segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Grandes mudanças


Queria dizer que não despareci em combate, tenho andado por cá com problemas na internet, num "Portugal no seu melhor", mas disso falarei noutra ocasião, agora vou prosseguir com o meu relato.

Até às 18 semanas, a metamorfose do nosso corpo dá-se de forma gradual, a partir desta fase, as alterações fazem-se sentir de forma muito mais acentuada. Acho que é porque nesta fase os nossos rebentos começam a crescer e a exigência dos recursos da mãe é enorme, principalmente para as mamãs de gémeos.

A barriga, da noite para o dia cresce, cresce e cresce; Começamos a ter uma maior dificuldade de respiração quando subimos umas simples escadas; O nosso cabelo, unhas e pêlo deixam quase de crescer (o que até nem á mau para quem é "peludinha" como eu), todo o nosso organismo está virado para aqueles seres e para suprir as suas necessidades.

Também é nesta fase que sentimos os primeiros movimentos dos bebés, eu pelo menos foi por volta das 18/19 semanas que senti os pipizes pela primeira vez. O movimento como uma carícia interna, parece que alguém anda a "nadar" dentro do nosso corpo. Ao ínicio, esses movimentos sentem-se esporádicamente, quase que passam despercebidos... É uma sensação tão nova, que não se consegue descrever, e boa, muito boa.

Com 18 semanas apanhei o meu primeiro susto, deve haver algures um post a relatá-lo, portanto não me vou alongar. Foi quando fiz a hérnia de esforço. Foi um medo horrível que senti, chorei imenso antes de ir para o hospital, e mesmo lá, as lágrimas teimavam em querer cair. A enfermeira e a médica que me atenderam perceberam que estava muito nervosa e não me abandonaram um minuto.

Nessa altura, e devido ao que já falei no post anterior, devo dizer-vos que andava aterrorizada, e que qualquer coisa me parecia uma enormidade. Só não fui mais vezes para a urgência por vergonha...

Para além da hérnia de esforço que felizmente não se voltou a manifestar até à data, lá vim eu para casa com os meus tesouros mais valiosos: Os pipizes.

Por esta altura, já pouco conseguia ver para além da barriga, mas ainda consegui ver a ponta dos pés, relativamente aos outros orgãos externos, só de espelho, porque de resto já nem com muito boa vontade conseguia ver se as virilhas estavam ou não depiladas...

O mais engraçado é que em cada fase, achamos que já estamos enormes e que será impossível ficarmos ainda mais. Mas desiludam-se, é sempre possível ficar mais e mais enorme, e perder o controle absoluto do nosso corpo.

Os orgãos internos começam a ser "tomados" de assalto: O nosso estomâgo, o nosso intestino, tudo fica alterado, é nesta fase que já estamos muito bem (leia-se: Sem enjoos), que começamos a ter uma azia terrível, e que o nosso organismo armazena quantidades de "metanol" que julgavamos simplesmente não existirem.

Ás 21 semanas foi outro susto, este mais efectivo do que o outro. Estava com contracções, ainda que não dolorosas. Passo a explicar, para as meninas que não sabem (assim como eu não sabia), as contracções são quando sentimos repentinamente a barriga endurecer muito, a sensação deve ser mais ou menos a do peixe quando é apanhado na rede e depois esta começa a apertar, a apertar até ficar só numa bola onde vai juntar o peixe todo. Sentia essas contracções muito seguidas, e colocava a mão na barriga e sentia que ela estava dura como pedra. Mais uma vez urgência, exames de sangue, de urina... Indicação de repouso e magnésio, muito magnésio.

Passados 3 dias a sensação não passou e começamos a fazer medicação específica para as contracções e foi quando vim para casa para a sornice. Desta vez, para ficar.

As primeiras semanas, que passei em casa, no "vai não vai", foram muito duras. Sabia que se acontecesse alguma coisa naquelas semanas, o resultado seria desastroso, e chorava muito, nas horas que passava aqui sózinha. Cada dia sentia como uma vitória dos meus pipizes e sofria muito só de pensar que não sabia o que iria acontecer no dia seguinte. Foram umas semanas conturbadas, em que nem queria que ninguém falasse comigo, e qualquer coisa me fazia chorar.

Só no Natal (devia andar por volta das 26 semanas), dissemos a toda a gente que os nossos pipizes eram um "ele & ela", e só a partir de janeiro autorizei a que me dessem alguma coisa para eles. Até essa altura, mais ou menos 26/27 semanas não tinha nada cá em casa que me lembrasse que ia ter um bebé, quanto mais dois.

Também, depois dessa altura, comecei a ter verdadeiras invasões de coisas para eles, e acho que foi só aí que me apercebi como estes pipizes são desejados, não são por nós, mas por toda a família e amigos. Alegro-me imenso, por todo o amor que os rodeia, apesar de ainda estarem na barrigota, mas entristeço-me porque muitas crianças não têm 1/3 sequer desse amor, nem são desejadas como eles são.

Os movimentos deles também são mais intensos a cada semana que passa, quanto mais eles crescem, menos espaço têm, mais sentimos. As mamãs de gémeos conseguem, a maior parte das vezes, saber qual é que está a mexer, se bem que é complicado. E eles têm já um ritmo próprio, e certos horários, que eu costumo chamar de "hora do recreio", em que me ponho com a "super" barriga ao ar a ver a frequente ondulação e a tentar imaginar o que se passa lá dentro.

Por hoje fico por aqui.

Beijos a todas

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Finalmente grávida



No dia 2 de Outubro, fui fazer a ecografia das 12 semanas. Após uma seca descomunal (isto do funcionamento dos hospitais públicos deixa muito a desejar), lá entrei. Numa fase inicial, a médica, que era amarga como rabo de gato, nem tugiu nem mugiu, quanto mais mostrar-me o que se estava a passar ou fazer qualquer tipo de descrição. Chegou uma altura que eu já duvidava da existência das criancinhas.

Mas, no fim lá me deu uns minutos de tempo de antena e me mostrou o que tinha estado tanto tempo a ver. Aqui, nesta altura, já vi filhos... Aqui já vi seres humanos com as perninhas e os bracinhos e os dedinhos... Tudo lá, tudo formadinho ainda que em micro ponto. Existe neste blog uma foto dos pipizes dessa altura e um relato mais ou menos pormenorizado, pelo que não me vou alongar.

Foi aqui, que na verdade vi seres humanos e que a minha gravidez me começou a parecer mais real, se bem que como ainda não os sentia, parecia que estava a ver imagens de outra pessoa, apesar do ecógrafo estar a deslizar bem em cima da minha barriga.

Nesta fase também, comecei a usar roupa de grávida, os soutiens, as calças, etc. Apesar das minhas calças já há muito não me servirem (não as conseguia fechar). Mas antes desta altura, achava eu que podia dar azar e não usei nadinha. Depois comecei a usar, aquelas peças básicas que me faziam falta (as calças e os soutiens), porque quanto às camisolas e acessórios comprei iguais aos outros só um pouco maiores e ainda é o que uso.

Como sempre ouvi dizer que os enjoos passavam às 12 semanas, fiquei toda contente à espera que do dia para a noite eles desaparecessem, mas nada... Continuava naquela vidinha de vomitório maravilhosa. Só por volta das 15/16 semanas eles começaram a dar tréguas, por isso amigas enjoadas... Aguentem-se que ainda falta um bocado (mas isso não é o pior, o pior é que eles voltaram a partir das 27/28 semanas... Pois é!!).

Ás 15 semanas foi altura de amniocentese, não porque existisse algum risco dobrado. A ecografia das 12 semanas mostrava parâmetros absolutamente normais, o risco era bastante baixo, fiz o rastreio bioqimico integrado e tudo. Mas como tenho já 35 anos, e o rastreio bioquimico para gravidez gemelar não é muito conclusivo, achei que era só mais uma provação e decidi fazer a amniocentese.

Digo desde já que o conceito que se espalha da amniocentese como "bicho papão", é um bocado isso mesmo... um conceito. Não digo que não ia nervosa. Claro que ia nervosa, não tanto por mim, mas com medo por eles (os pipizes). Quem me calhou na rifa, foi aquela médica azeda como rabo de gato de que vos falei acima (ao que tudo indica muito mais competente do que simpática). E quando vi aqueles instrumentos de tortura (as agulhas gigantes e as seringas gigantes), fiquei assim um bocado apreensiva. Não se esqueçam que na amniocentese gemelar tem de se picar 2 vezes, porque cada bebés está separado do outro.

As picadas a bem da verdade não me doeram muito, so tive de me contorcer um bocado para ver a seringas do liquido para verificar que saiam amarelinho, que não tinham sangue. A minha principal preocupação era que me picassem os pequenitos. De resto, o procedimento não custa nada, para quem passou por FIVs ICSIs e outros ttts do género, por isso amigas já está tudo vacinado.

Entretanto surgiram aqueles acontecimentos que nos entristecerem a muitas de nós e que enlutaram a blogosfera. As perdas das 2 amigas que esperavam como eu os seus gémeos: A Susana e a Claúdia.

Confesso que essa fase simbolizou uma viragem para mim. Se por um lado já não tinha enjoos, tinha feito a amniocentese e tinha corrido bem, aqueles dois acontecimentos tão seguidos e com historial tão semelhante fez com que andasse todo o tempo que decorreu desde aquela data completamente em pânico.

Entretanto estavamos nas 18 semanas.

Beijos a todas

quinta-feira, janeiro 25, 2007

A dupla confirmação

No dia da ecografia, ou melhor dizendo na véspera do dia marcado para fazer a ecografia, lá fomos nós ao hospital. Fomos na véspera porque o meu médico não estaria lá no dia marcado e tanto ele como eu queriamos que fosse ele a fazer aquela eco. Foi ele quem esteve presente desde o primeiro momento e só falhou uma etapa do tratamento (a transferência), continua connosco, e espero que seja ele a pôr-me os meus bebés no colo.

Quando cheguei ao hospital, para fazer a ecografia, o meu estado de espírito era um misto de sentimentos que não consigo adjectivar. Se por um lado tudo indicava que a gravidez estivesse lá, por outro lado tinha medo desses sintomas serem tão somente psicológicos e afinal tudo não passar de um grande equívoco.

O médico veio buscar-nos à porta, e a primeira coisa que me disse foi:

- A M. está mesmo com cara de grávida!

Lá fomos nós rumo à célebre "sala 5", e enquanto me despia nem sabia o que pensar. Não porque estivesse acanhada por uma vez mais ter de tirar as cuequitas e ir para a denominada "posição de ataque", porque essa posição já não me incomoda nada de tão habituada que estou.
Era o que iria ver a seguir que me incomodava.

Não o facto de ser um ou dois bebés, até porque devo dizer-vos que o coração de mãe nunca se engana, e eu sempre disse, que seriam os dois, isto apesar de o médico me ter dito que pelo valor da análise podia ser só um. Eu sempre disse: - Eu coloquei lá dois e até prova em contrário estão lá dois.

E lá estavam... Os dois.... Saquinhos pequeninos com uma luzinha a piscar. Parecia inacreditável naquela altura que "aquilo" seriam os meus futuros filhos, e pior... Que aquelas coisas tão pequeninas andavam a fazer-me sentir tão mal.

Depois das queixas (minhas claro), depois da alegria colectiva e da apreensão médica relativamente à gravidez gemelar e todos os seus riscos (que eu na altura considerei como muito pouco importantes). Marcamos uma nova ecografia para dali a 2 semanas para podermos ver a evolução dos pequenos embriões.

Não fui daquelas que chorou baba e ranho na primeira eco, e que lá viu mundos e fundos. O que vi foram apenas dois saquinhos com uma luzinha a piscar, e que em nada se pareciam com os pequenos seres em que viriam a transformar-se, a verdade é que foi muito difícil para mim vislumbrar dois bebés naqueles pequenos sacos.

As duas semanas que se seguiram foram de intensificação de sintomas, aquilo que de ínicio eram ténues marcas da indisposição e de nausea transformou-se em verdadeiras odisseias de má disposição nauseas e mal estar generalizado.

