domingo, junho 25, 2006

Há dias assim...

Hoje, Domingo, dia de reflexão e de exacerbado orgulho nacional (Portugal ganhou à Holanda), algumas dúvidas existênciais, ocupam a minha mente:

  1. Porque será que a maioria da população portuguesa é constituída por pacóvios?
  2. Porque será que esses pacóvios decidem sair todos de casa ao Domingo?
  3. Porque será que esses pacóvios insistem, e sublinho a palavra insistem, em manifestar publicamente a sua pacovice, e obrigar os restantes transeuntes (não pacóvios presumidos) a levar com ela?
  4. Porque será que os pacóvios se reunem em bandos, nas bermas das estradas, a fazerem picnics temperados com pó e monóxido de carbono?
  5. Porque será que as bermas dessas estradas nunca mais ficam as mesmas depois da debandada dos ditos?
  6. Porque será que o primeiro fim de semana do Verão atraí resmas de pacóvios ao "seaside", que insistem em fazer praia, ainda que estejam a chover "canivetes"?
  7. Porque é que os pacóvios decidem ir todos de rádio para a praia, e insistem em ouvir os mesmos aos gritos, o que faz com que a música do pacóvio A, se misture com a do pacóvio B, e a deste com a do C, tornando impossível ouvir o que quer que seja (já não será suficientemente mau levar o rádio para a praia?)?

Em todo o caso, devo dizer que tenho andado a observar mais pormenorizadamente a evolução do pacóvio típico, e que já consegui notar alguma evolução, senão vejamos:

O pacóvio, está hoje mais atento aos problemas ambientais. Portanto, onde antigamente nas bermas das estradas se via lixo acumulado, das mais diversas estirpes, num raio de 5 Km, hoje constata-se que alguns (sublinhe-se a palavra alguns), estão a perder os bons costumes e já deixam ficar só um saco cheio de lixo no local dos seus picnics. É a preocupação ambiental que começa a preocupar os pacóvios da geração mais actual. Mas, é importante referir isto: Nunca o pacóvio deixa o local onde se refastelou juntamente com os seus, completamente limpo.

O pacóvio fala sempre muito alto, tem sempre medo que o seu interlocutor não ouça devidamente, e além de mais, é sempre importante que os demais partilhem da sua importante opinião sobre o estado do pais e do mundo. Mais que não seja, para que se saiba que o vinho custou 5 euros a garrafa ou que os seus filhos são filhos desta e daquela... Estes diálogos são sempre acompanhados do olhar em volta respectivo, para terem a certeza que TODA A GENTE ouviu.

O pacóvio ADORA andar muito devagar, e mais importante do que isso, adora andar devagar no eixo da via. Não vá outro pacóvio mais espertalhaço ter a oportunidade de o ultrapassar, o que fará com que ele tenha de acelerar para ultrapassar o outro pacóvio e assim sucessivamente. Porque um pacóvio é SEMPRE mais esperto do que os demais!

Os carros dos pacóvios são sempre mais limpos que os carros das outras pessoas, e estão sempre com um aspecto de quem acabou de sair do Stand (ou Stander em linguagem pacovita), são sempre modelos e marcas específicas (que não vou nomear por razões óbvias), e exibem sempre um estado de conservação magnífico, além de outras características que não vou enumerar.

Os coletes reflectores... Ah! São o gaúdio dos pacóvios!!! A essa fabulosa invenção da legislação portuguesa... Maravilha, pensem nos milhares de coletes reflectores pedurados nos bancos dos automóveis por esse país fora! Que belissimo objecto de decoração automóvel. Para não falar das bandeiras portuguesas que agora se misturam com os coletes reflectores, oferecendo um lauto repasto aos olhos dos não pacóvios presumidos. Isto, tudo fruto da grande evolução que os pacóvio têm tido nos últimos anos, porque até então os objectos de decoração mais comuns eram os "cãezinhos com a cabeça a abanar" e as almofadas de veludo.

Viva o Domingo! Arghh!

quinta-feira, junho 22, 2006

Mais sonhos realizados...

É para mim dificil exprimir a felicidade que senti quando soube do positivo desta nossa amiga. Ela foi uma das primeiras que segui e apesar de não a conhecer pessoalmente nutro por ela um carinho enorme.

Parabéns Claúdia!

Claro que não posso esquecer uma outra amiga, que apesar de não ter dito nada do seu tratamento, também está de parabéns.

Parabéns Tânia!

Hoje é um dia feliz!

segunda-feira, junho 19, 2006

A aventura continua

Depois de ter desembolsado umas centenas de euros, a semana passada, lá fui eu hoje aos "treinos". Não... desenganem-se, ainda não comecei o tratamento, fui só treinar para ver como podia inflingir a tortura a mim própria.

Como é meu apanágio, a coisa não foi linear, ou seja: Não entrei no hospital, fiz o que tinha a fazer e saí. Não... Tenho de me meter sempre em toda a espécie de episódios hilariantes e complicados, senão apreciem:

Cheguei lá toda esbaforida (ando sempe a correr de um lado para o outro, portanto é o meu estado natural), meto conversa com a Srª da portaria. Estava uma fila enorme, a sala de espera cheia, eu pensei: "Bolas não vou sair daqui tão cedo!"- Lá lhe expliquei para o que ia, que estavam á minha espera, etc, etc e pedi-lhe para ir falar com a enfermeira. Ela lá foi e voltou com o recado que a enfermeira me ia atender num instante... Ora, os minutos começaram a passar e nada. Eu a ver as coisas mal paradas lá fui meter outra "cunha", ela lá foi falar com a enfermeira, que mandou dizer que mal tivesse uma sala me mandava entrar.

Entretanto, lá fui ouvindo a vida da Srª, muito simpática, a contar os problemas dela, da filha, do marido, etc, etc. Mais uns minutos, lá foi ela outra massacrar a enfª, desta vez disse-me: Entre, entre, a enfª mandou-a entrar para aqui que vem já! - olho eu e na porta, para onde ela me mandou entrar, e vejo escrito: Vestiário - Então eu vou entrar para aqui? - pergunto eu. - Sim, a srª enfª vem já! - responde a Srª.

Eu lá entrei para o vestiário do pessoal do hospital, completamente incrédula a rir-me sózinha e a pensar "ISTO NÃO É NORMAL!" - "então ela vai-me atender no vestiário???!!!". Entretanto entra uma enfermeira para se despir e dá de caras comigo. Eu com cara de "tacho" digo: Mandaram-me esperar aqui... - ela diz : Ah sim então não se importa que me dispa? - eu para ela: Não esteja a à vontade!

Entretanto batem á porta, era a enfª à minha procura, tinha perguntado à srª da portaria que lhe disse que eu estava no vestiário. Foi hilariante... fartamo-nos de rir. A enfª tinha dito simplesmente para a Srª me mandar aguardar no corredor porque a sala ao lado do vestiário ia ficar vaga e eu entrava de seguida... A Srª compreendeu tudo ao contrário... mais uma vez se verifica que a lingua portuguesa é muito traiçoeira.

Bem depois disso passamos à prática e lá aprendi, ou pelo menos é suposto, ter aprendido a dar as famosas "picas". Quando começar é que vou saber.... mas para já parece simples.

Beijos a todas e boa semana

quarta-feira, junho 14, 2006

The "F" Word...

Independentemente da ortografia, se leva mais hífens ou mais "ss", se se escreve em letras maiusculas ou minusculas, a única palavra que me aflora a boca é a "F" word.

Como sabem, vou em breve iniciar o meu primeiro tratamento. E depois de muitos adiamentos (e porque já não podia adiar mais), lá fui á farmácia buscar as minhas "doses". Estive na farmácia, imaginem a escolher seringas... sim compreenderam bem seringas, eu tipo "expert" pedi logo das com agulhas mais fininhas; A farmacêutica lá me mostrou algumas; Eu virei e revirei... e finalmente lá escolhi umas. A srª ao ver-me fazer aquilo deve ter julgado que eu percebia muito do assunto, o que ela não percebeu é que eu estava a olhar para as seringas com a incredulidade que a situação exige (EU VOU TER DE ESPETAR ISTO NA MINHA BARRIGA???!!!).

Quando ela me apresentou a conta, nem pestanejei (para não dar bandeira), não é que larguei lá 347,00 e ainda falta mais uma caixa de Gonal que custa 287,00 e ainda não chegou. Arre! e depois ainda nos impingem balelas da fome e da miséria em África... quando nós vivemos num país miserável quem nem as necessidades mais básicas dos cidadãos providencia.

beijos a todas

sexta-feira, junho 09, 2006

A insustentável leveza de ser mulher

"Olha lá, achas que esta roupa me fica bem?"

Aparentemente, esta simples frase nada tem de extraordinário, ou complexo. No entanto, é impressionante a avalanche de acontecimentos e emoções que dela pode derivar, senão vejamos:

- Quando a pergunta á dirigida ao respectivo consorte, o pobre, tem sempre 2 opções de resposta (os mais experientes sabem que esta é uma"tricky question", e tentam deseperadamente não ter de responder, olham atentamente para o que estão a fazer; Desviam a conversa para outro tema; Etc.):
Resposta 1: "Sim amor estás óptima! Fica-te muito bem!"
Resposta 2: "Hummm...essa roupa faz-te um bocadinho gorda..."

Claro que as duas respostas despoletam uma reacção diferente, leia-se:

Reacção á resposta 1: "O quê?? Achas que estou bem??? Então não vês este pneu enorme aqui a sair do lado (poderá ser pneu ou outro adjectivo semelhante que sirva o mesmo fim claro)??? Ah!!! Eu bem digo que tu não olhas para mim, só queres saber do futebol e dos teus amigos....Etc, etc.

Reacção á resposta 2: "O quê gorda??? Tu estás bem a ver o que estás a dizer??? Quem dera a muitas mais novas terem o meu corpo... tens outra melhor é???

Ambas as reacções são como é evidente seguidas de uma batida em retirada, acompanhadas de alguns impaupérios dignos de carroceiros, que algumas (já mais habituées) proferirão em voz alta, enquanto que outras (mais recatadas), proferirão mentalmente.

No entanto, é sempre importante notar que a 2ª resposta é bem pior que a 1ª, enquanto que a reacção à primeira suscita a batida em retirada e alguns poucos queixumes, a reacção à 2ª poderá causar uma reacção tipo melodrama. Ou seja, choro e ranger de dentes e até em casos extremos (se o consorte não desdisser rapidamente o que foi dito) a queda da relação rumo a Titanic.

- Quando a pergunta é dirigida à melhor amiga (ou à pior porque nestes casos nunca se sabe), aí então o caso assume outros contornos, inevitavelmente elas, à semelhança do pobre, têm também duas opções de resposta, e são exactamente as mesmas acima citadas, pelo que nem vale a pena repetir.

