- Porque será que a maioria da população portuguesa é constituída por pacóvios?
- Porque será que esses pacóvios decidem sair todos de casa ao Domingo?
- Porque será que esses pacóvios insistem, e sublinho a palavra insistem, em manifestar publicamente a sua pacovice, e obrigar os restantes transeuntes (não pacóvios presumidos) a levar com ela?
- Porque será que os pacóvios se reunem em bandos, nas bermas das estradas, a fazerem picnics temperados com pó e monóxido de carbono?
- Porque será que as bermas dessas estradas nunca mais ficam as mesmas depois da debandada dos ditos?
- Porque será que o primeiro fim de semana do Verão atraí resmas de pacóvios ao "seaside", que insistem em fazer praia, ainda que estejam a chover "canivetes"?
- Porque é que os pacóvios decidem ir todos de rádio para a praia, e insistem em ouvir os mesmos aos gritos, o que faz com que a música do pacóvio A, se misture com a do pacóvio B, e a deste com a do C, tornando impossível ouvir o que quer que seja (já não será suficientemente mau levar o rádio para a praia?)?
Em todo o caso, devo dizer que tenho andado a observar mais pormenorizadamente a evolução do pacóvio típico, e que já consegui notar alguma evolução, senão vejamos:
O pacóvio, está hoje mais atento aos problemas ambientais. Portanto, onde antigamente nas bermas das estradas se via lixo acumulado, das mais diversas estirpes, num raio de 5 Km, hoje constata-se que alguns (sublinhe-se a palavra alguns), estão a perder os bons costumes e já deixam ficar só um saco cheio de lixo no local dos seus picnics. É a preocupação ambiental que começa a preocupar os pacóvios da geração mais actual. Mas, é importante referir isto: Nunca o pacóvio deixa o local onde se refastelou juntamente com os seus, completamente limpo.
O pacóvio fala sempre muito alto, tem sempre medo que o seu interlocutor não ouça devidamente, e além de mais, é sempre importante que os demais partilhem da sua importante opinião sobre o estado do pais e do mundo. Mais que não seja, para que se saiba que o vinho custou 5 euros a garrafa ou que os seus filhos são filhos desta e daquela... Estes diálogos são sempre acompanhados do olhar em volta respectivo, para terem a certeza que TODA A GENTE ouviu.
O pacóvio ADORA andar muito devagar, e mais importante do que isso, adora andar devagar no eixo da via. Não vá outro pacóvio mais espertalhaço ter a oportunidade de o ultrapassar, o que fará com que ele tenha de acelerar para ultrapassar o outro pacóvio e assim sucessivamente. Porque um pacóvio é SEMPRE mais esperto do que os demais!
Os carros dos pacóvios são sempre mais limpos que os carros das outras pessoas, e estão sempre com um aspecto de quem acabou de sair do Stand (ou Stander em linguagem pacovita), são sempre modelos e marcas específicas (que não vou nomear por razões óbvias), e exibem sempre um estado de conservação magnífico, além de outras características que não vou enumerar.
Os coletes reflectores... Ah! São o gaúdio dos pacóvios!!! A essa fabulosa invenção da legislação portuguesa... Maravilha, pensem nos milhares de coletes reflectores pedurados nos bancos dos automóveis por esse país fora! Que belissimo objecto de decoração automóvel. Para não falar das bandeiras portuguesas que agora se misturam com os coletes reflectores, oferecendo um lauto repasto aos olhos dos não pacóvios presumidos. Isto, tudo fruto da grande evolução que os pacóvio têm tido nos últimos anos, porque até então os objectos de decoração mais comuns eram os "cãezinhos com a cabeça a abanar" e as almofadas de veludo.
Viva o Domingo! Arghh!
