Se vos disser que até enjoei a minha casa de praia, se calhar acham exagero da minha parte, mas juro-vos que depois de vir de férias só lá voltei passados 2 meses e desde essa época só lá fui passar um fim de semana.

Acordava logo de manhã muito mal disposta, levantava-me sempre à mesma hora por causa da medicação: O Zumenon e o Utrogestan. Tinha de comer qualquer coisa, e tudo me sabia mal. Certos alimentos pura e simplesmente não conseguia sequer sentir-lhes o cheiro, quanto mais olhar para eles. Andava tão cansada e com um mal estar generalizado tão grande que não me apetecia nem sequer falar.

Quando fomos fazer a eco das 8 semanas, só me queixei. Eu que andei tantos anos para ter um filho no ventre e agora tinha a benção de ter dois. Isn't it ironic?

Nessa consulta já vim medicada com o "santo" Nausefe, que eu ingenuamente achei iria ser a chave para a resolução de tudo, mas não... Nem com Nausefe a coisa melhorava. Depois dos enjoos comecei a vomitar... De manhã, ao meio da noite... Enfim quando me apetecia, principalmente quando tinha o estomâgo vazio.

Apesar de já ter começado a trabalhar, sentia-me miseravelmente mal e confesso que muitas vezes pensei que se soubesse que era tão mau se calhar não tinha tentado, pensava alguém me podia ter avisado disto...

Claro que isto eram pensamentos "in extremis", claro que a maior parte do tempo não perdia de vista o sonho em realização, mas não posso ocultar esses pensamentos nem fingir que nunca os tive. Este foi um dos motivos pelos quais na maior parte das vezes não partilhei convosco esta minha aventura no mundo da criação humana. Sentia que de alguma forma, vocês achariam que eu era uma palerma ingrata e que vocês, as que ainda não conseguiram a realização do sonho, até dariam muita coisa para estarem no meu lugar e eis que eu só me queixava.

No seguimento desta sintomatologia, comecei a perder peso, e decidi que estava na hora de ir a uma nutricionista para ver de que forma poderia ajudar-me a comer saudavelmente dentro daqueles parcos alimentos que eu conseguia ingerir. Tinha de fazer algo, porque os Nausefes não ajudavam e eu não aguentava mais.

Digo-vos que foi das melhores coisas que fiz. Com a dieta prescrita, seguindo os horários prescritos, e com a ajuda dos Nausefes lá consegui melhorar a minha qualidade de vida, e nos dias em que até andava melhorzinha dava-me ao luxo de ficar preocupada a pensar que algo estava mal com os meus pequenos embriões, andava sempre de um sentimento ao outro, se enjoava é porque enjoava, se não enjoava é porque não enjoava e os bebés não estavam bem.

As calças continuavam abertas para não apertarem a barriga, e o sindrome do WC sempre presente.

Aos empurrões e com algum esforço lá chegou a data da ecografia das 12 semanas.

Beijos a todas

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Do sonho à realidade

Quando recebi o telefonema a dar-me a boa notícia do positivo, fiquei como é evidente eufórica. Lembro que estava com uma grande amiga, e que quando o telefone tocou não me apetecia atender, pelo que lhe disse:

- Atende tu... Não tenho coragem!

Ela responde:
- Eu também não, não consigo...

Resignada à minha sorte, lá atendi o telefone, e ouvi a voz da enfermeira Susana do outro lado a dizer-me que tinham o resultado e que era positivo. Ainda perguntei o valor, o qual não fixei com certeza e ainda a ouvi dizer:

-É um positivo bastante positivo.

Depois disso foi uma alegria, a minha amiga que estava prestes a desfalecer, abraçou-se a mim e fizemos a festa ali mesmo em pleno horário laboral, no meio de uma loja.

Seguiram-se os telefonemas obrigatórios e a respectiva euforia. Confesso que não foram muitos os telefonemas porque somente um punhado de gente sabia deste tratamento. Como todas sabemos estes assuntos são polémicos pela carga emocional que transportam consigo, e o facto de termos uma imensidão de gente a perguntar-nos a toda a hora se já sabemos, se deu resultado, etc... Não ajuda muito.

Depois disso foi o regressar à realidade, o assentar os pés no chão, e a sensação que tive naquele mesmo dia foi a sensação de "day after". Sabem, aquele dia a seguir a uma grande festa, bem regada, em que acordamos e nos sentimos todos partidos como se um autocarro de 2 andares tivesse passado por cima de nós? Pois é assim mesmo.

Eu só pensava e agora? Como vai ser agora? Que faço? Tinha tantas dúvidas na minha cabeça, que ela parecia querer sair dos meus ombros e ir embora.

Acho que o sentimento é normal, esta é a fase em que passamos do sonho à realidade, se bem que a realidade ainda não esteja ali nem se faça sentir. Porque durante a fase anterior (a fase do sonho), a única coisa em que pensamos é no positivo. Eu pelo menos era assim, o meu horizonte levava-me até ao positivo e/ou negativo, não vislumbrava mais além.

Eis que me deparo com um horizonte demasiado longinquo para poder abarcar com o meu olhar, e só o simples facto de começar a trilhar um caminho desconhecido e pouco iluminado estava a deixar-me inquieta.

Por isso, após a euforia inicial fiquei estática e não queria partilhar com ninguém a notícia nem autorizei a que quem sabia a divulgasse.

No dia a seguir, dia 5 de Agosto, fui de férias, a altura era perfeita pensei eu. - Agora vou tirar uns diazinhos de descanso e poder disfrutar desta situação em todo o seu esplendor.

Fomos para a praia.

Levamos as malinhas, e lá fomos nós.

Engraçado como nós engravidamos logo psicologicamente, mesmo antes dos sintomas fisicos se fazerem sentir. Por aquela altura tinha 4 semanas de gravidez e já achava que a barriga me estava a crescer. É bem verdade que depois dos tratamentos ficamos sempre mais inchadas, mas daí a com 4 semanas já termos medo de apertar os botões da bela calça porque achamos que vai massacrar os babies... É um exagero! Então passei o mês de Agosto com roupas largas e botões desapertados.

Outro sintoma de gravidez aguda é o síndrome do WC, ou seja, vamos muitas vezes lá, ainda que não tenhamos vontade só para espreitar a cuequinha e o papel higiénico e para vermos se não há sinal do dito cujo que sempre nos assombrou (desengane-se quem pensa que este síndrome passa... Não passsa! Pelo menos a mim não passou até hoje).

De repente, sentimos que se passa tudo e que não se passa nada. Ou seja, estamos grávidas, mas não temos barriga, não sentimos nada de diferente connosco e não fazemos idéia daquilo que se passa dentro do nosso organismo.

De repente estou na praia... Apetece-me deitar de barriga para baixo e dormir uma soneca (posição preferida num belo dia de praia), de repente penso: -Mas será que se me deitar de barriga para baixo não vou esmagar os meus babies??? - na dúvida não me viro, passo o mês inteiro deitada de frente ou de lado, nunca de barriga para baixo.

Depois tinha o maravilhoso Utrogestan, 3 vezes por dia. Pensamento nos dias de calor: -Será que posso dar um mergulho?? Uma nadadela?? Mas se vou para a água esta porcaria sai toda e depois não faz efeito...- Conclusão, 3 semanas sem um mísero banho de mar, só molhar os pézitos.

Depois a prostração começa a apoderar-se de nós, os nossos "simpáticos parasitas" começam a precisar da nossa energia, e nós vamos aos poucos sucumbindo e as tardes passadas na sorna à sombrinha no terraço sabem tão bem.

Por volta da 6ª semana começam os sintomas: Os cheiros, o cansaço, os enjoos, as alterações no peito, e outras pequenas nuances que vão aparecendo e nos fazem pensar que apesar de ainda não termos nada visível, há ali alguma coisa que não está bem. Acho que deve ser por volta desta altura que as mulheres que engravidam naturalmente se apercebem que estão grávidas. Há ali qualquer coisa diferente que não sabemos explicar (é claro que temos aquelas super grávidas que nunca sentiram enjoos, etc, etc).

Também é nesta fase que aparece o reflexo de andar agarrada à barriga, acho que é o instinto de protecção materno que se apodera de nós. Desde a mais tenra idade achamos que os podemos proteger de tudo e andamos sempre com uma mãozinha na barriga.

Duas semans depois do positivo, eis que surge a ecografia de confirmação (pelo menos no hospital onde fiz o tratamento é assim), e são vários os sentimentos que nos assolam na véspera desse exame tão importante, porque nunca sabemos o que vamos encontrar.

Beijos a todas

terça-feira, janeiro 23, 2007

Relatos de uma grávida


Queridas amigas, hoje sim, já tive água quentinha para tomar banho (e que bem que me soube). De manhã fui fazer as maravilhosas análises da glicémia (e não só), e só vos digo espero honestamente que esteja tudo bem porque beber aquela droga é muito mau.

Hoje também quero iniciar aqui, uma série de relatos acerca da minha gravidez, pelo que irei recuar um pouco no tempo. Estes relatos servirão, não só para mim no futuro, para recordar episódios que de outra forma poderiam ficar perdidos no tempo, e para as minhas amiguinhas treinantes para que fiquem a saber (de alguma forma) com aquilo que podem contar.

Nesta fase estão vocês a pensar, mas porquê agora, e não antes. A resposta a essa vossa questão é simples. É agora porque a sorna ajuda a ter um bocadinho mais de tempo disponível para me dedicar a estas questões bloguisticas, e também porque de alguma forma (e sem certezas nenhumas) se começa a vislumbrar uma luz no fundo do túnel, e a possibilidade de vir a conhecer os viajantes que me acompanham desde 26 de Julho se torna cada vez mais possível.

A imagem com que ilustro este post é representativa da forma como tudo começou, é verdade que eu não fui das mulheres que conseguiu conceber um filho da forma mais divertida, na privacidade com o meu marido, foi tudo feito com a menor privacidade possível, e essa é uma verdade que nunca poderei nem quererei esquecer. Se vou ou não falar acerca disso com os meus filhos, algum dia, isso ainda não decidi.

Depois da odisseia da cabeça na marquesa, todas sabem que tive o meu positivo no dia 4 de Agosto de 2006, o relato que farei nos próximos episódios será a partir dessa mesma data.

Beijos a todas

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Peripécias de uma mulher grávida

Hoje de manhã acordo para o belo banho reconfortante com o qual costumo iniciar o meu diazinho de sorna (depois do pequeno almoço claro), o A. já tinha saído, e eu toda contente, casa de banho quentinha, roupinha lavada, os cremes para "barrar" o corpo prontinhos, aguinha a correr quentinha... Enfim, tudo a que uma pobre grávida tem direito.

Entro, passo a aguinha, ensaboo-me e ... Eis que a água começa a sair morna, mais morna... Fria, Friissima, eu ensaboada e barriguda dentra da banheira fecho a água... Volto a abrir, encosto-me a um canto para não sentir a água fria, verifico que a água continua a correr FRIA, GELADA.

- E agora?? - "Think fast! Think fast!"" - Tenho de ir ver o que se passa com a caldeira, mas estou ensaboada, lá fora está muito frio...

Saio da banheira embrulho-me na toalha e vou a praguejar à caldeira. Está desligada, uma luz vermelha a piscar, profiro aquelas palavras feias, volto a ligar a caldeira... Nada! Estou gelada!

Coloco uma panela com água no fogão, vou novamente para a casa de banho (pelo menos lá está mais quente), aguardo um bocado, vou buscar a panela e com uma toalha começo a operação de retirar o gel de banho que a essa hora já estava sequinho no corpo, profiro mais uns saborosos palavrões e alguns adjectivos pouco simpáticos dirigidos à mãe do homem que ainda no fim do ano esteve a fazer a revisão da caldeira. Lá consegui lavar-me à gato.

Já vestida e cheia de comichões (é o que dá tomar banho à gato), fui novamente à caldeira, e não é que ela já disparava? Acham isto normal?! (mais alguns adjectivos pouco simpáticos), e a água jorrava quentinha. Pego no telefone e ligo para a empresa que dá manutenção à dita...

Passado 1 hora estava o técnico à porta. A estúpida continuava como se nada fosse(a caldeira claro), o homem olhava para mim a pensar com os botões dele - A gravidez desta subiu-lhe à cabeça... - depois de muito insistir que não estava louca (apesar de fechada em casa), o homem lá conseguiu descobrir que havia um mau contacto e espero eu repará-lo.