Agora as reacções são bem mais abrangentes, no entanto mais silenciosas como convém:

Reacção à resposta 1: "Achas? Ah! Obrigada!" - isto é o que dizemos. Agora o que queriamos dizer: "Ah sua hipócrita, devo estar a fazer uma figura deplorável para tu dizeres que estou bem... sua "beach", etc, etc.

Reacção á resposta 2: Não há resposta... até porque ninguém está há espera que a fulana tenha a lata de nos dizer uma coisa daquelas... querem lá ver que a lambisgóia não tem espelhos em casa... ainda não viu os "camiões" de celulite que tem naquelas pernas... e aquele rabo... Bah! Nem vale a pena responder!

De salientar em qualquer dos casos que a "querida" amiga não perde por esperar, estará guardadinho para ela, na devida altura a respostinha. Quando ela menos esperar: "Ai querida! Essa roupica não te favorece nada!" e aí os mais atentos verão a auréola que nos cresce tal é o nosso ar angelical.

E vejam lá a confusão que uma frase tão simples pode causar.

Bom fim de semana a todas

quinta-feira, junho 08, 2006

The day after

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

terça-feira, junho 06, 2006

Este pequeno mundo - parte 2/5

Não podia deixar de vir cá hoje... confesso que numa primeira fase de choque, me apeteceu apagar isto tudo e esquecer que alguma vez isto existiu sequer, isto tudo a propósito de um qualquer comentário, de uma encruada qualquer, que me fez perder um bocado as estribeiras.

Mas, depois de uma sessãozita de ginásio, lá acalmei os ânimos e decidi ficar. Parece-me surreal, que uma MULHER, cometa o desvario (sem pelo menos ter uma "catrefada" de filhos, a massacrar-lhe o espirito), de proferir semelhantes barbaridades, senão vejam:

"impressiona-me a quantidade de mulheres com problemas de fertilidade na blogosfera. são às centenas em portugal, todas elas com a frustração de não conseguirem conceber, parir, procriar ou sequer engravidar. são mulheres desapossadas da sua condição de fêmeas. o seu corpo recusa-se a cumprir o papel para o qual foi concebido: gerar vidas. leio-as entre um misto de incredulidade e angústia, enquanto descubro um novo vocabulário: iiu, fiv, indução de ovulação, hiperplasia, folículos. são patéticas na sua obstinação, desesperadas no seu desejo de serem mães."

A coisa raia o inconcebível, principalmente, e a meu ver por se tratar de uma mulher, será que a criatura julga estar isenta de todos estes problemas?

Bom, este texto a maioria de vós já conhece e acredito que quase todas, ou pelo menos um grande número já comentou. Antes de mais, gostaria de apreciar a forma mordaz como escreve, reparem na subtileza dos adjectivos escolhidos, Eça não faria melhor. Depois os requintes de malvadez com que diz "eu corpo recusa-se a cumprir o papel para o qual foi concebido: gerar vidas". Delicioso, e ainda por cima pré histórico, uma vez que todas sabemos que o corpito tem muito mais serventia do que "parir" ou "gerar" filhos (pelo menos o meu tem, enfim não posso falar por todas). Tinha eu de viver até esta idade para LER isto...

Mas isto não termina queridas amigas, a análise desta pérola da literatura portuguesa continua, na sequência dos adjectivos: "são patéticas na sua obstinação, desesperadas" - lindo, lindo, tiro o chapéu a esta rapariga, ela escreve muito bem. Esqueceu-se, porém, da sua condição de fêmea procriadora, o que faz com que não esteja isenta de toda a lamechice associada aos ditos blogs "patéticos".

Que existem blogs com maior ou menor qualidade, é indiscutível, mas uma coisa que nos foi concedida há já algum tempo foi o "free Will", portanto, se por uma lado nós podemos ler e criticar, por outro também temos de aceitar a réplica a essas criticas. O importante é que podemos escolher... não somos obrigados a nada...

Agora, o que quero condenar, são as réplicas "ressabiadas", mal estruturadas, e mal educadas. Perde-se a razão e perde-se a nível... e isso não se pode tolerar, e não podemos ficar todas no mesmo "barco", desculpem-me, é assim que sou.

Quem anda nisto não é por gosto, não é por ser "demente", ou por não ter mais nada para fazer. Anda-se nisto por necessidade, uma necessidade de extravasar os sentimentos; por necessidade de "feed-back", de ouvirmos qualquer coisa que nos faça acreditar em algo que nem nós mesmas acreditamos; é a necessidade de vermos que o problema do parceiro é maior que o nosso e que afinal até estamos muito bem... é a necessidade final de vermos que poderá existir algo mais para além disto.

Não se vive em prol de uma possivel gravidez ou do aumento infinito da prol, vive-se num sub mundo, onde somos todos iguais... vive-se num pequeno mundo como lhe costumo chamar. Onde não temos de fugir para dizermos que "não, não temos filhos porque não conseguimos"; onde não temos de andar sempre a tirar a roupita e a assumir aquela posição fantástica, para um bando de médicos espreitar... e pior de tudo, onde as nossas células não são misturadas num laboratório.

Porque meus amigos, falar de infertilidade, é a mesma coisa que falar de pensos higiénicos ou orgasmos, só muda o tema e a superficialidade do assunto.

É este o pequeno mundo da infertilidade! Sejam benvindos! Adoramos tê-los cá!

Beijos a todas

sexta-feira, junho 02, 2006

Amanhã

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...


Álvaro de Campos


Tal como prometi, aqui deixo mais um pequeno poema de Álvaro de Campos, espero que gozem todas um excelente fim de semana... para a semana há mais!!

Alex sua danada, hoje fizeste-me rir muito, soube-me muito bem! Ah! E já agora manda para cá a pinça nº5...

Beijos a todas

quinta-feira, junho 01, 2006

Contrariando as tendências!

Caras amigas,

Pois então não é que ficaram com a idéia errada acerca do meu estado de espírito..?? O facto de ter escrito um poema de Fernando Pessoa (no seu heterónimo Álvaro de Campos), não significa nem de longe nem de perto que ando com o astral como o do poema. Significa, isso sim, que vou dedicar alguns dos próximos posts a uma "breve" antologia deste grande poeta.

É claro que muito do que ali se diz, se identifica de certa forma, com o momento actual que atravesso, é óbvio e isso não posso negar. Mas o desânimo ainda não tomou conta de mim completamente.

Depois da minha histeroscopia de "barriga aberta", como costumo dizer, o único facto relevante foi eu ter achado que uma "ampolazitas" daquilo que me deram no bloco, me poderiam dar uma "jeitaça" nos próximos tempos... é que aquilo era mesmo fixe!!! Eu vim completamente eufórica!! A experiência que lá vivi, foi como se estivesse a observar o que se passava no meu corpo, mas como espectadora, estava de fora a ver tudo, aquele corpo não era meu... bem, o pior foi mesmo quando o efeito da "droga" começou a passar...

Entretanto, tenho andado por cá tipo "formiguita", na minha labuta habitual, felizmente sem grande tempo para pensar no que aí vem.

Já marquei as aulas de "chuto", porque isto é muito "fino", temos direito a aulas e tudo, não vá o pessoal ainda furar o intestino grosso e depois é o caraças!!! E não convém evidentemente, furarmos a barriguita de tal forma que ao bebermos qualquer coisa, comece a sair pelos furos... daí que é melhor prevenir do que remediar.

E confesso, tenho andado a baldar-me um bocado ao trabalho (senão não estava a estas horas a escrever um post no meu berlogue!)... e tenho estado no msn com as minhas queridas amigas, as já "habituées" e a mais nova aquisição: A cris!! Amiga tenho adorado falar contigo!!

Depois fiz mais uns contactos com outras amigas virtuais: A Claudinha (Vieira), amiga adorei falar contigo! Tive a sensação que nos conheciamos desde sempre! E a Pi, também gostei muito de falar contigo Pi!!

Por isso, minhas queridas roam-se aí, que eu vou trabalhar um bocadito (ou pelo menos tentar), antes que alguém se lembre de me demitir!

Beijos a todas

quarta-feira, maio 31, 2006

Antologia

Não sei. Falta-me um sentido, um tacto

Para a vida, para o amor, para a glória...

Para que serve qualquer história,

Ou qualquer facto?



Estou só, só como ninguém ainda esteve,

Oco dentro de mim, sem depois nem antes.

Parece que passam sem ver-me os instantes

Mas passam sem que o seu passo seja leve.



Começo a ler, mas cansa-me o que ainda não li.

Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.

O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir

É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.




Não ser nada, ser uma figura de romance,

Sem vida, sem morte material, uma idéia,

Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,

Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.




Álvaro de Campos





sexta-feira, maio 26, 2006

Crónica de uma histeroscopia

Hoje, lá avancei mais um passinho de tartaruga, no contra relógio da infertilidade... Fui fazer uma histeroscopia.

É verdade que estava nervosa, se bem que estava "apalavrado" que iria fazê-la com anestesia geral. Não, não se riam!!! Eu sei que existem exames muito piores e que são feitos a "sangue frio", mas o que querem, eu sou uma mimalheca, e o médico compreende isso e facilita...

Quero destacar aqui, que o tratamento foi do melhor, desde a parte do internamento, onde fiz logo amizade com as enfermeiras (vou ter de lá voltar! Logo é preciso começar já a preparar o futuro!), até á parte do bloco, onde o pessoal era do melhor. Uma equipa jovem, profissional e muito simpáticos. Adorei!

O exame, em si não custou muito, até porque eu estava "pedrada" (é para começar a praticar para a minha sala de "chuto"), e como não estava bem a dormir, pude ver tudo... mas não senti nada. Aquilo lá por dentro é um bocado "sinistro", não acham? É claro que ainda tive tempo para fazer umas perguntas parvas...

As instalações e os equipamentos do bloco eram óptimos, fiquei realmente muito bem impressionada.

Depois de sair do bloco, e de volta à enfermaria, onde me deram como companheiras uma Srª idosa já nas últimas, e uma ucraniana que tinha feito um aborto "artesanal" e se estava a esvair em sangue. Estive a recuperar (mortinha por sair dali para fora) um bocado, e só me deixaram sair depois de comer uma canjinha (chlep, chlep). Ah! E deram-me um super penso higiénico que me ia desde á parte de trás do pescoço até à parte da frente... porque aqui a vossa amiga, foi em traje de gala e não levou nadita, nem chinelos, nem pensos higiénicos, foi com as unhas pintadas... enfim, tudo a que tinha direito! Fartei-me de ouvir "rabecadas"...


