
Num país onde nos acostumamos a viver paredes meias com situações absurdas de: "rendimentos de inserção social", jogadores de futebol que por mês ganham mais do que muitas pessoas a vida toda e apesar disso ainda estão isentos de tributação em 40%, "apitos dourados" e Carolinas Salgado. Vamo-nos habituado a conviver pacificamente com certo tipo de situações absurdas e pior, achamos já tudo isto muito normal.
Uma das coisas que me tira do sério, é o funcionamento de certas repartições públicas, não sei se sentem o mesmo. O denominador comum é o bando de funcionários públicos que existem nesses sítios, alguns dos quais com (desculpem-me dizer isto) muito mau ar, que falam uns com os outros , passeiam alguns papéis, ou então olham atentamente para o monitor do Pc à sua frente como se de algo inóspito se tratasse (se repararem, os teclados quase nunca são utilizados, e quando o são é como se fosse algum objecto alienigena). Enquanto isso, assistimos a uma aglomerar pacífico de pessoas, nos balcões de atendimento, que aguardam que algum funcionário se digne vir, de semblante carregado, atender.
No top dessas instituições temos: Os centros de saúde, os centros regionais de segurança social, as repartições de finanças, e muitos outros como nós todas sabemos.
Pior, acontece que as informações prestadas por esses organismos são díspares, ou seja o mesmo assunto poderá ter diversas abordagens mediante o funcionário que nos atende, o que é certo é que são raras as vezes em que depois de um pedido de informação para a formalização de uma qualquer burocracia, e depois de virmos para casa/escritório organizarmos inacreditável parafrenália de papel que geralmente nos é exigida para a realização do acto mais simples que possa existir, chegados novamente ao local do crime, o funcionário que nos atende, que já é diferente anterior, nos diz que falta mais isto ou aquilo, e aquela sensação de "dever cumprido vou-me ver livre destes gajos por mais uns tempos" que levavamos juntamente com a papelada desaparece enquanto nos invade um misto de sensações.
Ora, é nesta hora que rapidamente o nosso cérebro começa a debitar informação e é neste lapso de tempo que temos de tomar uma decisão que pode ser de 2 tipos:
A primeira, vimos embora com a nossa derrota e preparamo-os para mais uma maratona de papel por pelo menos 3 ou 4 vezes (dependendo do numero de funcionários que nos atende e do seu estado de espírito);
A segunda, partimos para a ignorância, puxamos pelos galões e fazemos uma velha e boa peixeirada, e aí vemos os tipos correrem de um lado para o outro para céleremente resolverem o nosso problema, não vá os outros tipos da fila também começarem a arrebitar cachimbo e começar tudo a descambar.
Eu cá sou adepta da segunda, é evidente que não sou mal educada, mas gosto de competência no trabalho e sobretudo de ser bem atendida. Se isso não acontece, apelo logo aos superiores hierárquicos e ao "afamado" livro de reclamações: Nunca falha!
Ora, mas isto não acontece em todos os sítios, em todas as repartições, portanto queridas amigas não se deixem levar. Existem instituições onde pura e simplesmente não se deve reclamar (muito). É o caso das repartições de finanças, não vá os tipos ficarem com o nosso nº de contribuinte debaixo de olho para depois nos mandarem uma fiscalização.
Isto para vos contar uma situação caricata que me aconteceu. Como sabem estou em casa com aquilo que é a denominada "gravidez de risco", muito sucintamente, para quem não sabe, a gravidez de risco, dá direito ao pagamento de 100% do nosso salário ilíquido, mediante a apresentação de um formulário próprio.
Este processo que poderia ser simples, de per si é muito complexo, ou seja: Nós temos de ter a baixa, depois temos de arranjar os impressos da gravidez de risco, preencher, levar à entidade empregadora para preencher e carimbar, pedir um documento comprovativo do NIB ao banco, juntar declaração médica e entregar num centro regional de segurança social (ufa... já estou cansada). É claro que entretanto, as crianças que estão em risco, podem já ter nascido.
Depois de tudo isto, pensamos: Ah que fixe agora não tenho de me preocupar mais!
Mas não!!! Pura ilusão! Depois disto tudo, temos de entregar um requerimento para cada período de baixa, até porque aquilo que era de risco pode deixar de ser (não sei bem como, mas enfim...). E temos de voltar à entidade patronal, e temos de anexar a declaração do médico e temos de entregar novamente na segurança social, ou seja se estivermos de baixa 7 meses temos de entregar 7 requerimentos...
Ora eu, depois de ter cumprido todas as formalidades já por 2 vezes, sentei-me pacientemente em casinha à espera do dito pagamento. Até que ontem me chegou uma cartinha datada de 28/12, a dizer que tinha de ir ao médico de família para pedir uma declaração de gravidez de risco. E eu, uma vez mais coloquei a minha gravidez em risco devido à fúria da mãe dos meus filhos.
Então isto é tudo maluco ou o que se passa?
Eu tenho baixa passada por instituição hospitalar, por um hospital maternidade, tenho uma declaração de um médico especialista em ginecologia e obstetrícia, e o meu médico de família nem sequer sabe que eu estou grávida quanto mais com gravidez de risco, eu estou de repouso em casa e agora tenho de ir ao centro de saúde??
Bem, depois de ter digerido isto durante a noite, hoje de manhã liguei para o serviço de expedição da dita carta e afivelei a minha voz mais doce a que uso quando estou prontinha para fazer alguma). Depois de ter me passarem de departamento em departamento (outra das coisas que me irrita de verdade), lá encontraram a alma que estava com o processo, à qual expliquei de forma incisiva e clara tudo isto. Depois de alguns desenhos, lá consegui q a Srª percebesse e acedesse a aceitar uma declaração do hospital para eu não ter de ir ao médico de família. Mais ainda me disse para lhe enviar directamente para ela sem precisar de ir entregar à segurança social, e ainda que se tivesse a declaração lá até dia 18 ainda me metia no processamento desse dia.
Bem, isto tudo porque,a declaração apesar do ser do médico do hospital, ia passada numa folha timbrada com o nome dele e não do hospital, acham isto normal?
Se alguém tiver paciência para ler este post até ao fim parabéns,merece um prémio.
Beijos a todas