Espero honestamente que sim, porque não deve haver nada pior do que não termos água quente para o banho no Inverno, e ainda por cima assim barriguda que nem sequer posso andar a esvoaçar-me pela casa fora correndo o risco de cair. Este foi mais um dia da aventuras de uma grávida sornante, amanhã vou tirar análises e fazer aquela maravilhosa da glicémia (mais uma aventura).

Beijos a todas

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Mais uma visita

Ontem tive mais um pouco de Pipizes. É claro que nesta fase eles já estão grandinhos e começa a ficar dificil de visualizar o que quer que seja nas ecografias, aquilo é uma misturas de pernas, braços, cabeças, etc. Só conseguimos vê-los aos bocadinhos.

Francamente não sei como os médicos conseguem distinguir o que quer que seja naquele emaranhado, porque eu realmente não consigo.

Ora, os amigos pipizes não param quietos e se na anterior eco estavam já em posição cefálica, ontem já estavam atravessados na barriga da mamã. A M. segue o irmão para onde quer que ele vá e continuam cabeça com cabeça, sempre encostadinhos (que remédio).

E estão gordinhos, então, ás 27 semanas e 6 dias: O L. pesava 1328 grs, a M. pesava 1283 grs. São definitivamente uns comilões estes pipizes. Segundo o médico estão no percentil 75.

Aqui seguimos quietinhos, espero eu por mais uma quantidade de semanas.

Beijos a todas

sábado, janeiro 13, 2007

Efeméride



Faz hoje exactamente 1 ano, era uma sexta-feira 13, que abrimos o processo no Hospital Público onde fiz o tratamento.

Tudo o que se passou até aqui parece tanto e tão pouco ao olhar para trás. Se por um lado há 1 ano atrás não acreditava que iria necessitar de fazer qualquer tipo de tratamento, por outro a possibilidade de uma gravidez parecia pertencer a uma outra pessoa.

Hoje, passado 1 ano, somos 3 aqui sentados a escrever este post, embora 2 de nós ainda não estejam efectivamente presentes, intrinsecamente no entanto, não deixam de se fazer lembrar e notar.

E eu que até nem gostava de sextas-feiras 13!

Beijos a todas e bom fim de semana.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Portugal dos pequeninos


Num país onde nos acostumamos a viver paredes meias com situações absurdas de: "rendimentos de inserção social", jogadores de futebol que por mês ganham mais do que muitas pessoas a vida toda e apesar disso ainda estão isentos de tributação em 40%, "apitos dourados" e Carolinas Salgado. Vamo-nos habituado a conviver pacificamente com certo tipo de situações absurdas e pior, achamos já tudo isto muito normal.

Uma das coisas que me tira do sério, é o funcionamento de certas repartições públicas, não sei se sentem o mesmo. O denominador comum é o bando de funcionários públicos que existem nesses sítios, alguns dos quais com (desculpem-me dizer isto) muito mau ar, que falam uns com os outros , passeiam alguns papéis, ou então olham atentamente para o monitor do Pc à sua frente como se de algo inóspito se tratasse (se repararem, os teclados quase nunca são utilizados, e quando o são é como se fosse algum objecto alienigena). Enquanto isso, assistimos a uma aglomerar pacífico de pessoas, nos balcões de atendimento, que aguardam que algum funcionário se digne vir, de semblante carregado, atender.

No top dessas instituições temos: Os centros de saúde, os centros regionais de segurança social, as repartições de finanças, e muitos outros como nós todas sabemos.

Pior, acontece que as informações prestadas por esses organismos são díspares, ou seja o mesmo assunto poderá ter diversas abordagens mediante o funcionário que nos atende, o que é certo é que são raras as vezes em que depois de um pedido de informação para a formalização de uma qualquer burocracia, e depois de virmos para casa/escritório organizarmos inacreditável parafrenália de papel que geralmente nos é exigida para a realização do acto mais simples que possa existir, chegados novamente ao local do crime, o funcionário que nos atende, que já é diferente anterior, nos diz que falta mais isto ou aquilo, e aquela sensação de "dever cumprido vou-me ver livre destes gajos por mais uns tempos" que levavamos juntamente com a papelada desaparece enquanto nos invade um misto de sensações.

Ora, é nesta hora que rapidamente o nosso cérebro começa a debitar informação e é neste lapso de tempo que temos de tomar uma decisão que pode ser de 2 tipos:

A primeira, vimos embora com a nossa derrota e preparamo-os para mais uma maratona de papel por pelo menos 3 ou 4 vezes (dependendo do numero de funcionários que nos atende e do seu estado de espírito);

A segunda, partimos para a ignorância, puxamos pelos galões e fazemos uma velha e boa peixeirada, e aí vemos os tipos correrem de um lado para o outro para céleremente resolverem o nosso problema, não vá os outros tipos da fila também começarem a arrebitar cachimbo e começar tudo a descambar.

Eu cá sou adepta da segunda, é evidente que não sou mal educada, mas gosto de competência no trabalho e sobretudo de ser bem atendida. Se isso não acontece, apelo logo aos superiores hierárquicos e ao "afamado" livro de reclamações: Nunca falha!

Ora, mas isto não acontece em todos os sítios, em todas as repartições, portanto queridas amigas não se deixem levar. Existem instituições onde pura e simplesmente não se deve reclamar (muito). É o caso das repartições de finanças, não vá os tipos ficarem com o nosso nº de contribuinte debaixo de olho para depois nos mandarem uma fiscalização.

Isto para vos contar uma situação caricata que me aconteceu. Como sabem estou em casa com aquilo que é a denominada "gravidez de risco", muito sucintamente, para quem não sabe, a gravidez de risco, dá direito ao pagamento de 100% do nosso salário ilíquido, mediante a apresentação de um formulário próprio.

Este processo que poderia ser simples, de per si é muito complexo, ou seja: Nós temos de ter a baixa, depois temos de arranjar os impressos da gravidez de risco, preencher, levar à entidade empregadora para preencher e carimbar, pedir um documento comprovativo do NIB ao banco, juntar declaração médica e entregar num centro regional de segurança social (ufa... já estou cansada). É claro que entretanto, as crianças que estão em risco, podem já ter nascido.

Depois de tudo isto, pensamos: Ah que fixe agora não tenho de me preocupar mais!

Mas não!!! Pura ilusão! Depois disto tudo, temos de entregar um requerimento para cada período de baixa, até porque aquilo que era de risco pode deixar de ser (não sei bem como, mas enfim...). E temos de voltar à entidade patronal, e temos de anexar a declaração do médico e temos de entregar novamente na segurança social, ou seja se estivermos de baixa 7 meses temos de entregar 7 requerimentos...

Ora eu, depois de ter cumprido todas as formalidades já por 2 vezes, sentei-me pacientemente em casinha à espera do dito pagamento. Até que ontem me chegou uma cartinha datada de 28/12, a dizer que tinha de ir ao médico de família para pedir uma declaração de gravidez de risco. E eu, uma vez mais coloquei a minha gravidez em risco devido à fúria da mãe dos meus filhos.

Então isto é tudo maluco ou o que se passa?

Eu tenho baixa passada por instituição hospitalar, por um hospital maternidade, tenho uma declaração de um médico especialista em ginecologia e obstetrícia, e o meu médico de família nem sequer sabe que eu estou grávida quanto mais com gravidez de risco, eu estou de repouso em casa e agora tenho de ir ao centro de saúde??

Bem, depois de ter digerido isto durante a noite, hoje de manhã liguei para o serviço de expedição da dita carta e afivelei a minha voz mais doce a que uso quando estou prontinha para fazer alguma). Depois de ter me passarem de departamento em departamento (outra das coisas que me irrita de verdade), lá encontraram a alma que estava com o processo, à qual expliquei de forma incisiva e clara tudo isto. Depois de alguns desenhos, lá consegui q a Srª percebesse e acedesse a aceitar uma declaração do hospital para eu não ter de ir ao médico de família. Mais ainda me disse para lhe enviar directamente para ela sem precisar de ir entregar à segurança social, e ainda que se tivesse a declaração lá até dia 18 ainda me metia no processamento desse dia.

Bem, isto tudo porque,a declaração apesar do ser do médico do hospital, ia passada numa folha timbrada com o nome dele e não do hospital, acham isto normal?

Se alguém tiver paciência para ler este post até ao fim parabéns,merece um prémio.

Beijos a todas

sábado, janeiro 06, 2007

Primeiro post adiado

Este não é o primeiro post de 2007, mas podia ser (a Nina antecipou-se!). No dia 4 foi dia de ver os Pipizes, pela primeira vez ao vivo e a cores. Cada dia/semana que passa eles se tornam mais presentes e nós vamos tendo a consciência que realmente corremos o sério risco de virmos a ser pais de 2 crianças lindas (porque são nossas claro). Não é que eles não estejam presentes desde o primeiro dia... É que com o avançar do tempo, eles vão ficando mais fortes e o dia em que poderemos de facto tê-los connosco, começa a vislumbrar-se como uma realidade, sem grandes euforias, sempre tendo em conta que cada passo deste caminho é sempre de incerteza relativamente ao dia seguinte.

Esta é a minha Pipizia, a M., tinha ás 25 semanas e 6 dias 921 grs. Não descolava do irmão nem por nada, por isso não se vê a carinha toda, o tecido anexo é o corpinho do "mano" que é tão quentinhoooo.




Este é o meu Pipizio, o L., tinha com 25 semanas e 6 dias 1023 grs, e é a coisa mais linda... Digam lá!

Já viram que ele é mais gordinho do que ela, e que ela é uma gata borralheira que gosta de estar encostadinha ao irmão a dormir. Enquanto ele come... Ela dorme.

Quanto à mãe tem de reforçar o repouso, porque as contracções teimam em não ir embora, e o cumprimento do colo do útero teima em diminuir. Assim, é reforço da medicação, reforço do repouso e aguardar para ver se estes Pipizes ficam lá dentro mais umas semanas valentes.

Espero que gostem, bom fim de semana.

Beijos a todas

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Boa sorte Nina e Diogo!


Que corra tudo bem na chegada de mais um bebé de ouro!

domingo, dezembro 31, 2006

Último post de 2006...Feliz 2007!


Neste último dia do ano 2006, parece-me lícito e mais do que apropriado, utilizar este meu espaço para uma retrospectiva dos acontecimentos mais marcantes daquele que foi um ano importante na minha vida.

Recordo, que terminei o ano de 2005 de forma muito "sui generis", no final do ano passado tinha tomado muitas decisões de "ano novo", que sabia serem dificéis de conseguir, quer em termos pessoais, quer em termos profissionais. Para além disso, estava com uma infecção urinária do tamanho de uma casa e tinha passado o dia a acompanhar o "Lisboa/Dakar" pelo meio de montes e estava um frio de morrer, isto se tirarmos a chuva.

Quando chegamos a casa para a "passagem do ano", estava exausta, e ainda não tinham dado as 12 badaladas estava já meia a dormir no sofá, nem as pobres 12 passas comi. O facto de estarmos sózinhos também era de "per si" estranho, uma vez que foi a primeira vez (em muitos anos), que não tinhamos combinado nada com os amigos para aquele dia. O A. queria ir ver o Dakar ao Alentejo e os homens conseguem ser muito teimosos quando querem (o meu então é uma "mula").

O ano 2006 começou logo no dia 2 de Janeiro pela primeira tomada de decisão a nível pessoal, foi nesse dia, que com o meu médico decidi estabelecer um prazo de avançar para a FIV.

Em Janeiro ainda tomei grandes decisões a nível profissional, que viriam a culminar com um mês de Março e Abril super agitados, mas que me proporcionaram uma grande alívio e satisfação nos meses vindouros. Havia alguém num dos meus locais de trabalho que era causa de conflitos constantes e causa de problemas gravíssimos. No ínicio do ano foi altura de "bater na mesa" e dizer: -"Vou sair, com aquela pessoa não trabalho mais..."- Mas foi a criatura que me massacrava a vida e o trabalho há 5 anos que foi embora, e posso dizer que a felicidade foi colectiva e que foi um dos momentos mais felizes do ano no dia que isso aconteceu. É claro que, não há bela sem senão, e tive de abdicar de uma coisa (material) de que gostava muito, e em termos financeiros com alguns prejuízos, mas a nível pessoal foi bom, foi excelente. Os prejuízos rapidamente se recuperam e nada existe mais importante que a nossa paz de espírito.