Depois ainda tive tempo para um solilóquio com o médico, que me garantiu estar tudo bem e prontinho para receber os ditos cujos (venham eles!). E lá vim embora com o meu A, que estava sequinho de estar à espera e morto de fome.

Achei particular piada a uma episódio com a médica anestesista, que não resito a contar: Ela era muito novinha, inicialmente até pensei que era enfermeira, estivemos as duas a "cavaquear" antes de eu entrar para a sala propriamente dita. Ela a fazer-me aquelas perguntas da praxe: "Quanto pesa?", "Tem algumas alergias?", etc. eu a dizer-lhe que estava cheia de pressa porque tinha de vir trabalhar de tarde, que tinha umas coisa importantes para fazer, ela logo para mim - "Nem pense! Hoje não vai poder tomar nenhuma decisão importante, nem passar cheques nem nada... e se amanhã não se lembra?" e lá foi fazer queixa ao meu médico, que depois de saber me esteve a descompôr.

Bem é certo que vim trabalhar... e acho que amanhã, quando estiver numa boa de papo para o ar, nem me vou lembrar de ter vindo!

Beijos a todas e bom fim de semana

quarta-feira, maio 24, 2006

Finalmente.... A FIV

Existem coisas na nossa vida, que nos causam dualidade de sentimentos, hoje aconteceu-me uma que me pôs exactamente nessa situação: Marquei o meu 1º tratamento de FIV.

Se por um lado, a alegria de finalmente sentir que estou a a"fazer alguma coisa de concreto", por outro lado a apreensão de ir entrar num mundo desconhecido está a gerar dentro de mim uma ansiedade e um terror genuino, e por vezes tenho de me forçar para não chorar.

"A mulher é maluca! Então não é isso que todas queremos?", pensam vocês, e se calhar têm alguma razão naquilo que dizem, mas honestamente isto é aquilo que sinto. Sinto um misto de terror e felicidade, e este sentimento está a ser desconcertante.

Mas vou começar pelo princípio:

Na segunda-feira tive consulta, era por demais evidente para nós cá em casa, que "a coisa" não pegava e que, mesmo depois da cirurgia que fiz em Outubro, as criancinhas teimavam em não aparecer. Como a maioria de vós sabe, tenho endometriose, ainda que pouca, tenho! E um dos grandes problemas da endometriose é que durante o período menstrual e até mesmo antes, as dores são "horriveis". Logo a seguir à cirurgia fiquei bastante melhor, mas o panorama foi-se degradando e eu decidi antecipar o tratamento que tinha agendado para Setembro. Por isso fui fazer uma visitinha ao meu médico na 2ª.

Posto isto, avançamos com a marcação da primeira FIV (agora um aparte, eu acho que existe albuns e livros dedicados "a minha primeira comunhão", "o meu casamento", "o meu baptizado", porque não fazer um a dizer "a minha primeira FIV"?? deprimente não??). Claro que não vai ser já, porque tenho ainda de fazer a histeroscopia (vou fazer na 6ª), e depois tenho de ficar a aguardar a próxima menstruação, para iniciar a toma da pilula (quem diria o pessoal quer engravidar e receitam pilulas...), mas está marcada!

O protocolo é longo, o que deixem que vos diga me deixou aborrecida, então vai uma mulher andar a "picar-se" durante quase 1 mês, isto lá é coisa que se faça? Se fosse o curto a coisa ficava logo resolvida em pouco tempo... eu não sou cá mulher de grandes esperas (mas não sou eu que mando!).

Trouxe uma "catrefada" de medicamentos com nomes horrorosos para comprar, os quais tenho a certeza vão contribuir para a minha ruína financeira, juntamente com umas "sacadas" de compras que fiz noutro dia (porque andava deprimida percebem?)... a isto vem juntar-se um casamento que vou ter e para o qual vou ter de comprar mais umas coisitas, e se a isto juntarmos a prenda... bem mas não era disso que estava a falar, estava a falar dos medicamentos com nomes inpronunciaveis, que devem ter efeitos secundários ainda mais inpronunciaveis que vou ter de tomar.

Mas o pior disto tudo, é eu ter de converter a minha casa, o meu lar, numa casa de "chuto", então não querem ver que eu tenho de dar as injecções a mim própria?! Tenho até de ir ter aulas para aprender como se faz?!?! Ah! Minhas amigas!! Nunca pensei que teria de chegar até aqui...

É verdade, e agora fora de brincadeiras... nunca pensei que tivesse de passar por isto... tudo na minha vida foi conseguido a "pulso", nada me veio ter de "mão beijada". Trabalho que me farto para ter alguma coisa... enquanto vejo outros que têm tudo com a maior das facilidades, que sempre tiveram... revolto-me! Eu sei que não devo... mas revolto-me! As lágrimas querem cair, mas não as deixo... queimam-me... porque será que para algumas pessoas é tudo tão fácil? E para outras é sempre tudo tão duro?

Pronto, e este é o desafio de que vos falava... na segunda-feira ainda não sabia mais pormenores, sabia que ia fazer, mas não a data exacta, hoje fui buscá-la... o desafio foi aceite!

Beijos para todas

segunda-feira, maio 22, 2006

Desafios...

"Não é o desafio que define quem somos nem o que somos capazes de fazer. O que nos define é o modo como enfrentamos esse desafio."

Hoje aceitei mais um desafio... a ver vamos!

domingo, maio 21, 2006

Sobrevivi...

Depois da minha odisseia pela festa familiar de que vos falei no último "post", eis-me de volta ao meu melhor estilo para vos de dizer que sobrevivi...

A festa foi como esperado, montes de pessoas conhecidas, e outras menos conhecidas, e montes de miúdos... ou não fosse aquela uma festa de aniversário de um miúdo! Não vos vou massacrar com os pormenores, porque realmente todas já passaram por aquilo que passei, e sabem quais os sentimentos pouco nobres que nos assolam, quando vimos um garoto de 1 ano e meio a correr para a mãe com aquele sorriso de orelha a orelha de verdadeira felicidade e amor incondicional pela sua mãe... não foram poucas as ocasiões em que me apeteceu desertar porque as lágrimas, teimavam em querem descer e eu que sou mais teimosa do que elas não as deixava... mas lá me aguentei.

Não pensem que foi fácil, estas festas são feitas com requintes de malvadez... é o almoço... o lanche... e depois o jantarinho... não falta nada! E para culminar de forma brilhante, e mesmo sofisticada, eis que o Mr. red apareceu com toda a sua aura brilhante... 22 dias... fabuloso, isto vai de mal a pior!

Que querem que vos diga, foi a cereja no topo do bolo!

Então hoje, como vos dizia passei o dia de barriga para o ar... mas, não pensem que foi "numa boa", foi cheia de dores horríveis e entupida com Nimeds... Que bom! Adoro isto!

"Nada acontece por mero acaso. Não existe sorte. Existe um significado por detrás de cada pequeno facto.
Talvez não o consigamos ver de imediato com clareza, mas não será preciso muito tempo para que isso aconteça.!"


In Nada ao Acaso

Fiquem bem amigas e tenham uma boa Semana!

sexta-feira, maio 19, 2006

Crónica de um sofrimento anunciado...

Amanhã vai ser daqueles dias: Uma mega festa familiar para festejar os anos de um priminho que faz amanhã 1 aninho, o puto é o máximo, daqueles bébés bolachudos, gordinho, com os dentinhos com "raleiras" e cabelinho aos caracóis... mas é mais uma festa daquelas em que vamos encontrar todas as primas e primos com os seus pequenos rebentos, e os amigos da minha prima que também vão levar os seus rebentos para festejarem o aniversário do rebento dela...

Vão estar lá os tios, as tias, enfim toda a família, e nós... e vamos ter de ver e ouvir as mães todas babadas a contarem as peripécias dos seus filhotes, a degladiarem-se umas com as outras porque o de uma é sempre melhor do que o das outras... vamos ter de ouvir as frases da praxe... "Ah quando tiveres os teus vais ver!"; "Nem sabes a sorte que tens ando louca com estes miudos!; "Então e tu quando é que te decides?" - Arghhh!!!

Vou ter de sorrir com os dentes todos e dizer a todas como estou feliz por poder partilhar aquele momento com as criancinhas todas, e que sou uma mulher atarefadissíma, por isso é que não quero crianças que me importunem a minha fútil existência... entretanto, espero que exista lá algumas garrafitas de algo mais do que sumo de fruta, e vou aproveitar para beber uns copitos, uma vez que não sou mulher de tomar antidepressivos, e aproveito para ir dormir uma sesta descansada para não ter de enfrentar o maior problema da mulher infértil... os filhos dos outros!

Assim sendo, e como já estou em pré-depressão, aqui com o meu pessoal mandamos vir uma pizza da TelePizza para o nosso lanche... sim porque nós também somos filhos de Deus e a chefa hoje está com vontade de comer algo excepcionalmente "gorduroso". Diziam-me há bocado - "Estás com desejos??" - a minha resposta - "Não me parece!"...

Bem amigas, se eu conseguir sobreviver a mais uma odisseia familiar, vou passar o Domingo de barriga para o ar no meu cantinho à beira mar, e espero que façam o mesmo e que se divirtam muito!

BOM FIM DE SEMANA para todas

quarta-feira, maio 17, 2006

Este pequeno mundo...

Não é por opção que não tenho vindo actualizar este cantinho... não tenho vindo porque como já vos disse num dos "posts" anteriores, tenho andado a deixar o tempo rolar... deixei de estabelecer metas, contar dias, impor limites... Tenho vivido a 100% a minha vida, faço o que me apetece, bebo o que me apetece, como o que me apetece, faço amor com o meu marido quando me apetece!

Entretanto, como durante o dia de trabalho não posso fazer o que me apetece, tive de enviar os IRS, e preparar os Modelos 22 para enviar até ao fim do mês, e acreditem... não é pêra doce!

Entretanto, quando saio do trabalhito vou para o ginásio e chego a casa sempre a horas malucas, para ter de ir jantar e quando acabo de fazer tudo já estou enterrada de sono.

Estas, são todas algumas das razões porque não tenho vindo actualizar o meu cantinho, mas a verdade, é que também não tenho vindo porque estar longe deste pequeno mundo significa estar longe da infertilidade e de tudo o que ela representa. Estava a viver em função disto, 24/24 horas, o mundo da infertilidade invadia o meu ser, e não sei se estava a ser bom ou mau.

Se por um lado viver os pequenos dramas de cada uma de vós é uma ajuda, por outro lado, a dor penetrante que se sente é cada vez mais aguda, e por essa razão, de vez em quando não quero partilhar... não é que esteja a entrar numa fase de negação do problema (como aliás andei durante muitos anos), não quero é fazer deste problema um cavalo de batalha, a única razão da minha existência...

