descolagem maior. Com muito medo, mas também com muita esperança. O que podemos fazer agora é esperar.

Beijos a todas

sexta-feira, novembro 24, 2006

Perguntas idiotas... Respostas cretinas...

Andava eu na minha vidinha, outro dia, quando encontrei uma pessoa conhecida que já não via há algum tempo, quando olhou para a minha barriga, a pergunta inevitável surgiu:

- Então o que é isso que eu estou a ver? É verdade????
Eu resignada lá respondi
- É verdade é (será que a criatura julga que eu engoli um barrili de cerveja?)
- Então e é menino ou menina?
Eu
- São gémeos, e não quero saber o sexo...
Resposta da criatura
- Gémeos??? Mas gémeos porquê???
Ora aí está uma boa pergunta idiota pensei eu:
- Porque sim! (resposta cretina)

Depois deste diálogo de surdos, me despeço com os desejos de bom fim de semana, por cá tudo muito redondo.

Beijos a todas

terça-feira, novembro 14, 2006

A distância que vai...

Reacção da mãe de uma adolescente que chega a casa e lhe diz que está grávida:
- Oh filha onde estavas com a cabeça?
Resposta pronta da filha:
- No tablier do carro..

Esta anedota, aparentemente sem piada nenhuma, tem andado a pairar na minha cabeça nos últimos tempos, porque eu até nem estava com a cabeça no tablier do carro na hora H.

Hoje vim fazer um post melodramático, assim ao estilo do cinema mudo francês (ou do cinema falado, até porque a diferença é pouca), porque o meu estado de espirito é mesmo esse.

Este fim de semana, tive uma aterragem de emergência, no fundo foi o primeiro susto destas 18 semanas. Mas como e estado psicológico é tão periclitante, basta até um sopro para me fazer chorar "baba e ranho" e para eu começar a fazer logo a fazer filmes de terror.

De sexta para sábado tive uma intensa dor abdominal do lado direito da barrigota, o bom senso dizia-me que aquela dor por certo não seria nada com os Pipis, mas o a lado emocional sobrepõe-se a tudo nestas horas,e não nos deixa pensar. Depois de uma noite sem dormir, lá vai ela de malas aviadas para o hospital com o estomago embrulhado e o coração nas mãos.

Diagnóstico: Inconclusivo, os Pipis lá estavam quietinhos e bem com os coraçõezinhos a bater, estavam cheiinhos de fome, porque com a brincadeira toda a mãe não conseguiu comer nada... Tive direito a sermão e tudo.

Tratamento: Benuron, repouso e... Aguardar...

Domingo, alguns benurons depois: A dor cedeu, deu lugar a um pequeno caroço no fundo da barriga, do lado direito. Mais filme... Mas decidi aguardar até segunda feira (até o médico tem direito a descansar).

Segunda-feira, depois de um telefonema ao médico, ordem de marcha para a urgência para vermos o que se passava.

Diagnóstico: Pequena hérnia de esforço, que se piorar pode necessitar de cirurgia.
Tratamento: Poucos esforços, cinta "gigante" e aguardar... Sempre aguardar...

Ontem era dia de consultas de infertilidade lá no hospital, estavam lá uma quantidade de casais, aos quais reconheci aquele misto de resignação e esperança, que caracteriza todos os casais que andam nestas lides. Enquanto esperava, ao olhar para eles quis chorar; quis gritar-lhes bem alto, que fugissem, que saissem dali, enquanto ainda conseguem controlar os acontecimentos das suas vidas, quis dizer-lhes que o tão almejado positivo é só o primeiro passo para a loucura absoluta, e que aquilo que passam nos tratamentos não é nada comparado com o que vão passar depois do positivo.

A linha ténue entre a sanidade e a demência absoluta, o medo, o terror puro e duro, é a distância que vai entre o positivo e a conclusão de uma gravidez, principalmente se for gemelar. Olho agora para trás e vislumbro todo o percurso que fiz entre 4 de Agosto e hoje e sei que foi de sobressalto, de susto, e a determinada altura de puro medo.

Lembro da minha vida anterior a 26 de Junho e vejo, que apesar do "handicap" da minha vida, eu ainda conseguia rir, andava despreocupada. Hoje só quero procurar um refúgio para poder enfiar a minha cabeça. Daí a anedota da cabeça no tablier... A minha estava na marquesa.

Esta amigas é a distância que vai...

Beijos a todas

quarta-feira, novembro 08, 2006

O maravilhoso mundo da informática - parte 5000

Pois é amigas, vim cá para deixar notícias rapidinhas acerca da minha ausência. Está tudo bem (pelo menos aparentemente) comigo e com os "meus ricos filhos". Estive a semana passada no médico e ele achou que eles eram umas "peças" das boas. O meu gémeo exibicionista, não parava de se mexer e de se virar, pelo que o médico considerou a mobilidade dele de excelente (acho que deve ser bom), enquanto eu não conseguia parar de pensar: "Este vai ser bom para a tosse, vai, vai!"

O outro Pipi, o mais calmo, também se mexia bem e parece estar em boas condições físicas pois encaixa-se cá no fundo da barriga da mamã e só depois de eu lhe dar alguns "piparotes", é que consigo "pôr o tipo a mexer". Isto serve também para dizer que já sinto os pequenotes, ainda que ténuemente.

A barriga, cresce, cresce, cresce, e... cresce!

Não tenho vindo cá porque tenho os meus pcs todos (todos mesmo) sem internet, o que único que se safa é o de casa e nem sempre o posso utilizar porque o A nem sempre está pelos ajustes. Os vírus e o spyware infestaram os pcs e isto tem sido horrível, trabalho acumulado, trabalho por fazer, dores de cabeça, "ranger de dentes", etc...

É o maravilhoso mundo da informática no seu melhor!

Logo que possa retomo as lides nos vossos bloguinhos para ver as novidades de cada uma das minhas meninas. Espero encontrar muitas e boas!

Beijos a todas