A partir de Abril, o trabalho foi dobrado, mas feito com alegria e motivação extra, a equipa era boa e ficou excelente, os conflitos internos desapareceram e a produtividade aumentou, com benefícios para todos.

Cumpridos que estavam objectivos que considerava prioritários, pois acredito que o facto de andar sob um stress constante em termos laborais não contribuía em nada para poder ter um filho, em Maio decidi avançar para a FIV (estava agendada para Setembro), e em Junho, dia 26, lá comecei o tratamento. O resto, a maior parte de vós já conhece, por isso não vale a pena voltar a repetir.

O ano 2006 também foi importante, porque desde Fevereiro entrei neste "pequeno mundo", aqui aprendi muita coisa, conheci muitas histórias de vida que me fizeram sorrir e outras que me fizeram chorar. Celebrei muitos positivos com verdadeira euforia e entristeci-me com muitos negativos. Rejubilei com nascimentos e fiquei enlutada com perdas.

Foram vocês, antes da maior parte da minha família e amigos a saberem do meu tratamento, foram vocês a saberem em primeira mão as minhas angústias de cada vez que o ânimo desmoronava, foi convosco que partilhei o meu positivo em 4 de Agosto. São vocês, interlocutoras sem rosto (na sua maior parte) que vivem o meu dia-a-dia desde Fevereiro de 2006, e que me deram vontade muitas vezes para prosseguir, porque cada vez que eu julgava que tinha um problema do tamanho do mundo, eis que aparece uma com um problema maior, pronta a reagir e a seguir em frente.

Algumas de vós tive o privilégio de conhecer pessoalmente, outras ainda espero conhecer um deste dias.

Para todas, as que conseguiram durante este ano realizar o seu desejo de fazerem nascer uma vida, para aquelas que como eu aguardam a chegada dos seus bebés de ouro, para as que continuam a luta, para as que tiveram o sonho na mão e o viram desvanecer-se (principalmente para estas últimas), quero desejar um ano de 2007 muito feliz e que consigam realizar todos os vossos projectos, independentemente de conseguirem a maternidade física ou não.

Espero estar cá para acompanhar os sucessos e para consolar nos desaires, porque se é verdade que espero os meus pipis, também não deixa de ser verdade que sei o que custou, em termos psicológicos, para chegar até aqui. A infertilidade é uma realidade, e nunca vai deixar de fazer parte da minha vida, nunca poderei ficar indiferente perante uma mulher que quer um filho e não o consegue gerar, assim como nunca ficarei indiferente perante uma mulher que teve o privilégio de gerar uma vida e se pretende desfazer dela, ou perante aquelas que maltratam os filhos até à morte ou os abandonam à sua sorte.

Esta dissertação toda, só para dizer que tive (até ao momento),um excelente ano de 2006, e só peço que o ano 2007, a ser mau, que seja como este que hoje se finda.

Espero que entrem todas com o pé direito, comam as passas e bebam o champanhe, subam nas cadeiras, etc. que eu por cá vou ficar quietinha cá em casa, e é provável que nas 12 badaladas já esteja embalada a dormitar, porque este estado de pré-mãe, obriga-me a acordar muito cedo para dar o pequeno almoço aos pipis senão eles ficam zangadinhos e cheiinhos de fome.

Excelente 2007 para todas!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Prognósticos... Antes do jogo...

Ora cá fui eu espreitar os prognósticos para o ano 2007, e vejam lá o que dizem as cartas:

PEIXES – Cartas do ano:
O Mundo, O Mago, A Justiça e a Estrela
Peixes terá um ano excelente já que vai saber aproveitar da melhor forma possível as oportunidades que vão surgir. Goza de uma protecção e sorte invulgares mas também há que trabalhar para que esta influência se mantenha. Começará o segundo semestre com energias fortes e vigorosas, terá evoluções muito positivas que o levarão a uma transformação radical na sua forma de estar. Deixe de se punir tanto e confie mais nas suas potencialidades.
No sector sentimental vai passar a dar mais importância à sua actual relação, para trás ficarão dúvidas que em nada beneficiavam a vida a dois. Viverá momentos muito felizes ao longo do ano com mais intensidade a partir de Março. É uma boa altura para fazer planos para uma união. Em Outubro terá de tomar algumas posições de força para chegar a uma definição por vezes terá de se mostrar egoísta para defender as suas convicções pessoais mas no final vai obter o que mais deseja.
No sector profissional terá de fazer de tudo um pouco e não poderá contar com grandes ajudas ou apoios mas também não se vai importar muito com isso já que achará sempre uma forma de se divertir aprendendo a fazer coisas que até então não sabia fazer. O segundo semestre será estável e sólido tudo correrá dentro dos seus planos. Terá de fazer algumas análises e a opinião dos outros pode mesmo ser muito importante. Não terá problemas económicos. Na saúde os seus joelhos podem trazer-lhe alguns problemas.
Melhor compatibilidade com: Caranguejo e Escorpião
Mais desentendimentos com: Gémeos e Balança

Agora que já tenho os prognósticos vou "sornar" mais um bocadito.

Beijos a todas

PS: Sim a prenda no sapatinho foi a confirmação do sexo dos Pipizes: Um Pilocas e uma princesinha...

segunda-feira, dezembro 25, 2006

E no sapatinho...

Este ano, esta foi a nossa prenda, também não tínhamos pedido mais nada...

Queria também partilhá-la convosco, por isso muda o "template" deste blog. O caminho, agora em terra firme, tem tido alguns espinhos, mas tenho fé que chegue o dia em que eu possa desembrulhar os meus presentinhos e finalmente tê-los comigo, e nesse dia mudaremos novamente o "template".


Feliz Natal para todas

terça-feira, dezembro 19, 2006

E a sorna continua...

Num pequeno interregno da minha sorna lá fui eu, a semana passada à consulta e... Mais importante ver os pipizinhos.

Como já era de esperar, a sorna continua, nada de abusos, o máximo de repouso possível.

Os pipizes estavam um mimo, gordinhos, mexidinhos e exibicionistas como é apanágio deles. Com 23 semanitas já pesavam: O mais exibicionista 600 grs; O mais calminho 590 grs. Pois com umas térmitas destas como é que a mãe podia aguentar a barrigota e continuar a andar por aí. Vi algures num site qualquer, que os bebés com 24 semanas pesam à volta das 540 grs, os meus pipizes com 23 pesavam já mais um bom bocado e são dois.

A barriga da mamã está enorme (não! não vou colocar aqui no blog!), ainda noutro dia quando fui à Segurança Social entregar os impressos a Srª que os recebeu me disse:

- Pois também deve estar quase não é?....
Eu para ela:
- Não ainda falta muito tempo...
Ela olha para a Declaração do médico e vê lá data prevista para o parto 30/03/2007:
- Ah pois falta...

Esta semana vamos a mais uns examezitos na sexta-feira, parece que é a única coisa que se faz quando se está grávida...

Beijos a todas

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Os benefícios da sorna...

Depois de quase duas semanas de reclusão intermitente, achei que deveria fazer um pequeno balanço da situação, e fazer uma análise "swat" da mesma (os pontos fortes e pontos fracos). Tal exercício, serve não só para não ficar "biruta" de todo, como também para arranjar alguma "coisinha" para fazer. Então lá vai:


Pontos fortes da sornice:

- Na sorna não precisamos de nos levantar cedo, podemos degladiar-nos na cama o tempo que nos apetecer, sem remorsos:

- Na sorna podemos gozar com o cara metade quando ele se levanta morto de sono para ir trabalhar, depois de uma noite mal dormida, porque nós, as sornantes demos 500.000 voltas durante a noite para arranjarmos posição;

- Na sorna não gastamos resmas de dinheiro em sapatos, carteiras, roupas, cabeleireiro, depilação e outros, até porque passamos a maior parte do dia de pijama ou de fato de treino, com o cabelo amarrado e os olhos remelentos;

- Na sorna despertamos os mais diversos sentimentos de piedade aos familiares, que por isso mesmo teimam em encher-nos a casa de bolos, bolachas e bonbons, o que contribuí para que a sornante das duas uma: Ou enjoe toda a qualidade de doces, ou então fique tipo elefante e seja preciso alargar as portas quando sai de casa. Eu ainda não decidi que tipo sou, mas acho que estou mais a caminho do tipo dois...

- Na sorna, ouvimos todo o tipo de histórias de desgraças e afins que aconteceram com as pessoas amigas, familiares e amigos, só para as pessoas nos tentarem dizer que vai tudo correr bem;

- Uma sorna na altura do Natal é muito benéfica para o PIB português, o pessoal não pode ir ás compras, logo não vai às lojas dos "chinos", logo não contribui para o aumento das importações, o que logo vai contribuir para o equilibrio da Balança Comercial.

- Na sorna se ganharmos o vencimeto a 100%, ainda ganhamos mais do que a trabalhar...

Pontos fracos:
- Na sorna, apesar de termos todo o tempo do mundo para dormirmos, não nos apetece, nem temos posição para o fazermos...

- Na sorna apesar de estar frio, ansiamos pelo momento de pormos o nariz fora de casa;

- A sorna é uma grande seca...

Apesar de tudo, acho que os pontos fortes ocupam mais espaço que os pontos fracos, sobretudo porque a causa da sorna é a maior de todas as causas...

Beijos a todas (cheios de sorna)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Parabéns

Pois em época festiva também há quem esteja de parabéns, queria deixar um grande beijinho de parabéns às minhas amigas:

Cris e Tiquinha

Que realizem os vossos maiores sonhos durante este ano, que a vida vos dê tudo de bom!

quarta-feira, dezembro 06, 2006

De volta a terra firme...

É de onde escrevo estas palavras, de terra, apeada da minha viagem por voos mais altos. E é por cá que vou permanecer por tempo indeterminado.

Fomos forçados a aterrar, os pipis e eu, estamos em casa a descansar e a tentar que esta aterragem seja apenas mais um ponto de passagem para uma descolagem maior. Com muito medo, mas também com muita esperança. O que podemos fazer agora é esperar.

Beijos a todas

sexta-feira, novembro 24, 2006

Perguntas idiotas... Respostas cretinas...

Andava eu na minha vidinha, outro dia, quando encontrei uma pessoa conhecida que já não via há algum tempo, quando olhou para a minha barriga, a pergunta inevitável surgiu:

- Então o que é isso que eu estou a ver? É verdade????
Eu resignada lá respondi
- É verdade é (será que a criatura julga que eu engoli um barrili de cerveja?)
- Então e é menino ou menina?
Eu
- São gémeos, e não quero saber o sexo...
Resposta da criatura
- Gémeos??? Mas gémeos porquê???
Ora aí está uma boa pergunta idiota pensei eu:
- Porque sim! (resposta cretina)

Depois deste diálogo de surdos, me despeço com os desejos de bom fim de semana, por cá tudo muito redondo.

Beijos a todas

terça-feira, novembro 14, 2006

A distância que vai...

Reacção da mãe de uma adolescente que chega a casa e lhe diz que está grávida:
- Oh filha onde estavas com a cabeça?
Resposta pronta da filha:
- No tablier do carro..

Esta anedota, aparentemente sem piada nenhuma, tem andado a pairar na minha cabeça nos últimos tempos, porque eu até nem estava com a cabeça no tablier do carro na hora H.

Hoje vim fazer um post melodramático, assim ao estilo do cinema mudo francês (ou do cinema falado, até porque a diferença é pouca), porque o meu estado de espirito é mesmo esse.

Este fim de semana, tive uma aterragem de emergência, no fundo foi o primeiro susto destas 18 semanas. Mas como e estado psicológico é tão periclitante, basta até um sopro para me fazer chorar "baba e ranho" e para eu começar a fazer logo a fazer filmes de terror.