Esta semana também, confesso-vos que fiquei chocada, com a atitude de uma amiguinha da blogoesfera que teve há algum tempo o seu positivo. Pura e simplesmente apagou o seu blog... reconheço que para as que ficam sem positivos é dificil ver os positivos das outras... não é inveja... é um sentimento um misto de felicidade com desapontamento... é um "porque não eu?".

Reconheço também que para as que têm positivos, se torna "diferente", quando falam com as que ficaram para trás e vivem a angústia da infertilidade. O que não reconheço, e que me desculpem, é que as pessoas pretendam "apagar" os desabafos e as angústias de tempos passados... não se pode apagar o passado! Admiro aquelas que continuam apesar dos positivos!

Devo lembrar que este é um desabafo, é a minha opinião, não pretendo com istos ferir as susceptibilidades de ninguém...

Agora não podia deixar de terminar este "post", sem uma dedicatória especial a uma amiga que vai amanhã ter uma consulta importante... Tica, vou estar a pensar em ti amiga!

Beijos a todas

sexta-feira, maio 12, 2006

"Música de Praia"

"- Sou um homem muito frio, mãe. Há algo em mim que arrepia aqueles que tentam chegar-se a mim (...). Não quero ser assim, mas, mesmo quando estou consciente disso, não consigo ser diferente. Disse à Leah que o amor é mais uma coisa que tem de ser ensinada. Penso que pode ser dividido em várias peças numeradas para tornar o seu manuseamento mais fácil. Acho que ninguém me ensinou, mãe. E acho que passou por cima de ti e do pai. Toda a gente está sempre a falar de amor. É como o tempo. Mas como é que um homem como eu aprende? Como é que eu o faço sair da parte mais profunda do meu ser? Se eu soubesse como soltá-lo, partilhá-lo-ia com todos. Distribui-lo-ia generosamente à minha volta. Mas ninguém me ensinou os passos dessa dança. Ninguém desmontou o amor para eu ver como era feito. Acho que a única maneira como posso amar é em segredo. Há um rio profundo em cujas águas me posso saciar quando não há ninguém por perto. Mas como está escondido e por descobrir, não posso chefiar uma expedição até lá. Por isso amo de modo estranho e oblíquo. O meu amor torna-se numa espécie de conjectura e não me sacia nem me apazigua a dor."
Não resisti, este é um pequeno excerto de um livro que ando a ler, o seu nome "Música de Praia", é divino!
Espero que apreciem e aproveitem o fim de semana para namorarem, para lerem e descansarem.
Bom fim de semana para todas

segunda-feira, maio 08, 2006

Noite da mulher!

Este fim de semana, depois de muitos convites recusados, decidi ir jantar com uma grande amiga. Primeiro jantar, e depois farra que ninguém é de ferro, e isto de andar sempre a trabalhar e a chorar misérias tem de acabar.

Fomos jantar a um bom restaurante, comemos uma boa comida e bebemos um bom vinho. As conversas, entre nós, amigas há mais de 20 anos, surgem naturalmente, eramos inseparáveis quando adolescentes. Hoje como mulheres somos grandes amigas.

Eramos uma dupla imbatível as duas, a verdade é que eramos 3 (como as mosquiteiras), só que uma de nós era muito apagada, enquanto que as outras duas faziam a festa toda. Hoje continuamos as 3 muito amigas. Mas a 3ª não foi porque tem uma bébé com 3 meses.

A minha amiga tem dois miúdos, então a nossa conversas oscilou entre os prazeres/martírios da maternidade e a infertilidade (a minha). Ela queixou-se de que com os miúdos não tinha tempo para nada, não podia dormir até tarde, não podia descansar um minuto quando estava em casa, etc. etc. Mas, chegou à conclusão que realmente se não os pudesse ter que dava em doida, disse-me: "não sei o que fazia se não os pudesse ter... acho que ficava maluca! Não sei como consegues!"

Bom, depois de um jantar óptimo, fomos para uma bar óptimo, onde se juntou a nós mais uma amiga (que deixou a filha com o marido!), e encontramos outros amigos, e dançamos e conversamos até ás tantas da madrugada. Soube tão bem, vocês nem imaginam...o que não soube nada bem foi ter chegado a casa às 5h00 para ter de estar a trabalhar às 9h00...

O engraçado disto tudo, é que reencontrei, depois de milhões de anos, a minha paixão dos 12 anos. Nem vos digo, olhei para ele e disse para a minha amiga: "Aquele não é o X?" - ela "É acho que é!... Espera ... é ele é!"

Tão diferente que ele estava, ainda que os traços fossem os mesmos, continua bonito como era, só que naquela altura era um puto, agora é um homem. Já esteve casado, teve filhos e agora está divorciado. Há tanto tempo que não o via...

Caricato, é que quando eu tinha doze anos (ele tinha mais alguns), não queria saber de mim para nada, nem sabia que eu existia, na sexta-feira, derreteu-se comigo... Pois é meu querido... vens 23 anos atrasado!! É assim a vida!

Beijos a todas

Quero deixar um beijinho especial para a minha Mosquiteira Alex que vai fazer a sua consulta: "Amiga vai correr tudo bem! Estou a torcer por ti!!"

sexta-feira, maio 05, 2006

Manias eu?...

Agora a convite das minhas amiguinhas Cris e Tiquinha (suas malandras!!) vou aqui desvendar 5 das minhas manias em criança:

1º Chupeta... Só larguei quando fui para a primária... (não se riam por favor!!)

2º Andar a pedir sopa na casa de uma vizinha cuja sopa eu gostava muito, dizia que a minha mãe punha açucar na nossa... (estão a ver o que aconteceu quando fui descoberta...)

3º Beber vinho às escondidas, em casa dos meus avós que eram lavradores e tinham umas videiras fantásticas... Quando apanhava aquela caneca enorme na mesa e ninguém estava a ver, lá ia eu... a sorte é que deitava mais para a roupa que para o estomâgo... mas... acho que isso explica algumas coisitas!!!

4º Fugir da escola... depois quando comecei a gostar não queria outra coisa, mas o principio foi complicado!

5º Defender a minha irmã, como ela era muito timida, os miudos tiravam-lhe os brinquedos todos, e eu, que já naquela altura era "mosquiteira", ia lá, batia nos miudos e trazia os brinquedos de volta...

"Et voilá"... Nada mais tenho a acrescentar!

Beijos a todas, um beijinho especial para a Musa que conseguiu realizar o seu sonho, e finalmente encontrar a inspiração que buscava!

quinta-feira, maio 04, 2006

Teste

Bom aqui vai o teste a pedido da Alex!

O que estava a fazer há 10 anos atrás?
R: A trabalhar...e apaixonada!

O que estava a fazer o ano passado?
R: A trabalhar...e... continuava apaixonada

Os snacks de que eu gosto?
R: Dieta todo o ano... Brincadeira... Gosto de Mars, Kit-Kat, batatas fritas, amendoins... querem que diga mais???

Músicas que conheço de cor:
R: Todas as musicas da minha vida e arredores (tenho boa memória que querem!)

5 coisas que faria se fosse milionária:
R: Ai sou tão egoísta... deixava de trabalhar, viajava muito, fazia tudo o que me apetecesse... e claro e para a porta daquele que as minhas amigas sabem com um saco de dinheiro e exigia sair de lá com um filhote na barriga.
Agora vou fazer de boazinha... ajudava a minha família e os pobrezinhos.

5 coisas que gosto de fazer:
R: Tantas... a vida é bela... gosto de ir para a praia, gosto de viajar, gosto do sol, gosto de ir ás compras (sapatos incluídos), gosto de conviver com os meus amigos, adoro ler, ouvir música, andar de carro...

5 coisas que não voltava a vestir:
R: Cuecas de gola alta! (Não me lembro de mais nenhuma...ups!)

5 "brinquedos" favoritos:
R: Livros, carros, barcos, máquina fotografica, pc portátil... já estão 5!

5 pessoas que desafio para fazerem este teste:
R: A tiquinha minha mosquiteira! E mais ninguém!

Recordar o passado

Não! Não pensem que ando nostálgica! Nada disso!
Simplesmente achei que as minhas amiguinhas virtuais, deviam saber um pouco mais da minha história de vida. Quando comecei este blog, comecei a falar de um passado recente, resumi a minha história ao último ano da minha vida, ao inicio da minha luta desigual. Acho que agora, alguns meses passados sobre esse inicio, talvez seja interessante saberem como nós chegamos aqui.
Talvez pareça dificil acreditar, mas a nossa história começou há 19 anos atrás, considerando que eu tenho 35 anos, façam as contas... Conhecia aquele que viria a ser meu namorado há algum tempo, e juro-vos que nunca, jamais, em tempo algum, me passou pela cabeça sequer vir a namorar com ele.
Ele era um rapaz pacato, timido, eu era toda exuberante, super popular, fazia parte daqueles grupos que todos querem pertencer e só poucos pertencem... Naquela altura achava eu porque erámos melhores que os outros, hoje sei que não passávamos de uns putos mimados e palermas, com a mania que erámos muito espertos.
Era irmão de 2 rapazes desse grupo, mas não tinha nada a ver com eles (ainda bem!), era tipo o patinho feio da família. Eu achava o rapaz um verdadeiro homem das cavernas, porque ele estava sempre enfiado em casa e ficava envergonhado por tudo e por nada. Gostava deles mais vistosos, populares e sobretudo cobiçados...
Vim a descobrir depois, que ele também achava que eu era uma grande parva, porque andava sempre de nariz erguido com aquele grupo de betinhos, que não passavam de uns palermas.
Começamos a falar por acidente (no sentido literal da palavra), e a nossa amizade foi crescendo, crescendo, e de Outubro a Fevereiro decidimos começar a namorar. Não foi premeditado, não houve o pedido... simplesmente sabíamos que não fazia mais sentido sermos um sem o outro.
Tinha eu 16 anos e ele 17. A partir de Fevereiro começamos aquilo que viria a ser (pensávamos nós) a maior aventura das nossas vidas. Alguém disse um dia que o amor é como a metade de uma laranja, se partirmos várias e as misturarmos, depois temos dificuldade em encontrar para cada uma a metade respectiva, confesso que achei gira esta metáfora. E, se isto é verdade, confesso-vos que em várias ocasiões, tive a certeza de ter encontrado a minha metade!
Nem tudo foram rosas, evidentemente, ao longo de 10 anos de namoro existiram discussões, arrufos, términos, etc. Mas ao fim de 10 anos decidimos casar, não porque não sabíamos o que fazer mais ou porque era a única solução viável, nada disso! Mas o meu pedido de casamento contarei em outra ocasião!
Beijos a todas

quarta-feira, abril 26, 2006

Rendida às evidências!