De sexta para sábado tive uma intensa dor abdominal do lado direito da barrigota, o bom senso dizia-me que aquela dor por certo não seria nada com os Pipis, mas o a lado emocional sobrepõe-se a tudo nestas horas,e não nos deixa pensar. Depois de uma noite sem dormir, lá vai ela de malas aviadas para o hospital com o estomago embrulhado e o coração nas mãos.

Diagnóstico: Inconclusivo, os Pipis lá estavam quietinhos e bem com os coraçõezinhos a bater, estavam cheiinhos de fome, porque com a brincadeira toda a mãe não conseguiu comer nada... Tive direito a sermão e tudo.

Tratamento: Benuron, repouso e... Aguardar...

Domingo, alguns benurons depois: A dor cedeu, deu lugar a um pequeno caroço no fundo da barriga, do lado direito. Mais filme... Mas decidi aguardar até segunda feira (até o médico tem direito a descansar).

Segunda-feira, depois de um telefonema ao médico, ordem de marcha para a urgência para vermos o que se passava.

Diagnóstico: Pequena hérnia de esforço, que se piorar pode necessitar de cirurgia.
Tratamento: Poucos esforços, cinta "gigante" e aguardar... Sempre aguardar...

Ontem era dia de consultas de infertilidade lá no hospital, estavam lá uma quantidade de casais, aos quais reconheci aquele misto de resignação e esperança, que caracteriza todos os casais que andam nestas lides. Enquanto esperava, ao olhar para eles quis chorar; quis gritar-lhes bem alto, que fugissem, que saissem dali, enquanto ainda conseguem controlar os acontecimentos das suas vidas, quis dizer-lhes que o tão almejado positivo é só o primeiro passo para a loucura absoluta, e que aquilo que passam nos tratamentos não é nada comparado com o que vão passar depois do positivo.

A linha ténue entre a sanidade e a demência absoluta, o medo, o terror puro e duro, é a distância que vai entre o positivo e a conclusão de uma gravidez, principalmente se for gemelar. Olho agora para trás e vislumbro todo o percurso que fiz entre 4 de Agosto e hoje e sei que foi de sobressalto, de susto, e a determinada altura de puro medo.

Lembro da minha vida anterior a 26 de Junho e vejo, que apesar do "handicap" da minha vida, eu ainda conseguia rir, andava despreocupada. Hoje só quero procurar um refúgio para poder enfiar a minha cabeça. Daí a anedota da cabeça no tablier... A minha estava na marquesa.

Esta amigas é a distância que vai...

Beijos a todas

quarta-feira, novembro 08, 2006

O maravilhoso mundo da informática - parte 5000

Pois é amigas, vim cá para deixar notícias rapidinhas acerca da minha ausência. Está tudo bem (pelo menos aparentemente) comigo e com os "meus ricos filhos". Estive a semana passada no médico e ele achou que eles eram umas "peças" das boas. O meu gémeo exibicionista, não parava de se mexer e de se virar, pelo que o médico considerou a mobilidade dele de excelente (acho que deve ser bom), enquanto eu não conseguia parar de pensar: "Este vai ser bom para a tosse, vai, vai!"

O outro Pipi, o mais calmo, também se mexia bem e parece estar em boas condições físicas pois encaixa-se cá no fundo da barriga da mamã e só depois de eu lhe dar alguns "piparotes", é que consigo "pôr o tipo a mexer". Isto serve também para dizer que já sinto os pequenotes, ainda que ténuemente.

A barriga, cresce, cresce, cresce, e... cresce!

Não tenho vindo cá porque tenho os meus pcs todos (todos mesmo) sem internet, o que único que se safa é o de casa e nem sempre o posso utilizar porque o A nem sempre está pelos ajustes. Os vírus e o spyware infestaram os pcs e isto tem sido horrível, trabalho acumulado, trabalho por fazer, dores de cabeça, "ranger de dentes", etc...

É o maravilhoso mundo da informática no seu melhor!

Logo que possa retomo as lides nos vossos bloguinhos para ver as novidades de cada uma das minhas meninas. Espero encontrar muitas e boas!

Beijos a todas

sexta-feira, outubro 27, 2006

Sexo?...

Não, Não pensem que eu depois de velha e neste estado em que me encontro vou fazer uma post "Hard-core". Nada disso, ainda vão ter de esperar um pouco para terem um post meu "apicantado", mas também existem centenas deles que descrevem "a coisa" muito melhor do que qualquer "dirty movie", que podem ser consultados.

Do que vou falar é de clichés, "lugares comuns", "frase feitas".

Todas sabemos, que as raparigas/mulheres quando atingem um determinado estado etário, são confrontadas pelos seu entes conhecidos (familiares, amigos e reles conhecidos) com a seguinte pergunta: "Então e tu quando casas?" - partindo estas pessoas do principio que é um dado obrigatório e adquirido o casamento. E se as pobres por qualquer motivo não casam e fazem o gosto ao pessoal, serão inquiridas até aos restos dos seus dias, tendo em consideração que quanto maior for a idade, maior será a crueldade dos comentários que se juntam à simples pergunta.

Ora, se se prossegue para o dito enlance, temos que surge inevitavelmente outra pergunta, e existem até pessoas que no dia do casamento, não deixam de a fazer: "E filhos para quando?" - também aqui, partindo do pressuposto que o casal em questão é obrigado a ter filhos, isto quer queira quer não, e pior ainda, como todas sabemos - Se os pode ou não ter - é claro que nesta fase as nossas respostas ainda são ingénuas e até nós julgamos que fazer um filho é chapa 5. Mas não é disso que vou falar (até porque todas nós sabemos bem demais o significado da palavra infertilidade). Claro que essa pergunta, bem como a outra anterior sobre o casamento, se vai tornando mais e mais insistente à medida que passam os anos, e chega, quantas e tantas vezes cheia de segundos sentidos e palavras maldosas.

Quando por fim, se consegue o casamento e os ditos rebentos, eis que surge um outro cliché: "Então já sabes o sexo?" - A pessoa, chega de uma consulta, duas consultas, três consultas, e as pessoas não querem saber se as crianças estão bem... Querem saber qual é o sexo... Ora, e também aqui não se admite que a pessoa tenha o direito de optar por saber ou não saber, ou até que nem queira saber de todo.

Isto tudo para vos dizer minhas queridas amigas, que eu não quero saber o sexo dos meus pipis, não quero saber se são gajos ou gajas ou até um casal. Quero e isso sim, em primeiro lugar que sejam... Depois se conseguirmos que sejam, que sejam saudáveis e perfeitos, e por fim que consigamos criar pessoas de bem. A única verdadeira surpresa que a vida nos pode fazer é esta, quero aproveitá-la até quando puder, e depois eu amo estes pequeninos seres sejam eles o que forem.

Ah, e não esquecendo que quando nascem os pimpolhos, a pergunta que se faz de seguida, é inevitável: "Então e o segundo quando vem?" - se bem que no meu caso, o pessoal vai ficar um bocado baralhado, porque, a correr tudo bem, serão dois, então já não me podem perguntar pelo segundo, será que vão perguntar pelo terceiro??? Vai ser duro...

É claro, que na sua maioria as pessoas não fazem por mal, é só um sentimento instituído, a que ninguém consegue fugir. E nós muitas vezes também não. O que é certo é que é assim mesmo, não conseguimos evitar.

Beijos a todas e bom fim de semana

quarta-feira, outubro 25, 2006

Flores de Aço

"A bondade dá-se com doçura, gentilmente, caindo como pequeninas sementes, ao longo do caminho - e enchendo-o de flores."

Este post, é um post adiado. É algo que já deveria ter sido escrito há algum tempo, mas por um motivo de força maior, ficou adiado. Não ficou esquecido, não ficou desprezado, ficou simplesmente adiado.

Este excerto inicial, é de um livro, que me foi dado por uma amiga, e que outra amiga da blogosfera tem outro igual, e é, a meu ver exemplificativo da amizade que temos vindo a construir ao longo de alguns meses. Essa amizade, não é feita de coisas grandiosas, não é alimentada todos os dias com grandes encontros, não é uma amizade comum, ela é feita de pequenos nadas, todos os dias, e é feita da comunhão da partilha de sentimentos tão particulares que só quem se encontra dentro deles consegue partilhar.

Conheci mais uma amiga da blogoesfera, que ansiava há muito tempo por conhecer. Uma amiga de grandes e pequenos momentos, de bons e maus momentos. Adorei conhecer a nossa Cris.

Ainda me lembro da primeira vez que ouvi a voz desta amiga ao telefone... Lembras-te cris?

Juntamente com ela, fizemos uma visita à nossa amiga Tica que estava (e está) a passar um momento bastante penoso nesta luta tão desigual. Foram momentos muito agradáveis que espero repetir em breve. Obrigada amigas pelo vosso carinho! Sempre tão presentes, ainda que distantes.

Quanto à minha "mega" viagem, estou em mais um aeroporto de escala, e estou em casa. Fui fazer a amniocentese aos meus dois viajantes, para saber se eles são giraços e saudáveis como a mammy e o pappy, e aguardo uns dias para voltar ao trabalho.

O exame, em si não custou muito. Mas o receio que sentia era mais do que muito, porque confesso que ando um bocado psicótica com todos os eventos negativos que têm acontecido por cá. Ainda não ando na fase de montar uma "banquinha" algures, porque não decidi ainda se é melhor ir para a porta do hospital ou para a porta do meu meu médico. Mas, confesso que me tenho contido para não cometer excessos...

Tenho uma admiração extraordinária por todas mulheres que encaram as adversidades mais horrendas, caem e se levantam de seguida prontas para a luta, e daí o título do meu post. Elas são as verdadeiras "Flores de Aço", e existem muitas por cá. A elas, quero prestar a minha homenagem, e mais uma vez reafirmar o meu orgulho em ser mulher.

Somos seres sublimes sempre prontas a lutar por aquilo que pretendemos, somos construtoras de quimeras, tão depressa estamos de rastos, como voltamos em grande estilo. Enfrentamos o mundo, se preciso fôr, para prosseguirmos os nossos objectivos, ainda que eles sejam algo tão insignificante como comprar um vestido. E quando a vida nos coloca à prova, quando julgamos que não vamos conseguir dar nem mais um passo, eis que nos reerguemos das cinzas e voltamos a atacar. É BOM SER MULHER!

Beijos a todas

segunda-feira, outubro 16, 2006

O insustentável peso da realidade

Quando pensei escrever um post hoje, longe de mim pensar que o iria escrever sob um sentimento de tristeza tão profunda, mas a vida não os pertence e a verdade é que devemos vivê-la um dia de cada vez, sem fazermos grandes planos para o futuro, ainda que seja ele tão próximo como amanhã.

Menos de um mês depois mais um sonho que escapou por entre os dedos de uma amiga, mais um terrível desfecho para uma bonita história, mais uma vez luto na alma e no coração...

Não consigo e não sei expressar aquilo que sinto tal foi a dor que tomou conta de mim quando soube...

Sei que nenhuma palavra do mundo vai conseguir encontrar o caminho do coração da nossa amiga neste ou em qualquer outro momento, só espero que ela consigo de alguma forma prosseguir...

Beijos a todas

quinta-feira, outubro 12, 2006

O prometido...




A mamã apresenta:

Em cima os 2 Pipis, com destaque para o Pipi "exibicionista" do qual podem ver os bracinhos e as perninhas, o outro Pipi está de costas;

Em seguida, temos o Pipi "exibicionista" e "last but not least" o Pipizinho "tímido".

Desculpem a demora mas isto tem sido uma correria muito grande.

Beijos a todas

quarta-feira, outubro 04, 2006

Outra vez os Pipis

Na segunda-feira lá fui outra vez ver os meus Pipis. Fui fazer a eco das 12 semanas. Não vim cá antes contar os pormenores, primeiro porque tenho tido montes de trabalho, e segundo, porque a médica que me fez a ecografia era muito pouco comunicativa e eu saí de lá um pouco baralhada, e só quando falei com o meu médico fiquei mais sossegada, e soube os pormenores.

Os Pipis estão bem, tenho um Pipi "exibicionista" (como a mamã) e outro tímido (como o papá). Isto porquê? Porque durante o pouquíssimo tempo que me foi permitido ver os meus filhos, o gémeo nº 1 (é assim que lhes chamam os médicos) estava eufórico a dar aos bracinhos e ás perninhas, tipo a fazer pose para a foto. Ora o gémeo nº 2, mais recatado, estava de costas voltadas para o pessoal. Uma ternura...

De resto, estão com uma idade ecográfica superior à gestacional, o que só pode significar que vão ser uns Pipis grandinhos como os papás. O Pipi "exibicionista", o mais pequeno, tem 60 mm e o Pipi "tímido" tem 64 mm, o que demonstra que enquanto o outro se exibe e se cansa, ele aproveita para se banquetear sózinho e cresce mais...

As medidas da nuca também estavam bem, e ao que parece são uns belos Pipis.

Hoje fui fazer a primeira colheita para o Rastreio Pré-Natal integrado, para vermos qual é o risco dos Pipis terem alguma anomalia genética. esta colheita, juntamente com a eco e com a segunda colheita, determinará se vamos fazer a Amniocentese ou não.

Vou ver se o papá faz um "scan" da eco para vocês verem os Pipis ao vivo e a preto e branco.

Beijos a todas

domingo, setembro 24, 2006

Corações ao alto

Ontem fomos a Fátima, eu, os pipis, e o A., depois dos acontecimentos dos últimos dias, andava muito triste e angustiada, e de alguma forma, naquele lugar consegue-se obter alguma paz.

Durante todo o tempo de duração deste problema da infertilidade, nunca fui pessoa de pedir ajuda aos "céus". De alguma forma parecia-me pouco razoável, que uma pessoa com boa saúde, com bom emprego, com uma família toda ela saudável e sem problemas pudesse recorrer ao desespero de solicitar ajuda divina, para um problema, que quer queiramos ou não, não é de "vida ou morte". E por isso, nunca, em ocasião alguma, nem nos meus momento mais sombrios eu pedi para poder gerar uma vida dentro de mim, para poder ter o privilégio de ter um filho.

Sempre achei que se esse privilégio tivesse de me ser concedido seria, senão é porque não estava destinado a ser, e guardei as minhas preces para momentos mais sérios e delicados da minha existência. Não que o facto de não conseguir gerar um filho não seja um assunto sério, nada disso, simplesmente acho que não é a razão una e fundamental da vida de qualquer pessoa. E, perante pessoas com problemas de saúde graves a morrerem nos hospitais, famílias sem emprego a viverem à míngua, ou crianças a serem mortas à pancada... O meu problema era de facto muito pouco relevante.

No entanto, desde que carrego estes pequenos seres dentro de mim, a postura mudou, e a peço constantemente nas minhas orações a graça de poder gerar uns filhos saudáveis, perfeitos, e que me seja dada a capacidade de criar pessoas de bem. A partir do primeiro momento que vemos aquelas "saquinhos" de vida dentro de nós muda toda a nossa postura, e vivemos só preocupadas com eles: Se a gravidez vai correr bem, se vamos conseguir levar a gravidez a termo, se eles vão ser saudáveis, perfeitos, etc, etc.

Acho que a nossa função de mães começa naquele exacto momento, para não terminar nunca mais. Noutro dia aconteceu-me um episódio caricato: Estava a dormir e cerca das 4 da manhã, ouvi uma travagem seguida de choque mesmo em frente a minha casa, acordei sobressaltada, e não quis ir ver o que se passava pois os acidentes impressionam-me imenso. Calculei que fosse algum jovem de regresso de uma noitada bem bebida que tivesse tido aquele acidente, e pensei que aquele sossego que tenho agora durante as noites, em que posso dormir descansadamente pois sei que a familia está toda reunida e em segurança, acabará a partir do momento em que nasçam os meus filhos. A partir daí serão poucas as noites inteiras e descontraídas que terei, até ao resto da minha vida, eles são parte de mim e o meu pensamento estará sempre com eles.

Depois dos acontecimentos dos últimos dias, em que mais uma vez vimos o destino manifestar-se da sua forma mais cruel, o peso da realidade submergiu-me. Como sabem, eu sempre disse, desde o primeiro momento do meu positivo, a guerra não está ganha, foi só mais uma pequena batalha que se venceu. É evidente que continuo a pensar o mesmo, mas inevitavelmente, ao sabor do tempo que passa, ganhamos mais confiança e aligeiramos um pouco a pressão a que estamos sujeitas. É evidente, que não devemos aligeirar. Eu não sou a típica portuguesa, ou seja eu não julgo que "acontece só aos outros", acho que o que acontece aos outros é muito possível que possa acontecer-nos a nós, até porque nós não somos em nada superiores aos outros, somos feitos da mesma matéria e concorremos com as mesmas possibilidades.

Então ontem fomos a Fátima, fui queimar 2 velas pelos nossos pipis, e pedir para eles a protecção divina. Pedi por nós e por todas vós, para que possamos prosseguir a caminhada sem mais sobressaltos e que cheguemos ao fim esperado. Se não o conseguirmos, que nos seja dada coragem de enfrentarmos o que nos estiver reservado sem revolta, e com força.

Beijos a todas

quinta-feira, setembro 21, 2006

Luto

Estou esmagada com o peso da notícia que abriu a minha tarde. A crueldade da vida é acutilante para certas pessoas e para esta amiga de luta tem sido madrasta.

De rastos com o peso da realidade e com um olho muito receoso no futuro, não esquecerei que o castelo de cartas pode desmoronar a qualquer momento.

Oxalá pudesse de alguma forma aliviar o sofrimento daquela mãe...

sexta-feira, setembro 15, 2006

Outro Rescaldo

A felicidade que me invadiu quando soube a notícia do Positivo desta amiga foi tanta, que pouca coisa se aproveitava daquilo que dizia. Pior! Estava em pleno trabalho, com camadas e camadas de gente à minha volta e nem sequer podia manifestar-me livremente! Entre uma coisa e outra lá consegui conciliar os pensamentos e os sentimentos e hoje, aproveito um pequeno pedacinho e venho aqui, prestar a merecida homenagem a esta grande AMIGA.

A verdade é que as vitórias sofridas são as mais saborosas, mas confesso que tanto sofrimento causa dor e apreensão nas pessoas que rodeiam a pessoa que sofre. Mas ainda mais (e isso é certo) na própria pessoa. AMIGA, sei que passas-te um dos momentos de maior angústia da tua vida, mas a recompensa chegou! Chegou e vai ficar contigo nos próximos 9 meses e durante o resto da tua vida. E a alegria que te vai dar vai compensar em dobro todo o sofrimento por que passaste.

Se te disser que não fiquei mais alegre com o meu positivo do que com o teu, sabes que é verdade, o meu foi um conjunto de factores que se conjugaram e fizeram com que eu tivesse a dita "sorte de principiante", o teu foi sofrido desde há 6 anos para cá e muito chorado. É evidente que estava mais do que na hora de teres um pouco de descanso e muita alegria.

Por isso querida AMIGA, aproveita agora cada dia de cada vez, com muito descanso e moderação, e esperemos juntas pelo dia em que vais ver o teu bébé pela primeira vez.

Milhões de beijos

segunda-feira, setembro 11, 2006

"Nine Eleven..."

O dia que mudou o mundo...

Recordo que em 11 de Setembro de 2001 estava a comprar uma "toilette" para um baptizado que ia acontecer no dia 30 de Setembro, estava a pagar quando olhei para a televisão e vi as diferentes frentes dos ataques: As torres gémeas, o Pentágono, etc. Lembro-me que fiquei em pânico, por aquela altura ainda os americanos andavam como "baratas tontas", e eu não fiquei melhor. Cheguei a pensar devolver a "roupita", porque pensei que se calhar nem iria ter tempo de a usar...

No dia seguinte, recordo que a minha irmã trouxe para a sobremesa do almoço 1 Bolo Rei, não sabia se chegaríamos ao Natal para o comer e achou que não deveríamos perder a oportunidade ainda que em pleno mês de Setembro.

É impossível ficarmos indiferentes a tal carnificina, de facto, nenhum de nós voltou a encarar o mundo da forma como o encarávamos até então. Acho que os americanos então, não devem andar descansados um só dia, só de pensarem que todo o seu mundo pode ruir.

Depois com a sucessão de ataques em Espanha, na Inglaterra, todos nós ficamos com a consciência que ninguém está em paz enquanto o fanatismo religioso reinar em certos países. Nenhum de nós pode dormir descansado enquanto tal suceder. A nossa visão do mundo mudou, espero que tenha sido para melhor, para que todos possamos construir um futuro sem ódios e sem fanatismos para os nossos filhos.

Ora, eu para recordar o 11 de Setembro, comecei o dia por ter de tomar 2 pequenos almoços, porque os pipis não perdoam... E 1 foi para o esgoto... Continuamos bem, pelo menos, enquanto os enjoos durarem, sei que eles lá estão e aparentemente devem estar bem.

O dia a dia corre normalmente, com muito trabalho muitos enjoos e cansaço à mistura. É evidente que ando muito feliz com os meus pipis. Creio que algumas amiguinhas acharam que eu estava a queixar-me no meu último post e acharam que eu seria talvez um pouco mal agradecida...

O que se passa, não é evidentemente a falta de felicidade pelos pipis, é realmente o corpo todo a ceder pelo estado de gravidez, é um estado completamente debilitante e prostrante em que me encontro, por vezes julgo até que estou doente. É evidente que sei que isto são sintomas naturais, e que ao contrário de fazerem mal, são sinais da boa saúde dos meus filhotes. Mas que custa... Ah isso custa! Por isso amigas, se eu me queixar dos pipis, já sabem que é de felicidade!

Beijos a todas

PS. Amanhã é um grande dia para uma grande AMIGA: "Tica, eu vou torcer para a realização do teu sonho, que o dia de amanhã te traga a felicidade dos enjoos também!"

terça-feira, setembro 05, 2006

2º Pensamento do dia...

Que sentimos quando passamos 15 minutos de joelhos com a cabeça metida dentro da sanita, sacudidas por vómitos intermináveis???

"Meu Deus que tens mais reservado para mim??"

Ontem foi dia de ir ver os Pipis!

Como é evidente, e acho que será mais do que normal, a ansiedade toma conta de nós nos dias anteriores. Se uma grávida dita "normal" tem ansiedades, nós, as futuras mães dos denominados "bébés de ouro", temos ansiedades a dobrar. Isto não é à toa claro, é fruto de tudo o que passamos para chegarmos a este frágil estado da nossa existência, é o receio de que a qualquer momento essa mesma fragilidade se revele e tenhamos de começar a construir o castelo de cartas outra vez. Acredito que temos receio de tudo.

Vários são os pensamento que nos povoam a nossa cabeça às vésperas de mais uma ecografia. Acredito que não somos todas iguais, que umas terão mais confiança do que as outras, mas também acredito que quem vive a experiência da infertilidade não encara, nem encarará algum dia mais, a experiência da maternidade de ânimo leve. Não quero com isto dizer que as outras ditas mulheres "normais" o façam, longe de mim, quero é dizer que nós provavelmente sentiremos as coisas de uma forma mais intensa, e tenho a certeza que em qualquer altura das nossas vidas, mesmo depois de nascerem os nossos filhos, quando ouvirmos uma história de um casal com problemas de infertilidade, ficaremos arrepiadas e seremos de imediato solidárias com essa ou essas pessoas.

Quando comecei a frequentar a blogosfera era descrente. Conhecia algumas pessoas, com vários ttt realizados e todos falhados. A minha crença na Medicina de Reprodução era muito limitada e por isso foi importante acompanhar todas as vitórias e derrotas vividas durantes estes meses, verifiquei que não existiam só ttt falhados, e histórias mal resolvidas. Vi que era possível acontecer e que os positivos, apesar de não serem ainda superiores aos negativos, têm vindo a aumentar, o que é de facto uma coisa boa. Vi sobretudo que as vitórias são importantes para insuflar a confiança naquelas que aos poucos vão perdendo as esperanças, e em certos casos isso é muito importante.