O solzinho, na verdade tem efeitos terapêuticos, e consegue verdadeiros milagres no nosso estado de espírito.
No fim de semana e no feriado, aproveitei para pôr o bronze em dia, e apesar de ter passado mais um ciclo inglório, acho que até estou bastante bem.
Com o passar dos meses, sem a obtenção de nenhum resultado prático, da cirurgia e dos treinos, cresce no meu interior a firme convicção de que não vai ser fácil, de resto também ninguém disse que ia ser...
Cada mês que passa torna mais dificil a obtenção de uma gravidez natural, devido à endometriose. Mas, também cresce em mim a certeza de que a endometriose não será a causa real da incapacidade, deve ser outra coisa qualquer mais complicada. Até porque o grau da endometriose era muito baixo...
Enfim, com o tempo começo a render-me às evidências e a preparar-me interiormente para ir deixando ficar para trás a esperança...
Haja muito solzinho e bom tempo, que disso é que precisamos!
Beijos a todas

quinta-feira, abril 20, 2006

"Rainy days..."


Quando a Primavera teima em não chegar, a chuva não vai embora, e o trabalho não dá tréguas... nada melhor que um bom relax...

Infelizmente, limito-me a olhar para a imagem do gato, que digo desde já, tem mais sorte do que eu, que já há muito tempo não sinto o privilégio de uma boa massagem. Aliás digo-vos, ando a precisar de ir pintar o cabelo e nem tempo tenho...

Por vezes olho para a minha vida e questiono se a estarei a orientar da melhor maneira, esta corrida desenfreada, as noites sem dormir, os cabelos brancos que não param de aparecer (daí a tinta!), um stress ilimitado, que contribuí com certeza em grande parte para esta ausência de descedência prolongada, esta falta de tempo crónica... Mas a verdade é que gosto da agitação, da adrenalina, da correria, dos desafios.

Enfim, as minhas mosquiteiras e as minhas incursões na blogoesfera têm ficado prejudicadas, desde já as minhas desculpas.

Beijos a todas

segunda-feira, abril 17, 2006

"Carta aberta a uma Amiga..."


Hoje estou de regresso das minhas mini férias na praia... Ah pois é! Estou aqui com um escaldão que nem imaginam. Isto de estar de perna ao léu a ler tem muito que se lhe diga... e "mea culpa", estou num estado lastimável.


Espero que tenham passado uma excelente páscoa, eu por cá estive como já disse a tentar fazer um bocadito de praia... ora como não deu, porque a nossa amiga chuva persiste por cá, ontem lá fui a uma daquelas reuniões familiares... Mais não digo! Hoje o solzito lá apareceu e vai aqui a mulher decidiu que tinha de investir um bocado no bronze... asneira!


Este "post", no entanto, não é para falar disso, é porque hoje a vida pregou mais uma rasteira a uma amiga. A Tiquinha. E por isso é para ela que escrevo hoje:


Querida Amiga,

Foi com grande tristeza que li a notícia de que os teus "congeladinhos" não acordaram do seu sono gelado. Para ser honesta, tanto tu como eu sabíamos que essa possibilidade era a mais provável. No entanto, ambas esperavamos que acontecesse algo de bom neste processo e que aquela pequenina percentagem de sucesso estivesse ali presente na hora da verdade.


É certo que, eu deste lado encarava essa hipótese com mais frieza do que tu, porque, amiga, bem sei, que desse lado daí acreditaste até ao último momento. E acredito que no momento em que recebeste a chamada, ainda ficaste esperançada que tivesse sido um erro qualquer.


Não foi! Ficaste destroçada, bem sei! Quando falamos tentaste parecer animada, eu tentei animar-te... era da praxe. No entanto, sei que foram ocas as minhas palavras, porque eu também não sabia o que dizer para aliviar a tua dor. No fundo do teu ser sei que acreditaste, porque eu também acredito. Mesmo nos momentos em que sei que é irracional acreditar, existe sempre uma vozinha cá dentro que diz - "É possivel!".


Sei que vais ter de passar este momento sozinha a "lamber as tuas feridas", e que vais conseguir avançar e que vais voltar a acreditar. Mas sei que não vais esquecer o peso da frustração porque eu também não consigo esquecer o peso da minha. Sei que vais continuar a sorrir por fora e a chorar por dentro porque é também o que faço.


Amiga, Quero que saibas que ao longo da caminhada vais contar com o meu apoio incondicional, e que provavelmente faremos juntas uma parte do percurso, desta longa caminhada que é a infertilidade. Que uma de nós consiga chegar ao fim, já é bom, se chegarmos as duas melhor ainda (as três "sorry" Alex), e que consigamos encontrar umas nas outras o apoio de que precisamos para manter estável este equilibrio tão precário que nos faz andar entre a loucura e a sanidade mental.


Beijos para ti Amiga


PS - Espero que gostes das flores são para te animares!!

terça-feira, abril 11, 2006

O encontro das "Mosquiteiras"

Como muitas já saberão, no Sábado passado, houve o encontro das "Mosquiteiras". Já vi pelas reacções no Bloga da Alexandra, que muitas ficaram tristes por não saberem do encontro. Ora, então passo a explicar:
Em primeiro lugar, isto de falar do encontro do passado Sábado quase a chegar a outro Sábado, não está com nada, mas o trabalho tem destas coisas, e ainda por cima eu devia estar oficialmente de férias. Portanto, já estão a ver, nem férias, nem tempo para fazer os meus comentários no blog. Isto realmente não há quem mereça...
Em segundo lugar, este encontro entre as meninas denominadas "Mosquiteiras", nada teve de segregacionista para as outras meninas nossas amigas e companheiras de luta. Aconteceu apenas porque entre nós "Mosquiteiras" se criou uma empatia especial, porque ao falarmos umas com as outras acabamos por descobrir que temos muitas coisas em comum: O sítio onde fazemos tratamentos, as profissões dos maridos, gostos comuns, etc.
Assim, decidimos oficializar as nossas conversas no messenger, com o conhecimento pessoal, principalmente o meu, porque a Alexandra e a Tiquinha já se conheciam.
Confesso, que não andava nada virada para isso. Quando comecei estas incursões na blogoesfera, não era de todo intenção minha "envolver-me" pessoalmente com ninguém, porque a interacção pessoal torna muito mais onerosa qualquer relação. É fácil, para nós opinarmos sobre os blogs e sobre os pensamentos alheios, porque estamos distanciadas, não conhecemos. No entanto, quando essas pessoas passam para a nossa esfera de conhecimento pessoal, e se tornam pessoas pelas quais nutrimos sentimentos de amizade, as coisas tornam-se mais dificeis.
Estas são algumas das razões porque nunca fui a nenhum dos encontros, e porque estive um pouco relutante em ir encontrar as "Mosquiteiras". Desde Sábado, estas minhas amigas passaram da esfera virtual para a esfera pessoal, o que acarreta uma responsabilidade maior.
Adorei conhecer estas novas amigas. São estupendas! Quando nos encontramos parecia que já nos conhecíamos há anos! Passamos um tempo estupendo juntas!
Isto de passar do virtual ao real tem muito que se lhe diga, e devo dizer-vos que se há 6 meses atrás alguém me dissesse que eu estaria a combinar encontros (ui! Isto soa a traição!) com pessoas que conheci através da internet, eu provavelmente diria a essa pessoa que estaria a precisar de tratamento. No entanto, tem sido tão mais fácil para mim partilhar convosco, companheiras de luta, esta faceta tão sombria da minha personalidade. Tem sido tão mais fácil aceitar as desilusões deste processo tão difícil, sabendo que estais desse lado, e que percebeis perfeitamente aquilo por que estou a passar, porque vocês também passam e sentem o mesmo...
Enfim, obrigada pelo vosso carinho! Mesmo não vos conhecendo pessoalmente (ainda) torço da mesma forma por todas e sei que torcem também por mim.
Beijos a todas

quinta-feira, abril 06, 2006

O primeiro passo

Ontem demos o primeiro passo para o nosso primeiro tratamento de infertilidade. Fomos a uma consulta de psicologia. Sim, porque no hospital onde andamos, não se faz nada sem se fazer primeiro a consulta de psicologia.

Confesso que ia um bocado céptica, mas o meu cepticismo desfez-se rapidamente no momento que transpus a porta do gabinete. Não esperamos muito tempo, o que aumentou o boa disposição claro. Ir a um hospital público e não aguardar mais do que 10 minutos é de facto de estranhar.

O gabinete, ao contrário da sala de espera era muito arejado e com um ambiente confortável, até acolhedor. Entramos, e ela começou logo a falar muito simpática, começou pelas perguntas mais básicas, para se ir aproximando lentamente do âmago da questão.

A idade, a profissão, as habilitações académicas... Para logo a seguir começar a perguntar há quanto tempo estamos juntos, como é que estamos a lidar com esta situação, etc, etc. Evidentemente não vos vou maçar com a descrição pormenorizada da entrevista com a psicóloga.

Foi importante é um facto, porque é bom sabermos que existe alguém para nos apoiar e a quem podemos recorrer se as coisas psicologicamente não estiverem a correr como queríamos.

Estivemos lá dentro uma hora inteira, depois de termos falado de tudo e mais alguma coisa, escutou-nos sem pressa, incentivou-nos a falar e participou activamente na conversa. No final, deu-nos um livrinho que o serviço de medicina de reprodução do hospital elaborou. Um livro muito bem elaborado, com uma linguagem muito simples e concisa, com algumas ilustrações muito explicitas.

Fiquei muito bem impressionada, espero continuar a ter bons motivos para escrever acerca das minha incursões ao hospital. Sempre que lá for escreverei, para que as que estão na dúvida acerca do sítio onde deverão fazer o tratamento, para aquelas que acham que os hospitais públicos são maus, e outras que no futuro venham a visitar este blog, com o intuito de aprenderem alguma coisa acerca da infertilidade e seus tratamentos, saberem com o que podem conter.

Por hoje vou terminar, deixo um beijo para todas vós, especialmente para as minhas "mosquiteiras".







sábado, abril 01, 2006

Reportagem DN de 1 de Abril - Dia do Mega Encontro

Mulheres inférteis unidas pelo desejo de serem mães

Maria João Caetano







Têm um "mega-encontro" marcado para hoje, por volta do meio-dia e meia, em Leiria. Saíram cedo de casa, vindas de todo o País, umas foram buscar outras, colocaram no carro uma fitinha azul e outra cor-de-rosa, "assim quando se cruzarem pelo caminho já sabem como se identificar". São poucas as que se conhecem de facto mas há meses que se encontram em fóruns de discussão na Internet e trocam mails. Foi assim que se uniram por uma causa, a infertilidade, e que criaram um blogue dedicado a este tema (http/unidasporumacausa.blogspot.com). Em comum têm anos de tentativas e frustrações. E são sobretudo mulheres. Dos 72 inscritos para o almoço só 13 são homens.