Assisti com incapacidade mórbida a alguns insucessos repetidos, e a algumas vitórias retumbantes. Compreendi que em grande parte dos casos a parte psicológica da questão tem uma importância fulcral, e essa é, de todas as variáveis a que acredito que acaba por fazer diferença entre o sucesso e o insucesso. Acredito que o acompanhamento psicológico desta questão é fundamental.

Agora adiante! Vou contar-vos como correu a a ecografia das 8 semanas e 3 dias dos Pipis. Correu bem, eles estão uns super bébés! Um tem 19,10 mm e o outro 18,80 mm, já se tornam mais nitidos na eco. E aquilo que vimos como um sendo só um coração a bater dentro de um saco, agora já se nota a cabecinha tipo girino. As placentas estão bem definidas e ao que parece muito bem. Aquele que era mais pequenino evoluiu para o tamanho aproximado do outro, e ao que parece implantaram-se no mesmíssimo dia, ou com diferença de 1 dia.

O médico, o da infertilidade, o que nos vai acompanhar até ao nascimento (assim espero), achou que estávamos muito bem. Já trouxe uma quantidade de análises para fazer e já tenho a eco do primeiro trimestre marcada para 2 de Outubro.

Os enjoos não dão tréguas, o cansaço também não, por vezes sinto-me num estado deplorável, mas é natural os 2 Pipis estão a precisar de toda a energia da mãe para a sua formação, e eu espero que eles a aproveitem bem aproveitadinha, que eu cá me vou aguentando. Agora, já lhes prometi uma semana de castigo para quando nascerem... Isto lá é coisa que se faça??!!?

Beijos a todas

quinta-feira, agosto 31, 2006

Desafio aceite

Respondendo ao desafio da amigalhaça Cris, vou então tentar dizer aqui 6 características minhas:

1º Tenho um humor (negro) indestrutível;
2º Perspicácia a toda a prova;
3º Persistência, adoro obter aquilo que quero;
4º Perfeccionista, o meu marido que o diga...
5º Amiga: Quando gosto, gosto muito... Quando não gosto sou uma peste!
6º Intuitiva a 100%

Bem, enfim isto é o que eu acho...

Relativamente aos pipis, quero dizer-vos que na próxima 2ª vou fazer mais uma eco, e uma consulta para dar andamento às primeiras análises e para ver se está tudo a correr bem. A pequenada continua a não dar descanso à mãe, e nem o Nausefe ajuda muito, isto é realmente muito aborrecido, mas a alegria de os ter compensa qualquer desgaste.

Não quero terminar sem deixar um pensamento muito positivo à Tica que teve hoje o seu campeão.

Beijos a todas

domingo, agosto 27, 2006

O regresso

Pois é amigas, costuma-se dizer que tudo o que é bom acaba depressa. Este caso também não foi diferente, as minhas fériazitas "are coming to an end". Foram umas boas férias, ainda que diferentes daquelas a que estou habituada. Foram as minhas primeiras férias grávida, foram as minhas primeiras férias sem poder fazer absolutamente nada daquilo que gosto: Viajar, navegar, andar de bicicleta, beber uns copos, e fazer maratonas de praia...

Descanso, descanso e mais descanso!

Moderação foi a palavra de ordem, até porque andávamos os dois um pouco aéreos com toda esta situação, se calhar incrédulos é o termo que se adequava mais ao nosso estado de espírito.

Em meados da primeira semana de férias começaram os enjoos, assim timidamente, como quem não quer a coisa. Era aquela comida ou aquele cheiro que me incomodava um bocado, era isto e aquilo que não conseguia comer. Com o passar dos dias foram evoluindo, e deixou e ser um ligeiro incómodo para ser uma aversão declarada. Passava o tempo a dizer: "Ai, tira-me isto da frente..." - seguido do embrulho completo do estomâgo.

O olfacto...

Cheiro tudo e mais alguma coisa, tudo me parece estar em cima de mim a esmagar-me, cheiro o hálito daqueles que estão próximos de mim, como se eles estivessem em cima de mim, os perfumes, as comidas... Até uma micro fuga de gás na minha casa de praia... É tudo muito intenso.

Por fim chegou o dia da eco, dia 21, muitos nervos misturados com mais enjoos, quando cheguei ao hospital ouvi logo: "Ai! A M está mesmo com cara de grávida!"- respondi: "Não me goze Dr...."

Fomos, fazer a eco: "Esta mulher... É logo tudo de uma vez..." - pergunto eu: "São 2?" - responde ele: "Por enquanto são..."- digo eu: "Ai meu Deus! Mais do que 2 não!"

Vimos então o milagre da vida aqueles 2 saquinhos a palpitar, os coraçõezinhos dos nossos Pipis (nome carinhoso que adoptamos para nos referirmos aos nossos filhos, e pelo qual os apelidarei a partir de hoje até terem o nome descriminado), a baterem. Foi muito emocionante, o Papá abocanhou logo a primeira foto dos filhotes e guardou-a na carteira junto com as da mamã, para poder exibir a toda a gente.

Os enjoos têm vindo a aumentar gradualmente, e nem o Nausefe, consegue melhorar muito a situação. Além do mais o Nausefe deixa a mãe "pedrada" para além de enjoada, o que tem tornado a minha vidinha nos últimos dias um bocado complicada. Se a gravidez é um "estado de graça", espero que esta fase passe depressa, porque quem olha para mim julga que sou a mulher mais "enjoada" do mundo. So consigo comer pão e comidas desensabidas, e tudo em muito pouca quantidade, já emagreci uns kilitos...

Amanhã começo a trabalhar, acho que nunca estive tão desejosa disso num final de férias, estou cansada de não fazer nada, espero no entanto, aguentar a pedalada, se bem que vou reduzir drásticamente o ritmo de trabalho.

Quero agradecer a todas o carinho que me demonstraram, e começar logo que possível a visitar os vossos cantinhos para saber das novidades.

Claro que não podia ir sem desejar à minha amiga do coração, que amanhã seja mais um passinho rumo ao sucesso. Tica, se depender de torcida, juro que vai correr tudo bem.

Beijos a todas

segunda-feira, agosto 21, 2006

Notícias...

Invadi este canto por uma boa causa.
A nossa menina está bem, já com os seus enjoos e desejos ( aos quais tem todo o direito..).
Hoje foi a ecografia de confirmação, está tudo a correr bem e a stardust é a mais recente mamã de Gémeos!!
Quando voltar aposto que nos delicia com mais um daqueles relatos que só ela sabe fazer...

Tikinha

sábado, agosto 05, 2006

Rescaldo

Já mais recomposta dos acontecimentos, volto hoje, para com mais calma fazer um ponto da situação. Se bem que ainda me parece que estou a viver a vida de outra pessoa, e que sou simples espectadora de um evento muito feliz.

A análise Beta deu 221, se não me engano, porque confesso que no estado em que fiquei, esse pormenor me pareceu insignificante. O que interessa é que é, como disse a enfermeira: "É um positivo bastante positivo."

Tal valor, não significa, pelos vistos que sejam 2. Segundo o médico provavelmente será só 1. Para mim tudo bem, desde que venha e seja saudável.


Agora iniciei mais uma etapa nesta guerra, porque nada está ganho, apenas pequenas (grandes) batalhas. Mas queria deixar aqui mais um exemplo de que esta luta não é inglória, aos pouquinhos e com muita calma vamos conseguindo que as coisas se resolvam na nossa vida. É claro que nunca podemos esquecer que é com passinhos de tartaruga que vamos avançando, mas também é sempre melhor a vitória quando ela é muito, mas muito mesmo suada.

É também importante reiterar a confiança numa instituição pública que me acompanhou, para que se veja que nem só os ttt nas privadas dão resultados positivos. O nosso hospital (meu, da Claudia Vieira, da Tica, da Alexandra) tem de facto um serviço de medicina de reprodução muito bom, os diversos positivos ultimamente obtidos demonstram isso mesmo.

Vou de férias hoje, por isso andarei desaparecida por 3 semanas, não será por vos ter esquecido, somente pelas minhas férias. No dia 22, vou fazer a primeira eco para ver o meu pseudo baby. Alguém dará noticias por mim!

Quero antes de partir deixar uma agradecimento a todas vocês que estiveram comigo nesta hora, umas mais "habitués", e outras que se juntaram a mim na comemoração. Ás que já conseguiram progredir uma etapa mais na conquista do sonho, e aquelas que continuam na batalha. Foi bom contar com o vosso apoio.

Para a minha amiga do coração que vai iniciar o ttt em 16 de Agosto, espero que tudo corra pelo melhor: "Tica, tu tens de ACREDITAR!"

Beijos a todas

sexta-feira, agosto 04, 2006

POSITIVO!!!

É enorme a alegria que sinto... Não consigo dizer nada que se aproveite!

Beijos a todas, volto no rescaldo...

Obrigada do fundo do meu coração por todo o enorme carinho que me dedicaram.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Servidão humana...

Têm sido dias terríveis desde do dia 26 de Julho, quem já passou por este compasso de espera sabe daquilo que falo. Porque todos os motivos e mais alguns, parece-me lícito afirmar que esta será sem sombra de dúvidas a prvação das provações, e como sabem, não são poucas as que passamos.

Os primeiros dias foram de repouso, estive por casa, a ler,a ver TODAS as séries do AXN, as novelas da Sic, na internet com as amigas. Aquilo que nos parece tão agradável, como não ter nada para fazer, e poder dormir até que horas quisermos, torna-se de repente no maior dos nossos pesadelos, porque estamos confinadas a 4 paredes, e por muito que queiramos, a nossa mente não se consegue abstrair de pensar precisamente naquilo em que não deveria.

Dei por mim desesperada, nem conseguia comer, sentia-me enclausurada, presa á minha própria incapacidade, impotente para pensar, sentir ou fazer outra coisa que não fosse o resultado de uma mísera recolha de sangue dali a uns eternos dias. Era como se cada dia tivesse mil anos.

Na segunda não aguentei e voltei ao trabalho, com limitações é certo, porque de facto o meu ritmo diário é muito duro, pelo que optei por levar as coisas com calma. É claro que os dias passaram mais rapidamente, depois disso. Mas continuam a existir longas noites de vigilia, de ansiedade intolerável.

Amanhã é só mais um dia da minha vida, mas analisando de fora, parecerá mais o anunciar de um veredicto que se julgará de vida ou morte. Não sei se será por ser o meu primeiro ttt, o que é certo é que tem sido dificil de aguentar a pressão, e garanto-vos que sou uma pessoa bem habituada a pressões.

Queria deixar aqui algumas palavras antes do "D Day", porque amanhã não sei qual será a disposição. E não queria que o resultado, qualquer que ele seja influencie ou faça esquecer estes sentimentos vividos durante estes 9 dias.

Senti aqui, realmente a verdadeira submissão humana, as limitações impostas pela nossa frágil condição, senti que não valemos nada na imensidão da complexidade do nosso corpo. Dias houveram em que me senti confiante e achava que tudo ia correr bem, noutros dias a certeza do fracasso esmagava-me e só muito dificilmente conseguia conter as lágrimas. Fui uma companheira medonha para o meu marido, e uma filha e nora geniosa. Ás vezes (a maior parte) nem queria ver ninguém, quanto mais falar com as pessoas. Foi um mau bocado, e acredito que até ao minuto em que souber o resultado da bendita análise vai continuar a ser, porque na minha cabeça existe a certeza de que não há nada que eu possa fazer...

Amanhã dou noticias.

Beijos a todas

domingo, julho 30, 2006

Voar...

"O céu é o lugar onde o ar é gelado e onde respiras e vives, onde desejas poder flutuar, sonhar, correr e brincar todos os dias da tua vida. O céu existe para todos, mas só alguns ousam buscá-lo."


In Estranho à Terra

quarta-feira, julho 26, 2006

With arms wide open

Este é o nome de uma música que gosto muito. Hoje, acordei ao meio da noite, com esta frase na minha cabeça, e soube que ela revelava o meu estado de espírito e também soube que seria o título deste post, hoje, para todas vocês.

Foi de facto de braços bem abertos que recebemos hoje, dois novos passageiros nesta viagem, não sabemos se a sua permanência será curta, ou se pelo contrário iniciaremos aqui uma viagem para toda a vida. Esperamos que sintam já, o grande amor que temos para lhes dar e se esforcem para ficar.