Estima-se que entre 10 a 15 por cento dos portugueses em idade fértil não consigam ter filhos sem ajuda médica. São cerca de 500 mil casais à procura de respostas. No entanto, esta "é uma doença que é vivida muito na intimidade, entre o casal", explica Cláudia Vieira, 31 anos, há três "nesta luta" por um filho . "Muitas vezes nem os amigos nem a família próxima sabem. A maioria não tem sensibilidade para compreender o que estamos a sentir."


Cláudia começou por fazer umas pesquisas na Internet, em busca de informação, e encontrou um fórum sobre infertilidade (http/bebes.clix.pt). "Eu até era um bocadinho avessa a estas coisas mas foi uma agradável surpresa. Encontrei mulheres com os mesmos problemas do que eu. Faz toda a diferença. É impressionante os laços que se criam. Sentimo-nos felizes com os sucessos umas das outras e também sofremos com os fracassos que, infelizmente, ainda são muitos." Em Dezembro do ano passado, criou o seu próprio blogue, a que, num tom optimista, chamou "the dream will come true".


Não é a única. "Ser mãe é ser eterna... e desde Março de 2005 que o tento ser", escreve Sónia no seu blogue. "Tenho 31 anos e o sonho de ser mãe. Não sei se algum dia conseguirei concretizar este sonho, mas lutarei muito por ele", assegura Cláudia. Depois de dois abortos, Ana está "à espera de um novo milagre". Elsa, 34 anos, conta as várias tentativas falhadas e não perde a esperança: "Sei que um dia serei mãe. Neste mundo cibernauta descobri amigas que me têm ajudado muito nesta luta."


É fácil encontrar na Internet os diários destas mulheres, com nomes como "sonho ser mamã", "à espera das estrelinhas", "wish for a baby", "sonho adiado". Aí partilham os sentimentos mais íntimos. Sónia passou por mais uma desilusão: "Cabeça erguida, começar de novo, até ao dia que Deus me dê o privilégio de ser mãe." "Se sou louca, vejo que não estamos sozinhos (eu e o meu marido) nesta loucura", diz Regina.



"Noutros países há uma tradição de grupos de entreajuda que funcionam em várias circunstâncias em que as pessoas se sentem desapoiadas. Há uma força que tem a ver com o facto de pertencer a um grupo", explica Isabel Leal, coordenadora da psicologia clínica da Maternidade Alfredo da Costa. Maria Paula Fernandes, terapeuta familiar, considera que a Internet permite abordar um tema que, antes, era tabu: "Já não é tão silencioso assim mas só porque mulheres de coragem criaram este espaço de debate".


Um dia, três "amigas de luta" sentiram necessidade de fazer mais do que conversar. O primeiro passo foi lançar uma petição a entregar na Assembleia da República, chamando a atenção para os problemas comuns (ver caixa). Depois, surgiu a ideia de criar uma associação. Explica Cláudia. "A questão é: como nos podemos ajudar umas às outras?" Ao princípio, todas querem perceber, saber quais as principais causas da infertilidade, quantos hospitais e clínicas existem, quais os métodos disponíveis, o que devem fazer. "Além dessas indicações mais práticas, nós, com a nossa experiência, podemos dar alguma orientação àquelas que, pela primeira vez, vão fazer um tratamento. Podemos dizer-lhes o que vão sentir e dar apoio."


A associação, cujo nome ficará hoje definido, tem já objectivos traçados: dar apoio médico e técnico às mulheres, criar uma linha de apoio individual e grupos de apoio psicológico. Para isso, as três fundadoras têm-se dividido em contactos com laboratórios e médicos ligados a esta área de modo a estabelecer parcerias. "Vamos fazer protocolos com clínicas e negociar com as companhias de seguros, queremos ter uma palavra a dizer na legislação e discutir a certificação das clínicas."


Nos blogues das "tentativas" contabilizam-se com entusiasmo todos os sucessos. São poucas as que desistem. "Vou ser mãe de qualquer maneira", afirma, determinada, Cláudia Vieira. "É difícil aceitar a doença e é muito mais difícil aceitar que não somos capazes de todo. O que nos move é a esperança." A psicóloga Isabel Leal compreende esta atitude: "Desistir é sempre complicado porque, de uma maneira geral, houve um grande investimento emocional. É entendido como uma derrota pessoal."

quinta-feira, março 30, 2006

"Quem me dera ter um filho" - The final cut


Acho que está na hora de terminar esta pequena saga sobre este livro. Foi muito bom constatar que todas gostaram, e melhor ainda, que muitas querem comprar este livro (acho que vou ligar para a Editorial Presença para pedir uma comissão).

O final não será por mim desvendado, até porque acho que perde a piada toda para aquelas que pretendem comprar o livro. As outras se pretenderem saber o final contactem-me nesse sentido que responderei individualmente.

"(...) Estou a ovular. Anda, rápido, vem para casa, temos de fazer amor já.
- Estou a meio de uma reunião. Quando estiver despachado, telefono-te.
- Não, James, preciso que venhas imediatamente para casa.
O que estava ele a fazer? Era vital que tivessemos relaçõess já. Naquele preciso momento, em que estava a ovular.
- Ligo-te mais tarde.
- Não James, anda...
Já tinha desligado. Atirei com o telefone à parede. Tinha levado quatro meses e meio a chegar àquele ponto, e agora ele ia estragá-lo chegando a casa tarde e o óvulo ir-se-ia embora, ou murcharia, ou fosse lá o que fosse. Precisávamos de fazer sexo imediatamente. Pus-me a andar de um lado para o outro da sala, a hiperventilar.(...) Raios me partissem se ia ficar à espera mais um minuto que fosse. Agarrei nas chaves do carro e fui(...).

"Tinha consciência de que estava a um passo de ficar maluca, mas tinhamos mesmo de fazer amor o quanto antes. De que valia seguir o tratamento se a seguir não tinhamos relações? Uma parte de mim estava zangada com o James por ele não perceber a importância de passarmos à acção no momento exacto. Mas também sabia que teria de fazer as pazes com ele para que ainda houvesse alguma esperança de fazermos amor naquele dia, por isso fui comprar-lhe uma camisa nova(...)"

Acerca de um amigo que tinha comunicado o nascimento de um segundo filho, logo após a notícia de mais um negativo:

"Sentei-me dentro do carro e tentei apaziguar o grito de dor que sentia mesmo por baixo do peito. Sabia que se o deixasse sair cá para fora, não seria capaz de o controlar. Respirei fundo... inalar, expirar, inalar, expirar. À medida que me ia acalmando, a minha angústia foi sendo substituída pela raiva e pelo ressentimento. Por que raio é que tudo aquilo era tão fácil para a Jess? Como é que ela era capaz de ter filhos como coelhos? Por que é que as coisas corriam duma forma tão tranquila à Jess, e à Imogen, e a toda a gente no raio do mundo inteiro? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Agora ia ter de ir visitá-la ao maldito hospital, e sorrir, e arrulhar com o bébé, e fingir que eram as melhores notícias que alguma vez recebera. Tinha ganas de matar alguém. Queria bater com o carro contra um muro. Aaaargh. Quanto mais é que seria obrigada a aguentar?"

A ida à maternidade visitar o novo rebento:

"Eu tinha começado a chorar. Sabia que tinha de sair dali antes de me ir completamente abaixo. Lá consegui dizer atabalhoadamente: - Tenho de ir andando - e saí disparada pelo corredor fora, indo de encontro a pais e mães extasiados pelo caminho. Não era capaz de respirar. Sentia-me como se me estivesse a afogar. Consegui chegar ao carro, sair do parque de estacionamento e descer a rua. Estava a chorar tanto que não via nada à minha frente. Só precisava de chegar a casa antes de me ir desfazer por completo em lágrimas. Precisava da segurança da minha casa. Carreguei no acelerador. Mais depressa, tinha de ir mais depressa.(...)

Só quando um carro da polícia encostou ao meu (...) me apercebi de que era a mim que estavam a perseguir (...).

Não fui capaz de me conter. Estivera o dia todo a ameaçar sair cá para fora. Um grito de angústia saiu-me da garganta. Sentei-me na beira da estrada e comecei a soluçar descontroladamente (...)

- Não percebo... Este tem sido o pior dia da minha vida... dezasete meses e nada... nenhum bébé... e eu fui visitar uma amiga que acabou de ter um bébé... e foi tão dificil... tantas mães e tantos bébés... todos tão felizes... tanto amor nos olhares... por isso tive de me vir embora... e vinha a conduzir e a chorar... eu não tenho nada... nenhum bébé... só exames e medicamentos horríveis que me põem louca... e o meu marido detesta-me... bom, ele não detesta, mas ando a dar com ele em maluco... ando a dar comigo em maluca... é tão dificil... Por que é tão dificil ter um bébé?"


E pronto amigas, termino por aqui este relato, queria deixar para o fim as partes mais dramáticas do livro para que entendessem, por que é que no primeiro dia vos disse que este livro me fez chorar de rir, para logo de seguida ser levada às lágrimas de verdade e de puro sentimento.

É tão fácil para mim rever-me nestes relatos, na verdade vejo cada uma de vós expressas neles, e pergunto a mim mesma quantas de nós aguentarão esta pressão a que estamos sujeitas e quantas ficarão pelo caminho da esperança... A ver vamos.

Beijos para todas!



terça-feira, março 28, 2006

"Quem me dera ter um filho" - Parte IV

Antes de mais peço desculpa pelo longo interregno entre a parte III e a parte IV. É que eu, eu primeiro lugar, ando com imenso trabalho (Desculpem-me "mosquiteiras" que vos deixo penduradas no Messenger!! Gosto muito de vocês!!), em segundo lugar, porque ando naquela altura do mês em que desejava ardentemente tirar umas férias de mim própria...

Não, não se assustem, não estou a pensar em nada de dramático, até porque não sou uma pessoa nada dramática. As que me conhecem melhor, sabem que encaro tudo com um certo humor, um pouco mordaz por vezes, mas não deixa de ser humor. O que acontece é que estou na expectativa da vinda do M. Red para este fim de semana (mais coisa menos coisa), e como desejava que ele não viesse, e não me foi diagnosticada nenhuma impossibilidade real para tal... Todas sabem do que estou a falar... e o que estou a sentir. Daí eu dizer que me apetecia ir de férias de mim própria e só voltar quando o dito amigo resolver aparecer ou não e apagar o tempo "in between".

É nesta fase que estou como a heroína do "meu livro", apalpo as "mamocas" várias vezes ao dia, para ver se doem, e as desgraçadas de tanto serem apalpadas acabam por doer, nem que não queiram; Procuro cheiros mais intensos para ver se estou enjoada; Espreito as cuequinhas à procura de alguma coisa mais suspeita, etc, etc, etc.

Bom, mas adiante, vou continuar o resumo do livrinho:

Acerca da toma de um medicamento: O clomifeno

"Quando o James chegou a casa, andei atrás dele pela casa fora a fazer-lhe o relato minucioso do meu dia. - ... E tenho de tomar estes medicamentos malucos que me fazem produzir montes de óvulos e existe a forte probabilidade de que eu possa vir a ter cancro nos ovários por causa dos medicamentos e morrer depois de ter os trigémeos.
O James ficou a olhar para mim embasbacado, com ar de desaprovação. - Cancro? Cancro, mesmo?
- Sim.
- Isso não é um bocado de mais, Emma?
- Não, é a única maneira.
- Então e que tal sexo à maneira antiga?
- Já tentamos isso, lembras-te?
- Então vais dar-me três filhos saudáveis e depois morres e deixas-me a criá-los sozinho?
- Filhas... e só te podes voltar a casar depois de cinco anos de luto, mas não com uma loira e muito menos com aquela vaca que vai sempre meter-se contigo depois dos jogos."

Amiga "mosquiteira" este parágrafo é para ti...

(...)
"Comecei o tratamento com clomifeno e, depois de ter engolido ansiosamente o primeiro comprimido, decidi ler o folheto explicativo. Nele, encontrei uma descrição dos possíveis efeitos secundários do medicamento, que íncluiam hiper-estimulação ovárica, aumento do tamanho dos ovários, com eventual ruptura, perturbações da visão, vermelhidão da pele, desconforto abdominal, naúseas e vómitos, depressão, insónias, aumento de peso, erupções cutâneas, tonturas e queda de cabelo. Fiquei a olhar para aquilo em estado de choque. Santo Deus! Ia ficar careca, suada, gorda e deprimida.(...)

"Mosquiteira" Tica, este parágrafo é para ti que gostas de perguntar muita coisa aos médicos, e que dizes que o meu médico parece um filósofo (ora imagina que o homem era jeitoso... Como é que eu ficava??)

"Mais uma vez dei por mim despida da cintura para baixo, deitada de barriga para cima e com as pernas flectidas. O radilogista era um homem, chamado Tom, em forma e extremamente atraente, o que só tornou a situação ainda mais desconfortável. Quando me sinto envergonhada, tenho tendência a compensar exageradamente, e começo a falar sem parar e com demasiada animação. Assim, quando o Tom me começou a explicar o que se ia passar, eu não parei de o interromper com deixas infelizes. Senti-me ridicula.
- Tal como com certeza já foi informada, os exames de detecção dos foliculos mostram-nos se os ovários estão a funcionar correctamente. Através destes exames podemos...
- Oh, estou a ver, pois. Vamos lá ovinhos, vamos lá coelhinho da Páscoa, Ah, Ah...
Ele olhou para mim, sorriu disfarçadamente e prosseguiu: - detectar o tamanho dos foliculos nos ovários durante vários dias para prevermos o momento da ovulação e avisá-la da altura ideal para a concepção.
- Então da próxima vez tenho de trazer o meu marido comigo para que possamos ir logo para o armário das vassouras, Ah, Ah, Ah?
Foi horrivel, tinha consciência de que estava a fazer figura de parva, mas era incapaz de me controlar. Estava uma pilha de nervos."

Bom por hoje fico por aqui, até porque isto de estar a escrever e a "fofocar" no Messenger tem o que se lhe diga, portanto, antes de mais peço desculpa pelos erros ortográficos que possam detectar. Podem sempre mandar uma reclamação por escrito...

Beijos a todas

quarta-feira, março 22, 2006

"Quem me dera ter um filho" - Parte III

Ora, tal como prometido, a saga continua:

"Depois de Perpignan, fiquei convencida de que estava grávida. Sentia-me permanentemente cansada e doíam-me as mamas... Se bem que isso pudesse ter a ver com o facto de eu não parar de mexer nelas para ver se estavam sensíveis.(...)

À medida que se aproximava o dia previsto para me vir o período eu apalpava regularmente os peitos só para ter a certeza que continuavam doridos. Também enfiei o nariz num prato com salmão fumado, e não há duvida que senti uma leve náusea. (...) Faltavam dois dias, um dia, dia previsto... nada. Viva, estava grávida. Fui a correr ao Boots comprar um teste de gravidez e, quando voltava para casa, senti-o. Tinha-me vindo o período. Fiquei arrasada."

Agora parte do diálogo entre eles quando ele foi fazer o espermograma... Delicioso!

"- As revistas foram suficientes.
- Eram recentes ou antigas?
- Antigas.
- Que nojo. As páginas estavam coladas?
-Bom, não. Se as páginas estivessem coladas, era sinal de que o tipo não tinha feito pontaria para o copo, não era?
- Foi dificil acertar dentro do copo?
- Era um bocado pequeno mas lá me arranjei.
- Quem me dera que dessem qualquer coisa para nós vermos quando temos de fazer esfregaços. Tornaria as cos muito mais simples.
- Porque é que não sugeres isso amanhã ao Dr. Philips?"

Bom, eu acho que quando for à minha próxima consulta de ginecologia, vou exigir, algo interessante para eu poder ver enquanto estou a ser examinada, que dizem?

"Decidi não levar o assunto da pornografia para a minha consulta com o Dr. Philips. Era um homem afectuoso, a meio da casa dos cinquenta, e acho que, só de ouvir a minha sugestão, era capaz de lhe dar uma coisa."

"Voltei ao consultório, subi para a marquesa e coloquei-me em posição. A radiologista mal-encarada aproximou-se de mim com um enorme bastão com uma cabeça redonda que se assemelhava notavelmente a um vibrador gigante. Contudo, qualquer coisa cá dentro me dizia que aquele monstro não me iria proporcionar nem metade do prazer do seu primo mais pequeno."

Acerca da histerossalpingografia:

"Adorei o Dr. Tunney. Era o meu tipo de médico. Senti-me à vontade com ele e comecei a acalmar-me. Seguindo as instruções dele, dobrei as pernas como um rã e esperei que ele inserisse um espéculo... o temido instrumento utilizado para fazer esfregaços. Logo que ficou no lugar, foi introduzido um cateter.
- Agora Emma, vou injectar a tintura. Isto pode arder um bocadinho...- avisou-me o meu herói.
De herói a vilão em três segundos... nunca tinha sentido uma dor daquelas em toda a minha vida. A tintura parecia arame farpado a ferver a explodir-me pelas entranhas. Fiquei tão alarmada com a dor que sustive a respiração.
-Está tudo bem, Emma, está quase a terminar- declarou o Dr. tunney ao ver a minha cara ficar azul - preciso que inale e expire profundamente várias vezes.(...)
Como é que alguém era capaz de descrever aquela tortura como "arder"? Foi aí que percebi.As duas pessoas que me tinham dito que era "simples" e "indolor" eram homens."

"Passados 3 dias voltei ao consultório(...)Dr.Reynolds perguntou-me como correra o exame(...) Tinha planeado contar-lhe que fora uma das experiências mais traumáticas da minha vida e aconselhá-lo a, de futuro, avisar as suas doentes, porque a idéia de "ligeiro desconforto" era absurda e que ele devia tentar enfiar arame farpado pelo pénis acima da maneira errada pra ver como aquilo se transformava em "ligeiro desconforto" (...)"

Ainda bem que não fiz este exame!!

Beijos para todas

segunda-feira, março 20, 2006

"Quem me dera ter um filho" - Parte II

Então, a pedido de algumas amigas, vou hoje, apresentar mais alguns "flashes" deste livrinho:

"Tudo começou duma forma perfeitamente inocente. Eu tinha planeado: Deixava de tomar a pilula em Dezembro, tinha relações, em Janeiro ficaria grávida, teria o bébé em Setembro, em Novembro arranjaria um treinador pessoal e pelo Natal teria recuperado a figura, e o bébé teria entrado numa rotina agradável, de forma a poder pavonear-me durante a quadra festiva com a aparência da modelo "Liz Hurley"."

Amigas, como é verdade isto, eu também já tinha decidido que o melhor mês para nascer um filho seria Março, porque poderia ficar de licença até Julho e depois ia de férias em Agosto... Estava tudo planeado.

"Era inacreditável, eu não estava grávida! Tivera tanta certeza que a dilatação do meu estomago era um bebezinho a crescer dentro de mim. Ao invés, eram uns "muffins" que tinha comido. Um grande choque, pois agora tinha a dupla desilusão de não estar grávida e de me sentir culpada por ter comido os "muffins" seguindo a fantasia complacente de que estava com desejos. Bolas agora ia ter de ir para o ginásio para desinchar a minha barriga não grávida."

"Passada uma hora estávamos na cama. Bem o James estava na cama a fumar o seu cigarro pós-coito (...) enquanto eu tentava fazer o pino contra a parede.
- O que é que estás a fazer?
- O pino - disse eu ofegante
- Por alguma razão especial?
- Para que o esperma tenha mais facilidade em nadar contra a corrente.
-Estás a gozar?
-Estou com cara de que esteja a gozar? - retorqui eu. Esta brincadeira da ginástica estava a revelar-se difícil."

Pois é verdade, eu também passei por esta fase, embora não de forma não radical. Eu era só de almofada por baixo...

"Porra. Porra. Porra. Continuava a não estar grávida.Bolas. tinha certeza que estaria. Tínhamos tido relações no décimo segundo, décimo terceiro, décimo quarto e décimo quinto dias do meu ciclo para jogar pelo seguro. Que raio se passava comigo?"

"senti-me fisicamente mal disposta. Vaca sortuda. Gémeos.Seria perfeito. O que é que se passava comigo? Devia ter falta de óvulos, ou então só tinha daqueles murchos citadinos. Maldita Imogen e mais os seus enormes óvulos, cavalares, férteis e campestres."

(Isto relativamente a uma cunhada que acaba de anunciar estar grávida de gémeos).

"(...) O dia seguinte era o décimo quarto do ciclo. Rezei para que o inchaço não fosse grave e para que ele se sentisse melhor... Porque, nem que fosse preciso amarrá-lo à cama e amordaça-lo, íamos ter relações."

Bom acho que por hoje já chega, até porque o meu marido também já começa a perder a paciência comigo de andar sempre de volta do computador a escrever no blog da infertilidade. Por isso é melhor abusar.

Espero que gostem, amanhã, a saga continua.