Agora, aguardamos serenamente, o desfecho deste capítulo, mais um, feito de altos e baixos, encontros e desencontros, lágrimas e sorrisos. Muito mais maduros, porque ninguém fica igual depois de um ttt destes. Aqui vemos o que é a verdadeira limitação humana, passamos dias de constante sobressalto e nunca (nunca mesmo) sabemos como vai ser o dia de amanhã.

A verdade, é que a forma como somos tratadas pelos profissionais que nos seguem, é por demais importante, num processo tão delicado, que nos tráz no fio da navalha durante uma quantidade de tempo como este. Porque não é só o a fragilidade psicológica que temos ao iniciar este tipo de procedimento, o ttt em si, é muito desgastante. Daí a importância de sermos apoiados e acarinhados durante esta caminhada.

Quero por isso prestar uma singela homenagem aos profissionais que me assistiram, a todos, e muito em particular ao meu médico, que foi um verdadeiro Anjo-da-Guarda; Sempre presente, sempre com a palavra certa na altura certa, sempre calmo e carinhoso. Outro dia, dizia a uma das amigas do fórum, quando ela me perguntou quantos foliculos tinha e quanto media o endométrio, que não sabia e que não tinha perguntado porque a confiança era absoluta. Não menti, sei e sempre soube que o apoio cientifico era o melhor e que tudo o que fosse possível fazer em termos cientificos seria feito. As que já por aqui passaram sabem a importância de podermos fechar os olhos com confiança. Independentemente do resultado, sei que se fez o que tinha de ser feito.

Uma vez que hoje estou virada para a lamechice (bolas... Já estou a descambar), queria também agradecer a todas as minhas amigas virtuais, que têm tido sempre uma palavra de carinho para mim. É importante ter-vos aí.

Agora, como já estou cansada de estar a escrever só com um dedo, vou terminar por aqui, dizendo-vos que já estou fartinha de estar em casa...

Beijos a todas

segunda-feira, julho 24, 2006

Aterragem de emergência - afinal havia outra

A verdade é que, estas coisas dos tratamentos de fertilidade não são de forma alguma lineares, desiluda-se que julga que fazer uma FIV é dar umas injecções, tirar uns ovócitos e colocá-los e já está...Não é! Existem tantas variáveis neste procedimento, tantas alterações infinitesmais, que não podemos m caso nenhum, julgar que as favas são contadas, que aquilo que resultou com o A ou o B vai resultar connosco, ou vice versa.

Antes de prosseguir quero dizer-vos que dos meus 13 ovinhos, 9 fertilizaram nas primeiras 24 horas, e nas 48 horas seguintes, desses 9, morreram 3.

Mal soube da noticia liguei para o A e disse-lhe:

"Vais ter 9 filhos!"
"9??? Estás mas é doida!"-respondeu-me ele.

Vejam lá a falta de romantismo do homem...

Pois e no Sábado, como sabem tive um casamento. Devo dizer-vos que acordei muito bem no Sábado de manhã, não me doía nadinha, o elefante tinha deixado a minha barriga em paz. E devo dizer-vos que o casamento foi muito bonito, mas, como todas as festas deste género, foi extremamente cansativo. Conclusão, ao ínicio da noite, o elefante decidiu alojar-se de novo na minha barriga, e tive de vir a correr para casa.

O Domigo foi para esquecer, estava toda inchada e parecia que tinha comido o elefante... O sogro diagnosticou: Inflamação ovárica - Cama, gelo e benuron de 4 em 4 horas...

Confesso-vos que nestes momentos é dificil conter a ansiedade e as lágrimas teimam em cair, porque num processo tão moroso e tão delicado, qualquer coisinha coloca tudo em risco. Esta noite foi difícil, mas de madrugada o elefante cedeu um bocado e pude descansar.

De manhã claro, ligar para quem de direito, aguardar uma orientação. Depois de ouvir uma rabecada, de quem percebe muito mais do que eu e me tinha recomendado (várias vezes) moderação e descanso, lá me foi dito para manter o repouso e o benuron, e aguardar a evolução do quadro. Para ver se na 4ª feira podemos transferir os pseudo babys.

Portanto, escrevo-vos de mais um aeroporto forçado, a minha cama. Neste momento, sinto-me melhor, se estiver deitada não me dói nada, o caso muda de figura se me levanto e começo a caminhar, parece que abana tudo cá dentro... Mas se pensar em como estive ontem... Hoje estou 80% melhor.

Portanto, minhas queridas amigas, tudo o que me resta nesta fase é fazer calos na cama, e aguardar a evolução dos acontecimentos. Como diz a nossa amiga Claudia: "É sofrer até ao fim..."

Antes de me despedir, tenho de deixar aqui uma referência especial á minha querida Tica, que apesar de ausente, está sempre sempre presente, e delapida o orçamento familiar e enriquece as operadoras de telemóveis por minha causa. Amigas assim não existem muitas. Amiga (eu sei que vais ler isto) OBRIGADA POR TUDO!

Beijos a todas

sexta-feira, julho 21, 2006

Número: 13

Hoje amanheceu azul, a temperatura não era nem muito alta nem muito baixa. A calma era relativa, na verdade não tenho muita tendência para me preocupar com aquilo que não controlo. É como ansiar por um dia de sol, quando temos uma festa especial... Não vale a pena sofrer por isso, o que tiver de ser será. Por isso falo desta minha experiência como se de uma viagem se tratasse.

Cheguei cedo ao hospital, já sabia que ia ser a única punção, o que de alguma forma me deixou mais relaxada. É melhor sabermos que estamos ali á vontade, que os médicos estão á vontade, sem pressas.

Quem já conhece este procedimento, sabe como é, quem não conhece... Espero que nunca tenha necessidade de conhecer. De facto, não é um "bicho de sete cabeças", devo dizer-vos que o profissionalismo das pessoas que me atenderam era muito grande, aliás, até ao momento não tenho que dizer nada de mal do atendimento no sítio onde ando a ser seguida. Tem sido tudo excelente!

Depois, de toda a parafrenália, depois da soneca, lá acordei e lembro-me da primeira coisa que perguntei: "Quantos foram?"

O subconsciente é de facto fantástico...

"12, foram 12!"

Voltei a dormir. Parecia que tinha sido pisada por um elefante... Mas tinha tido 12... Achei que era bom. O elefante continou a pressionar a minha barriga, comecei a despertar...

Fui despertando aos poucos, e tive direito a um garrafão de analgésico intravenoso, mas o elefante teimava em não tirar os pés de cima de mim... Agora estou melhor, ele tirou um dos pés...

Veio a médica: "Afinal são 13!"

"Cruzes... Sou uma ave rara!" . Disse eu.

Agora aguardo, amanhã saberei se as células fundem ou não. Há sempre a hipotese de não o fazerem. Conservo os meus pés onde sempre os tive... No chão.

Beijos a todas e obrigada pelo vosso carinho.

PS. Amanhã tenho um casamento, até lá espero que o elefante tire a patorra da minha barriga.

segunda-feira, julho 17, 2006

A viagem continua - Parte 55

Apesar da canícula que assola o nosso país por estes dias, apesar dos pesares, a minha viagem continua.

Na sexta-feira passada, uma aterragem de emergência. Parecia que o "avião" estava com problemas. Felizmente, foi só o susto, o retomamos a viagem após uma ecografia onde se verificou que estava tudo bem.

Hoje, mais uma escala, fez-se a primeira ecografia (na sexta foi só para ver se estava tudo bem). Parece que o organismo está a reagir bem e que se pode prosseguir sem sobressaltos, os "bichinhos" estão grandinhos e o endométrio bem.

Na quarta-feira faço mais uma escala, só espero que mais fresquinha, porque 37,5 º logo ás 10h00 da manhã é uma dose muito grande.

Beijos a todas

quarta-feira, julho 12, 2006

A primeira vez

Há sempre uma primeira vez para tudo, e o mais usual nas "primeiras vezes", é nós nas "segundas" vermos como fomos tansas. E isto acontece, em geral para tudo na vida.

A mim, aconteceu-me, recentemente uma primeira, foi com o Gonal. Esse grande amigo que vem numa embalagem tipo foguetão, que aterroriza só de olhar para ela.

Então vai a moça (euzinha) e pega no gonal. Sou invadida por suores (agora depois que me puseram na menopausa dá-me para isto); Pego na agulha, coloco no sítio (conforme as instruções que decorei de tanto ler); Carrego a dose; Certifico-me pela milionésima vez que a dose está correcta...

Faço uma pausa, respiro fundo...

Faço a prega na barriga e "zás"! Espeto a agulha! Não sinto nada (olho para ver se a agulha está mesmo espetada... está!)!

Carrego no botão da injecção, continuo a não sentir nada (ai que horror isto não é possível). Carrego até não poder mais... Espero... Nada! Tiro a agulha e olho!!

Olho para a barriga, olho para a caneta, fico na dúvida. Bolas será que me injectei ou não? Volto a olhar para a caneta... Volto a olhar para a barriga...

Fico na dúvida, depois de quase duas semanas de tormento, a injectar uma coisa maravilhosa chamada suprefact, seringas cheias, e muito cuidadinho a injectar para não doer. Eis que me surge o fantástico Gonal que me colocou na dúvida.

Ligo para a minha Tica:
- "Amori então eu não senti nada será que não injectei porcaria nenhuma?"
Responde-me ela:
- "É normal eu também passei pelo mesmo... Marca a parte de fora da caneta para teres a certeza que desce!"

Então os gajos mandam uma mulher tomar uma coisa destas? Sujeita a eu injectar uma dose em cima da outra por julgar que não estava injectar-me...

Bem, confesso que na segunda vez, já mais há vontade, reparei que a caneta tem um medidor lateral e que se estivermos atentas vemos descer o nível. Por isso, na segunda já me ri um bocado da minha parvoíce.

É por isso que vos digo, as "primeiras vezes" são sempre tramadas!

Beijos a todas e obrigada pelo vosso carinho

domingo, julho 09, 2006

O Suprefact, O Gonal e Eu...

Definitivamente uma mistura explosiva!

terça-feira, julho 04, 2006

A viagem continua

Antes de mais quero esclarecer as minhas leitoras mais distraídas, e dizer-lhes que não estou de férias, a sobrevovar o Oceano Atlântico com o PC na mão a escrever posts no meu blog. A minha viagem, esta de que vos falo, é bem menos agradável do que as que costumo fazer.

E depois, meus amores, é certo que gosto muito de todas, mas acham mesmo que eu ia de férias e continuava a escrever??

Esta é uma viagem ao interior da infertilidade, no que ela tem de pior. Porque desengane-se quem pensa que a FIV é o fim da caminhada. Não é! É só o ínicio de uma viagem mais ou menos dolorosa dependendo dos casos, mas uma coisa é certa, não é linear, isso nunca é.

Quero dizer-vos que a viagem segue sem muitos sobressaltos, e que vou fazer a primeira escala já na quinta-feira. Mais uma aterragem e outra descolagem para mudar o combustível. Vamos lá a ver como corre.

Beijos a todas.

quinta-feira, junho 29, 2006

A Viagem...

Eu sou uma pessoa que adora conhecer novos lugares, novos costumes, novas pessoas. Adoro viajar... Mas detesto, e isto literalmente as viagens, principalmente as de avião. Fico muito ansiosa, muito stressada, sempre com receio que alguma coisa não corra bem.

Recordo com horror, todas as minhas viagens de avião, principalmente a última que fiz ao Brasil, em que o avião apanhou uma turbulência horrorosa na altura do jantar e os tabuleiros e os carros das hospedeiras e as próprias hospedeiras andaram ali todos "quase que pelo ar", vivi momentos de pânico a bordo, aliás todos vivemos.

Eu posso fazer uma viagem de 1 hora de avião ou de 15 horas, o resultado é o mesmo: Pavor do principio ao fim, ainda que por vezes tenha momentos de relativa descontração.

Recentemente iniciei mais uma viagem na minha vida, das de avião, e ainda que a descolagem tenha sido pacifica, o tempo que vou demorar a percorrer a distância até ao meu destino, será sem dúvida atribulado.

Vou dando notícias!