Beijos a todas

domingo, março 19, 2006

"Quem me dera ter um filho"

Acalme-se quem pensa que este é um título "dejà vu", que todas nós queremos o mesmo, bla, bla, bla. Este é o titulo de um livro que encontrei no Sábado e que comprei, porque reflexo condicionado obriga, e ultimamente compro tudo o que tem a ver com o tema...

A autora,Sinéad Moriarty (desconheço se sofre de infertilidade ou não), apresenta-nos um texto brilhante, com descrições simltaneamente hilariantes e verídicas, ao estilo de tragico-comédia.

Comecei logo a lê-lo no Sábado à tarde, e dei por mim a rir até às lágrimas, e logo a seguir a chorar, porque aquilo que estava a ler era um retrato fiel de mim mesma de há 2 anos a esta parte. Claro que não parei até ler tudo até ao fim, até porque a prosa era absorvente, e queria saber se no fim ela ia conseguir ou não... Li até algumas partes ao meu marido, e rimos juntos. Rimos como já não ríamos há muito tempo! Aliás rir é só uma das coisas que já não faziamos há muito tempo.

"Sentei-me na beira da cama e suspirei. Estava mesmo apanhada com aquela brincadeira do bébé. Será que todas as mulheres passariam pelo mesmo? Ter de andar a correr atrás dos maridos à espera que eles tenham uns minutinhos que dispensem para a procriação? Qual era a piada de ter relações com datas e horas marcadas? Porque é que eram as mulheres a ter o trabalho todo? Por que motivo teria deus decidido que seriam as mulheres a carregarem os óvulos? Por que razão teríamos de ser nós a suportar o ónus? Por que é que não poderiam ser os homens a controlar as descargas do pénis, e a fazer chichi para um bastonete e a arrastar as respectivas esposas para a cama para terem relações não espontaneas? Não era justo.(...)"

"O problema em fazer bébés era que tinha quase extinto o sexo espontâneo, do género arranca roupa (...). Agora era só cronometragem e datas(...)"

"(...)Não consigo imaginar nada pior do que ter de ir a um baptizado e ficar lá a ver toda a gente a falar amorosamente com duas gémeas lindas e a dizer aos pais delas como elas são encantadoras, e a ver com quem são parecidas(...), e como nunca se conhece o significado da palavra amor até se ter um filho, e como a nossa vida só está verdadeiramente cheia e completa quando experimentamos a alegria da maternidade. E depois vão pôr-se todos a olhar fixamente para mim a perguntar-me quando é que vou ter filhos."

Estas são apenas algumas passagens de 263 páginas absolutamente comoventes, contadas na primeira pessoa, que não resisti a partilhar convosco. É claro que todas nos identificamos com este singelo retrato, e todas nós passamos por situações como estas.

O problema da infertilidade, é que converte toda a nossa vida, e sem darmos conta passamos a ser comandados por uma questão que é somente uma ínfima parte da nossa existência. É como foi dito naquela entrevista do "expresso", um sonho que comanda as nossas vidas.

Ora, acho que está na hora de colocar um ponto final nesta situação! Quem tem de controlar as nossas vidas somos nós! Quero a partir de hoje deixar de andar com o calendário atrás, a controlar os dias e os mucos e a temperaturas! Quero sair e divertir-me e deixar de estar sempre a massacrar o meu marido com os temas "bébés" e "infertilidade"! Quero deixar de estar sempre a contar os dias que faltam para o aparecimento do período...

Acho que era realmente uma pessoa muito mais alegre e divertida antes deste problema... Acho que era menos amargurada e revoltada, tenho de reagir!

Já combinei com as minhas amigas, Sábado à noite vamos sair, e falar e beber uns copos, depois vamos dançar... "Sky is the limit".

Tenho pena de este Sábado não ter ido conhecer pessoalmente as minhas amigas, principalmente a Tiquinha e a Alexandra... Mas ocasiões não faltarão com certeza, e espero estar disponível para o próximo encontro.

Nos meus próximos "posts" deixarei mais um gostinho deste livro, se os vossos comentários forem favoráveis.

Beijos a todas

sexta-feira, março 17, 2006

Here by me...


I hope you’re doing fine out there without me
‘Cause I’m not doing so good without you
The things I thought you’d never know about me
Were the things I guess you always understood

So how could I have been so blind for all these years?
Guess I only see the truth through all this fear,
And living without you…

And everything I had in this world
And all that I’ll ever be
It could all fall down around me.
Just as long as I have you,
Right here by me.

I can’t take another day without you
‘Cause baby, I could never make it on my own
I’ve been waiting so long, just to hold you
And be back in your arms where I belong

Sorry I can’t always find the words to say
But everything I’ve ever know gets swept away
Inside of your love…

And everything I had in this world
And all that I’ll ever be
It could all fall down around me.
Just as long as I have you,
Right here by me.

As the days grow long I see
That time is standing still for me
When you’re not here

Sorry I can’t always find the words to say
Everything I’ve ever known gets swept away
Inside of your love

And everything I had in this world
And all that I’ll ever be
It could all fall down around me.
Just as long as I have you,
Right here by me.

And everything I had in this world
And all that I’ll ever be
It could all fall down around me.
Just as long as I have you,
Right here by me.

quarta-feira, março 15, 2006

Renascer...

Pois é... Cá estou eu renovada, e pronta para outra!

Não tenho sido presença muito assídua neste meu blog (mea culpa), tão só porque o tempo não é muito mas também porque como ando com a cabeça a mil, não tenho tido grande inspiração.

Tenho quando posso acompanhado os desenvolvimentos nos blogs da minha lista, e tenho falado com algumas amigas no msn. Nunca deixo de vir cá! A blogosfera já faz parte da minha vida.

Estou muito satisfeita pela onda dos positivos que se vive, parabéns a todas!

Não queria deixar de comentar, a reportagem que passou na RTP, a qual teve como protagonista a minha querida amiga Musa.

A reportagem, no meu entender, ficou mito aquém das expectativas. Esperava-se uma reportagem bem elaborada, desenvolvida, que falasse com maior amplitude deste problema, suas implicações e formas de resolução, ilustrando com histórias reais contadas na primeira pessoa. Que apresentasse as soluções existentes e mais importante do que isso, que referisse os custos exorbitantes que os casais têm de suportar para fazerem os tratamentos de infertilidade, sem qualquer contribuição por parte do estado português, do qual somos todos contribuintes pagantes.

No entanto, a reportagem, minimalista, limitou-se a referir a existência de uma petição, tal e tal... e já está (pelo menos foi esta a idéia com que eu fiquei)!

Ora, o público em geral (pessoas que não vivem por dentro este problema, nem sabem da sua verdadeira amplitude), ficou a entender o mesmo... Ou se calhar até ficou com uma idéia errada, daí que alguns colegas da nossa amiga lhe tenham dito que ela agora era uma estrela da televisão.

Aquela imagem da outra amiga nossa, a pedir as assinaturas, para o ouvinte menos atento, deveria parecer algo como um peditório para uma qualquer causa... E portanto, se mais tarde esse ouvinte menos atento, for abordado por alguém para assinar a petição fugirá a sete pés julgando que o que pretendem é dinheiro.

Francamente, poderia ter sido melhor! Muito melhor!

Queria aqui deixar este parágrafo para a minha amiga Musa: Realmente é muito estranho falarmos com as pessoas virtuais e depois vermos como elas são na vida real! Adorei a tua participação, a dicção, a maneira objectiva como falaste! És a cara de todas nós! Quantos aos teus colegas já sabes o que penso...

Num dos meus próximos posts vou comentar sobre o "negócio da infertilidade", mas isso será para quando tiver mais um bocadinho.

Beijos para todas

Finalmente... Fez-se música!!!

Eu e uma amiga da blogosfera estamos neste momento a fazer um teste... Posso assegurar que foi dificil conseguir colocar esta musiquinha aqui no meu bloguinho!!!

Obrigada amiga!

sexta-feira, março 10, 2006

Tenho tudo... E não tenho nada...

Tenho andado um pouco esquiva a este cantinho nos últimos dias... Isto porque uma vez mais fui brindada com o meu inseparável amigo mensal (gosta tanto de mim, nunca me larga!!!). E como, já referi sobejamente num dos meus "posts" atrás, a "dor da esperança" atacou-me em força este mês e não tinha vontade de fazer nada, mesmo nada.
A verdade, é que esta é uma dor recorrente, e que se agudiza mais e mais. É como termos uma ferida aberta que não deixamos cicatrizar porque alguém se lembra de lhe estar a mexer constantemente. E quanto mais mexemos... Mais dói!
Em vésperas de mais um aniversário, é usual fazer uma retrospectiva anual e de vida. O ano passado, por esta altura foi quando decidi dar o primeiro passo... Fiz a minha primeira consulta de infertilidade.
Claro que como todas nós, quando lá fui ia com a idéia de ouvir do médico algo do tipo: "tem de fazer assim..." "ou assim", ou "vou-lhe receitar aqui uns comprimidos...", ou então que a simples ida ao médico resolvesse um problema que ainda hoje me custa a aceitar.
Não foi assim... Aliás, na primeira consulta, além das perguntas mais indiscretas que eles têm de fazer (coitados) e que a nós nos custa responder, pouco mais se adiantou, somente uma quantidade de exames para fazer com a promessa do breve retorno, para analisar esses exames.
Confesso-vos que o retorno não foi breve...(É dificil a assunção de um problema desta dimensão), nós ao contrário de muitos casais que tentam 3 meses e entram em pânico e vão logo a correr para o médico (existem muitos), fazemos parte daqueles que depois de alguns anos a tentar ainda acham que vão conseguir...
Entretanto, fomos sobrepondo coisas e mais coisas, o trabalho, o trabalho, o trabalho... Só lá voltamos em Setembro novamente com os ditos exames, e a partir daí já sabem: A cirurgia, o diagnóstico, a espera, as tentativas, o ttt agendado (porque aos 35 não se pode tentar para sempre).
Ao analisar a minha vida nos últimos anos, vejo que alcançamos as metas a que nos propusemos, já fizemos aos 35 o que uma grande parte das pessoas não faz numa vida inteira. Temos uma vida boa! Temos uma relação boa! Temos uma família boa! Temos amigos bons!
Temos tantas tantas coisas boas na nossa vida... E não temos nada sem o nosso filho...
Beijinhos a todas e bom fim de semana

terça-feira, março 07, 2006

Distância



Para quando a realização de um sonho?

quinta-feira, março 02, 2006

As crianças

















Isto é o castigo que um pai se prepara para dar a seu filho...

















Ele cometeu um crime gravissímo....

















Tinha fome...
















Roubou um pão!

Recebi este email há dias... Fiquei chocada! Que personalidades se poderão formar destes castigos??

Beijos a todas!